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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Digital não é digitalização...

 A primeira reação foi contar as páginas do caderno a entregar ao aluno, quando vigiei o primeiro exame. E fiquei espantado, 8 páginas!

Esta é a realidade. No ano passado, os professores vigilantes entregavam a cada aluno uma folha para resolver cada exame (4 páginas), o qual poderia solicitar mais para continuação. Mas este ano, o mínimo de cada caderno eram 8 páginas. 

Depois, porque tive de corrigir provas-moda de 9.⁰ Ano, percebi que não era nada favorável para os professores corretores. Como não se pode sublinhar, nem a lápis, dei por mim a registar os erros como se marca o ponto no jogo da sueca, obviamente para contabilizar no final... Já que no ecrã é impossível. 

Só imaginava como seria corrigir os exames de português do secundário...

Ou seja, se é para fazer exames em formato digital jamais se pode usar mais papel do que antes.

Depois, se alguém tem de corrigir, precisa de ser um programa que permita riscar e sublinhar, mesmo que seja virtualmente e para apagar após a correção. 

Neste momento importa pouco quem é o responsável, mas será necessário resolver o problema. Não está errado em experimentar e correr mal, mas é muito mau quando não se reconhece o erro, não se pede desculpa e até se atiram responsabilidades para os outros...

Como resolver?

Um passo atrás:

- Reunir os envelopes e ativar novamente a correção no papel.

No próximo ano, perceber que só pode ser digital se existirem computadores nas escolas para todos os alunos envolvidos... para que os exames possam ser mesmo digitais e não apenas digitalizados.

Quanto às responsabilidades políticas, nem quero saber, entendam-se... Aliás, ganham muito para se entreterem com isso!

Mas interessa-me saber que os alunos não serão prejudicados, o que requer sensatez e humildade no assumir responsabilidades!



sexta-feira, 13 de junho de 2025

"Enquanto falam da tua vida, a deles está parada!"

 A Escola tem destas maravilhas. A troca de saberes. 

 

Esta frase foi proferida pela Rossana Portugal, aluna de Português, a frequentar o 11.º ano, quando trocávamos com toda a turma algumas impressões sobre a sociedade portuguesa no geral, depois de analisar a poesia de Antero de Quental e Cesário Verde.

 

E se há maravilhas no ensino, uma delas é certamente ver os alunos a progredir. Não apenas a passar de ano, mas sobretudo a crescer e mostrar o seu pensamento, a sua linha crítica, misturando o conhecimento empírico com a sabedoria adquirida no final de mais um ano letivo.

 

E é mesmo assim! "Enquanto falam da tua vida, a deles está parada!"

 

O conhecimento diz-nos que é muito bom ter amigos, ser muito bem visto socialmente, na comunidade, no bairro ou na aldeia, mas a sabedoria diz-nos que o mais importante é estarmos bem com a nossa consciência. 

 

Não se perdem amigos depois dos 40 anos! Ou se ganham ou somos afastados daqueles que nunca foram verdadeiros amigos. É verdade que estão ali ao final da tarde no café. É ainda mais verdade que até dizem bem de nós muitas vezes. Mas é sobretudo verdade que são os que mais nos criticam quando deixámos de fazer o que eles querem, porque não concordamos com as suas atitudes, porque não estamos neste mundo para agradar aos senhores fulaninhos e, principalmente, quando deixamos de trabalhar para eles gratuitamente ao apercebemo-nos que as suas intenções nunca foram o bem do coletivo, mas o seu umbigo.

 

Agora a vida é bem mais leve. Os amigos são apenas os de verdade. Continuamos a cruzarmo-nos com muitos, mas ficam poucos. Não somos mais os bombeiros para todos os incêndios. Mas somos livres e felizes deixando marca própria e o verdadeiro legado para quem amamos.

 

"Enquanto falam da tua vida, a deles está parada!" E a vida segue!

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Carta aberta ao Sr. Ministro da Educação: Como acabar com o problema da falta de Professores e valorizar a profissão

Exmo. Sr. Ministro da Educação,

Quando um aluno termina o curso quer trabalhar e está disposto a ir para qualquer lado, mas o mesmo não acontece a quem já tem família constituída…

Como acabar com o problema da falta de Professores e valorizar a profissão

Após o levantamento dos profissionais necessários em cada QZP:

1 – No próximo concurso 2023/2024, depois dos lugares preenchidos pelos QA e QZP (continuidade ou mobilidade), EFETIVAR todos os docentes CONTRATADOS que entrarem até à segunda reserva de recrutamento - RR2 (que se candidatarão para zonas que pretendem ir e permite às Escolas completar em grande parte as necessidades) e, logo a seguir, todos aqueles que têm sido colocados nestes últimos três anos (significa que a Escola Pública precisa mesmo deles para funcionar e nessas zonas);

2 – Permitir que os Professores em QZP optem por fixar residência (e tenham um contrato de trabalho alargado ou efetivar mesmo na Escola da colocação, de modo a garantir que valerá a pena comprar casa e fixar-se) ou a possibilidade de continuar a candidatar-se a mobilidade para aproximação à residência (candidaturas anuais ou bienais).

