Mostrar mensagens com a etiqueta Jornalismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jornalismo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Não é fácil ser ‘jornalista’!


Não sou jornalista. Sou Professor, sempre que posso um amigo e às vezes aquele gajo que dá uns conselhos parvos, tipo os cotas lá de casa, mas vindo do stor até é ‘na boa’. Não sou Jornalista de profissão, mas a verdade é que há anos que o ‘tal bichinho’ do jornalismo me picou e fiquei infetado e não me parece que a cura esteja para breve.
Confesso que fiquei surpreendido com a minha nomeação para “OS MAIS 2018” do Jornal Povo de Fafe e, mais ainda, porque dias antes me tinham pedido o currículo, sendo que o mail dizia que se ‘tratava de um procedimento para fins estatísticos e o mesmo seria feito com outros colaboradores do jornal’. Nada a estranhar, basta pensar nos recursos humanos de qualquer empresa e é naturalíssimo que haja um dossier que guarde, atualize, os currículos dos seus quadros. Ou seja, desvalorizei a situação, nada de estranho até ao momento em que o meu pai me diz “estás em grande destaque no jornal”. Bem, das duas uma, ou se tratava do destaque do meu artigo que abordava a ‘homenagem de António Arnaut e a criação do SNS’ ou era outro assunto, mas eu não tinha feito nada de especial que merecesse tanto relevo.
“OS MAIS 2018” na categoria de ‘Jornalismo’ faz jus à minha pessoa, ao meu desempenho ao longo destes anos todos e até realça o meu percurso académico, profissional e no associativismo de uma forma até elogiosa demais. É claro que um elogio é um elogio e um reconhecimento público é sempre motivo de orgulho. É também mais do que evidente que não podia deixar de fotografar e partilhar no meu facebook, ver os comentários dos meus amigos e babar-me literalmente, porque se tratava de um reconhecimento de um trabalho livre e descomprometido que me dá um gozo tremendo, o jornalismo.
Mas o ‘jornalismo’ não é propriamente a coisa mais fácil de se fazer. Principalmente se se trata de uma localidade onde todo o mundo se conhece. E, mais ainda, quando um tipo como eu escreve crónicas de assuntos variados do país e do mundo, mas não consegue deixar de comentar as problemáticas que vão acontecendo cá na nossa terrinha e que se não alteradas atitudes e comportamentos vão continuar a penalizar os mais vulneráveis. Não posso com isso! Não suporto ir a um local de atendimento ao público e ver uma ‘supremacia bacoca’ de gente que se julga mais esperta do que os outros. Não posso compreender por que razão uma licença na autarquia precisa de meses a fio para sair dos gabinetes, não só porque sei que são muitos a trabalhar lá, mas porque estamos na era digital. Não posso deixar com que as ofertas de emprego públicas continuem destinadas à partida. Não admito que os políticos sejam sempre os mesmos ou passem legados aos seus parentes! Não percebo por que é que as pessoas se calavam quando as vagas para um bom atendimento na saúde não apareciam. Mesmo que isso me tenha ditado a saída de um jornal! Eu não posso! Não quero! Sou livre!
Esta é a minha realidade no jornalismo. Esta é a minha forma de ser e estar na vida. Esta é a minha maneira de ser, a que se deve uma formação em primeiro numa família tradicional e muito humilde, à catequese do padre Manuel Fernandes, a uma longa passagem pelo seminário, o escutismo, o associativismo, a oportunidade do meu Mestre no Jornalismo, Luís Meireles, para escrever e aprender no Correio de Fafe, seguindo-se depois outro desafio pelo Dr. Ribeiro Cardoso e pertencer a esta família do Povo de Fafe, os anos incríveis em Coimbra… Universidade e Faculdade de Letras, o Estudo dos Clássicos e da Literatura Portuguesa, os Estudos Artísticos, o Coral de Letras, Conselho Pedagógico, República da Praça, Mansão do Olimpo… As Escolas e as terras que já passei e me recebem com tanto carinho.
Enfim, seriam muitas situações que foram construindo a minha personalidade, mas a maior, certamente, é a oportunidade que a vida me dá em poder conviver com pessoas de muito caráter. Sou um sortudo! Obrigado, Jornal Povo de Fafe!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Um gajo sofre, mas sofre com estilo!


