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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O amor é uma cena bué marada


Andava para aqui armado em orador, quando dou por mim a falar sobre o relacionamento do ser humano. As relações propriamente ditas. E tudo começou com uma espécie de palestra sobre a comunicação.
A comunicação é a base do bom relacionamento. Saber comunicar, independentemente do meio utilizado, tem de ser o objetivo principal da humanidade.
Não há amor sem comunicação!
O bebé sabe comunicar com a mãe quando tem fome. Chora. O bebé chora quando tem a fralda suja. O pai e a mãe têm de perceber os sinais do crescimento dos seus filhos e orientá-los da melhor maneira possível. Como se faz? Com a comunicação. Ouvindo os seus anseios, aconselhando os seus passos. Mostrando opções de alguém que já passou por esta ou aquela fase. Os casais precisam de saber sempre comunicar. Precisam saber respeitar. Precisam deixar cair o orgulho. Precisam saber fazer rir um ao outro. Precisam comunicar.
No fundo, só queremos mesmo estar com alguém que nos faça rir! Atire a nossa vida para a positividade. Perceba as nossas piadas. Nos diga quando estamos certos ou errados, mas que comunique sempre connosco. Abertamente. Sem barreiras.
Só saberemos amar de verdade quando descobrirmos o sentido da comunicação com o outro!

Mas a Comunicação em todos os seus sentidos: Emotiva ou expressiva, referencial ou denotativa, conativa ou apelativa, fática, metalinguística e poética (Funções da Linguagem).

O Professor Armando Azevedo afirma que a “A Arte é comunicação Estética!”
Para nós, a A vida é a Arte de Comunicar.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A culpa não é do Facebook


O Facebook é uma espécie de altifalante inteligente. E só é inteligente porque guarda as nossas pesquisas para as usar e servir-nos o que queremos depois de as misturar por milhares de fornecedores publicitários.
A comunicação é base estrutural na construção social. Saber comunicar tornou-se uma das maiores armas ao dispor do ser humano. O mecanismo escolhido nem sempre é o melhor e dão-se as consequências mais ferozes e desastrosas. Não estará na hora de promover cursos “Como comunicar nas Redes Sociais?”
Bruno de Carvalho é a mais recente vítima das suas próprias publicações. Tem dado mesmo muito que falar e, quando lhe é dada a oportunidade de mostrar algum arrependimento, ainda atiça mais com uma outra publicação. Pois, o resultado só podia ser ‘uma forte dor nas costas’ com tantos apupos e assobios…
Essa enorme rede social a que chamam de ‘Facebook’ também não atravessa a melhor das suas fases. Os dados dos seus utilizadores foram tão apurados que serviram para lançar a confusão nas próprias eleições americanas. Quem pensava que uma plataforma online pudesse ter tamanha influência numas eleições para uma potência mundial?
Não adianta mais tentar tapar o sol com a peneira e pensar que a culpa de tudo isto é do facebook. Pois não é! A culpa é mesmo de todos nós que publicamos lá tudo e sem grandes preocupações. A liberdade tem destas coisas. Se alguém nos limita o que queremos dizer apressamo-nos a culpar de ditadores, mas depois somos nós mesmos que vamos dar as ‘cartas ao inimigo’ de mão-beijada ao expor-nos sem qualquer critério escrupuloso.
Continuaremos a preferir as redes sociais livres e a permitir publicar tudo o que nos vai na alma, mas não podemos deixar de dizer que é fundamental uma aposta séria na formação dos cidadãos para que saibam o que podem e o que não devem publicar para que as suas vidas continuem sem que outros as possam dominar. Cada um tem de ser o seu próprio regulador.
Na verdade, a maioria das redes sociais não são mais do que altifalantes, ou seja, dizem em alto som o que escrevemos baixinho. Não dão mais do que amplitude ao que realmente somos e, certamente, não será por deixar de publicar de um momento para o outro que vamos mudar o nosso comportamento, simplesmente os outros vão saber menos das nossas ações continuadas.
Bruno de Carvalho não é caso isolado. Há por aí tantos outros que usam as redes sociais não só para partilhar as suas opiniões às vezes interessantes, mas também para mandar uns bitaites aos que não os apoiam. Lembram-se das últimas autárquicas em Fafe?
As redes sociais estão ao dispor de todos, mas são poucos os que as sabem utilizar para comunicar. Quem usa as redes sociais para criticar um familiar, uma vizinha, um amigo, um atleta… Só mostra ao mundo que não consegue mais comunicar! E para que haja comunicação é preciso que haja ‘um emissor, uma mensagem e um recetor’ que por sua vez interpreta e dá o seu feedback da mensagem, pois só aí é que há comunicação.

