sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O Fafe vai jogar em Alvalade, na Luz, no Dragão ou no Justiceiro?

Há umas semanas atrás, Carlos Rui Abreu lançava uma pergunta no facebook sobre um possível nome para o Estádio do Fafe. Na altura não me pronunciei porque existiam dois que me pareciam bem: Estádio da Justiça ou Estádio do Justiceiro.
Penso que eram estes os nomes, ainda tentei procurar mas já não encontrei a publicação…
De qualquer das formas, há duas coisas que conseguem mover montanhas e não precisam de pagar a televisões para as promover: o Fafe e a Justiça de Fafe!

Se temos de esperar mais quatro anos até que uma nova geração de políticos aposte definitivamente na “Justiça de Fafe” como símbolo máximo, podemos começar mesmo por atribuir um nome que seja apelativo aos comentadores desportivos. Até parece que já estou a ouvir: «A bola já rola no Dragão… é falta na Luz a favor da equipa da casa… Alvalade luta pela com todas as forças… e é gooooooooooooooooooooolo no JUSTICEIRO! Fafe 2 – Guimarães B 0».

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Mário Soares também marcou a minha história na política

Não era mais do que um puto da primária quando me lembro das primeiras referências na política. O meu pai saltou do sofá a manifestar-se efusivamente com a vitória nas presidenciais. Depois veio o apoio ao Nelson Pinto lá por Regadas. Primeiro como independente e depois apoiado pelo Partido Socialista de Fafe, quando ganha a Junta. As quezílias e tramoias atiraram-no borda fora. Foi literalmente descartado pelo PS Fafe para dar lugar ao secretário da junta na altura. Nunca mais gramei a política do PS Fafe.
Nessa altura, nem imaginava envolver-me em política… mas também não sou dos que apoiam uma pessoa e a abandona se perde! Eu estou lá até ao fim, contra tudo e contra todos!
As políticas de esquerda são as que mais considero e, antes de uma filiação, fui mesmo ler o que Sá Carneiro tinha escrito. Bem… os ideais sociais estavam lá! E já que me ia envolver na política, então que fosse para apoiar as pessoas que eu considerava que comungavam os mesmos princípios… apoiar os sociais-democratas do passado e depois no PS? Não! Jamais… Se na altura apoiava Nelson Pinto como independente contra os sociais-democratas, como poderia apoiá-los como socialistas? Nunca!!!
Falo um pouco da minha curta história política, apenas para mostrar que sempre admirei pessoas com convicções firmes, como é o caso de Mário Soares. Era aguerrido. Firme. E, segundo o que se ouviu estes dias, ‘estava-se nas tintas para o que diziam sobre si, mas lutava sempre pelos objetivos traçados.’
Não sou fã incondicional de Mário Soares, confesso que o último mandato como Presidente da República me desiludiu. Todo aquele aburguesamento em múltiplas viagens parecia mais de um Rei do que um Presidente da República. Não gostei. Mesmo que muitas pudessem ser importantíssimas para as relações externas, na minha perspetiva foram exageradas na forma e no conteúdo. Já gostei bem mais do que veio fazer Jorge Sampaio logo a seguir. Mais comedido…
Contudo, como tento ser o mais justo possível, mesmo com estas desilusões, até porque acho que Mário Soares deveria ter-se afastado da política após o segundo mandato, o que se veio a revelar com as derrotas que teve na recandidatura, não posso deixar de dizer que admiro a sua ação como um verdadeiro lutador. Um indivíduo que movia multidões porque sabia liderar e tinha carisma. Errou? Certamente que sim, era humano! Mas se não fosse ele e outros como ele, hoje não poderia escrever nem uma linha. E eu sei do que falo!

Até sempre, Camarada!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

E assim começa uma nova história...


