quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O melhor é ver novelas, temos de pagar na mesma os impostos!


Estava a dar uma volta nas diversas publicações jornalísticas sobre o orçamento de estado, as propostas mais ou menos interessantes dos diversos partidos com representação parlamentar, quando me apercebi que não adiantará chatear-me muito com essas propostas, no final só ganharei mesmo chatices.
Ligo a televisão. Lá está a novela. Um tipo relaxa mesmo a olhar para o ecrã e não ter que pensar no que vem a seguir. O género novelístico tem esse poder de abstrair a nossa mente para um mundo ilusório e envolver-nos na história como se fossemos as próprias personagens. Não fosse o relógio e os compromissos do dia seguinte e a aventura seria ainda mais apreciada, mas não dá mais. Até para ver a novela temos de pagar a taxa de audiovisuais que está no recibo da eletricidade.
Volto ao orçamento. Aparece a notícia que o PSD, CDU e BE seguem alinhados para a contagem integral do tempo de serviço dos Professores. Boa notícia. Mas como eu gostava que o mesmo acontecesse para os Enfermeiros e para o aumento do salário mínimo para os Trabalhadores que ganham menos. Na verdade, este orçamento tem um ‘item – outros’ com um valor maior do que o investimento na educação e na saúde. Sabem, só por acaso, para que serve esse item? Para pagar tudo o que der na cabeça dos políticos, tipo deslocações, representações… mas na boa, nós pagamos!
Portugal é um país que concentra o poder em Lisboa. Lá se distribuem os cargos pelos maiorais da política. Depois dá-se a entender que se discutem umas coisas, só para parecer um estado democrático. Perdoam-se milhões à banca. Injeta-se milhões em empresas que servem o estado, mas ninguém se pode reformar com 40 anos de trabalho porque ‘seria insustentável’.
Ora tenham dó… O melhor é mesmo ver novelas!

Aceita que dói menos…


Ontem, enquanto percorria mais uma vez a marginal, numa das caminhadas já habituais após o jantar, dei por mim a pensar o que pode levar um tipo a pegar num saco às costas e partir por esse mundo fora. Muitas vezes o porto até nem é muito longe, mas o mesmo não se pode dizer quando a língua que se ouve não é a nossa.
Um saco. Um saco grande. Cabia lá tudo o que tinha. Foi a única pessoa que me deu as boas tardes, ou buenas tardes, mesmo que a noite já se fizesse notar. E lá ficou naquele banco de jardim depois de eu ter retribuído o seu simpático gesto. E é assim por aqui todo o ano. Há sempre forasteiros, sozinhos, em grupo, ou até com o seu fiel amigo. Bem tratado por princípio.
A minha dúvida mantinha-se: o que pode levar um tipo a meter tudo o que tem num saco e sair por aí?
Serão, certamente, muitas as respostas possíveis, mas nenhuma delas será mais forte quando nos apercebemos que são as regras sociais que falham e atiram milhares de jovens à procura, tantas vezes, de nada! São as leis que nunca prendem poderosos. É o compadrio que protege a matilha. É a provocação da necessidade para levar ao beija mão, pois só assim qualquer pobre diabo ficará eternamente sob a sua alçada.
E o que faz o homem para mudar isto? Nada! Pelo contrário, revolta-se contra os que lhes apresentam as leis… afinal, não sabem ler!
Chego a casa. A caminhada já terminou. Amanhã a viagem trará novos desafios intelectuais ou será mais um passeio pela saúde e um belo apreciar da natureza. Tudo o resto não passa de uma realidade vestida de fantasia. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

No meio do escuro, quem tem uma lanterna vai à frente!


