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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Voltemos às raízes…

   
 É Agosto. Voltemos às raízes. Sejamos genuínos e apreciemos os melhores sabores da amizade. Há quem diga que o amigo não precisa de avisar quando vai aparecer, mas com tanta tecnologia é melhor que o faça para garantir que terá ‘umas geladinhas’ quando chegar. Não é que não haja sempre uma ou duas, mas o calor vai alto… e as férias convidam ao relaxe refrescante.
     Mais do que umas cervejolas, os sabores de Agosto são para milhares de pessoas o aconchego tão desejado. Não importa muito o que se vai comer, chega uma sopa ou aquele arroz de feijão que mais ninguém sabe fazer. Mas não há nada como o belo prato de comida depois de dias e dias a fio longe das nossas raízes. Com o tempo, também se vão aprimorando os dotes culinários, mas nunca conseguem ser iguais às memórias de pequenino…
     Gosto de Agosto. Voltamos às raízes. Revemos velhos amigos. Saboreamos memórias e deixamo-nos invadir por um espírito genuíno. E quando são os ‘velhotes’ a contar as suas aventuras ‘daquele tempo’… ó maravilha de tempo perdido…
     Não fossem os incêndios e este era o mês perfeito. Os políticos profissionais estão de férias e os aprendizes também. As notícias até são mais saudáveis. Político em férias não faz asneira. Depois há os que gostam de política, mas são profissionais noutras áreas. Sobre esses não se ouve falar tanto. Mas são de longe os melhores.
     Agosto é mesmo um mês em grande. Cá para os nossos lados, as férias só chegam em força na segunda quinzena. Já se começa a pensar no material e nos manuais escolares. Há sempre tempo para umas idas à praia ou às cascatas do Gerês cada vez mais procuradas. Os imigrantes já começam a fazer as malas e se a viagem não fosse longa, nem os bancos da viatura escapavam a mais um presunto ou uns docinhos da região para acalmar a saudade de quando em vez…
     Ah! Já me esquecia. Em Agosto também as notícias más vão de férias. Não são todas, infelizmente. Há necessidade de encontrar argumentos para preencher os longos noticiários. Serve qualquer coisa. Nem que seja ‘notícia boa’.

     Agosto é o mês de carregar baterias. Voltemos às raízes…
inJornalPovodeFafe (11/08/2016)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

“Carpe diem, quam minimum credula postero”

A vida junto ao mar é fabulosa. Não é menos junto ao rio, sobretudo quando há cascatas naturais ou pequenas levadas que deixam o pensamento em deslumbramento. O som das ondas do mar é mais repetitivo. Uma espécie de embalador num vaivém continuo…
   “Carpe diem, quam minimum credula postero” é uma expressão retirada do livro de Odes do poeta e filósofo romano Horácio Flaco. Este expressão significa “aproveita o dia de hoje e confia o mínimo possível no amanhã”. E é este sentimento que me tem invadido a alma, o espírito e sobretudo o corpo nos últimos tempos.
   Um livro, uma toalha e o bronzeador na mochila é o quanto baste para aproveitar as maravilhas naturais de umas e outras praias magníficas que vou descobrindo. Começo a acreditar que não preciso de muito para ser feliz. É claro que por trás de tudo isto está a realização profissional e o bem-estar pessoal, o que implica que ao nosso lado também os outros estejam bem, depois é só partir na aventura do dia a dia…
  Sentado a escrever este artigo. Acompanhado do facebook para acompanhar os posts que vão chegando, começo a pensar que há mais vida lá fora. E, ao contrário das outras vezes, não posso pegar na mochila e desfrutar do rio da aldeia… ou melhor, poder posso, mas o maltrato que lhe foi dado em tempos faz com que hoje seja pouco procurado. Quantos anúncios de projetos já se ouviram? Muitos… mas mesmo muitos… até projetos com outras freguesias. O certo é que nenhum avançou…
    Se está bem para a maioria, não está para mim. Se respeito? Obviamente. Agora, não me peçam mais para aguardar muito tempo sem tecer as minhas opiniões. Sair, conhecer e voltar ao ponto de partida é uma das missões mais enriquecedoras. Não só porque se conhece mais, mas também porque permite abrir horizontes. Contudo, se antes os anciãos estavam mais preparados para chefiar as comunidades, hoje já não estão mais, o grau de conhecimento sobre o mundo dos jovens é superior. Os jovens deixam as suas terras. Os jovens são obrigados a conhecer novos horizontes…
   As aldeias têm muitos recursos. Não têm todas uma praia, isso é mais do que sabido, mas têm hipóteses de tornar a vida dos seus habitantes bem mais agradável. Para isso, só bastava que os dirigentes políticos fossem mais criativos e ousados, se não são… continuemos a ‘aproveitar o dia’ noutras paragens!