sexta-feira, 24 de março de 2017

A humildade da criança, o espírito do jovem e a sabedoria do velho

Será mesmo que o mundo está em constante mudança?
Ao reler algumas das obras queirosianas (Os Maias, O Crime do Padre Amaro…), apercebo-me que a sociedade se evoluiu foi só nos canais para levar a mensagem, já que os conteúdos pouco ou nada evoluíram em relação àqueles tempos. A política continua em esquemas manhosos, há jornais que só dizem as verdades convenientes, os saraus são para as papoilas das senhorecas, a igreja a encobrir o pecado… Nada que já outros o tenham dito, mas não estará na hora de criar um verdadeiro plano de leitura para que os erros do passado deixem definitivamente de se prolongarem ad eternum?
Um recente estudo estatístico, divulgado esta semana, concluiu que a gravidez na adolescência tem diminuído, o que se deve è educação sexual nas escolas. Há também o exemplo da reciclagem que ainda que não tenha dado frutos no imediato, começou a sentir-se aos poucos devido à sensibilização também ela nas escolas. Ou seja, a Escola é o local de instrução por excelência. A Escola, ainda que jamais consiga substituir os afetos familiares, será sempre o espaço privilegiado para captar a atenção dos discentes. Aqui já iniciou o Plano Nacional de Leitura, o que se espera que traga os benefícios desejados a médio/longo prazo, mas será que há outras formas de olharmos para a sociedade e encontrar canais que possam representar essa formação que tanta falta faz ao ser humano?
É claro que sim, os jornais são os primeiros a ter essa função. Mas para que isso aconteça é necessário que os seus escritores sejam devidamente instruídos. E o que é uma pessoa instruída? Um doutor? Nada disso… uma pessoa instruída é aquela que tem “a humildade da criança, o espírito do jovem e a sabedoria do velho”.
A criança não tem barreiras para o perdão, tanto se chateia como já está a brincar outra vez com a mesma criança, o jovem tem aquele espírito de luta e aventura, já o velho é o sábio que acarreta consigo um conjunto de sabedoria que não vem em livros, mas que a vida lhe ensinou. Juntar estes três ingredientes é a construção da pessoa em pleno.
Deve ser também assim a história de um Jornal.

Parabéns ao Jornal Povo de Fafe!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O jornalismo ou…

Não sou jornalista. Mas também fui mordido pelo bichinho da comunicação. Educação, Cultura, Arte e Comunicação são as áreas pelas quais nutro um carinho especial. Ainda que de formas mais ou menos comprometidas, posso dizer que trabalho com todas elas, sendo a educação a minha área profissional. No entanto, as matérias da comunicação têm-me sido confiadas e é aí que todo o meu conhecimento e investigação tem incidido, o que me permite dizer com toda a confiança que a imprensa escrita vai sobreviver, ao contrário do que foi apregoado com o aparecimento feroz das novas tecnologias, já o jornalismo precisa de ser mais fiel aos seus primórdios.
As redes sociais (blogues, facebook, instagram…) não são um substituto do jornalismo. Devem ser apenas usadas como um complemento. São ferramentas essenciais para quem quiser contar a mesma história de outras maneiras. A função do jornalismo é informar, mas a notícia tal e qual a conhecemos não chega a todo o público. A maioria das pessoas não lê a imprensa escrita, mas usa facebook, instagram ou segue com atenção os youtubers de sucesso. Se um jornal quiser fazer chegar a sua mensagem a mais público, só o conseguirá se souber construir e estabelecer diálogo através destas ferramentas. Se o objetivo do jornal é só manter as suas 1000, 2000 ou 3000 tiragens semanais, aí não precisa de se chatear muito… mas precisa voltar a ser jornal.
Apostar em jornalistas a sério ou, pelo menos, colaboradores que saibam o que é o jornalismo e o seu código deontológico e deixá-los trabalhar numa investigação responsável para melhor informarmos o leitor. Há, neste momento, um jornalismo demasiado agarrado ao doutorismo ou amiguismo e com medo de pôr em cheque alguma sensibilidade. O jornalismo local tem medo do confronto. Todos se conhecem e as cópulas estão demasiado protegidas. Se algo de menos bom é tornado público, há jornais que nem se dão ao trabalho de investigar, apenas querem saber o que dizem o Presidente, as direções ou os responsáveis e isso basta, sabem porquê? Porque os leitores deixaram de ser exigentes. Sabem que os jornais estão a encobrir e até alinham em proteger os fulaninhos, mas já ninguém se chateia com nada!
Em tempos idos, lembro-me alertar uma direção de um jornal local do rumo que o mesmo estava a seguir. Não queriam que eu falasse da forma como os utentes dos centros de saúde eram tratados (as maratonas pela madrugada fora…) e nem da comparação da atribuição de verbas às juntas de freguesia… a minha investigação foi posta em causa na altura…  o que eu disse foi relevado… o jornal já não existe mais.
Numa altura em que se comemora uma longevidade como esta do Povo de Fafe, não posso deixar de desejar que se agarrem as rédeas do jornalismo com a garra merecida e que se continuem a somar anos de partilha noticiosa e opinião, sempre numa total tolerância entre as diferenças de opinião, mas comprometidos numa mesma cumplicidade humanística.