Penso que ninguém ficou indiferente ao resultado das eleições no Brasil. Parece que ninguém quer perceber como é possível um candidato, assumidamente contra tudo o que seja a liberdade individual, ter um resultado tão elevado. Mas a resposta está apenas num ponto muito concreto: Quando não há nada, tudo que venha é bom!
O que fez disparar Bolsonaro foi uma comunicação muito bem montada. Um indivíduo que conseguiu iludir tudo e todos com um discurso radicalista e só tem êxito porque as palavras de igualdade e democracia já não funcionam, já ninguém acredita nessa possibilidade e também já todos se aperceberam que há uns mais iguais do que outros.
O Povo Brasileiro cansou de demagogias. O Povo Brasileiro quer uma mudança radical e para isso está disposto a correr um risco enorme, simplesmente porque não acredita mais nas políticas de continuidade.
Não chega dizer #elenão. Não basta mostrar que o outro candidato não tem valores ou mesmo não presta. É preciso mais. É preciso traçar projetos que possam elevar a vontade das pessoas para continuar a trabalhar para um país devidamente mais sério e mais credível.
O Brasil é lindíssimo para os ocidentais que o conhecem à luz das telenovelas, mas é lá que se encontram altas taxas de criminalidade. É no Brasil que a diferença entre pobres e ricos é enorme.
Confesso que fico muito apreensivo com a possível eleição de alguém que afirma tanta barbaridade. Mas mais me convenço que está na altura de aprender com tudo isto e perceber que todos temos de exigir muito mais a quem nos representa.
Não nos podemos deixar iludir pelo caciquismo das feiras, nem querer dizer que somos muito mais evoluídos se aceitamos que nos governem aqueles que nem uma proposta de intervenção conseguem escrever.
O Brasil precisa de uma dose enorme de investimento na formação. Mas Portugal também.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Fafe já teve comboio!



As cidades optam por criar espaços de memória para preservar as identidades, as características, os usos e costumes de um povo. Os espaços de memória são obras de arte a céu aberto e permitem ao espetador viajar num mundo outro, onde as suas memórias se confundem com realidades mais ou menos presentes, mas que trazem momentos de nostalgia e saudade.
Na última segunda-feira, em conferência de imprensa, foi publicamente apresentada a ideia para criar o Espaço de Memória Coletiva, Educação, Cultura e Arte. Um projeto que nasceu da ideia de aquisição de uma locomotiva, mas que logo uniu em seu redor pessoas para construir um projeto que pudesse contribuir para o engrandecimento de Fafe. Este mesmo projeto vai para além do seu aspeto físico, uma vez que já contempla uma proposta educativa para que esse espaço possa ser um museu sobre o comboio em Fafe, mas também concentra a sua ação numa estrutura pedagógica construída para contribuir para uma educação (informal) saudável junto da comunidade. Na perspetiva de alargar e/ou ajustar as suas valências, sempre em parceria com Escolas (Procurar promover visitas de estudo constantes), Autarquias e outras instituições públicas ou privadas, que trabalhem sobretudo na área da educação, este espaço pretende colocar ao serviço da população um “Espaço de Memória’’ (através de uma exposição permanente referente ao comboio em Fafe), “Atividades Educativas/Culturais” (Atividades lúdicas, Cursos livres, Workshops, Clubes culturais, artísticos e recreativos…) e um “Espaço de Artes” (Exposições temporárias com artistas locais, nacionais e internacionais; Parceria com outras entidades de modo a tornar-se uma extensão de atividades artísticas já existentes e que possam colocar Fafe na rota das artes).
Na verdade, esta proposta é uma oferta da sociedade civil. É uma ideia que não está fechada, mas pode ser completada com muitas outras ideias, ou não fosse a cultura e a arte dois dos seus principais pilares.
Um Movimento de Cidadãos Fafenses oferece a proposta, estará Fafe (política) em condições de a receber?