in Jornal Povo de Fafe

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Clube de Leitura Teatral


O Espetáculo vai começar! Por favor, desliguem os telemóveis.
Não se ouviu esta frase. Também nenhum telemóvel tocou. O público parece já acostumado. Ou então é tão pobre que até os telemóveis têm medo de tocar para não gastar bateria. Na verdade, nenhum telemóvel tocou. Parecia que não havia mundo lá fora. Os Leitores/Atores ou Atores/Leitores ou simplesmente aqueles que se prontificaram em agarrar no texto e preparar esta primeira sessão das leituras encenadas foram magníficos. Ricardo Correia recorre ao texto de Luíz Pacheco ("Cá em casa a nossa cama é a nossa liberdade imediata. Tem os nomes que quiserem.") e transforma-o em dramaturgia. O público não teve lugar na plateia. O público éramos nós. Espetadores/Atores sentados ali. Mesmo ali naqueles colchões do princípio ao fim. Naquela cama estavam todos. Entre movimentos mais e menos apressados. Encontrões tão normais de quem está numa cama. Todos cabiam naquele espaço tão minúsculo mas ao mesmo tempo tão livre. Ali, mesmo ali, cabiam todos os sonhos do mundo.
Depois do espetáculo, há sempre um momento de partilha e análise. Às vezes precisamos mais de ouvir do que falar. Ontem foi assim para mim. Fiquei a pensar no espetáculo. Na brilhante condução performativa de Ricardo Correia. Dei por mim, ainda no espetáculo, a pensar ‘… nem parece que estão a ler.’
Hoje, depois de alguma reflexão, gostava de salientar duas questões:
1 – A arte muda claramente a forma de ver o mundo;
2 – A Escola tem de abrir as portas ao mundo artístico. Os Professores precisam de ser libertados da burocracia dos papéis e viver mais estes momentos. Um aluno, mesmo o mais distraído, iria gostar muito mais de analisar um texto sentado num colchão, por mais roto que estivesse, do que na sua secretária chata e maçuda.
A Escola precisa ser reinventada. Este Clube de Leitura tem a receita.

TAGV e d’A Escola da Noite
Clube de Leitura Teatral
dirigido por Ricardo Correia e António Augusto Barros
Texto Sessão 1 - Luíz Pacheco: "Cá em casa a nossa cama é a nossa liberdade imediata. Tem os nomes que quiserem."
Fotografias de Cláudia Morais
ENTRADA LIVRE

sábado, 25 de julho de 2015

Somos mais fortes


Mais do que uma casa, Somos a Casa. Casa da Praça que olha do alto as tradições em alvoroço. Somos a Casa que acolhe sem perguntar se tem dinheiro porque há sempre lugar para mais um e a refeição é por nossa conta. Somos a Casa que recebeu milhares de forasteiros. Somos a Casa que abriga. Somos a Casa que… de lágrimas nos olhos já mal me deixa ver o que escrevo… porque a tempestade não nos derrubou, mas uniu com unhas e dentes as tantas gerações que por lá passaram. Somos aquilo que se chama família. Somos aquilo que se chama amizade. Somos tudo o que representa a tradição de uma Universidade que às vezes tão pouco sabe apreciar na prática o que apregoa nas aulas ornamentadas de teoria.
Hoje não estou lá… na Casa. Mas também sou um pedaço dessa Casa. A Casa que o Zé Manel, o Nelo ou o Fafe me levou a conhecer. Não estou lá, mas a Casa está cá… Porque eu… Sou da Praça. Sou da República da Praça!

