sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Voltemos às raízes…

   
 É Agosto. Voltemos às raízes. Sejamos genuínos e apreciemos os melhores sabores da amizade. Há quem diga que o amigo não precisa de avisar quando vai aparecer, mas com tanta tecnologia é melhor que o faça para garantir que terá ‘umas geladinhas’ quando chegar. Não é que não haja sempre uma ou duas, mas o calor vai alto… e as férias convidam ao relaxe refrescante.
     Mais do que umas cervejolas, os sabores de Agosto são para milhares de pessoas o aconchego tão desejado. Não importa muito o que se vai comer, chega uma sopa ou aquele arroz de feijão que mais ninguém sabe fazer. Mas não há nada como o belo prato de comida depois de dias e dias a fio longe das nossas raízes. Com o tempo, também se vão aprimorando os dotes culinários, mas nunca conseguem ser iguais às memórias de pequenino…
     Gosto de Agosto. Voltamos às raízes. Revemos velhos amigos. Saboreamos memórias e deixamo-nos invadir por um espírito genuíno. E quando são os ‘velhotes’ a contar as suas aventuras ‘daquele tempo’… ó maravilha de tempo perdido…
     Não fossem os incêndios e este era o mês perfeito. Os políticos profissionais estão de férias e os aprendizes também. As notícias até são mais saudáveis. Político em férias não faz asneira. Depois há os que gostam de política, mas são profissionais noutras áreas. Sobre esses não se ouve falar tanto. Mas são de longe os melhores.
     Agosto é mesmo um mês em grande. Cá para os nossos lados, as férias só chegam em força na segunda quinzena. Já se começa a pensar no material e nos manuais escolares. Há sempre tempo para umas idas à praia ou às cascatas do Gerês cada vez mais procuradas. Os imigrantes já começam a fazer as malas e se a viagem não fosse longa, nem os bancos da viatura escapavam a mais um presunto ou uns docinhos da região para acalmar a saudade de quando em vez…
     Ah! Já me esquecia. Em Agosto também as notícias más vão de férias. Não são todas, infelizmente. Há necessidade de encontrar argumentos para preencher os longos noticiários. Serve qualquer coisa. Nem que seja ‘notícia boa’.

     Agosto é o mês de carregar baterias. Voltemos às raízes…
inJornalPovodeFafe (11/08/2016)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Carta aberta ao Presidente da Câmara de Fafe

Caro Dr. Raúl Cunha,
Os meus cumprimentos!

Tem de levar o mandato até ao final!
     Acompanhei com atenção o último ato eleitoral do partido pelo qual se candidatou nas últimas eleições. Este acompanhamento não foi mais do que os jornais ou redes sociais deixavam escapar, mas vi que a luta se tornou verdadeiramente interessante com a sua tomada de posição. Enfrentar poderes instalados não é fácil. Apoiar incondicionalmente a candidatura de Pompeu Martins foi uma marca bem distinta do que se conhece na política fafense nos mais diferentes quadrantes.
     Confesso que na altura da sua candidatura à Presidência da Câmara não acreditava nada que pudesse trazer a Fafe grandes novidades, quer o Dr. Raúl quer os restantes candidatos a vereadores faziam parte dessa estrutura partidária que bem conhecemos, mas hoje tenho de reconhecer a frase: ‘não é por acompanhar com os maus que temos de ser como eles’.
     Apesar de toda a controvérsia no ato eleitoral, lá se conseguiu o veredito final e eis que consegue fazer uma coligação. Até neste caso, se tivesse tido a oportunidade de votar em plenário, votaria contra essa coligação. Quando se soube do resultado das eleições, fui quase o único a dizer que preferia que tivesse ganho a lista dos independentes… Muito sinceramente, acho que Fafe perdeu muito em ter gente que só trabalhou para o aparelhismo e em concreto para um determinado grupo, o que saltou à vista novamente com o cacique de votos denunciada nos jornais, e em particular a minha freguesia perdeu imenso… Sim, eu sou da aldeia!
     Ainda não chegamos ao final de três anos. Os imbróglios que não havia meio de se resolver, estão com fim à vista. A Câmara de Fafe está aberta aos cidadãos. A todos. Já não é preciso pedir ao tipo mais próximo do aparelho para desbloquear processos na Câmara. O Presidente é capaz de ouvir e não deixa que nenhum chefe de gabinete altere o que acordou previamente. Humildade e Atitude! Humildade porque tem a capacidade de ouvir as propostas e, se as considerar oportunas, não hesita em apoiar. Atitude simplesmente porque tem palavra.
     Há ainda muita coisa a fazer por Fafe. Uma verdadeira articulação na saúde, educação, cultura e artes entre a Autarquia, as Famílias, a Escola e as Instituições. É preciso uma maior sintonia com o IEFP e, quem sabe com esta nova proposta do Governo de acompanhamento aos desempregados, conseguir colmatar esse flagelo e fixar mais os nossos jovens. Apostar em infraestruturas que sejam realmente eficazes para a qualidade de vida das pessoas. Enfim, tanta coisa precisa ser feita e só com alguém com capacidade de ouvir e optar pelo melhor é que poderá ser possível…
     Não julgue que escrevo esta carta só para não deixar cair a coligação. É que isso nem me preocupa. Viria com bons olhos uma candidatura à Câmara do Eng. Baptista ou novamente do Dr. Pedro Gonçalves que reúnem a característica que muito admiro, a humildade. Mas, ao que parece, nem um nem o outro serão candidatos a Presidente da Câmara.
     Dois mandatos é o tempo ideal para deixar marca e obra. Se não for possível os dois, que se cumpra este até ao final. Apoio não lhe faltará…
Um forte abraço.
Pedro Sousa