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

As cidades ficam mais animadas com projetos artísticos


A educação, cultura e arte ainda são muito pouco amadas. Saraus literários, inauguração de exposições, lançamento de livros vão medindo o público pela maior ou menor proximidade ao artista. Não é propriamente o interesse que possa representar a sua obra, porque todos sabemos que os livros são apenas usados até à fila do autógrafo e depois nunca mais são abertos. Se questionarmos aleatoriamente um participante sobre um poema ou um excerto que mais o impressionou, podemos garantir que poucos saberão responder.
Será que vale a pena continuar a apostar na oferta cultural e artística?
Claro que sim! E cada vez mais. Mas não chega anunciar um plano das atividades promovidas pelo pelouro da Cultura. Não chega traçar um projeto de músicas intimistas. O que é preciso é fazer tudo isso, mas trabalhar em sintonia com as Escolas do Concelho. É preciso contruir um Plano Educativo que envolva a Cultura e a Arte. Educar os mais jovens para uma interação permanente com novas linguagens, pois serão estas que lhes permitirão construir um percurso mais culto e levarão ao crescendo da criatividade.
A Escola de hoje precisa oferecer aos educandos propostas que lhes permitam raciocinar, investigar até encontrar as respostas às suas interrogações. Os alunos não são mais estáticos. Os alunos de hoje não querem imposições, mas têm uma mente mais sensível ao desconhecido. Ao que eles próprios desconhecem, o que não implica que já tenha sido descoberto e trabalhado por outros. As artes são exemplo claro disso. Os jovens são capazes de ficar a contemplar uma pintura, uma escultura ou simplesmente atentos a uma representação teatral ou musical se o tema os envolver. Os jovens não são apenas espetadores passivos. Os jovens são atores da sua própria história.
Será que os agentes culturais, políticos, associativos e os próprios professores se podem sentar à mesma mesa e traçar um projeto arrojado para melhorar o sucesso escolar que tanto chateia quando saem os rankings?
A arte é comunicação estética!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Um partido com tiques de elite nunca vencerá em Fafe!


Já há algum tempo não faço uma análise à política fafense e, sabem bem, tenho um gostinho particular por esta temática. Ao contrário do que podem imaginar, sou um tipo atento à política. Porque gosto! Porque me preocupa com a evolução da minha cidade, mas sobretudo com a qualidade de vida das pessoas.
É mais fácil dizer o que está bem. Alegrar a vista dos ‘donos disto tudo’, até porque o comum dos mortais só se aproxima de quem tem voz quando algo lhes toca, depois corre logo para o outro lado a dizer que ‘eles’ é que disseram isso. É verdade, até lhes dá jeito, mas foram eles.
É tramado ser pobre (de espírito)!
O PSD continua a não chegar às pessoas e, ao que parece, nem aos militantes.
Recentemente, o PSD fez uma convenção autárquica. Confesso que me pareceu bem, só que a seguir, no fim de semana seguinte, houve eleições para a distrital e grande parte dos militantes só souberam depois pelo Facebook. Ou seja, uma no cravo e outra na ferradura.
Obviamente, logicamente, evidentemente este é um bom método para indicar quem dá jeito, assim mais ninguém pode apresentar lista…
Outra questão que nos parece bem prende-se com as tomadas de posição dos vereadores do PSD. Aparentam ser bem refletidas… Até aí tudo bem, o problema está em não passarem dos jornais e dos facebooks… Mais uma vez, a mensagem não é suficiente, os canais confortáveis não servem para a maioria da população fafense. É preciso mais! Muito mais!
Já os Fafe Sempre, com a sua festa popular, chegaram às pessoas. É verdade que sacrificaram o pobre do porco, mas a mensagem pôde ser saboreada e o discurso da vitória, daqui a três anos, foi bem notado. O piscar o olho ao PSD também, quando se houve no discurso “… nós e o PSD estamos atentos…” Como se precisassem muito do PSD…
Não! Não estive lá! Mas é fácil perceber quem tem estratégia e conhece o seu público.
O PS eleito vai governando com alguma tranquilidade, mas só acontece porque Raúl Cunha está lá. Deixem-no ir embora e vão ver o que acontece!
O Movimento dos IPF não sei se ainda existe. O BE, o PC e o CDS precisam de coligações para se fazer eleger e ter mais visibilidade.
Marques Mendes, no seu comentário dominical na SIC, sobre as últimas sondagens, dizia que o PSD devia aproveitar as férias para refletir, atendendo à sua fraca posição. Em Fafe não é diferente. O PSD de Fafe tem de refletir a sua estratégia ou, se pretender apenas alguma visibilidade para uns carguitos para os mesmos de sempre, deixar-se estar. O BE e o PC precisam de pensar um Movimento forte independente e com independentes. O CDS até ver será refém do PSD. O PS e o FS andarão a medir forças todos os dias!
Ou seja, tudo normal!


sexta-feira, 6 de julho de 2018

As Finanças estão de má fé?


