quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

A bandeira da liberdade

 "Há medida que vamos despindo bandeiras, somos mais livres."

Há uns anos li esta frase. E não é que é bem verdade?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Professores, greve de uma semana para começar a luta?

 Os Professores… os Professores… os Professores…

 Nas últimas semanas, a palavra ‘Professores’ tem sido a mais badalada na comunicação social. A falta de professores está demasiado evidente e não era de esperar outra coisa, bastava olhar para as Escolas e ver discrepância de idades. A maior parte dos docentes anda na volta dos 60 anos, depois aparece a malta dos 40 e a seguir os acabadinhos de sair das faculdades, sendo estes últimos em menor número, não só porque ainda precisam de ganhar tempo de serviço, mas sobretudo porque há muito poucos que querem ser Professores.

 As regalias dos Professores é o ponto mais evidente que leva a sociedade a olhar para os Professores como uns privilegiados. Na verdade, até eram mesmo! Mas eram os mais velhos, os que já estão na reforma. Tinham muitas regalias, trabalhavam perto de casa e eram uns senhores… Claro que isto não se aplica aos dias de hoje. Quem quiser trabalhar desde o início do ano tem de se sujeitar a trabalhar longe de casa, principalmente na zonas de Lisboa ou Algarve, pagar rendas altíssimas que podem variar entre os 275 euros por um quarto e os 450 ou 600 por um apartamento. Ou seja, mais de metade do ordenado está destinado logo à partida, o que sobra para o resto às vezes não chega ao salário mínimo…

 É claro que ninguém é obrigado a seguir a carreira. Poderá ficar nas terrinhas e trabalhar noutra coisa, se é que há trabalho para todos, mas como tudo na vida, as opções estão ao dispor de qualquer um e não é com queixas que se muda o sistema. Quem quer vai, quem não quer que arrepie caminho.

 As Escolas também não estão no cenário mais apetecível. Há burocracia a mais. Muitos papéis a preencher que não servem para nada, a não ser para deixar tudo bonitinho para o caso de uma inspeção. As planificações, as aprendizagens essenciais, os critérios de avaliação, as grelhas de avaliação, os vários documentos para os alunos com Necessidades Educativas

Especiais, os planos das tutorias, mentorias… Na verdade, se eu mandasse, a maior parte destes documentos eram reduzidos a três ou quatro e fazia tudo na mesma. Talvez tivesse era tempo para planificar bem as aulas, dar mais atenção aos alunos com as suas inúmeras dificuldades e problemas e, ainda, ter tempo para construir os melhores projetos, fossem estes para o Projeto Maia ou o Ubuntu.

 Há uma necessidade urgente de descomplicar as Escolas e permitir que os professores se possam voltar a concentrar no mais importante: o aluno. O aluno tem de voltar a ser o centro da Escola, não as papeladas, e conseguir com isso traçar o melhor percurso que pode e deve ser cada vez mais prático e experimentado na sociedade civil (associações, autarquias, empresas…), sempre auxiliado pelo conhecimento e rigor científico.

 Os professores têm sido os maiores inimigos dos Professores!

 Não é o Ministério que faz as grelhas, ainda que lance a confusão para as Escolas, são outros Professores. Também não é o Ministério que marca as greves, são outros professores nos sindicatos que teimam em agendar às sextas, descredibilizando a luta e dando a ideia de fim de semana prolongado.

 Não faço greves de um dia! Mas estou disponível para começar a fazer uma semana inteira. É preciso ir à luta como foram os camionistas. É preciso fechar as Escolas para que a sociedade perceba que não consegue funcionar sem as Escolas. Se os alunos não estiveram nas Escolas, os paizinhos terão de se ocupar deles ou ficarão nas ruas e, desta forma, iniciar-se-á uma preocupação maior das autarquias com tantos jovens, sem ocupação, a deambular pelas ruas da cidade.

 Basta de brincar aos Professores e às grevezinhas! É preciso ir à luta e exigir o que já é atribuído a outras profissões, sejam ajudas de custo (deslocações e estadias), seja no aumento salarial que está cada vez mais próximo do salário mínimo, seja na reorganização administrativa do sistema.

 Voltar a centrar a educação nos alunos é apostar definitivamente no futuro de Portugal!

Vem aí o Natal…

 A hora vai já adiantada e estamos num dilema. A inspiração parece não querer nada connosco ou talvez o pensamento esteja já em ‘modus natalício’. Parece que tudo das nossas vidas mundanas deixa de ser importante nesta época. E se fosse assim o ano todo?

Na Antiguidade Clássica paravam-se as guerras para assistir aos festivais. A sua importância era tal que as tréguas eram religiosamente cumpridas durante o decurso das celebrações. A época natalícia não é muito diferente. Mas aqui as tréguas não se fazem por decreto. Nem por imposição forçada. E muito menos por terceiros. As nossas tréguas são pessoais. São mais elevadas. É o nosso espírito que coloca as regras e estabelece os limites.

Os valores. As prioridades. As ambições. Tudo. Tudo mesmo passa para segundo plano. Às vezes até para terceiro ou quarto. O que realmente importa está ali. Uma mesa cheia de tudo, mesmo se quase nada tiver em cima. Mas basta o mais simples da horta para uma harmonia plena.