Quando tudo acabar… quando não existir mais nenhuma razão aparente para eu voltar àquela cidade que me acolheu de braços abertos… quando Coimbra me deixar partir de vez… eu continuarei a ter uma Casa para me fazer voltar… 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O Menino do Moinho

      Havia junto a um rio um moinho muito velho, onde morava um Menino. Todos os dias, o Menino saía bem de manhãzinha para procurar alguma comida nos campos e nas fruteiras da região.
      Um dia, apareceu-lhe um agricultor muito mau que o viu a cortar um cacho de uvas e correu-o com um cajado. O Menino correu ferido por entre o centeio e só parou quando conseguiu chegar ao rio, perto do seu moinho. Não tendo forças para avançar caiu prostrado no chão.
       De repente, um jovem apareceu por entre uns arbustos à procura de uma bola e deparou-se com o Menino. Ajudou-o a levantar-se e perguntou-lhe se precisava de alguma coisa e o que tinha acontecido. O Menino contou-lhe que fora agredido quando pegava num cacho de uvas para comer. Era muito pobre, vivia sozinho num moinho abandonado junto ao rio da aldeia, porque ficara órfão e não tinha ninguém para cuidar de si. Por isso não ia à Escola e não conhecia ninguém.
      Ao ouvir isto, António de repente disse:
       – Sou teu amigo! Quero ajudar-te a conseguir tudo o que os outros têm.
       A partir daquele dia, os dois amigos tornaram-se protectores um do outro. António, que vivia bem, guardava sempre comida para levar ao seu amigo depois das refeições e ambos corriam e saltavam no bosque junto ao rio. O Menino começou a aprender umas letras com o amigo e a ajudar António nas composições da Escola, porque tinha muita imaginação. As histórias sobre as fadas, musas e adivinhas, que o Menino inventava para o amigo, encantavam todos os meninos na Escola da aldeia. Todos queriam saber quem era o Menino com tanta criatividade.
      Enquanto isso, as notas do António começaram a ser muito boas e, no dia em que conseguiu o melhor resultado da turma, convidou os colegas para conhecer o Menino. Todos foram muito entusiasmados e passaram uma tarde a jogar à bola, a nadar no rio e a ouvir as histórias do Menino…
      O Menino do Moinho não estava mais sozinho. Tinha já muitos amigos que brincavam com ele e lhe ofereciam roupas. Alimentos e até cadernos para ingressar na Escola.
 Mas, o Natal estava próximo. Era altura de pedir as prendinhas e o Menino pediu que lhe desse cada vez mais amigos. António nesse ano não pediu nada para si, pediu antes uma família como a sua para o Menino…
     Ao acordar, numa manhã toda branquinha, cheinha de neve, António foi ver o que o Pai Natal lhe deixou no sapatinho. Ao entrar na sala, olhou para junto da lareira e viu seus pais e seu grande amigo sentados em volta da mesa de família. O Menino não estava mais sozinho, não tinha apenas amigos que o ajudavam, mas uma família de verdade, para lhe dar os melhores presentes, o carinho e o amor de verdade.

http://resineiros.blog.com/

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

PRESÉPIO COM ARTE NA CASA MUNICIPAL DA CULTURA DE COIMBRA

 O “Presépio com Arte” da autoria da Escola de Artes Coimbra (EAC) será inaugurado hoje, quinta-feira, pelas 16h00, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra.
 Com a orientação dos Professores Pedro Figueiredo (Escultor), Hugo Pinheiro (Designer) e Teresa Bravo (Pintora) e a colaboração de Pedro Sousa (Professor) e Tiago Cunha (Promotor), os alunos de Design Gráfico e de Design Interiores e Exteriores da Escola profissional da ARCA (EAC) resolveram abraçar o projeto da criação de um presépio para a sala de exposições da Casa da Cultura. A conceção e construção do “Presépio com Arte”, ainda que respeite toda a tradição do presépio tradicional, convida o espetador a envolver-se e tornar-se uma das figuras centrais da obra. Figuras com toque contemporâneo, suspensas, completam-se com objetos tão tradicionais. O som do pisar das folhas e o choro do bebé, a luz que brilha e aponta, a caracterização e a personificação dos objetos tornam a viagem no tempo tão natural.