 Milhares e milhares de pessoas foram notificadas pela Autoridade Tributária e Aduaneira com uma coima respeitante a uma situação, no mínimo, muito insólita. Ora vejamos, uma carta das Finanças começou a colocar meio mundo em alvoroço porque não sabiam sequer a razão pela qual estavam a ser multados. Pelos vistos, empresas e particulares em regime de IVA têm de se registar numa coisa chamada ViaCTT que serve para receber correspondência oficial, entre outros, das Finanças.
Mas por que não informaram os contribuintes desta obrigatoriedade?
É a pergunta que mais se ouvia aos balcões da Fazenda Pública, mas a resposta era sempre a mesma: ‘tem de pagar!’
Ou seja, um indivíduo passa para o regime de IVA, é alertado da periodicidade trimestral para efetuar os pagamentos, mas em momento algum é informado pelo funcionário das finanças que tem de efetuar o tal registo, e agora tem de pagar?
Mas tem sempre de ser o mexilhão a pagar a incompetência dos outros?
Um cidadão não pode passar um dia sem pagar o que lhe compete porque a seguir já paga com multa, mas se um funcionário das finanças errar ninguém lhe vai pedir contas porque ‘está na lei’…
E é assim que vai este país.
Um cidadão inscreve-se no Portal da Finanças e recebe correspondência no seu mail da renda eletrónica, da fatura da sorte, do IUC para pagar… Mas esse mail já não serve para outras comunicações?
É o tal clientelismo, não é?
Por que é que um cidadão tem de ter uma conta na ViaCTT? Não serve a conta no Gmail ou Hotmail? Pelos vistos serve, mas só para umas coisas.
E é assim que andam os nossos impostos… A servir para brincar com os cidadãos!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Os Professores são uma coisa estranha


Esses malvados dos Professores são mesmo uma raça muito estranha. Coisa feia de se ver. Gente tão má que é capaz de adiar o jantar só porque tem de corrigir os testes para entregar já no dia seguinte. Depois come qualquer coisa, só para enganar o estômago, já que a hora vai longa…
Os Professores são estranhos. São atores sem terem feito qualquer aula de representação. São pedagogos, mas também são o pai e a mãe quando a voz do conforto ou mesmo da disciplina é precisa. São Psicólogos e dominam a arte de bem orientar.
As palavras do Professor são mágicas. As palavras do Professor são autênticas tatuagens na construção do aluno.
Afinal, o que é o Professor?
Na opinião negativa, sobretudo quando interessa aos (des)governantes, o Professor é o indivíduo que tem três meses de férias e que vai à escola ensinar umas coisas…
Na realidade, o Professor é aquele que prepara os cidadãos para exercerem todas as profissões que se possam imaginar. Para além das aulas, tem toda uma carga burocrática que o obrigam a levar a profissão para todo o lado.
Conhecem alguma profissão que não precise do ensinamento do Professor?
Até poderemos ser tentados a responder que sim, mas o certo é que se há pessoas a exercer profissões e tenham aprendido através da observação e experimentação na prática, em algum momento da sua atividade vai precisar das orientações do Professor, seja no cálculo ou na escrita…
Por que será que os políticos têm tanto pavor dos Professores?
Simplesmente porque os Professores quando estão no poder conseguem ser muito melhores do que os tais ‘profissionais da política’. Os Professores não prometem o que não podem dar. Os professores apontam soluções reais. Os Professores ensinam a refletir e preparam os seus alunos para serem interventivos tal como Saramago, no Memorial do Convento, ou Eça de Queirós, no Crime do Padre Amaro ou nos Maias.
Numa altura em que se fala tanto na carreira dos Professores, seria importante pensar que há um longo caminho a percorrer até se conseguir uma sociedade mais justa e democrática. Não podem ser os senhores políticos a prometer uma coisa para ganhar eleições e depois os Professores a terem que engolir os sapos das suas sucessivas más gestões.
Os professores, ao contrário dos políticos, não têm ajudas de custo. Se não há dinheiro para contabilizar o tempo de serviço, então os senhores da política que comecem a dar o exemplo e congelem as suas próprias regalias.