3 – Nas zonas em que se verifique, mesmo assim, falta de docentes, criar apoio nas ajudas de custo, seja através de apoio monetário direto ou através da possibilidade de usufruírem de uma casa (há imensos aparthotéis que ficam desocupados e poderiam ser rentabilizados a preços controlados).

 

Outros procedimentos (atratividade da carreira)

4 – Acabar com as quotas no 5º e 7º Escalões;

5 - Recuperar o tempo de serviço congelado (mesmo de forma parcelada, por exemplo, 2 anos em cada ano letivo…);

6 – Aumento salarial conforme a inflação.

7 – Voltar a dar o voto aos Professores para eleger os corpos diretivos das Escolas.

 

E mais alguns procedimentos (qualidade educativa)

8 – Fazer um levantamento das condições das Escolas no País e intervir nas obras ou equipamento (Há Escolas sem aquecimento nas Zonas onde os invernos são rigorosos…);

9 – Reorganizar a forma de gestão de projetos educativos e adequar de forma equilibrada a cada agrupamento;

10 – Melhorar a forma de comunicação e ajustar os documentos para evitar o quadruplicar de trabalho e informação.

Os pontos a ter em atenção não nos parecem muito complicados, julgamos que se tratará apenas de uma questão de gestão de recursos humanos e uma enorme vontade em contribuir para uma maior estabilidade da Escola Pública. Na verdade, o interesse máximo que uma Nação deveria ter para dar acesso livre e gratuito a todas as crianças e jovens que procuram dar a melhor Educação aos seus educandos.

 Com os melhores cumprimentos,

Pedro Sousa, Professor

 Nota: Carta enviada por email para Direção-Geral da Educação (dge@dge.mec.pt)

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

É preciso criar nichos de programação cultural pelo concelho!

Educação, Cultura e Arte.

As artes não levam a melhor quando se fala em Orçamento de Estado. Há mesmo associações artísticas que tenham visto as suas candidaturas serem rejeitadas pela dgArtes, quando já estavam mais do que enraizadas em comunidades deste país e a fazerem trabalhos de alto nível cultural e artístico. Os apoios ao Desporto são feitos em milhões, enquanto para a Cultura e as Artes são migalhas. E até se compreende que haja um forte investimento no Desporto, pela sua importância no desenvolvimento pessoal, físico e psíquico, mas a Cultura e as Artes não são menos importantes na construção social e humana.

Em pleno século XXI, e com o Governo central a prosseguir a mesma bitola, é essencial que os Municípios percebam que lhes cabe o papel de construtores de comunidades mais saudáveis, mas também mais cultas. Certamente que todos perceberão que uma Câmara Municipal não é uma Escola, mas é com toda a certeza um elemento fundamental no processo educativo. As cartas educativas merecem ser revistas e ampliadas. Incluir o desporto, a cultura e as artes e pensá-la em conjunto com agentes culturais (associações, escolas, empresas…) vai permitir alargar o leque a todo o concelho e com isso envolver mais a comunidade, não só os de tenra idade para criarem hábitos de prática e consumo cultural (teatro, música, cinema, fotografia, escultura, pintura…), mas também aos adultos, que podem seguir passos idênticos, envolvendo-se nas mais diversas manifestações e criar rotinas motivadoras e de elevação pessoal.

Redes concelhias de partilha de produção cultural e artística, à imagem do que acontece com atividades desportivas, ou mesmo na facilidade em contratar artistas e as suas programações, que encontram numa cidade mais do que uma representação, terá de ser um assunto a considerar para colocar um concelho em movimento e constante construção humana.

É preciso repensar a cidade no desporto, na cultura e nas artes!

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

O Estado tem Professores altamente qualificados a preço de saldo!

Sem qualquer dúvida que pouco ou nada adiantará mais aos Professores do que aguardar, calma e serenamente, pelo tempo em que as escolas estejam impedidas de funcionar porque não há ninguém para lecionar. Nem greves, nem gritos, nem remendos à pressa fazem mais parar a queda acentuada da procura pela profissão.

Já o escrevemos que antes era vantajoso começar a dar aulas mesmo sem ter terminado o curso. Agora não! Agora são mesmo os jovens que não querem ser professores…

Mas isto não contraria todo um rótulo de profissão apetecível? Com muitas férias? Com altos salários? Com a qualidade de vida invejável?

Pelos vistos, nem por isso… Onde estará mesmo o problema?

A grande questão reside mesmo no estilo de vida que poucos, mesmo muitos poucos, estão dispostos a suportar. Deixar a sua residência e sua família, durante a semana, e ter de suportar uma despesa acrescida com renda e viagens. Fazer quilómetros todos os dias. Apostar sistematicamente em Formação Contínua, aplicar-se em grandes projetos e aulas assistidas para no final se contentar com uma avaliação mínima, porque o sistema de avaliação é por cotas… o que impede de evoluir na carreira e ganhar pouco mais do que o salário mínimo.

Como se não bastasse tudo isto, um Professor, que coloca todo o seu conhecimento ao dispor da Escola que o contrata, mesmo que tenha um Mestrado ou Doutoramento, não vê a sua aposta em formação superior, altamente qualificada, reconhecida, só porque tirou os cursos antes de ingressar na carreira docente, ou seja, era contratado e isso implicava um despedimento a cada 31 de Agosto.