Um magistrado que maltrata as mulheres. O mesmo magistrado que é apanhado por militares da GNR a conduzir um carro sem matrículas e coloca um processo aos pobres diabos levando-os a ter de o indemnizar. Os banqueiros que roubaram milhões e não há meio de irem bater com os costados na pildra. A violência doméstica que ganha a cada hora que passa mais adeptos. E a grande preocupação é prender o tipo que revelou segredos do Futebol.
Eh, pá! Abençoados jornalistas e humoristas que não têm medo destes tipos! O que seria o mundo sem esta malta? Se pensarmos bem, nem é preciso recuar um século para perceber o cinzentão que pairava no país. A informação era controlada. As piadas eram censuradas. As músicas cortadas. Mas que grande seca…
Ainda me lembro quando comecei a escrever para o jornal. Um miúdo a frequentar os primeiros anos da Universidade. Sangue na guelra q.b. e um herói da aldeia que conseguia dizer o que mais ninguém conseguia. Era cumprimentos para a esquerda. Beijinhos para a direita. Categoria!
Chagam as eleições. Depois outras. Os que antes estavam de um lado, logo passaram para o outro. Dependia do som do sino. Casadela anunciava bom tempo e Stª Quitéria mau tempo. No meio da indefinição de uns, toca a deixar de dar importância a outros. Estatelavam-se que nem tordos. Mas isto antes do PAN aparecer, entenda-se!
Olho para tudo isto com alguma nostalgia. Falta a adrenalina de lutar por uma identidade rural. Falta ver o brilho de uma terra que em tempos teve tudo para brilhar. Falta ouvir o único e verdadeiro chilrear dos pássaros. Mas hoje continuam as mesmas manias de antigamente. As gentes sem coragem de dizer o que pensam. Os indivíduos que só conseguem apontar os defeitos em voz alta nos cafés.
O que ontem era uma visão do mundo em transformação, hoje não passa de uma comédia!
E assim se faz jornalismo e comédia em simultâneo. O jornalismo continua com o mesmo rigor de sempre, mas as atitudes do pessoal não mudaram nada!
UM GAJO SOFRE, ao ver que nada mudou, MAS SOFRE COM ESTILO, porque diverte-se com tanta piada!
Haja sempre muita força no jornalismo local, pois só assim se registam as memórias de um povo!
E, por falar nisso, parabéns ao POVO DE FAFE!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Comprar a honestidade com um rebuçado?


Se te portares bem, dou-te um rebuçado! Se escreveres a minha versão dos factos, arranjo emprego à tua prima! Se me defenderes, até podes ir passar férias na barraca que tenho junto à costa!
É mais ou menos assim que muita gente julga que pode dominar os outros. Começam logo com chantagens emocionais às crianças e depois pensam que podem ir fazendo isso aos adultos.
Vem isto a propósito de alguns episódios que envolvem o jornalismo. Ou seja, as pessoas acham que podem andar às turras com os vizinhos, tantas e tantas vezes sem qualquer razão, e depois tentam usar de todos os meios para que os jornalistas relatem os seus factos, as suas verdades, embora todos saibam que de verdade nem a própria palavra!
Mas será que essas pessoas não se apercebem que um jornalista não está para as servir, mas sim relatar os factos? Será que essas pessoas não sabem que os seus problemas pessoais não são os problemas que interessem ao público?
Para esses casos há uma coisa chamada ‘Domus Iustitiae’ do latim “Casa da Justiça”, vulgo tribunal!
O dinheiro não compra tudo! Seria importante que os próprios jornais começassem a refletir sobre isto, até porque se está a atravessar uma fase em que as redes sociais dominam e só os jornais livres, mesmo sobrevivendo com dificuldades, conseguirão marcar a diferença.
Há tanta gente que pensa que pode tudo, só porque tem muito dinheiro, mas depois as pessoas afastam-se, seguem a vida delas tranquilamente, e elas ficam sozinhas, desamparadas…
No final, quem perdeu mais?
Um mundo positivo, só se faz com gente positiva! Somos livres! Feliz 2019!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Há mais comunicação. Há mais Abril.