In Jornal Povo de Fafe (28-07-2016)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

“Carpe diem, quam minimum credula postero”

A vida junto ao mar é fabulosa. Não é menos junto ao rio, sobretudo quando há cascatas naturais ou pequenas levadas que deixam o pensamento em deslumbramento. O som das ondas do mar é mais repetitivo. Uma espécie de embalador num vaivém continuo…
   “Carpe diem, quam minimum credula postero” é uma expressão retirada do livro de Odes do poeta e filósofo romano Horácio Flaco. Este expressão significa “aproveita o dia de hoje e confia o mínimo possível no amanhã”. E é este sentimento que me tem invadido a alma, o espírito e sobretudo o corpo nos últimos tempos.
   Um livro, uma toalha e o bronzeador na mochila é o quanto baste para aproveitar as maravilhas naturais de umas e outras praias magníficas que vou descobrindo. Começo a acreditar que não preciso de muito para ser feliz. É claro que por trás de tudo isto está a realização profissional e o bem-estar pessoal, o que implica que ao nosso lado também os outros estejam bem, depois é só partir na aventura do dia a dia…
  Sentado a escrever este artigo. Acompanhado do facebook para acompanhar os posts que vão chegando, começo a pensar que há mais vida lá fora. E, ao contrário das outras vezes, não posso pegar na mochila e desfrutar do rio da aldeia… ou melhor, poder posso, mas o maltrato que lhe foi dado em tempos faz com que hoje seja pouco procurado. Quantos anúncios de projetos já se ouviram? Muitos… mas mesmo muitos… até projetos com outras freguesias. O certo é que nenhum avançou…
    Se está bem para a maioria, não está para mim. Se respeito? Obviamente. Agora, não me peçam mais para aguardar muito tempo sem tecer as minhas opiniões. Sair, conhecer e voltar ao ponto de partida é uma das missões mais enriquecedoras. Não só porque se conhece mais, mas também porque permite abrir horizontes. Contudo, se antes os anciãos estavam mais preparados para chefiar as comunidades, hoje já não estão mais, o grau de conhecimento sobre o mundo dos jovens é superior. Os jovens deixam as suas terras. Os jovens são obrigados a conhecer novos horizontes…
   As aldeias têm muitos recursos. Não têm todas uma praia, isso é mais do que sabido, mas têm hipóteses de tornar a vida dos seus habitantes bem mais agradável. Para isso, só bastava que os dirigentes políticos fossem mais criativos e ousados, se não são… continuemos a ‘aproveitar o dia’ noutras paragens!


in Jornal Povo de Fafe

Criar sinergias. Criar laços. Criar redes.