injornalpovodefafe

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Há mais comunicação. Há mais Abril.

     Povo... Jornal… Notícias… Comboio... Expresso… (de Fafe). Fafetv.
     Não importa o veículo. O que importa efetivamente é que a comunicação existe e há muitas formas de se fazer cumprir aquele que é o principal objetivo de um órgão informativo – informar.
     Jornais. Blogues. Canais web. Páginas de facebook.
     Depois de um tempo de quase monopólio, não fosse o serviço público de alguns blogues que teimam em trabalhar por carolice e um ou outro que tanto contribuem sobretudo para o património cultural, multiplicaram-se os órgãos informativos e, desculpem se penso diferente, eis que uma cidade consegue ser tão rica em contribuir para esta nobre missão outrora tão restritiva ao pensamento de alguns.
     Há cerca de quatro anos, Fafe viveu um dos maiores momentos de debate público. Um grupo de Fafenses dava voz ao ‘BlogMontelongo’, um espaço de confrontação, um verdadeiro forum romano. Como em tudo, surgiram vozes discordantes de políticos locais insurgindo-se contra um espaço sem diretor, mas ali todos tinham mais do que o nome nos artigos, havia um rosto facilmente apontado para outros espaços dos seus autores. Esse foi e será um marco fundamental para a história (ou estudos sociais) de Fafe.
     Uma notícia pode ser dada de muitas formas. O mesmo acontece com uma fotografia. Ambas dependem da abertura da objetiva. Tanto se pode focar no cortar da fita como em todo o público presente. O jornalista ou fotógrafo escolhe o ângulo. E foi assim durante muito tempo. Só um grupo muito restrito tinha opinião em Fafe. As suas posições nunca eram confrontadas. Tudo era controlado ao milímetro e ai de quem ousasse pensar em publicar um artigo que pusesse em causa o aparelho, o amigo das tertúlias ou do conhaque ao final de mais um dia de escritório.
     O Abril ainda não se fez totalmente. É verdade. Mas não estará muito longe de acontecer. Aqueles que ontem eram todos poderosos, hoje conhecem o sabor da derrota. Os que julgam os seus pensamentos superiores, hoje são confrontados. Os que consideram os outros inferiores, são muito ultrapassados.
     E para isso, quantas armas se usaram?
     A mais poderosa de todas elas: a escrita. Todo o resto é a mudança de mentalidades que finalmente está a acontecer.

“eles (já não) comem tudo…”

in Jornal Povo de Fafe (22-04-2016)

