domingo, 19 de julho de 2020

Praia Fluvial do Avial, inauguração marcada…


E era, não era?

A pandemia veio trazer muitos dissabores, mas também nos obriga a refletir sobre o que deveríamos ter e ainda não temos.

Nos últimos dias, o calor tem sido imenso e o tão afamado rio do Avial, em Regadas, volta a ser o foco da atenção. É verdade que se aproxima Agosto, por si só já implica um reparo maior nas suas águas, mas estes dias e numa altura em que não se pode estar em ajuntamentos, o que seria diferente se as margens deste rio já estivessem preparadas com um belo areal e um barzinho a servir a malta... Claro, com todas as regras devidamente estipuladas pela DGS, até porque Regadas, ainda que não tenha nada de novo para mostrar nos últimos anos, que não estivesse já planeada pelos anteriores executivos, continua a ser a freguesia com mais pinta da zona sul do concelho. E uma coisa é certo, se é para estragar… é mesmo melhor não mexer!

É mais do que evidente que isto é puxar a brasa à minha sardinha, mas por falar em sardinha, e se este bar fizesse lá umas sardinhadas. Já estou a imaginar o barman: “só podem comer uma sardinha de dez em dez minutos, para não haver ajuntamentos!”

O certo é que estava previsto, numa promessa eleitoral, há cerca de 12 anos, que iam construir uma praia fluvial, no Avial, que seria feita em conjunto com a junta de Silvares. Não sei se Silvares tem conhecimento disto, mas todos sabemos que não há praia Fluvial para estas bandas. E, na verdade, ainda há rio porque era muito difícil apagar as suas margens…

Como dizia o outro, enquanto há vida há esperança. Nós acrescentaríamos, só naquela, enquanto a vida existir, muita água há de correr no Avial.

Só para mostrarem que não tenho razão no que digo, era mandar já para lá as máquinas na segunda-feira, espalhar uma areia pelos campos, construir um bar de apoio e colocar uma das associações de Regadas a explorá-lo para angariar fundos para as suas atividades.

Ai, espera lá! A ideia saiu da minha cabeça… já não vai dar!

Desculpem lá!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Agora, as pessoas, que supostamente têm tudo, queixam-se da falta umas das outras...


Hoje uma paciente entrou muito agitada no meu consultório. A sua angústia era de tal modo perturbadora que pedi logo que se deitasse um pouco na marquesa. Fizemos um jogo de respiração inicial, depois coloquei uma música calma e disse-lhe simplesmente para fechar os olhos. Sentei-me no cadeirão e esperei. Observava cada movimento das suas mãos, até que finalmente o relaxamento tomava conta do seu corpo. Estávamos preparadas para iniciar a sessão. Não a deixei levantar. Apenas pedi que me contasse o que a deixava tão angustiada. 
- O meu namorado. O meu namorado não me fala do mesmo modo. O meu namorado já não me diz coisas bonitas. A nossa vida são só discussões. Não conseguimos mais ter uma conversa normal.
- Já lhe disse isso? Já tentou falar com ele e dizer-lhe que precisam de parar para se ouvirem um ao outro? - perguntei eu.
- Já tentei tudo, mas ele não me ouve. Tem sempre que fazer na oficina. Está obcecado por mudar de carro e precisa de dinheiro. Ele diz que não nos falta nada!
Às vezes o problema das pessoas é só este. A falta de diálogo. A obsessão por ter mais e mais e esquecem-se do mais importante, aqueles que estão ao seu lado. Os novos problemas não são mais a falta de recursos materiais. Agora, as pessoas, que supostamente têm tudo, queixam-se da falta umas das outras...
in sem chance

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Desiludimo-nos tantas vezes com as atitudes dos outros.


«Desiludimo-nos tantas vezes com as atitudes dos outros. Mas bem lá no fundo, só estamos irritados com a nossa própria pessoa, porque não os mandamos logo para o raio que os parta! E seguimos. Com a mesma atitude nobre de sempre.»
in sem chance

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Quando não deixamos os outros mandarem em nós, somos mais felizes!