     Povo... Jornal… Notícias… Comboio... Expresso… (de Fafe). Fafetv.
     Não importa o veículo. O que importa efetivamente é que a comunicação existe e há muitas formas de se fazer cumprir aquele que é o principal objetivo de um órgão informativo – informar.
     Jornais. Blogues. Canais web. Páginas de facebook.
     Depois de um tempo de quase monopólio, não fosse o serviço público de alguns blogues que teimam em trabalhar por carolice e um ou outro que tanto contribuem sobretudo para o património cultural, multiplicaram-se os órgãos informativos e, desculpem se penso diferente, eis que uma cidade consegue ser tão rica em contribuir para esta nobre missão outrora tão restritiva ao pensamento de alguns.
     Há cerca de quatro anos, Fafe viveu um dos maiores momentos de debate público. Um grupo de Fafenses dava voz ao ‘BlogMontelongo’, um espaço de confrontação, um verdadeiro forum romano. Como em tudo, surgiram vozes discordantes de políticos locais insurgindo-se contra um espaço sem diretor, mas ali todos tinham mais do que o nome nos artigos, havia um rosto facilmente apontado para outros espaços dos seus autores. Esse foi e será um marco fundamental para a história (ou estudos sociais) de Fafe.
     Uma notícia pode ser dada de muitas formas. O mesmo acontece com uma fotografia. Ambas dependem da abertura da objetiva. Tanto se pode focar no cortar da fita como em todo o público presente. O jornalista ou fotógrafo escolhe o ângulo. E foi assim durante muito tempo. Só um grupo muito restrito tinha opinião em Fafe. As suas posições nunca eram confrontadas. Tudo era controlado ao milímetro e ai de quem ousasse pensar em publicar um artigo que pusesse em causa o aparelho, o amigo das tertúlias ou do conhaque ao final de mais um dia de escritório.
     O Abril ainda não se fez totalmente. É verdade. Mas não estará muito longe de acontecer. Aqueles que ontem eram todos poderosos, hoje conhecem o sabor da derrota. Os que julgam os seus pensamentos superiores, hoje são confrontados. Os que consideram os outros inferiores, são muito ultrapassados.
     E para isso, quantas armas se usaram?
     A mais poderosa de todas elas: a escrita. Todo o resto é a mudança de mentalidades que finalmente está a acontecer.

“eles (já não) comem tudo…”

in Jornal Povo de Fafe (22-04-2016)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Quando se conjugam forças…


… as coisas simplesmente acontecem.
            Há momentos na vida para tudo: sonhar, gritar, saltar, chorar, rir, acreditar, desacreditar, encarar… e amar. O amadurecimento reconhece-se a partir daquele momento em que já não importa o que dizem os outros sobre as nossas ações, mas importa a sensação que cada ato nos provoca. O dealbar de cada dia tem sempre mais uma vitória a alcançar quanto se tem em mãos o único objetivo fundamental ao ser humano, viver.
            É tão bom saber olhar tudo o que nos rodeia com harmonia. Acreditar nas plantas, nos animais, nos gestos mais inocentes. É certo que nem tudo surge com a melhor das intenções, mas qualquer espírito mais atento saberá resguardar a sua exposição de modo a que os mais cobiçosos jamais alcancem a confiança desejada.
            Se em tempos, bem remotos, determinadas apostas culturais, artísticos… e mesmo académicas estavam ao alcance de uma elite, hoje sabemos que enquanto uns exigem um esforço maior (os académicos, se não forem aldrabados), por outro lado as mais diversas atividades culturais, artísticas, desportivas, recreativas… estão bem ao alcance de todos aqueles que ousarem arriscar um pouco do seu tempo em prol de uma causa específica.
            A educação, a cultura, a arte, o desporto, a ação social… não são pertença de um grupo de elite, embora os meios de comunicação social nos façam parecer isso, porque quase só sabem fotografar ou destacar os seus dirigentes, quando estes, tantas e tantas vezes, só aparecem para cortar a fita. As comunidades, as associações ou os simples grupos têm sempre muito mais gente a trabalhar em favor de uma determinada causa do que aquelas que surgem aos olhos do mundo e pode-se provar que tudo acontece porque há uma enorme conjugação de forças, o que vem provar que subestimar os que estão em posição hierárquica inferior nem sempre acarreta bons resultados, porque estes muitas vezes lembram-se e arriscam sozinhos e as coisas simplesmente acontecem.
            Toda esta reflexão bem a propósito de exemplos conhecidos na organização social das comunidades e a envolvência do meio com os factos. A sociedade é mesmo pouco exigente em matéria de produção e isso reflete-se nas notas informativas da comunicação social. Se os leitores dos jornais exigissem saber mais, por exemplo conhecer todos os envolvidos para que um festival, uma feira ou uma festa qualquer, a notícia não focaria as atenções no individual mas teria de abordar o coletivo. Talvez seja este o trabalho que falta fazer para que as pessoas deixem de ser controladas pelos detentores do poder, porque ao conhecer quem realmente impulsiona os trabalhos (como acontece com a ficha técnica de uma peça de teatro) serão estes que merecerão o aplauso do público e só há duas opções: ou todos trabalham ou os chefes caem (confesso que já vi este filme).
            A ideia aqui abordada não tem nada de novidade, mas merece destaque porque é o que está acontecer com o impulso da blogosfera que vem dar voz direta ao povo ao trabalhar diretamente com os cidadãos. O que os jornais rejeitam, cabe muito bem nos blogues e o concelho de Fafe disso já não se livra, porque surgiu um blog que revolucionou a blogosfera em Fafe, o Blog Montelongo, e a rede já é enorme e está espalhada pelo mundo.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (13/07/2012)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

As declarações de Cavaco Silva, os universitários que abandonam os estudos e os buracos nas estradas

Os jornais habituaram-se a viver de temas semanais. Todos eles são importantes, principalmente quando se trata de um estado de direito, mas nem todos são tratados com a devida importância. Uns porque vendem mais outros porque ‘interessa’ mais.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Por favor, não leia esta crónica!