sábado, 8 de dezembro de 2012

A blogosfera está a enriquecer Fafe


                Escrever é um hábito que se adquire e não se consegue parar por muito tempo. Se num passado ainda recente não era muito fácil ver os textos publicados, as novas tecnologias trouxeram um novo fôlego à comunicação e há mais gente a contribuir para o desenvolvimento cultural e social das comunidades e do país.
                Sempre me identifiquei com a liberdade de imprensa, o que me permitiu aceitar com a maior das naturalidades o surgimento destas ferramentas. Depois de longos meses e muita informação online, Fafe tem uma rede de blogues plural e diversificado. E se até há bem pouco tempo não se olhava para a blogosfera como uma realidade fidedigna, hoje esta barreira está praticamente ultrapassada, devendo-se a dois fatores fundamentais: identificação das fontes (indivíduos já conhecidos de outras lides e outros que vão surgindo no mesmo grupo) e a seriedade como são tratados os assuntos. Num olhar rápido sobre a blogosfera em Fafe, encontramos no Blog Montelongo, o impulsionador de toda esta rede agora existente, a troca de opiniões sobre os mais variados assuntos da vida cívica. O blog JORNAL de FAFE, em muito pouco tempo de vida, conseguiu ganhar a confiança das instituições ao analisar pelas notas de imprensa lá encontradas e publicadas também na imprensa escrita. Na Falaf Revista Cultural de Fafe está lá uma enorme recolha de informação sobre aspetos culturais do concelho. Há também blogues que nos mostram as atividades das associações e outros pessoais mais ligados a atividade criativa e opinativa.
                Nos mais distintos blogues leem-se umas coisas interessantes, uns bitaites, umas arrufadas mais ou menos severas, mas o mais brilhante de tudo isto, para mim, é a oportunidade de conhecer gente, locais, história e histórias fantásticas do meu concelho que de outra forma não tinha hipótese. É certo que a imprensa escrita é um meio fundamental para a comunicação e divulgação do que se passa no concelho, mas a blogosfera torna-se um complemento por excelência.
                Deste modo, a cultura em Fafe está a tornar-se mais e melhor. O processo de construção ainda está no início mas a participação ativa é merecedora de destaque. Há mesmo muita gente a interessar-se e a usar este meio de comunicação. Uns lançam-se em projetos individuais outros coletivos e alguns em uns e outros. Se até agora só eram conhecidas algumas individualidades que escreviam umas coisas, mais ou menos agradáveis dependerá sempre da impressão de cada um, a realidade está a transformar-se finalmente e, sobretudo, felizmente para a projeção deste ‘nosso’ concelho de Fafe.


Nota de esclarecimento:
Na crónica do dia 23 de Novembro de 2012, “Hora de mudar de rumo ou continuar na mesma?”, escrevemos o seguinte sobre as Jornadas Literárias: «... enquanto uns trabalharam voluntariamente outros, segundo informações de participantes, faziam-se pagar por horas extras ao serviço da autarquia. (…) Se realmente é verdade,…». Na semana seguinte fomos informados que os funcionários envolvidos são da área da cultura e que «… a Câmara não paga horas extras a ninguém, absolutamente ninguém, da área da cultura». Voltando a abordar as nossas fontes, fomos confrontados com uma observação diferente: «… o que acontece é que têm altos salários, mas a iniciativa parte de fora. Eles é que deveriam tomar a iniciativa». Neste sentido, verifica-se que há leituras diferentes do inicial, não se fala agora de ‘horas extras’ mas de iniciativas, o que não foi por nós abordado. Contudo, a autarquia não é uma entidade sem fins lucrativos, se recorre aos funcionários tem de lhes pagar. Quem deveria ou não ‘tomar as iniciativas’ é outra questão que não importa para este caso.
Seja como for, importa repor a verdade, reconhecer a falha de comunicação e o facto de não termos confrontado previamente a situação com a autarquia. A bem da verdade, não poderíamos deixar de pedir desculpa e de ressalvar que nesse mesmo artigo tecemos elogios a duas pessoas que consideramos de muito valor e trabalham ambos na área da cultura, Artur Coimbra e Jesus Martinho, o que seria um contrassenso a crítica e o aplauso simultâneo. Por tudo isto, lamentamos o sucedido e fica claro que a autarquia não pagou qualquer hora extra durante o evento. A verdade acima de tudo!

Pedro Sousa, in Jornal Povo de Fafe (08-12-2012)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O poder das redes sociais é o maior desespero dos políticos


            A sociedade está em guerra aberta. Se até agora as estruturas governamentais convocavam reuniões para debater e incentivar a atividade cívica e a necessidade da envolvência das pessoas, hoje já deixou de ser uma prioridade, porque as pessoas resolveram definitivamente usar as redes sociais (sites, blogues, facebook, twiter…) e nada nem ninguém consegue bloquear o seu pensamento, as suas observações e indignações.
            A participação direta dos cidadãos, finalmente, é uma realidade. “A fome é má conselheira” e “quando não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Estes provérbios poderão aplicar-se ao que poderá acontecer se a classe política não arrepiar caminho. Quando falamos de classe política não estamos apenas a referir-nos aos Ministros do Estado Português ou aos deputados da Assembleia da República, estamos a referir-nos a todos, principalmente aos que usam e abusam de pequenos poderes lá na cidade ou na aldeia. Ainda há pessoas que pensam estar no tempo de Salazar e que podem pôr e dispor do estatuto de intocáveis, porque são protegidos pelo clero e pela nobreza, o grande problema é que o povo está a perceber que tem voz e pode usá-la, sem ter de passar por nenhum crivo mal-intencionado.
            Neste preciso momento, a sociedade é um campo minado ou, se preferirem, um barril de pólvora pronto a explodir. Se pretendermos uma sociedade equilibrada e que oriente as suas ações pela racionalidade e harmonia, mesmo em tempo de luta, os governantes necessitam repensar a sua forma de atuar com urgência. O ‘quero, posso e mando’ começa a não ter sentido, até porque a falta de empregos, onde muitos se agarravam para oferecer e/ou chantagear os que pretendiam ter por perto, está a deixar as suas armas sem munições. As autarquias controladoras de empresas, associações e, mesmo muito, da comunicação social têm de alterar a atitude, porque até podem conseguir dominar as direções, mas «há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não». E, esse alguém – hoje pode ser qualquer pessoa, pode ter uma estrutura ainda maior com ele, onde com um simples clique e uma partilha no seu mural consegue mover montanhas e derrubar regimes.
            Ora aí está a participação cívica ou democracia participada.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (28/09/2012)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Democracia participada…