O tempo é uma escola de excelência! Quantas vezes nos deparámos com complicações criadas porque não fazemos o que os outros esperam de nós? São imensas. São tantas e tão aborrecidas que nos leva ao desespero. Leva-nos a alterações no sistema nervoso que, por vezes, só uns calmantes nos retribuem um pouco de paz de espírito.
A vida não pode ser comandada a comprimidos. A vida tem de seguir o percurso mais natural. Mesmo que para isso tenhamos que cortar com laços que vêm desde sempre. Despir camisolas partidárias, olhar um jogo de futebol de todos os ângulos, cortar com um pseudo amigo tóxico, deixar que falem de nós sem nos importar, obviamente que não abusem ou lá estaremos, claro! Tudo isso é ser livre. É estar-se nas tintas para uma sociedade faminta de confusão. Não precisamos disso. Não precisamos de gente que nos ponha para baixo. Afinal, não são essas pessoas que nos pagam as contas ao final do mês…
A vida só precisa mesmo de lutas grandes. Lutar por um bom sistema de saúde. Lutar por uma educação igual para todos. Lutar pelo direito ao trabalho e com dignidade. Lutar por ter uma casa com conforto. Lutar por ter um carro que nos leve a outras paragens. Lutar por umas férias num qualquer resort ou num parque de campismo ao sabor do ar mais puro. Lutar por uma terra que tenha saneamento básico, água a preços razoáveis, recolha de lixo atempadamente, piscinas, campos de jogos, escolas de artes e desportos, aproveitamento dos recursos naturais de cada localidade…
No final disto tudo, o que fica depois de todas as contas?
Sem pensar demasiado, esperamos que fique o sentimento de dever cumprido, sobretudo para com aqueles que deram tudo de si para que nós fossemos alguém.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Querem que os vossos filhos passem sem saber?


Avizinham-se tempos difíceis para a Escola!
São cada vez mais as notícias sobre o flagelo em que se transformou a escola portuguesa. Milhares de alunos sem professores. Escolas degradadas e sem funcionários suficientes. Alunos à deriva sem perceber o que fazem ali. E, depois, há os que continuam a querer aprender porque sabem que só assim podem evoluir nas suas opções vocacionais.
Há de tudo! Menos, professores e funcionários suficientes, claro! Até já há Câmaras (Lisboa, Oeiras e Faro) a pedir soluções ao governo, pois já se aperceberam que podem ficar com milhares de jovens nas ruas, porque não têm professores para os orientarem... depois serão os pais, que não sabem onde os depositarem, mas tudo a seu tempo!
Sou muito a favor da Escola pública, em primeiro lugar. Depois, sou ainda mais a favor da oportunidade para todos. Mas em terceiro, e não menos importante, sou a favor de deixar aprender quem realmente quer aprender. E, por esta última razão, considero que deveria existir um ajustamento ao atual sistema de ensino. Com isto não quero, de modo algum, deixar de apostar numa educação inclusiva. Há alunos com Necessidades Educativas Especiais que, devidamente acompanhados, são capazes de ultrapassar muitas barreiras e começar a acompanhar os demais colegas. Mas há aqueles em que a Escola não lhes diz nada e só estão na sala de aula para não ter falta. E perturbam. E recusam-se a trabalhar. E não fazem mesmo nada, por mais estratégias que se criem. Não estariam melhor estes alunos em aulas práticas?
Parece que vem aí uma nova onda. Sucesso máximo! Todos vão passar até ao nono ano. Será mesmo assim?
Confesso que nenhum diretor ou Ministro, por mais poder que possa ter, me vai fazer passar um aluno que se recusa a trabalhar numa aula e só escreve o nome no teste porque é obrigado a identificar a sua prova. Jamais! Até pode passar, mas será administrativamente e nunca porque a minha pessoa lhe atribuiu uma nota positiva.
Ao contrário, um aluno que até possa ter uma prova menos boa, mas mostra empenho e interesse em resolver os exercícios que lhe são propostos, poderá evoluir para outro nível de ensino sem problema, afinal existiu o que mais importa no ensino-aprendizagem, ou seja, a capacidade de questionar o problema e a tentativa da solução do problema.
Eu não quero que o meu filho tenha um ensino facilitador, mas quero que ao meu filho lhe seja dada a oportunidade de aprender as regras para que ele depois possa criar a sua própria linguagem.
Se as leis deixassem de ser pensadas nos gabinetes de Lisboa e fossem construídas a partir das salas de aulas, certamente que o ensino melhorava sem problema. Mas todos sabemos que é bem mais cómodo construir projetos idealistas, no quentinho do ar condicionada, do que realistas, no frio dos corredores.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Câmara aprova 40 milhões para 2020