E se as nossas prioridades se centrassem na mensagem de Natal? Muito severamente estaríamos bem mais comprometidos com tudo o resto! As exigências ao mundo seriam coletivas e haveria Natal em todas as casas.


sexta-feira, 29 de outubro de 2021

A Educação aos pontapés

 Já todos percebemos que a Escola é o local onde os pais deixam os filhos para irem descansadinhos para o seu emprego! E, na verdade, nada contra isto! Muito pelo contrário. Enquanto Professor, quero mesmo que os Pais sintam que podem estar à vontade porque há instituições de confiança, onde a transmissão de conhecimento se associa à sã convivência e ao salutar crescimento intelectual e humano.

Uma Escola tem de ser o local onde se experiência, mas também onde se brinca com qualidade.

A Escola, infelizmente porque não deveria ser necessário, continua a ser o local de crivo da sociedade. É na Escola que conseguimos perceber se uma criança anda a a comer convenientemente, se está bem física e psicologicamente, são travadas aberrações culturais como casamentos de menores ou o arranhar da garganta quando esta dói...

Mas também é a Escola que está embrenhada em papéis. A burocracia é imensa e era tão simples de resolver o problema, bastava que o Ministério tivesse Professores do terreno a construir medidas com conhecimento de todas estas realidades.

Um Professor, depois do seu horário, nunca sabe muito bem para onde se virar, mas tudo seria bem mais fácil se os montões de papéis fossem substituídos por grelhas simples e fornecidas :

Professor/Disciplina: Planificação da disciplina; Manual adotado; Recursos didáticos.

Diretor de turma: Contactos do Conselho de Turma; Contactos Encarregados de educação/alunos; Caracterização da turma; Documento para kit tecnológico; Ficha de justificação de faltas; PCT.

Tutoria: Plano individual do/a aluno/a.; Relatório Breve.

Todos os outros programas e programinhas, Projeto Maia e afins, não podem deviam ser vistos mais do que possíveis indicações para melhoria pedagógica. Torná-los obrigatórios é suprimir o que de melhor a Escola pode ter, a criatividade pedagógica. Claro que eles apontam nesse sentido, mas para isso acontecer é preciso criar estruturas de base: turmas mais reduzidas e programas menos extensos.

Se eu mandasse, todas as grelhas não tinham mais do que uma página!

Enquanto vou conseguindo, as minhas aulas vão-se revestindo de:

- Textos criativos; Leitura; Dramatização... Diálogos sobre tudo e sobre nada!

- Exposição teórica, auxiliada pela investigação (rápida) dos alunos;

- Construção de projetos de intervenção profissional (culturais, artísticos, desportivos...);

As minhas aulas, na verdade, não são mais do que laboratórios científicos, onde os alunos podem errar todas as vezes e o menos possível na avaliação!

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

A tua voz irrita-me

 Lá no fundo do corredor. A tua voz. Outra vez. Era assim todos os dias. Já estranhava quando o estridente dos teus agudos não ecoavam como o chilrear dos pássaros. Sons repetidos. As mesmas formas. Iguais palavras tantas vezes. Precisavas arranjar justificação em cada momento contrariado. Mas ninguém tinha mais paciência. Estavas errada.

O meu pensamento era sempre teu. A minha teimosia não te deixava vencer, mas tu não entendias o meu propósito. Não te queria chateada. Queria-te, simplesmente! Apaixonada. Determinada. Agarrada aos meus braços com tanta força. Tu não entendias. Nunca entendeste….

As pessoas riam. Nós fazíamo-las rir. Isso irritava-te. Eu sabia e não parava. Porque te queria. Estranho jeito de amar. Bem o sabia, mas não tinha outra forma de o fazer.

Aquele dia foi o melhor. O espetáculo foi de tal forma bem preparado que o teu papel não passou de secundário. Eu brilhei. A comédia fazia de mim o melhor dos atores, enquanto tu te atiravas a responder prontamente às minhas provocações. Fácil. Tão simples. Não sabias era que tu tinhas o papel principal. Tudo girava à tua volta. 

 Foste embora. Mais uma vez. Ao fundo, ouvia a tua voz. Uma e outra vez. Mas tu não voltaste mais…

I - A tempestade

 Justiniano levanta-se assustado com o estrondo ensurdecedor que se fez sentir. A chuva, o vento e a continuada trovoada precipitam os tremores na Joaninha, a filha da criada mais antiga da casa, levando-a a correr de um lado para o outro como um pássaro atordoado à procura de abrigo. A sala fica de repente iluminada e Justiniano tenta acalmar Joaninha com as suas palavras sábias na arte do conhecimento das precipitações da natureza. A sua passagem pelo curso de Literaturas Clássicas em Coimbra tornava a sua elocução uma lei inquestionável.

No outro lado da casa, bem longe do centro de todas as atenções, a mãe de Joaninha dava-se ao desfrute com o Pároco da aldeia, relação que já se prolongava há anos, mas, a todo o custo, o plano que engendraram, em colocar D. Prazeres como uma senhora extremamente escrupulosa, continuava a ser muito esclarecedor e ninguém ousava questionar as visitas do Pároco repetidas vezes por semana à Casa Grande, mesmo que essas visitas se dessem durante a noite.

O Pároco tinha assumido, secretamente, com D. Prazeres a educação de Joaninha e preparava um pé-de-meia para que ela fosse estudar para Coimbra onde tinha frequentado o ensino superior o recém-licenciado Justiniano. O Senhor Conde, grande amigo do Abade, conhecia toda a estratégia e prometera ser cúmplice desta situação, disponibilizando-se em dar o seu nome como benfeitor nas despesas e até alguma ajuda se fosse necessário.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Quando as lágrimas...

 

"... molharam os meus lábios, entre pensamentos atropelados, percebi a imensidão do mundo."