“Dinâmicas de Grupo”
 Este foi o desafio lançado nos últimos tempos em cada uma das atividades em que o Club alfa participou. O Encontro Nacional das Associações Juvenis, o Conselho Inter-Regional da Federação das Associações Juvenis do Distrito de Braga, os programas de incentivo ao investimento… enfim, são muitas as indicações que apontam a união de esforços como o único caminho para a transformação social.
O Club Alfa tem vindo a reestruturar o seu campo de ação. Muitos projetos foram sendo planeados mas a sua concretização fora impossibilitada por falta de infraestruturas, até que uma nova reviravolta nos elucidou e as soluções começam a fazer sentido.
O caminho não está percorrido, apenas foi iniciado. O Club Alfa é uma Escola não-formal. É uma Escola que trabalha com os tempos livres, oferecendo atividades educativas, desportivas e de lazer. As atividades propostas são trabalhadas por profissionais de várias áreas, mas o plano pedagógico é todo ele traçado a partir de programas educativos do Governo de Portugal. Trabalhar em sintonia é uma missão. Trabalhar com o mesmo fim, ou seja, construir no jovem um cidadão capaz de enfrentar novos desafios é o objetivo.
O Jovem que usufrui das atividades do Club Alfa tem a oportunidade de experimentar diferentes linguagens que lhe são propostas, algumas delas tão vulgares, mas também são confrontados com visões hipoteticamente adulteradas da realidade e, assim, nasce a transformação do real.
Uma Escola não pode encerrar o conhecimento no final do primeiro livro. Uma Escola tem de continuar a estudar, a investigar e a apresentar resultados e respostas para as mais variadas questões. É assim que nasce o tema desta revista “Dinâmicas de grupo”, que mereceu a reflexão de pessoas que trabalham com jovens em áreas diferentes, porque acreditamos que o Associativismo Juvenil pode dar resposta a algumas dificuldades geracionais, pela sua proximidade com os mais jovens, mas para isso acontecer é preciso em primeiro unir esforços entre Associações, Escolas e Autarquias, num trabalho conjunto com as Famílias.
Pensar a cidade. Pensar a Pólis. Pensar os Jovens é pensar o Presente e o Futuro.
A última edição da revista ‘alfa’ pode ser consultada no site http://academiaclubalfa.wix.com/clubalfa


in Jornal Povo de Fafe

terça-feira, 14 de junho de 2016

É o Fafe! É o Fafe!

Voltamos a Fafe. Ao Fafe, mais propriamente. Aquele clube que é de todos os fafenses e por isso a cidade cobriu-se de amarelo e preto. A festa foi grande! Pelos vistos valeu a aposta, o esforço e a luta de uma equipa em que poucos acreditavam há uns tempos…
Está mais que provado que os homens não se medem aos palmos e, mais ainda, não se deve subestimar ninguém, sobretudo quando em causa está a garra de alguém que teima em vencer a toda a velocidade.
Hoje a festa é de todos!
A festa é de todos e por isso importa perceber a dimensão do clube e o que pode representar para o concelho de Fafe. Jogar no Fafe já é um estatuto que não está ao alcance de todos. É preciso ter provas de desempenho mais elevadas. Mas importa perceber que o Fafe tem escolas e de lá podem sair essas mesmas provas.
Um dos sonhos de muitos jovens é tornarem-se jogadores de futebol. É fácil perceber os motivos e nenhum deles é o dinheiro, esse só é interessante para os adultos, os mais pequenos querem apenas fazer o que mais gostam naquelas idades e começam a querer ser como os seus ídolos que tantos prémios ganham…
O Fafe pode-se transformar cada vez mais nesse palco de experiências. Não um palco onde se faz o último espetáculo, porque esse já implica um conhecimento mais comprometido, mas um palco em que a educação no desporto assume esse papel. Seria interessante uma maior aproximação das escolas, das autarquias e mesmo de outras associações ao Fafe… Um projeto desportivo que envolvesse ainda mais a comunidade e daí saíssem os melhores resultados no desporto para a saúde, mas também para a competição…
Hoje a festa é de todos! Amanhã poderá ser de mais ainda…
Os próximos tempos vão ser interessantes. A competição ganhará novo fôlego e o campeonato terá os olhos postos a seguir a tabela classificativa. Neste momento, importa reconhecer o trabalho e a garra desta malta que traçou um projeto e o agarrou com unhas e dentes até a um ponto mais alto. Há outras montanhas. Montanhas mais altas. Ainda que não seja possível adivinhar o futuro, importará sempre reconhecer o presente e este é de muita festa, não porque se ganhou, na minha opinião, mas porque se lutou até ao final!

Parabéns Fafe! 

sábado, 4 de junho de 2016

Tirem o chapéu... está aqui o Presidente do Fafe!

Há mais de um ano escrevi este post e depois este!
Fica aqui para relembrar que não são só os vedetas que chegam a campeões.
Aproveito para dar os parabéns a toda a equipa da Associação Desportiva de Fafe!