O Ministério da Educação, assim como o grupo parlamentar que o suporta, não estão dispostos a atribuir incentivos aos professores que ainda arriscam centenas de quilómetros para colmatar a falta de professores. Também não aumentam salários aos mais novos, aliás como fora indicado pela OCDE. Não contabilizam a aposta dos seus profissionais em cursos de especialização, como se o mesmo mestrado ou doutoramento valesse menos cientificamente só porque o professor não era dos quadros quando o frequentou.

São muitas as razões para dizer que o Professor é um privilegiado, mas nem isso faz aumentar a sua procura…

Aos Professores só resta mesmo esperar, calma e tranquilamente, até que a sua falta seja tão óbvia que faça parar a sociedade, porque os pais não têm onde deixar os seus filhos para ir trabalhar, enquanto são formados por profissionais qualificados, e até que o Ministério perceba que tem mesmo de valorizar logo os professores contratados para que estes queiram ingressar na carreira. Mas este ingresso implicará salários condignos e reconhecimento das suas habilitações académicas como qualquer empresa que contrata profissionais com Licenciatura ou já com Mestrado e Doutoramento.

sábado, 29 de outubro de 2022

Se a empresa onde trabalhas te pagasse o mesmo e te mandasse para Lisboa ou Algarve, tu ias?

 A maioria das pessoas não conhece, e nem tem de conhecer, como funcionam os concursos de Professores. Daí que se ouçam muitos comentários, quando alguém se queixa de ter de fazer inúmeros quilómetros para trabalhar e não tem ajudas de custo.

Lia esta semana o seguinte comentário: ‘eu também vou trabalhar para o Porto todos os dias e não tenho ajudas de custo’.

Ora lá está… Alguém que parte do princípio que as profissões são todas iguais e ganham todos da mesma forma…

Mas vamos lá colocar isto de outra perspetiva: Se o teu patrão te dissesse que todos os anos tinhas de ir para uma cidade diferente do país, de norte a sul, e pagava-te o mesmo ordenado, tu ias?

Os alunos passam mais horas na Escola do que os pais a trabalhar!

 Estarão os métodos de ensino mesmo desajustados da realidade?

Há uns anos a esta parte parece que só era considerado bom professor quem enveredasse por usar muitos recursos digitais. As reuniões eram todas à volta de mais um projeto lançado às feras e lá apareciam as célebres frases feitas: ‘é o que os jovens querem…’. Como se de repente o que se tinha feito durante anos a fio não fizesse mais sentido e as investigações de pedagogia perdessem total credibilidade.

“Manuais digitais afinal podem prejudicar a aprendizagem dos alunos” foi um dos títulos que mais me despertou a atenção na comunicação social durante o fim de semana. Não consegui mesmo ficar indiferente. Afinal, a tão endeusada tecnologia parece não ter assim tantos benefícios, pelo contrário, até pode mesmo ser prejudicial. Mas era preciso tanta coisa para perceber isto? Não servirão de nada os ensinamentos que temos de tantos mestres de renome internacional quando nos apresentam os seus cadernos riscados e os esboços em carvão?

A tecnologia é importante, sim, mas para auxiliar. Nunca substituir o lápis e o papel. Quer pela destreza de raciocínio, quer pela questão motora. Um bom Arquiteto faz sempre o esboço antes de qualquer projeto no digital. Um escritor também…

Mas o que realmente leva à desmotivação dos jovens?

O segredo está nos Professores Contratados

 O problema das Escolas e da falta dos professores está nas bases e só avançará com uma verdadeira aposta na melhoria de condições aos professores contratados.

 

Afinal, não basta autorizar todo mundo a dar aulas... é preciso valorizar a profissão: Aumento de salário, ajudas de custo a professores deslocados a mais de 50 km, progressão na carreira sem avaliações por quotas. Se é excelente não é muito bom e se é muito bom, não é bom! Onde já se viu uma Escola só ter um Excelente para atribuir, dois muito bons e o resto bom ou por aí abaixo?

Se três alunos tirarem excelente, o professor não vai dar a nota só a um, tem mesmo de a dar aos três. Por que não é assim na avaliação dos Professores? Fácil, assim só sobe de escalão o excelente e são mais uns milhares de euros retidos… Isto cabe na cabeça de alguém?

A Escola está desatualizada?

 Será mesmo? Ou isso acontece se não se refletirem nos conteúdos?

Se trabalhar Saramago, Memorial do Convento, claro que tenho de orientar os alunos para a obra e sua estrutura. Há uma análise dos conteúdos estilisticamente, mas para mim é obrigatório colocar os alunos a refletirem e discutirem sobre os assuntos abordados e a sua aplicabilidade atual. Muitas vezes acabamos a uma análise mais profunda na sociedade atual, mas cabe-me a mim ir gerindo de forma a comparar com a obra, o que torna depois as sucessivas análises bem mais fáceis e, talvez, mais importantes. Ou seja, a escola clássica não estará tão desajustada, apenas precisa de afinações sérias e ajustadas...