 O Menino Jesus nasceu! E será assim, de uma forma tão espontânea e natural, que todos, os que resolverem pisar o chão da sala, participarão na celebração desse dia, porque o “Presépio com Arte” só estará completo com a interação do público. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O concurso duvidoso mas que vai mudar a forma de atuar na Cultura, no Turismo e Lazer em Fafe

A indústria da cultura começa a despertar a vontade de muita gente. Finalmente, quase poderíamos afirmar, não fosse a fome desenfreada de alguns produtores que olham para a cultura como quem olha para outra coisa qualquer e não vêem mais do que uma forma de ganhar dinheiro. É claro que é o dinheiro o facilitador das necessidades da vida, mas como em qualquer outra situação, a cultura ser apenas movida por questões economicistas, sem gente capaz e com sensibilidade para as diferentes áreas não pode dar bons resultados.
O conhecimento é a alavanca para o sucesso. Sabemos bem que as mentes menos conhecedoras tentam a todo o custo desclassificar os mais estudados e até afirmar que um funcionário sabe mais do que o engenheiro. É bem verdade que o funcionário até pode saber mexer melhor na máquina, mas não conhece, a não ser que seja curiosos e autodidata, as razões pelas quais a máquina está a funcionar. Nem o material ou pelo menos a transformação necessária até ao produto final.
Tudo isto vem a propósito do concurso lançado pelo Município Fafense, que deu alguma polémica, em que a entidade vencedora (Naturfafe) ganhou tendo um orçamento de 52 000 euros a mais do que a concorrente (Contact Waves).
Penso já o ter dito, mas nunca é demais reforçar, pois não tenho qualquer participação em qualquer das entidades. O que me faz analisar este assunto prende-se simplesmente com uma questão de ordem cívica e porque também não posso aceitar que o dinheiro dos meus impostos possa ser utilizado de qualquer forma.
Como estava à espera, não obtive qualquer resposta por parte da Naturfafe ao mail que lhe enviei a solicitar o projeto. Afinal, é um procedimento tão natural da entidade como me foi dito por um dos elementos que compõem a gestão. Já da Contactwaves recebi três documentos: Memória descritiva do modelo de funcionamento proposto; Memória descritiva relativa à promoção de equipamentos municipais; Lista dos responsáveis e qualificação profissional dos recursos humanos.
Neste sentido, depois de me debruçar sobre estes três documentos posso concluir, desde já, que há um conhecimento sobre o território fafense e que as propostas estão todas enquadradas, ainda que as atividades pudessem ser sempre alvo de alterações e carecessem de constantes avaliações, mas isto é um procedimento natural na conceção e produção  dos projetos. Reparei que há sempre uma preocupação em dar a oportunidade às atividades do Município (Propõe-se para a dinamização e promoção do Teatro Cinema/Pavilhão Multiusos de Fafe/Parque de Campismo/Escola de Transito de Fafe/Museus, sempre que o calendário da programação da Câmara Municipal de Fafe permita,) e só depois é que aparecem as propostas da Contacwaves para cada espaço.
No que se refere à gestão dos espaços e dos próprios Recursos Humanos, esta empresa socorreu-se de gente com habilitações profissionais para cada área. A massa crítica está bem pensada, porque para cada área é necessário gente capaz de conhecer cientificamente as exigências do lugar que irão ocupar.


CONCLUSÕES:
Ainda que haja quem afirme que às entidades concorrentes não tenha sido pedido a promoção de atividades, o certo é que esta que me enviou os documentos (Contactwaves) consegue dar primazia à autarquia, sem qualquer problema, e ainda tem um leque de ofertas para tornar os espaços mortos em locais de atividade constante. E, ao que sabemos, com um valor bem mais barato. Os Recursos Humanos propostos têm habilitações capazes, o que nem sempre aconteceu e os resultados foram anos de marasmo puro.
Seja como for, há um problema efetivo que a Autarquia Fafense vai ter que resolver e, muito sinceramente, as razões invocadas para atribuir o concurso à Naturfafe não servem!
Este concurso foi só o primeiro. Começo a acreditar que não haverá mais nenhum. A solução passará pela retoma dos equipamentos e sua gestão por parte da Câmara. É um assunto polémico e a autarquia já se apercebeu que vem aí gente capaz de pegar no que antes estava só confinado aos amigos da câmara. Os jovens estão vivos. Estão preparados e com formações superiores. Se até aqui se pensava que só os políticos é que sabiam, hoje todos sabemos que os políticos estão desacreditados.