... mais uma! Ou talvez a história de quem quer viver intensamente cada momento como se fosse único. Devia ser assim com os amantes. Mas não é. Já não é mais ou ainda pode ser? Gosto, não gosto, mas gosto... 
A conversa foi mais ou menos esta. Começou por ali... a divagar mais uma vez sobre o relacionamento humano e a facilidade com que nos deixamos influenciar por tudo o que é aparente e a falta de tempo para nos aturarmos. Porquê?
Diziam que o stress era a razão. As pessoas não param mais e quando param estão a atualizar as suas páginas nas redes sociais.
Porra. Haja paciência... sempre a mesma conversa? Mas são as redes sociais as culpadas ou somos nós que não sabemos apreciar mais as coisas que nos fazem bem?
A mente precisa estar ocupada. Não tenho dúvida disso. A maioria das pessoas lida muito mal com o tempo livre. Farta-se depressa demais do que está a fazer e passa imediatamente para outro registo sem desfrutar e tirar o máximo proveito do que lhes é oferecido. 
Passear à beira mar é sensacional, é um facto. Também é verdade que nem todos podemos passear todos os dias à beira mar, mas com alguma organização nos nossos horários até conseguimos passear nos sítios mais recônditos da natureza. E, sabem que mais, é lá que os poetas ganham a inspiração para contar as mais belas histórias de amor. Foi lá, bem no meio do rio que ele a viu pela primeira vez...
A história dos dois não foi nada fácil. Estão a imaginar aqueles casais que os pais fazem de tudo para os separar? Era bem pior, a sociedade estava toda contra...
Qualquer novela ditava que os dois ficavam juntos... mas a realidade da vida é um bocadinho mais complexa do que as histórias das novelas em que a vilã tem um fim trágico e os heróis são premiados. O problema é que tantas vezes o herói só consegue ver quando fica cego de vez, tal como Édipo...
Lá, naquele rio, ali perto do alpendre, ele viu-a pela primeira vez... porque foi passear na natureza. Porque foi vaguear enquanto se preparava para um exame da faculdade e tinha de descansar um bocadinho...
As pessoas deviam ser mais assim. Sair à procura de momentos de lazer. Sem levar o telemóvel... Passear apenas pelo meio das ervas como faziam em criança...
As pessoas crescem e ficam parvas, não ficam? Por hoje chega... depois conto a história toda... aos poucos.



sábado, 24 de dezembro de 2016

O Natal tem destas coisas

Lembro-me vezes sem conta dos meus avós. Era uma azáfama na véspera de Natal. Lá nos juntávamos os primos todos, com os nossos pais, os nossos tios e havia prendas por todo o lado. Podiam ser as mais humildes, mas era a surpresa no desembrulhar que fazia alegrar aquela noite. Não acabam aqui as memórias do meu Natal. São as rabanadas da tia Mena. As iguarias da avó que tão bem soube ensinar às filhas que lhes seguem o gosto nos preparos.
O Natal sem batatas cozidas com bacalhau não é Natal. Para mim, obviamente. Depois, até porque a sorte nos bafeja, apesar de vidas sempre ladeadas em percursos bem humildes, há todos os apetrechos necessários para degustações alongadas…
Lá no Loureiro, é o tio Avelino que obriga à tradição. Bacalhau frito à merenda. Eis que as tradições são para manter e só com esta insistência é que se consegue. Jogar às cartas. Dominó. Uno. Damas. Os filmes do sozinho em casa. E, mil e uma vezes, entre jogadas mais ou menos atentas, lá aparece alguém que repara momentaneamente que os copos estão vazios e lá fora está um frio que não se aguenta, como se isso fosse razão quando as lareiras ardem como em nenhuma outra altura do ano.
Tenho saudades. Ora era em Quintela, na casa dos meus avós maternos, ora no Loureiro, nos meus avós paternos. Mas eles já não estão mais. Tenho saudades. Gostava de ter conhecido melhor o meu avô paterno. Era criança quando partiu. Só me lembro que era muito paciente. Também sei que era sábio. O meu pai conta-me muitas conversas que tiveram e ensinou-me muitas expressões que ele lhe dizia para o preparar para as mais difíceis adversidades da vida. Também foi com elas que eu cresci. Também me foram transmitidas e será assim que farei quando chegar a minha vez de o fazer.
Vou dedicar este Natal à minha lembrança de menino. E vou ser feliz, porque volto a ir ao Loureiro e passo obrigatoriamente por Quintela. Com meus familiares vou celebrar estas lembranças, porque apesar de tantas dificuldades de meus avós, ainda que não tivessem deixado bens extraordinários de herança, fomentaram o que de mais belo um indivíduo pode ter: o humanismo, o caráter.