A minha Faculdade preparou-me para pensar e fazer pensar, eu sei que muitos não o fazem. A questão é o ensino tradicional ou os professores tradicionais? Os que seguem apenas as indicações dos manuais?

Se os Professores fossem a Brigada de Trânsito… chumbava tudo!

 As atitudes ficam com quem as pratica, é bem verdade, mas andar a ‘pregar’ valores de cidadania aos jovens nas Escolas de pouco ou nada adianta se o mesmo Estado que tutela os Professores, dando orientações para que o ensino insira as aprendizagens essenciais com o objetivo de capitalizar todos os esforços e nenhum aluno saia excluído, é o mesmo que tutela a Brigada de Trânsito e lhes permite que se escondam em carros descaracterizados numa autêntica caça à multa.

Onde estão os valores da cidadania aplicados à sociedade?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Professores, greve de uma semana para começar a luta?

 Os Professores… os Professores… os Professores…

 Nas últimas semanas, a palavra ‘Professores’ tem sido a mais badalada na comunicação social. A falta de professores está demasiado evidente e não era de esperar outra coisa, bastava olhar para as Escolas e ver discrepância de idades. A maior parte dos docentes anda na volta dos 60 anos, depois aparece a malta dos 40 e a seguir os acabadinhos de sair das faculdades, sendo estes últimos em menor número, não só porque ainda precisam de ganhar tempo de serviço, mas sobretudo porque há muito poucos que querem ser Professores.

 As regalias dos Professores é o ponto mais evidente que leva a sociedade a olhar para os Professores como uns privilegiados. Na verdade, até eram mesmo! Mas eram os mais velhos, os que já estão na reforma. Tinham muitas regalias, trabalhavam perto de casa e eram uns senhores… Claro que isto não se aplica aos dias de hoje. Quem quiser trabalhar desde o início do ano tem de se sujeitar a trabalhar longe de casa, principalmente na zonas de Lisboa ou Algarve, pagar rendas altíssimas que podem variar entre os 275 euros por um quarto e os 450 ou 600 por um apartamento. Ou seja, mais de metade do ordenado está destinado logo à partida, o que sobra para o resto às vezes não chega ao salário mínimo…

 É claro que ninguém é obrigado a seguir a carreira. Poderá ficar nas terrinhas e trabalhar noutra coisa, se é que há trabalho para todos, mas como tudo na vida, as opções estão ao dispor de qualquer um e não é com queixas que se muda o sistema. Quem quer vai, quem não quer que arrepie caminho.

 As Escolas também não estão no cenário mais apetecível. Há burocracia a mais. Muitos papéis a preencher que não servem para nada, a não ser para deixar tudo bonitinho para o caso de uma inspeção. As planificações, as aprendizagens essenciais, os critérios de avaliação, as grelhas de avaliação, os vários documentos para os alunos com Necessidades Educativas

Especiais, os planos das tutorias, mentorias… Na verdade, se eu mandasse, a maior parte destes documentos eram reduzidos a três ou quatro e fazia tudo na mesma. Talvez tivesse era tempo para planificar bem as aulas, dar mais atenção aos alunos com as suas inúmeras dificuldades e problemas e, ainda, ter tempo para construir os melhores projetos, fossem estes para o Projeto Maia ou o Ubuntu.

 Há uma necessidade urgente de descomplicar as Escolas e permitir que os professores se possam voltar a concentrar no mais importante: o aluno. O aluno tem de voltar a ser o centro da Escola, não as papeladas, e conseguir com isso traçar o melhor percurso que pode e deve ser cada vez mais prático e experimentado na sociedade civil (associações, autarquias, empresas…), sempre auxiliado pelo conhecimento e rigor científico.

 Os professores têm sido os maiores inimigos dos Professores!

 Não é o Ministério que faz as grelhas, ainda que lance a confusão para as Escolas, são outros Professores. Também não é o Ministério que marca as greves, são outros professores nos sindicatos que teimam em agendar às sextas, descredibilizando a luta e dando a ideia de fim de semana prolongado.

 Não faço greves de um dia! Mas estou disponível para começar a fazer uma semana inteira. É preciso ir à luta como foram os camionistas. É preciso fechar as Escolas para que a sociedade perceba que não consegue funcionar sem as Escolas. Se os alunos não estiveram nas Escolas, os paizinhos terão de se ocupar deles ou ficarão nas ruas e, desta forma, iniciar-se-á uma preocupação maior das autarquias com tantos jovens, sem ocupação, a deambular pelas ruas da cidade.

 Basta de brincar aos Professores e às grevezinhas! É preciso ir à luta e exigir o que já é atribuído a outras profissões, sejam ajudas de custo (deslocações e estadias), seja no aumento salarial que está cada vez mais próximo do salário mínimo, seja na reorganização administrativa do sistema.

 Voltar a centrar a educação nos alunos é apostar definitivamente no futuro de Portugal!

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

A Educação aos pontapés

 Já todos percebemos que a Escola é o local onde os pais deixam os filhos para irem descansadinhos para o seu emprego! E, na verdade, nada contra isto! Muito pelo contrário. Enquanto Professor, quero mesmo que os Pais sintam que podem estar à vontade porque há instituições de confiança, onde a transmissão de conhecimento se associa à sã convivência e ao salutar crescimento intelectual e humano.