Uma Piscina, uma Zona Industrial… e uma Galeria de Arte!
Calma! Não se atropelem em críticas. Há mais coisas no plano da autarquia para o ano 2020. A maior parte delas são já conhecidas e terão a sua continuidade, mas estas são as que me saltaram mais à vista.
Se pensarmos na evolução das cidades, logo nos apercebemos que estamos mais perto de todo o lado. Hoje ir ao Porto não tem nada a ver como há 30 anos. Até Fafe era longe das suas aldeias. Ou se ia lá porque tínhamos aulas, às quartas por ser o dia da feira ou aos domingos passear, quanto mais não fosse até ao jardim do Calvário. Agora, somos capazes de ir à cidade mais do que uma vez por dia, mas também vamos para Guimarães ou Braga, sem nos chatear muito, pois as vias de comunicação assim o permitem.
Os tempos são outros e as obras já eram precisas para ontem.
Temos o privilégio de ter uma excelente nadadora que soma prémios atrás de prémios. Mas podemos ter mais. Basta criar as condições para que os nossos jovens possam praticar os mais variados desportos e, convenhamos, a atual piscina já está obsoleta para a modalidade. Ressalvo, no entanto, que tenho um carinho especial pelas nossas piscinas municipais. Foram muitas as vezes que lá recorri para umas belas braçadas, mas tudo tem o seu tempo…
No que toca à Zona Industrial, só me resta dizer, façam lá o que entenderem, só sei que o concelho está a perder investimento por não andar da perna… Felgueiras aproveita, não se preocupem…
Por último, a Galeria de Arte que poderá nascer nas antigas oficinas da estação dos caminhos-de-ferro. Bem, aqui a conversa é outra. Em tempos, tive a oportunidade de construir um projeto com uns amigos, Gil Soares e Leonel Castro, para apresentar ao Município: Aquisição de uma Locomotiva e um “Espaço de Memória’’ (através de uma exposição permanente referente ao comboio em Fafe), mas que contemplasse também “Atividades Educativas/Culturais” (Atividades lúdicas, Cursos livres, Workshops, Clubes culturais, artísticos e recreativos…) e um “Espaço de Artes” (Exposições temporárias com artistas locais, nacionais e internacionais; Parceria com outras entidades de modo a tornar-se uma extensão de atividades artísticas já existentes e que possam colocar Fafe na rota das artes).
Espero, sinceramente, que Fafe aproveite esta onda cosmopolita e europeísta e se abra de uma vez por todas ao mundo, pois só assim conseguirá interagir com um mundo em movimento e dar aos seus jovens a hipótese de alargar horizontes. 

terça-feira, 29 de outubro de 2019

A (in)disciplina nas Escolas só precisa de uma mudança de paradigma


Carta aberta ao Sr. Ministro da Educação,

A Escola está desajustada!
Os professores desesperados, esgotados e desmotivados! É preciso fixar mais professores nas escolas. Corpo docente estável. Melhorar o ordenado no início da carreira e não só no final. Ajudas de custo para estadia e deslocação como fazem com Juízes, Médicos e Políticos.
Os alunos há os que estão disponíveis para agarrar o sistema de ensino tradicional e os outros, menos, que a Escola não lhes diz nada, pelo menos aquela escola a que são obrigados.
Ao fim de um mês de aulas, um professor já sabe quem está enquadrado no sistema de ensino regular e quem deveria seguir um percurso alternativo, mas o aluno não o faz porque ainda não tem idade para o efeito.
Pensar que se deveria mudar todos os métodos de ensino é um erro. A maior parte dos alunos, no ensino regular, seguem perfeitamente o ensino tradicional. Usam com facilidade o manual, o caderno e o lápis. São capazes de ler um livro e de escrever textos, basta que o professor oriente nesse sentido. Depois, mesmo depois, há os outros, aqueles que não querem nada de nada. E o problema reside precisamente aí.
A indisciplina é constante na sala de aula. Está localizada. São sempre os mesmos a ter o mesmo comportamento, aula após aula, disciplina após disciplina. Há mesmo miúdos muito mal formados. Falta-lhes casa, falta-lhes família, falta-lhes alguém que os acompanhe e pergunte tão-somente ‘como correu o teu dia?’.
Ainda que não se possa substituir ou reeducar os pais, não estará na altura de alterar as regras e construir nas escolas oficinas com percursos alternativos, aulas práticas (Pintura, cerâmica, fotografia, carpintaria, padaria, pastelaria…), para alunos que não se revêm na escola tradicional? Disciplinas em que os alunos possam ter umas aulas de Linguagem e Comunicação (Ler, escrever, pensar…) e Cálculo de manhã e Oficinas à tarde? Oficinas que os coloque em trabalhos práticos e a ver no imediato o resultado ou crescimento do seu trabalho?
Por que só existem essas possibilidades se eles reprovarem vários anos?
São esses alunos, desmotivados na sala de aula, que criam os maiores problemas e procuram refúgio em tudo o que não seja aula (telemóvel, pontapé na cadeira do colega, cotevelada…), afinal, ali, aquele lugar, é para eles uma ‘grande seca’.
O problema não é difícil de resolver, está localizado, haja vontade política!