Se já está a ler estas palavras não passou no teste. O objectivo desta crónica é mesmo para não ser lida, até porque o que mais importante não surge nas primeiras linhas e vai chegar à conclusão que está a perder o seu tempo. Mais uma vez pedimos: por favor, não leia esta crónica!
A partir deste momento a responsabilidade é sua!
Se chegou até aqui é porque quer mesmo ler a crónica até ao fim, o que já entendeu que a responsabilidade será do leitor e jamais do responsável pela sua redacção. Este deveria ser sempre o sentimento dos leitores. Com isto não queremos desresponsabilizar os jornalistas que escrevem notícias ou os colaboradores que vão dando a sua opinião, mas queremos dizer que o que se diz não tem de ser obrigatoriamente o que se entende.
No caso das notícias, a sua construção tem de primar pela objectividade, mas nos artigos de opinião estes não necessitam de o ser. É de opinião que se trata e, por vezes, há situações em que o artigo diz uma coisa e os comentários que se ouvem ou lêem nada têm em comum com o que está lá escrito. Saber ler não é apenas juntar as letras e pronunciar uns sons, mas sim interpretar.
Estes dias temos sido bombardeados com o caso das escutas que fizeram estragos demais, mas se pararmos para pensar podemos questionar: por que será que aquele tipo de jornalismo tem tanta importância? É fácil de perceber, a curiosidade em conhecer o que se passa sobre os famosos, os adversários ou simplesmente sobre os vizinhos é uma tentação para muita gente que orienta a sua vida em função dos outros e procura na informação, independentemente de onde ela surgir, um meio para se sobrepor aos outros.
Tudo isto para dizer que há certas notícias que só existem porque há consumidores. As direcções dos jornais são as primeiras responsáveis porque publicam, depois são os jornalistas ou colaboradores e, por fim, os leitores que se alimentam de tão rascas informações.
Estes acontecimentos vão levantar novamente a discussão sobre o jornalismo e os diferentes tipos de jornalismo e, certamente, pode ser uma viragem na forma como se faz jornalismo e obrigar a que cada instrumento de comunicação assuma a sua função. Também sabemos que vão continuar a existir controladores da informação e outros que vão publicar tudo o que considerarem pertinente. Da nossa parte, apesar do risco que se corre, prefiro uma liberalização informativa que respeite as leis do que uma ditadura disfarçada, até porque ‘Sou responsável pelo que escrevo, não pelo que é entendido!’

Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (22-07-2011)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ser jornalista não é fácil…


Na primeira pessoa!
Nunca tive o jornalismo como actividade profissional, mas sempre procurei cumprir com os valores do jornalismo e o código deontológico. Em mais de dez anos, ao serviço do jornalismo local, já tive vários dissabores, desde ameaças de morte a pancadaria, o mais engraçado no meio disto tudo é que todas as ameaças só surgem em tempo de eleições, o que nos leva a questionar: são estes que defendem a democracia?
Ainda não me calaram e, para falar muita verdade, agora sou eu quem não quer falar. Que ninguém pense que é por medo de ameaças ou de indivíduos mal formados, apenas porque já percebi que basta escrever uma vez, são muitos que no momento nos condenam por relatar o que está a acontecer, mas depois são os primeiros a dizer que ‘afinal tinha razão’. É nessa altura que eu sempre digo: «Desculpe, mas não tenho culpa!».
A velhice é um posto e, por isso, já não tenho paciência para ouvir e calar. A maior parte das pessoas que se julgam superiores aos outros nunca tiveram muita sorte comigo, em primeiro porque nasci de uma família humilde, que tudo o que tem foi fruto de muito trabalho e sempre me ensinou a olhar para os outros como iguais. Depois, porque também fui seminarista, o que muito me orgulha na minha formação humana assim como o facto de ter sido formado pelos classicistas, e fui preparado para me sentar à mesa com pobres e com ricos. Sei comer com todos os garfos e não colocar os cotovelos em cima da mesa, mas adoro uma bela churrascada e ficar com as mãos gordurentas. Já comi umas sandes e uma sopa em tascas ranhosas, mas também já estive em jantares de gala daqueles que têm orquestras a receber os convidados. Não sou melhor do que ninguém, mas não admito que se superiorizem perto de mim, principalmente se em causa estiverem pessoas com poucas capacidades para se defenderem!
Na primeira pessoa, tal como desenhei esta crónica, quero fazer uma homenagem especial a todos aqueles que diariamente se vêem confrontados com situações pouco transparentes, onde os seus empregos ou até as suas vidas podem ficar em causa se não fizerem o que os chefes ordenam, e mesmo assim têm coragem para enfrentar esses obstáculos. Quero saudar quem acredita na democracia, mesmo sem a apregoar. E, por fim, dizer a todos os leitores que a vida é bem mais interessante quando aprendemos a valorizar tudo o que nos rodeia, sejam as pessoas, as pedras, as flores, os rios…
Já agora, façam o favor de serem felizes, porque eu faço o mesmo!