Uma Escola tem de ser o local onde se experiência, mas também onde se brinca com qualidade.

A Escola, infelizmente porque não deveria ser necessário, continua a ser o local de crivo da sociedade. É na Escola que conseguimos perceber se uma criança anda a a comer convenientemente, se está bem física e psicologicamente, são travadas aberrações culturais como casamentos de menores ou o arranhar da garganta quando esta dói...

Mas também é a Escola que está embrenhada em papéis. A burocracia é imensa e era tão simples de resolver o problema, bastava que o Ministério tivesse Professores do terreno a construir medidas com conhecimento de todas estas realidades.

Um Professor, depois do seu horário, nunca sabe muito bem para onde se virar, mas tudo seria bem mais fácil se os montões de papéis fossem substituídos por grelhas simples e fornecidas :

Professor/Disciplina: Planificação da disciplina; Manual adotado; Recursos didáticos.

Diretor de turma: Contactos do Conselho de Turma; Contactos Encarregados de educação/alunos; Caracterização da turma; Documento para kit tecnológico; Ficha de justificação de faltas; PCT.

Tutoria: Plano individual do/a aluno/a.; Relatório Breve.

Todos os outros programas e programinhas, Projeto Maia e afins, não podem deviam ser vistos mais do que possíveis indicações para melhoria pedagógica. Torná-los obrigatórios é suprimir o que de melhor a Escola pode ter, a criatividade pedagógica. Claro que eles apontam nesse sentido, mas para isso acontecer é preciso criar estruturas de base: turmas mais reduzidas e programas menos extensos.

Se eu mandasse, todas as grelhas não tinham mais do que uma página!

Enquanto vou conseguindo, as minhas aulas vão-se revestindo de:

- Textos criativos; Leitura; Dramatização... Diálogos sobre tudo e sobre nada!

- Exposição teórica, auxiliada pela investigação (rápida) dos alunos;

- Construção de projetos de intervenção profissional (culturais, artísticos, desportivos...);

As minhas aulas, na verdade, não são mais do que laboratórios científicos, onde os alunos podem errar todas as vezes e o menos possível na avaliação!

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Querem que os vossos filhos passem sem saber?


Avizinham-se tempos difíceis para a Escola!
São cada vez mais as notícias sobre o flagelo em que se transformou a escola portuguesa. Milhares de alunos sem professores. Escolas degradadas e sem funcionários suficientes. Alunos à deriva sem perceber o que fazem ali. E, depois, há os que continuam a querer aprender porque sabem que só assim podem evoluir nas suas opções vocacionais.
Há de tudo! Menos, professores e funcionários suficientes, claro! Até já há Câmaras (Lisboa, Oeiras e Faro) a pedir soluções ao governo, pois já se aperceberam que podem ficar com milhares de jovens nas ruas, porque não têm professores para os orientarem... depois serão os pais, que não sabem onde os depositarem, mas tudo a seu tempo!
Sou muito a favor da Escola pública, em primeiro lugar. Depois, sou ainda mais a favor da oportunidade para todos. Mas em terceiro, e não menos importante, sou a favor de deixar aprender quem realmente quer aprender. E, por esta última razão, considero que deveria existir um ajustamento ao atual sistema de ensino. Com isto não quero, de modo algum, deixar de apostar numa educação inclusiva. Há alunos com Necessidades Educativas Especiais que, devidamente acompanhados, são capazes de ultrapassar muitas barreiras e começar a acompanhar os demais colegas. Mas há aqueles em que a Escola não lhes diz nada e só estão na sala de aula para não ter falta. E perturbam. E recusam-se a trabalhar. E não fazem mesmo nada, por mais estratégias que se criem. Não estariam melhor estes alunos em aulas práticas?
Parece que vem aí uma nova onda. Sucesso máximo! Todos vão passar até ao nono ano. Será mesmo assim?
Confesso que nenhum diretor ou Ministro, por mais poder que possa ter, me vai fazer passar um aluno que se recusa a trabalhar numa aula e só escreve o nome no teste porque é obrigado a identificar a sua prova. Jamais! Até pode passar, mas será administrativamente e nunca porque a minha pessoa lhe atribuiu uma nota positiva.
Ao contrário, um aluno que até possa ter uma prova menos boa, mas mostra empenho e interesse em resolver os exercícios que lhe são propostos, poderá evoluir para outro nível de ensino sem problema, afinal existiu o que mais importa no ensino-aprendizagem, ou seja, a capacidade de questionar o problema e a tentativa da solução do problema.
Eu não quero que o meu filho tenha um ensino facilitador, mas quero que ao meu filho lhe seja dada a oportunidade de aprender as regras para que ele depois possa criar a sua própria linguagem.
Se as leis deixassem de ser pensadas nos gabinetes de Lisboa e fossem construídas a partir das salas de aulas, certamente que o ensino melhorava sem problema. Mas todos sabemos que é bem mais cómodo construir projetos idealistas, no quentinho do ar condicionada, do que realistas, no frio dos corredores.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