Agradecendo o melhor da V. atenção,
Pedro Sousa,
Um Professor (Antigo da República da Praça em Coimbra) que já lecionou em todos os sistemas de ensino (Regular, Profissional, Formação Profissional, Especialização Tecnológica no Ensino Superior)

terça-feira, 22 de outubro de 2019

E quem ganhou as eleições?


Os mesmos de sempre!
E vamos lá voltar à normalidade das nossas vidinhas. Acabou a campanha. As feiras serão menos concorridas, as televisões lá terão de voltar ao reality show e o facebook deixará de ter tanto insulto na defesa dos líderes partidários. Não têm nada a dizer sobre os preços exorbitantes que se paga na água ou no lixo, nem coragem têm para apontar os defeitos da rua onde vivem, mas para defender os tipos de Lisboa, aí até se põem em bicas de pé…
É claro que estive a olhar com atenção para os resultados que iam chegando. É também evidente que acompanhei as sondagens e, mais ainda, os discursos e debates dos principais partidos. Ter estudado Aristóteles dá-nos essa vontade analítica do discurso político. É uma espécie de jogo intelectual, não só nas temáticas selecionadas, mas também na construção frásica, no uso da acentuação própria, meticulosamente escolhida, para chegar bem firme no recetor.
Depois chega o mais prático da questão: quem ganhou afinal as eleições? Nada de novo! Nem PS, nem PSD, nem Bloco, nem PCP ou Verdes, Nem CDS… talvez os novos e não será por muito tempo. Quem ganhou foram os mesmos. Os mesmos de sempre. Os operários da maior empresa portuguesa subsidiada pelo dinheiro de todos nós, a Assembleia da República!
Foram eles. Os mesmos. Os mesmos nomes. Mandato após mandato.
É isto a que chamam de democracia portuguesa?
Prefiro a originária. A helénica. Onde todos participavam. Mas pronto, a abstenção continua a aumentar e não sabem como fazer? Eu, que até já encostei as chuteiras partidárias, deixo uma ideia que já lancei aos representantes dos principais partidos na Assembleia: “Qualquer cidadão, atingindo a maior idade, pode candidatar-se à Assembleia de Freguesia, assembleia Municipal, Câmara Municipal, Assembleia da República e/ou Parlamento Europeu mas, sendo eleito, só poderá exercer funções no mesmo órgão (Assembleia de Freguesia, Junta de Freguesia, Assembleia Municipal, Câmara Municipal, Deputado à Assembleia da República e Deputado ao Parlamento Europeu) até ao máximo de dois mandatos seguidos, sendo que poderá candidatar-se a órgãos que não esteve ligado. Após um período de nojo de um mandato, poderá voltar a candidatar-se a cargos já desempenhados”.
No final de tudo contadinho, ninguém saiu com a maioria e eu fiquei contente. As maiorias embrutecem… assim terão de ser mais humildes e negociar com outras forças partidárias. Também gostei que o PS ficasse refém do BE e/ou da CDU, pois só assim estarei certo que serão mesmo obrigados a olhar mais para as injustiças sociais.