Jorge Fernandes,
Presidente da Comissão Administrativa do Fafe

Conheço o Jorge há muitos anos pelos seus famosos cachorros com molho especial. Confesso que já comi em outros sítios, também dotados de fama, mas este molho é mesmo especial, para além de saboroso não é pesado. Quanto à sua atividade profissional, o sucesso está à vista…
Por alguns imperativos da vida, sei que Jorge Fernandes já foi o salvador de algumas empresas que se encontravam muito perto do abismo e, pelos vistos, a Associação Desportiva de Fafe não foge à regra. Já tinha conhecimento há largos meses da sua ação e mais ainda das suas intenções que me parecem excelentes, uma vez que pretende alterar os estatutos para que ninguém deixe mais o Fafe como ele o encontrou e se quiser deixar que seja responsabilizado como tal.
Como concordo com esta visão, só estou à espera que Jorge Fernandes a ponha em prática para lançar o desafio à classe política, certamente que nunca mais entraremos em crises. Quem prevarica tem de ser responsabilizado e mais nada!
No início da época, ainda que eu não seja de todo um doente da bola, ouviram-se algumas críticas à composição da equipa do Fafe. Porque eram moços novos, sem experiência… enfim, coisa e tal. Com estes resultados destes jovens Grandes Futebolistas, com a herança de uma dívida de 1,2 milhões de euros que em dois anos foi reduzida em 30% e com um Fafe a lutar para subir de divisão, o que podemos dizer ao Jorge e do Jorge?
Eu digo: Grande Administrador financeiro, Excelente Gestor de Recursos Humanos, Muito Bom nas perspetivas de futuro e MUITOS PARABÉNS JORGE FERNANDES.

domingo, 29 de maio de 2016

Um dia cheguei à Universidade…

… de Coimbra!

Ensino público para todos! Sem pestanejar! Sem pensar sequer noutra opção que não esta. A Escola é Pública e é lá que quero continuar a depositar a esperança da Educação deste País. Não sou contra o ensino privado, mas prefiro uma escola que dá oportunidade a todos. Se não fosse essa escola, hoje não poderia ter duas licenciaturas, uma pós-graduação e um mestrado.
Sou filho de dois operários fabris. Operários têxteis. Aquele setor que já pagou melhor que a construção civil, mas também caiu no maior fosso que se conhece na história da indústria. Sou filho de duas criaturas de Deus que tudo fizeram para que eu pudesse andar vestido como qualquer outro menino, tudo orientaram para que nunca me faltasse um prato de comida e sempre apostaram na minha educação. O bom resultado na Escola era a única exigência. Na escola pública, onde andavam todos os meus amigos lá da aldeia…
Fui seminarista. Ainda não sabia se queria ser padre, mas sabia que queria estudar a vocação. Dois anos foram internos. Reconheço a excelente formação. Mas lá pagava todos os meses a mensalidade. Depois voltei à Escola pública e residia no seminário, o 9º Ano na Secundária de Felgueiras e o 10º, 11º e 12º na Secundária de S. Mamede Infesta. Chega a Universidade. Entre decisões e confusões de um jovem sem conhecer o seu futuro, Coimbra e os Estudos Clássicos foram a primeira opção. E, mais uma vez, também a Universidade foi pública. Afinal, os meus pais continuavam a ser operários.
Como posso não defender a Escola Pública?
Foi graças ao ensino público que consegui realizar um sonho de menino. Queria ser Professor. E sou!
Conta-me o meu pai muitas vezes que antigamente só conseguia ir para a Universidade quem tivesse dinheiro. E falamos do ensino público, porque as privadas são recentes… E também me conta que só quem tinha uns terrenos, herdados de um regime fascista, é que tinha essa possibilidade.
Não precisamos investigar muito ainda hoje para perceber quem são os detentores de habilitações superiores. Basta conhecer as suas famílias. Também não precisamos de nos chatear para saber quando foi o virar da página e que formou tanta gente administrativamente, esse 25 de Abril serviu para muita coisa… Mas precisamos de perceber que se hoje há muitas mais famílias que têm filhos doutores e engenheiros é porque finalmente a Escola Pública veio para Todos.
Quero uma Escola pública para todos. Uma Escola que receba sem rotular, mas que proteja os mais desprotegidos. Uma Escola que permita aos filhos dos operários estudar. E que permita também aos outros todos.
Onde não há essa Escola, que seja equacionada a alternativa. Mas se a mim me foi dada essa oportunidade, bem ao contrário do tempo dos meus pais, é meu dever de cidadão defender esse direito para todos os outros jovens e, que estes, um dia façam o mesmo pelos que hão de vir.

in Jornal Povo de Fafe (27-05-2016)