A (in)disciplina nas Escolas só precisa de uma mudança de paradigma


Carta aberta ao Sr. Ministro da Educação,

A Escola está desajustada!
Os professores desesperados, esgotados e desmotivados! É preciso fixar mais professores nas escolas. Corpo docente estável. Melhorar o ordenado no início da carreira e não só no final. Ajudas de custo para estadia e deslocação como fazem com Juízes, Médicos e Políticos.
Os alunos há os que estão disponíveis para agarrar o sistema de ensino tradicional e os outros, menos, que a Escola não lhes diz nada, pelo menos aquela escola a que são obrigados.
Ao fim de um mês de aulas, um professor já sabe quem está enquadrado no sistema de ensino regular e quem deveria seguir um percurso alternativo, mas o aluno não o faz porque ainda não tem idade para o efeito.
Pensar que se deveria mudar todos os métodos de ensino é um erro. A maior parte dos alunos, no ensino regular, seguem perfeitamente o ensino tradicional. Usam com facilidade o manual, o caderno e o lápis. São capazes de ler um livro e de escrever textos, basta que o professor oriente nesse sentido. Depois, mesmo depois, há os outros, aqueles que não querem nada de nada. E o problema reside precisamente aí.
A indisciplina é constante na sala de aula. Está localizada. São sempre os mesmos a ter o mesmo comportamento, aula após aula, disciplina após disciplina. Há mesmo miúdos muito mal formados. Falta-lhes casa, falta-lhes família, falta-lhes alguém que os acompanhe e pergunte tão-somente ‘como correu o teu dia?’.
Ainda que não se possa substituir ou reeducar os pais, não estará na altura de alterar as regras e construir nas escolas oficinas com percursos alternativos, aulas práticas (Pintura, cerâmica, fotografia, carpintaria, padaria, pastelaria…), para alunos que não se revêm na escola tradicional? Disciplinas em que os alunos possam ter umas aulas de Linguagem e Comunicação (Ler, escrever, pensar…) e Cálculo de manhã e Oficinas à tarde? Oficinas que os coloque em trabalhos práticos e a ver no imediato o resultado ou crescimento do seu trabalho?
Por que só existem essas possibilidades se eles reprovarem vários anos?
São esses alunos, desmotivados na sala de aula, que criam os maiores problemas e procuram refúgio em tudo o que não seja aula (telemóvel, pontapé na cadeira do colega, cotevelada…), afinal, ali, aquele lugar, é para eles uma ‘grande seca’.
O problema não é difícil de resolver, está localizado, haja vontade política!

Agradecendo o melhor da V. atenção,
Pedro Sousa,
Um Professor (Antigo da República da Praça em Coimbra) que já lecionou em todos os sistemas de ensino (Regular, Profissional, Formação Profissional, Especialização Tecnológica no Ensino Superior)

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Alunos, Encarregados de Educação e Professores, Vamos todos às aulas?


O ano letivo está a começar. Talvez seja importante (re)lembrar que a Escola não é só o lugar onde os pais deixam os filhos durante o dia e os vão buscar à noite, quando estes não chegam a casa nos autocarros destinados para o efeito.
Começar por desejar um bom dia de aulas e perguntar como correu o dia é o que todos deveriam fazer por norma, mas pelo menos, vão perguntando como vão as coisas e não partam para agressões violentas, certamente, em muitos casos, os vossos filhos não precisam de avaliadores em casa, mas de alguém que os motive e dê força para os contratempos que vão aparecendo durante o ano letivo.
É mais do que evidente que não se vai desculpar tudo o que os meninos e meninas vão fazer de menos positivo, afinal, o trabalho deles é aquele e é na escola que têm de dar a sua produção.
Já os Professores, esses são aquelas ‘aves raras’, uns totós que acham que podem mudar o mundo e que o mundo não avança sem eles, na verdade, até têm razão. São uns chatos dos diabos, quando ninguém acredita mais na pessoa, lá vem o Professor com mais uma estratégia de remediação para tentar levar aquele ser humano a encontrar uma luzinha, por mais pequenina que seja, no fim do túnel.
Professor que é Professor nunca desiste de um aluno! Muitas vezes, o aluno não acredita nem um bocadinho em si próprio e o Professor aponta mais um caminho a seguir. Claro, lá está mais uma vez a dar trabalho ao menino ou à menina, mas é fantástico ver o orgulho nos próprios alunos quando conseguem atingir os objetivos que já tinham sido dados por eles próprios como perdidos.
Agora imaginem que os alunos, os encarregados de educação, os professores e os funcionários remassem todos para o mesmo lado. Continuaremos a não saber o resultado final, até porque dificuldades e contratempos sempre vão aparecer, mas podemos ter a certeza que para além de aumentar o conhecimento científico de cada um dos intervenientes no processo ensino-aprendizagem, estamos a formar cidadãos de muito nível.
Bom ano letivo a todos!

terça-feira, 30 de julho de 2019

Crianças descartáveis?


“São devolvidas quando começam a crescer e a dar problemas comportamentais, próprios da idade de quem está na adolescência”

Acabo de ler a notícia Foram devolvidas 53 crianças adotadas nos últimos três anos”, no Observador, e não consigo ficar indiferente. Mas será que estamos num tempo em que tudo o que foge ao nosso controlo é para descartar?