domingo, 21 de março de 2010

A Teatralidade na Comunicação Social

A Teatralidade na Comunicação Social é um tema que nos parece importante retratar numa época festiva para o Jornal Povo de Fafe. São 70 anos ‘ao serviço’ de Fafe ou ‘ao serviço’ de uma linha editorial que se rege pelos princípios cristãos. É, precisamente, esta expressão que nos merece destaque: ‘ao serviço’. Afinal, quem está ‘ao serviço’ de quem?
Não seria minha a escrita se não iniciasse um pouco de tom provocativo, mas desta vez prometo seguir uma linha mais científica, que vá de encontro ao que um leitor atento pode esperar dos seus escritores, poetas ou apenas relatores de um jogo qualquer.
Na vida, em tudo que a rodeia, há sempre uma certa teatralidade. O que, entenda-se, não representa um tom negativista, apenas pretende mostrar a real situação dos factos. Há momentos em que o destaque é de grande relevo, mas outros há em que o relevo é pouco elevado porque se trata de assuntos perturbadores na sociedade.
10 anos ‘ao serviço’ da Comunicação Social, sendo os últimos 5 no Povo de Fafe, permitiram-me conhecer o agradável que é comunicar, mas também os dissabores de descrever a realidade ou de opinar livremente. Entre as mais variadas formas de escrita, reconheço um tom elevado quando se trata de desigualdades ou tramas sociais, mas não me revejo de todo numa minoria soberana, o que me leva a levantar questões que seriam bem mais fáceis se não existissem.
Quantas vezes me pediram para não escrever sobre certos assuntos e quantas outras para dizer bem de certos grupos. Isto é teatro puro. São as próprias pessoas a representar um papel para a sociedade, o problema é que o crítico de teatro tem de ter distanciamento para poder escrever com exactidão. O mesmo se passa com o bom jornalista que investiga, vai ao local, interroga todas as pessoas e redige apenas o que estas relatam.
Numa idade adulta jornalística do Povo de Fafe, 70 anos, achei por bem questionar também o meu percurso e questionar a minha posição jornalística. Devo destacar que já há muito me apercebi o que me tornaria um homem amado nas elites, bastava que as minhas palavras fossem as mais belas, mas este não seria eu, não seria autêntico, não seria o autor, não seria principalmente justo para os leitores, nem para o Jornal POVO de FAFE, que merece todo o meu respeito e a minha dedicação.
Tudo o resto é teatro!
in Jornal Povo de Fafe (19-03-2010)
Pedro Miguel Teixeira Sousa

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Blogosfera

A 'blogosfera' reúne um leque variado de informação. Os seus conteúdos podem ser bons ou menos bons, mas caberá a cada um seleccionar o que melhor serve os seus reais interesses. No tempo da ditadura, ninguém poderia escrever sem 'um lápis' que lhe desse autorização de publicação, hoje, pelos vistos, ainda surgem umas vozes que roçam a atitude desse tempo.
Muitas pessoas poderiam ser bons jornalistas ou colaboradores, bastava dar-lhes a oportunidade. Contudo, todos sabemos que as oportunidades ainda não estão abertas a todos os cidadãos, mas só àqueles que se impõem com garra ou a outros por simpatia. Senão, como poderiam publicar artigos Presidentes de Junta que só dizem bem das suas obras? Ou, então, indivíduos que escrevem o 'diz que disse...'?
Reconhecemos que muitos blogs não têm qualidade e há muita gente que comenta sem coragem de assumir as suas palavras, mas antes esta liberdade do que aquela que tem os Directores dos Jornais controlados debaixo de um poder e dá a sensação que só os fulaninhos é que são os intelectuais lá da zona...

Viva a liberdade!

Força geração de garra!