Já há muito tempo que falei na necessidade de uma revolução cultural. Entendem agora do que eu falava? Ela está aí… e a minha missão por estas bandas está terminada. Agora vou participar nessa revolução, o caminho está aberto… vemo-nos nas atividades!


Grande abraço

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O meu texto para a inauguração da Exposição "Formas de Saudade" de Pedro Figueiredo

 Metamorfoses da saudade

O corpo. A matéria. A vida. A apresentação do corpo em transformação no espaço. As esculturas de Pedro Figueiredo não se resumem à representação, ultrapassam a linha do metafísico no momento em que ganham vida própria e se assumem como personagens reais no cosmos.
A dialética entre os céus e a terra descobre-se nas figuras aladas que brincam com esferas. Nesta divinização, numa espécie de transformação do humano em semi-deus, é alcançada a tão desejada similitude. Temas mitológicos, animais e a representação do humano serão a voz da expressão de sentimentos e emoções, a arte em transformação.
Cada obra de Figueiredo conta uma história. É desenvolvida através de uma narrativa que não conhece o fim e permite ao observador/espectador/leitor ‘esculpir’ com o lápis da imaginação os traços que completarão essa mesma história ou, simplesmente, darão mais um contributo para a sua construção.
A singularidade de cada obra reside essencialmente na união da harmonia e do ritmo, no equilíbrio de um corpo aparentemente desequilibrado e numa mimesis da natureza em constante transformação.
A monocromia dá lugar à policromia e o jogo das cores faz a apologia à festa, ao encontro, à saudade. “Formas de Saudade” é uma celebração por excelência do ciclo da vida e de momentos enraizados na história e tradição onde a “tricana” arroga-se como símbolo inabalável. Cada escultura tem vida própria mas em conjunto evocam “o passar do tempo que não passa, o voar do vento que não voa”.
A partir das várias reflexões, diríamos que a junção das distintas obras de Pedro Figueiredo, num mesmo espaço, representa uma composição textual dramática por excelência. Figueiredo é o dramaturgo, que compõe cuidadosamente a sua obra, mas também é o encenador na orientação das suas personagens. Já as suas esculturas, com a mais convicta das certezas, são atores com vida e personalidade próprias e todos, até mesmo o escultor/criador, somos espetadores ou, quando muito, também atores neste palco do universo.
As obras de Figueiredo têm personalidade!

Pedro Sousa
Mestre em Estudos Artísticos pela Universidade de Coimbra





quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Até que enfim, mesmo!

Custou a acordar, mas eis aí o I Festival Gastronómico da Vitela Assada de Fafe.
A notícia estampada aqui faz uma apresentação certeira, repescando a história e referindo a receita, permitindo assim adivinhar os prazeres gustativos mesmo antes de os experimentar.
E pronto! Vale a pena ter uma participação ativa na sociedade. Menino não chora, mãe não dá presente. às vezes vale a pena lembrar os políticos que é preciso fazer alguma coisa. Até os podemos convidar a participar em debates sobre o tema e eles simplesmente não se darem ao trabalho de responder que 'não querem' ou 'não vão', dizerem em entrevistas que foram eleitos para trabalhar e não para comentadores, mesmo que só tenham sido convidados para abrir ou fechar a sessão, e depois até aparecem a comentar em televisões e isso sirva para ser publicitado em páginas do Município... Mas, independentemente disto tudo, o certo é que os políticos lá vão ouvindo as vozes quando se juntam, porque são muitas! E, como é óbvio, se não atuarem...
Há coisas que estão a mudar em Fafe e tantas outras vão mudar também... até que enfim!

O FUTURO DE FAFE ESTÁ NO POVO, NAS SUAS TRADIÇÕES, USOS E COSTUMES. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Cursos de Formação de Professores na EUAC

A Escola Universitária das Artes de Coimbra (EUAC) tem um conjunto de cursos aprovados pelo Conselho Científico da Formação Contínua (CCFC) destinados à Formação de Professores. Estas formações serão orientadas por mim e pelo Fernando Lardosa. Da minha parte com Especialização em Teatro e Performance e o Fernando Lardosa nas Artes Plásticas.

Todas as formações estão disponíveis no site da EUAC ou bastará um clique nos respetivos cursos:


1-Escrita Dramática e Design de Cena


A Igreja Matriz é um Templo Medieval?