E eu tenho saudades…

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O jornalismo ou…

Não sou jornalista. Mas também fui mordido pelo bichinho da comunicação. Educação, Cultura, Arte e Comunicação são as áreas pelas quais nutro um carinho especial. Ainda que de formas mais ou menos comprometidas, posso dizer que trabalho com todas elas, sendo a educação a minha área profissional. No entanto, as matérias da comunicação têm-me sido confiadas e é aí que todo o meu conhecimento e investigação tem incidido, o que me permite dizer com toda a confiança que a imprensa escrita vai sobreviver, ao contrário do que foi apregoado com o aparecimento feroz das novas tecnologias, já o jornalismo precisa de ser mais fiel aos seus primórdios.
As redes sociais (blogues, facebook, instagram…) não são um substituto do jornalismo. Devem ser apenas usadas como um complemento. São ferramentas essenciais para quem quiser contar a mesma história de outras maneiras. A função do jornalismo é informar, mas a notícia tal e qual a conhecemos não chega a todo o público. A maioria das pessoas não lê a imprensa escrita, mas usa facebook, instagram ou segue com atenção os youtubers de sucesso. Se um jornal quiser fazer chegar a sua mensagem a mais público, só o conseguirá se souber construir e estabelecer diálogo através destas ferramentas. Se o objetivo do jornal é só manter as suas 1000, 2000 ou 3000 tiragens semanais, aí não precisa de se chatear muito… mas precisa voltar a ser jornal.
Apostar em jornalistas a sério ou, pelo menos, colaboradores que saibam o que é o jornalismo e o seu código deontológico e deixá-los trabalhar numa investigação responsável para melhor informarmos o leitor. Há, neste momento, um jornalismo demasiado agarrado ao doutorismo ou amiguismo e com medo de pôr em cheque alguma sensibilidade. O jornalismo local tem medo do confronto. Todos se conhecem e as cópulas estão demasiado protegidas. Se algo de menos bom é tornado público, há jornais que nem se dão ao trabalho de investigar, apenas querem saber o que dizem o Presidente, as direções ou os responsáveis e isso basta, sabem porquê? Porque os leitores deixaram de ser exigentes. Sabem que os jornais estão a encobrir e até alinham em proteger os fulaninhos, mas já ninguém se chateia com nada!
Em tempos idos, lembro-me alertar uma direção de um jornal local do rumo que o mesmo estava a seguir. Não queriam que eu falasse da forma como os utentes dos centros de saúde eram tratados (as maratonas pela madrugada fora…) e nem da comparação da atribuição de verbas às juntas de freguesia… a minha investigação foi posta em causa na altura…  o que eu disse foi relevado… o jornal já não existe mais.
Numa altura em que se comemora uma longevidade como esta do Povo de Fafe, não posso deixar de desejar que se agarrem as rédeas do jornalismo com a garra merecida e que se continuem a somar anos de partilha noticiosa e opinião, sempre numa total tolerância entre as diferenças de opinião, mas comprometidos numa mesma cumplicidade humanística.

injornalpovodefafe

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Na Cidade

A intelectualidade surgia em cada novo membro que se alistava na Irmandade. Toda a nata burguesa se deflagrava ali como uns verdadeiros filhos da puta que dominavam tudo e todos. A Comunicação Social andava atrás deles como sanguessugas, tentando obter a melhor foto para a capa e extorquir-lhes a frase mais sonante para manchete.
                Era sábado de manhã, o tempo estava meio escuro, as donas de casa corriam nas lides domésticas depois de uma semana de trabalho. Conde e Justiniano dirigem-se ao Clube no centro da cidade. Haviam combinado um encontro com o Presidente da Câmara para engendrar a melhor maneira de contratar o recém-licenciado. O Clube era coisa da elite. Só entrava lá quem fosse sócio. Ninguém iria desconfiar. Pelo menos os comunistas que estavam por todo o lado.
                Comunistas eram todos os que não se enquadravam no regime. (…)
in A Sombra da Casa Grande

domingo, 27 de novembro de 2016

Recebi uma carta do Pai Natal

Era uma vez um menino chamado Pedro que um dia resolveu escrever uma carta ao Pai Natal de Portugal. O Pai Natal tinha anunciado que iria responder a todas as cartas dos meninos e, numa bela tarde de Inverno, o Pedro dirigiu-se à venda da terrinha, onde ia parar o correio, e lá ouviu pronunciar o seu nome. Era a Carta do Pai Natal.
Um bloco de notas com a imagem do Pai Natal e o símbolo dos CTT, os promotores da iniciativa, foram o suficiente para fazer do Pedro um menino muito feliz.
E foi assim, o Pai Natal escreveu-me e eu sou um gajo muito importante. O Pai Natal também escreveu às milhares de crianças que também lhe tinham escrito. O Pai Natal é um espetáculo. Na altura não saiu nenhuma notícia a anunciar que o Pai Natal me tinha escrito uma carta, mas escreveu mesmo e a Senhora da Venda pode comprovar. A venda já não existe mais, mas o Pai Natal existe e escreveu-me uma carta.
Gostava que o Pai Natal voltasse a fazer esta mesma aventura. Escrever a todos os meninos e meninas de Portugal. Gostava que o Pai Natal avisasse os pais que iria responder a todos os meninos e meninas e para isso só bastava que os pais se juntassem aos filhos e em conjunto escrevessem a carta mais simples e mais bela e a enviassem para a sua morada.
Um dia vou convidar o Pai Natal para visitar a minha casa. Retribuir-lhe o favor de me ter dado uma alegria tão grande quando eu era ainda um miúdo.
Eu acredito no Pai Natal. Ele existe mesmo. Pelo menos deixa-me sempre uma prenda na noite de Natal. Se ele não existisse eu não tinha a prenda. Toda a gente vai dormir primeiro do que eu nessa noite. Não está nada no sapatinho, mas no dia seguinte já lá está.
Como eu gostava que as outras crianças pudessem dizer o mesmo.

Eu sou feliz. O Pai Natal lembrou-se de mim!
inJornalPovodeFafe(25-11-2016)