A palavra ‘democracia’ tem a sua origem na junção dos termos gregos ‘demo’ – povo e ‘kratos’ – poder. Esta aparece pela primeira vez em Heródoto, desaparece até ao século XVIII e volta a recuperar a sua importância com a Revolução Francesa. Ainda que a forma de actuação não tenha sido sempre a mesma, uma vez que passou de uma democracia directa a representativa, existia um envolvimento maior dos cidadãos através do regime de rotatividade.

sábado, 19 de junho de 2010

A Imprensa Escrita e a Blogosfera em Fafe

A Imprensa Escrita, a Rádio e a Televisão dominaram durante várias décadas o sistema de informação. Grandes Manifestos ou Folhetins, ainda hoje alvo de estudos sociológicos ou literários nas nossas Universidades, fizeram o ardina gritar as manchetes mais hilariantes ou a correria em massa para ouvir ou ver as notícias à hora certa.
Na tese de doutoramento do Professor Dinis Manuel Alves, foi provado que as notícias televisivas recorrem em grande escala à Imprensa Escrita para construir a informação a transmitir, note-se as frases: «Segundo o Jornal de Notícias… Na coluna semanal do Público… O Correio da Manhã…». Agora, ainda que se prolongue a recolha de informação na Imprensa Escrita, já se ouve ou lê a referência aos blogues, sejam estes pessoais (note-se grande referência aos de personalidades políticas) ou institucionais.
Já é impossível tentar esquecer que este fenómeno internético existe ou caluniar a sua concorrência à Imprensa Escrita, à Rádio ou à Televisão, porque em nada atropela, apenas a completa. De facto, é imprescindível ligar as entidades informativas à internet, mais não seja para promover as notícias que serão desenvolvidas na edição impressa.
Em última análise, destacamos o que algumas vozes críticas apontam como um problema, ou seja, ‘a não existência de um director para mediar o que deve ser ou não publicado’. Este é o ponto que discordamos, porque cada um deve ser responsável por aquilo que faz e saber ser o seu próprio director. O que não se consegue agora é controlar os blogues, porque é mais fácil controlar dois ou três directores de jornais com cinquenta jornalistas e colaboradores do que ‘cada um dos cinquenta jornalistas e colaboradores’ e todos sabem que há pressões de vários lobbies para que se publique apenas o que é bonito de se dizer. Ainda que se devam destacar os directores que, responsabilizando os seus jornalistas e colaboradores, permitem de forma honesta e jornalística publicar os seus textos.
O concelho de Fafe também tem o seu jornalismo escrito com publicações semanais e já tem um espaço de referência na blogosfera. Depois de alguma observação atenta, verificamos que ambos funcionam sem se atropelar. Contudo, pensamos que há ainda um percurso necessário a fazer que a Imprensa Escrita, mais conservadora, ainda não alcançou, isto é, a recorrência às notícias postadas nos blogues de maior referência. O certo é que o contrário já acontece, por exemplo, o Blog Montelongo (http://blogmontelongo.blogspot.com), blog que tem os seus posts de qualidade reconhecida e ligação para diversos sites que falam de Fafe, tem por hábito anunciar as principais notícias dos dois semanários de Fafe, o que permite a que haja uma procura nas bancas a quem pretende aumentar a sua informação.
Talvez seja este o caminho necessário, sem receios, porque um não atropela mesmo o outro e o papel, ainda com tanta tecnologia, não será de todo substituído, porque este tem características singulares e marcas culturais indispensáveis à formação e informação das pessoas.
in Jornal Povo de Fafe (18-06-2010)
Pedro Miguel Sousa