Não sou entendido! Em Arquitetura, não! Sou apreciador do património edificado, mas não sou entendido. Contudo, perante a afirmação que um amigo fafense colocou na página do facebook deste blog, não poderia deixar de colocá-la em discussão. Quanto mais não fosse, porque agora parece que entrou a moda das conferências na política fafense. Ainda bem...
Neste caso, o Gil faz duas observações que me parecem fazer muito sentido:
1 - Onde está registado o estilo 'Arquitetura dos Brasileiros'? (Existe este estilo?)
2 - A construção da Igreja Matriz é um Templo Medieval?

Obrigado pela observação Gil, nunca tinha pensado nisso e, muito menos, tinha reparado.

Aqui ficam as observações do Gil Soares para quem quiser analisar/discutir o assunto:

«A Igreja pode se ter formada num núcleo ou estrutura medieval. Mas a traça actual não pode ser designada como tal. Só falta dizerem que a Capela Mortuária também o é. Depois de inventarem um novo estilo arquitectónico (arquitectura dos brasileiros), já nada me surpreende.Novas descobertas...

Abraços
gs»




quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"Não quero ser mais um. Não quero ser um cidadão comum"

Eu também não, meu amigo! Tal como tu, quero muito mais do que ser um cidadão comum. Mas também sei que não sou mais do que ninguém, nem quero ser... apenas não quero ser mais um!
O Nuno é um amigalhaço lá da minha aldeia. Regadas, mas Regadas com aquela letra bem grande. Já há alguns anos que a família do Nuno, pais e irmão, foram viver para Fafe, mas como é óbvio Regadas é Regadas e os genes estão lá. É de lá que sai o nome "Guitarra", alcunha do seu pai, tal como a minha é Resineiro, porque o meu avô trabalhava na resina e ficou a família dos Resineiros. Tem pinta, não tem?
Ah, pois é! Regadas afinal até tem uma malta que tem talento. Pronto, não sou eu... mas é um amigo e eu sou assim um tipo. Fico contente porque os meus amigos se sobressaem na vida. Não importa em quê, importa é que defendam os valores e, neste caso, o Nuno tem muita pinta. Força meu amigo! Quero-te ver nesses palcos do mundo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

E se tivessem mantido as construções?

"Quando não há pão, todos ralham e ninguém tem razão". Acabo de conhecer mais um trabalho sobre Fafe de Heric Carvalho. E, cada vez que alguém me mostra um pouco do que Fafe era, como já há muito bem vem fazendo o meu amigalhaço Jesus Martinho, mais me revolto contra quem mandou destruir estes edifícios e deixou construir mamarrachos. É muito fácil dizer que outras terras têm a vida facilitada para o turismo, porque têm um centro histórico ou um rio que lhe dá vida, mas se olharmos bem para estas imagens, também já tivemos um centro histórico com muito dinamismo...
E para construir novos edifícios, existem espaços circundantes... é verdade que são mais afastados do centro da vila, agora cidade, mas também é verdade que agora andamos todos à procura de qualquer coisa para nos agarrarmos e dizermos ao mundo que é importante!
Seria bem mais fácil se tivéssemos sabido preservar a identidade...
Agora não há nada a fazer, talvez não deixar destruir o que resta e obrigar a preservar as fachadas, mesmo que se altere todo o interior... é só o que fazem noutros sítios que se interessam pela cultura do seu povo!



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

BES Photo 2014 e os quadros de Miró, Picasso...

Embora o primeiro nome não seja nada agradável de ouvir nos últimos tempos, o certo é que este acontecimento é mais um momento de enriquecimento cultural e artístico que nos permite voar no tempo.
O BES Photo, no Museu Berardo, é já uma exposição que me habituei a ver com as sucessivas visitas de estudo promovidas pelo Fotógrafo José Carlos Nascimento, meu colega professor e mais do que tudo amigo. Este ano não foi a visita de estudo que me levou lá. Também muito bem acompanhado, pelas duas pessoas que fizeram o favor de me gerarem, tive a oportunidade de presenciar os trabalhos selecionados e, como é habitual neste Museu, não foi preciso pagar rigorosamente nada! Com isto não quero dizer que a cultura e arte têm de ser completamente gratuitas, muito pelo contrário, pretendo antes mostrar que aqui é possível ver quadros de Picasso, Miró e tantos outros artistas que só ouvimos falar... e quero também dizer que é possível criar receitas com uma gestão cultural e artística bem planeada. Porque a cultura e arte são os canais mais promissores. O problema é que quem manda não sabe e quem sabe não lhe é permitido mandar! Até um dia...