Já ouvia no tempo em que frequentei o seminário que ‘era fácil ser seminarista, mas padre seria diferente’ e o mesmo para a questão do namoro e do casamento. Percebo hoje que não se tratava apenas da questão da ‘facilidade’, mas sim da responsabilidade que está inerente a cada uma das fases. Se o namoro é uma preparação (ou estudo) para o casamento, logo por si implica que se nesse estudo a pessoa se apercebe que não será a melhor opção, pode sempre terminar e seguir o seu caminho sem qualquer tipo de questão burocrática que lhe complique a vida. O mesmo não se passa com o casamento. Todos sabemos que há cada vez mais pessoas a separarem-se, mas já implica outras questões. Muitas vezes já há filhos. E, por muito que digam e até queiram dizer que ‘é normal’ nestes tempos, eles sentem muito estes afastamentos. A sua atitude comportamental, a sua disposição, as suas notas escolares… são apenas alguns dos reflexos que se sentem quase no imediato.

Não se trata aqui, de modo algum, de defender ou deixar de defender as opções de cada um, trata-se apenas de constatar o óbvio.

Voltando ao assunto inicial, à entrega das crianças que foram adotadas, preocupa-me esta selvajaria da humanidade. Enquanto as crianças fazem tudo o que ‘os pais adotivos’ mandam, está tudo bem, mas quando chegam à idade que todos chegamos, das birras, afirmações e muita parvalheira, o menino ou a menina já não interessam. E, como se fosse um produto qualquer, terminada a bateria é tempo de a entregar.

Será que se tivessem filhos do seu sangue, estas pessoas fariam o mesmo?

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Teatro Escolar: “Nunca mais diga isso na sua vida”




A peça de teatro construída para a festa de Natal do Centro de Formação Profissional do Barlavento (Portimão), “Nunca mais diga isso na sua vida” do curso de Cabeleireiros 8,  merece uma reflexão particular no âmbito do ‘Teatro Escolar’.
Era preciso fazer alguma coisa para o Natal. O tempo, como sempre nestas tentativas de cumprir programas, era curto, embora os cursos de formação tenham sempre uma maior flexibilidade do que no ensino oficial. Surge a necessidade de adaptar a matéria à proposta a apresentar, mas não se poderia perder tempo e eis que ‘o texto dramático’ assume um caráter prático.

Temas a abordar
Natal. O que acontece no Natal? Nascimento. Família. Festa. Alegria. Paz. Amor.
Após a exploração das características do texto dramático, os alunos são desafiados a construir pequenas peças em grupos de dois. Num deles surgiu um nascimento, mas um nascimento cheio de gritaria e comicidade. Estava encontrado o ponto de partida.
Uma aula. Sugere um aluno. Dar uma aula onde acontecesse um nascimento. A aula seria ministrada com a ‘imitação’ de um professor, um ‘bacano’, que tem características muito peculiares e que torna a disciplina inicial nas aulas mais divertidas.
Uma aula. Um professor. Uma turma.
A turma desconhece a gravidez da colega. Ela é maltratada. Humilhada. Está gorda (supostamente). A ignorância leva às piores atitudes e surge o “bullying”.
Após a interrupção de uma outra suposta formadora, onde o cómico de situação foi mais que evidente, quer na forma de expressão quer na caracterização da personagem, a aula prossegue pela matéria do inglês. Eis que chega o intervalo. Dá-se o nascimento. O parto foi mais uma etapa de grande alarido. Seguem-se as ‘oferendas’ dos seus colegas, os reis magos agora transformados em representantes de várias nacionalidades, e o pedido de desculpas.
Dá-se o Natal. A festa da amizade. O amor.

Comunicação e Linguagem
A linguagem estava mais do que adequada ao público-alvo. Os espetadores não só reconheciam os gestos e expressões dos ‘professores’ visados, mas também facilmente se reviam naquelas aulas, que também eram suas.

E assim se pode dar a matéria. E desta forma se pode experimentar na prática todo o conhecimento teórico. A Escola precisa disto!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

A Escola que eu quero para os Jovens de hoje e Homens e Mulheres de Amanhã


A Escola é de longe um lugar de respeito. Muitos dirão que já não é como era antigamente, mas hoje também não é mais o antigamente e uma Escola prepara para o futuro e não para o passado.
“Dêem-me o filho de um Escravo e eu faço dele um Senhor da Lei ou dêem-me o filho de um Senhor da Lei e eu faço dele um Escravo!»
Foram mais ou menos estas as palavras proferidas há milhares de anos por um daqueles filósofos que refletiram em tanta coisa que ainda hoje continuam a ser referência máxima. Confesso que não sei se foi Platão ou Aristóteles e também não tenho hipótese de investigar, porque também os meus livros da faculdade estão a centenas de quilómetros.
Mais uma vez, aqueles tipos continuam a ser a melhor das referências para os tempos atuais. Chega de queixumes. Chega de atirar areia aos olhos e colocar as Escolas sobre pressões enormes com rankings que nada interessam a não ser para os números.
Falemos antes de Humanismo. Falemos de Relações. Falemos de crianças e jovens de hoje que serão os responsáveis por todos nós amanhã.
Basta de maltratar a Educação!
A Escola tem de pensar mais nas emoções. Tem de pegar verdadeiramente no ideal de ‘mens sana in corpore sano’ (mente sã em corpo são) e colocar o desporto como prioridade, mesmo que seja a andar de bicicleta, ao lado, mas mesmo sempre a acompanhar, o que realmente é capaz de diferenciar o bom do menos bom e isso só está na construção do indivíduo como um ser que vive em comunidade e busca o bem-estar pessoal na satisfação do coletivo. Se o outro está bem, eu estou bem!
Vamos continuar a ensinar as aventuras dos Lusíadas, pela astúcia dos navegadores, o Memorial do Convento, no confronto de ideias, ler qualquer obra de Eça e perceber que tudo pode ser melhor, mas para isso há que acreditar na Educação e na formação individual de cada personalidade. Não há uma educação mais certa do que a outra, mas se juntarmos o melhor de todas elas, criando momentos para estudar e tantos outros apenas para brincar, certamente que estamos a formar os melhores homens e mulheres do amanhã.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Fafe já teve comboio!



As cidades optam por criar espaços de memória para preservar as identidades, as características, os usos e costumes de um povo. Os espaços de memória são obras de arte a céu aberto e permitem ao espetador viajar num mundo outro, onde as suas memórias se confundem com realidades mais ou menos presentes, mas que trazem momentos de nostalgia e saudade.
Na última segunda-feira, em conferência de imprensa, foi publicamente apresentada a ideia para criar o Espaço de Memória Coletiva, Educação, Cultura e Arte. Um projeto que nasceu da ideia de aquisição de uma locomotiva, mas que logo uniu em seu redor pessoas para construir um projeto que pudesse contribuir para o engrandecimento de Fafe. Este mesmo projeto vai para além do seu aspeto físico, uma vez que já contempla uma proposta educativa para que esse espaço possa ser um museu sobre o comboio em Fafe, mas também concentra a sua ação numa estrutura pedagógica construída para contribuir para uma educação (informal) saudável junto da comunidade. Na perspetiva de alargar e/ou ajustar as suas valências, sempre em parceria com Escolas (Procurar promover visitas de estudo constantes), Autarquias e outras instituições públicas ou privadas, que trabalhem sobretudo na área da educação, este espaço pretende colocar ao serviço da população um “Espaço de Memória’’ (através de uma exposição permanente referente ao comboio em Fafe), “Atividades Educativas/Culturais” (Atividades lúdicas, Cursos livres, Workshops, Clubes culturais, artísticos e recreativos…) e um “Espaço de Artes” (Exposições temporárias com artistas locais, nacionais e internacionais; Parceria com outras entidades de modo a tornar-se uma extensão de atividades artísticas já existentes e que possam colocar Fafe na rota das artes).
Na verdade, esta proposta é uma oferta da sociedade civil. É uma ideia que não está fechada, mas pode ser completada com muitas outras ideias, ou não fosse a cultura e a arte dois dos seus principais pilares.
Um Movimento de Cidadãos Fafenses oferece a proposta, estará Fafe (política) em condições de a receber?

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

As cidades ficam mais animadas com projetos artísticos


A educação, cultura e arte ainda são muito pouco amadas. Saraus literários, inauguração de exposições, lançamento de livros vão medindo o público pela maior ou menor proximidade ao artista. Não é propriamente o interesse que possa representar a sua obra, porque todos sabemos que os livros são apenas usados até à fila do autógrafo e depois nunca mais são abertos. Se questionarmos aleatoriamente um participante sobre um poema ou um excerto que mais o impressionou, podemos garantir que poucos saberão responder.
Será que vale a pena continuar a apostar na oferta cultural e artística?
Claro que sim! E cada vez mais. Mas não chega anunciar um plano das atividades promovidas pelo pelouro da Cultura. Não chega traçar um projeto de músicas intimistas. O que é preciso é fazer tudo isso, mas trabalhar em sintonia com as Escolas do Concelho. É preciso contruir um Plano Educativo que envolva a Cultura e a Arte. Educar os mais jovens para uma interação permanente com novas linguagens, pois serão estas que lhes permitirão construir um percurso mais culto e levarão ao crescendo da criatividade.
A Escola de hoje precisa oferecer aos educandos propostas que lhes permitam raciocinar, investigar até encontrar as respostas às suas interrogações. Os alunos não são mais estáticos. Os alunos de hoje não querem imposições, mas têm uma mente mais sensível ao desconhecido. Ao que eles próprios desconhecem, o que não implica que já tenha sido descoberto e trabalhado por outros. As artes são exemplo claro disso. Os jovens são capazes de ficar a contemplar uma pintura, uma escultura ou simplesmente atentos a uma representação teatral ou musical se o tema os envolver. Os jovens não são apenas espetadores passivos. Os jovens são atores da sua própria história.
Será que os agentes culturais, políticos, associativos e os próprios professores se podem sentar à mesma mesa e traçar um projeto arrojado para melhorar o sucesso escolar que tanto chateia quando saem os rankings?
A arte é comunicação estética!