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Eu gostava muito que a Opus Dei proibisse um livro meu

Tenho, por princípio,  maior respeito por qualquer organização se esta defender os valores, mas não posso ficar indiferente ao ler a notícia "Opus Dei proíbe 79 livros de autores portugueses". Até podia ser outros, mas por acaso até são de autores que muito aprecio e que trabalho ao longo do ano escolar com muito gosto.
O que a Opus Dei está a fazer com esta lista negra de livros não é mais do que uma grande publicidade aos mesmos. Eu próprio, se já tivesse um livro publicado, gostava muito que também constasse dessa lista, era sinal que o livro tinha muito a dizer à sociedade, sobretudo à comunidade católica em que eu também me incluo. Não deveria, talvez neste momento, dar esta informação, mas o certo é que estou a escrever em várias frentes e um dos meus projetos, ainda que criação e inspiração num tempo e espaço bem definido, bebe de muitas das obras dos livros proibidos.
O que me preocupa não é propriamente a lista mas o que ela pode causar. Ainda que as pessoas que aderem à Opus Dei possam ter princípios de qualidade, o certo é que se tornam demasiado fundamentalistas e, para mim, tudo o que é extremo e radical é péssimo! Mais do que a lista, o que pode estar em causa é  o possam fazer com estas matérias, por exemplo, professores membros da Opus Dei que sigam as regras sem pensarem por si, formatados pela cegueira. O Ministério da Educação tem de estar atento!
A cultura faz-se com o conhecimento de todas as obras sem barreiras ou mesmo 'antolhos'. Limitar o conhecimento de certas obras só pode querer dar uma imagem do que não é e, no caso da Igreja, encobrir os 'pecados' dos seus líderes que tantas vezes vai contra o próprio catecismo. Errare humanum est!
Seja como for, esta notícia é uma tremenda publicidade para os autores e, neste caso, a Opus Dei está de parabéns, porque «o fruto proibido é o mais apetecido».

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

"Roteiro Turístico" chega a Fafe no século XXI

Ainda não vi nenhum! Não posso pensar em falar muito do conteúdo porque ainda não li nada, mas posso falar da capa, ou melhor, dos assuntos destacados, só porque me parece muito redutor. Seja como for, há finalmente um roteiro e isso é bom. Quem pensou na capa, provavelmente, considerou serem estes os assuntos mais relevantes e, se foi isso, tudo bem. O mais importante é que já há um roteiro e como qualquer roteiro, também este apresenta o concelho no seu todo: tradições e festividades; gastronomia; desporto; espaços de diversão, lazer e alojamento...
Continuo a dizer que ainda não o conheço, mas fico contente porque finalmente começam a aparecer alguns sinais que faltavam.
Mas importa relembrar que o turismo não se encerra num roteiro, este só serve para encaminhar os turistas para os locais. Só espero que este roteiro não se limite a Fafe cidade, mas a um concelho... é que há determinados políticos muito pobrezinhos culturalmente e desconhecem a potencialidades de todo o concelho.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

"Cartas a um amor ausente" de António Vilhena

Fico contente! Gosto de ver os meus amigos bem! Abro o mail como habitual, clico na mensagem do Diário de Coimbra que me envia a capa todos os dias, e eis que vejo a fotografia do meu camarada António Vilhena com um pequeno texto a anunciar o seu novo livro "Cartas a um amor ausente". 
António Vilhena, ou Vilhena para os amigos, é Licenciado em Psicologia e Mestre em Estudos Clássicos pela Universidade de Coimbra. Entre os diversos cargos públicos ocupados, é na cultura e literatura que se foca a sua atenção, sobretudo na produção literária.
Fafe, numa promoção do Club Alfa, já teve o privilégio de o ter a apresentar o seu último livro de poesia 'O canto imperecível das aves', onde deliciou o público com as suas palavras. Espero que no seu roteiro literário, que se iniciará em Setembro, haja um espaço para voltar à Sala do Minho...