segunda-feira, 30 de março de 2015

Sufocas-me

– Desculpe!
– Não tem importância.
– Desculpe mais uma vez. Pode emprestar-me a revista do jornal?
– Claro!
– Obrigado. Vai para o Oriente…
– Sim. Como sabe?
– Tenho-a visto a sair lá.
–  A mim? Já me viu outras vezes?
– Todos os dias. Entra em Moscavide às 06h55 e vem até Alcântara. Depois regressa às 17h20 ou 17h40 e sai na Estação do Oriente, mas vai mais no das 17h20.
–  É verdade!
– Mas tenha calma. Não sou detective.
 Por momentos até pensei!
– Peço desculpa pela ousadia. Não a queria perturbar. Embora… confesso… precisava dizer-lhe isto. Não me pergunte porquê! Não saberia responder-lhe…
– Espere! Estão-me a ligar… oh, parou… é só uma mensagem.
– Estamos em Entre-Campos, já não falta muito para si.
– Pois… talvez...
– Não saia!
– Desculpe?!?
– Desculpe você. Excedi-me! Não queria dizer isto!
– O comboio hoje está vazio… por que me olha assim?
– Não sei… sei… no outro dia… desculpe… não… não…
– Fale. Quero ouvir. Sinto que o conheço! Não percebo!
– Você é linda…
– Então?
– Não! Não! Não nos conhecemos, eu sei, mas é como se a conhecesse há muito. Vejo-a todos os dias…
– Pelos vistos, já me conhece todos os passos…
– Linda… tão linda… nunca vi mulher igual!
– Você está a deixar-me sem jeito.
– Vamos. Vamos sair na próxima estação, os dois?
– Sim! Não… não… não pode ser! Não o conheço.
–  Oriente! Saímos?
– Não! Na próxima!
– Estranho. O comboio parou. Saiu toda a gente…
– Espere… não saia.

A minha fantasia volta a ganhar sentido. Sou feliz por instantes. Não sei mais o caminho a percorrer. Sinto-me perdido. Acordo. Quatro da manhã. Vou à net. Tu não estás lá. Chega. Assim não. O meu pensamento sufoca-me! Tu estás lá, sempre... 
in Sem Chance

domingo, 29 de março de 2015

Abraça-me!

«No início hesitei. A sua atitude era tão meiga. Nunca percebi bem. Acho que me apaixonei pelo jeito dela. Não havia qualquer chance para uma relação. Todas as portas estavam fechadas. Nem mesmo as da ilusão alguma vez deram sinal de se querer abrir. O sonho encurralava-me em cada frase que proferia. Mais uma vez a sua atitude era divinal. Que Menina linda. Que Mulher perfeita!
O percurso era curto. Não queria nada que acabasse. Nunca me tinha sentido tão perto dela. Contei tudo. Ela era especial. A sua compreensão foi imediata. Um dia parámos. Era impossível. Mais do que a proibição da lei. Era a sua proibição. A minha também. Mais a dela, confesso.
Olá. Que bonito. Ainda me lembro das suas palavras e das minhas ao cachorro que resolveu saudar-nos no Jardim mais bonito da cidade, só porque Ela estava lá. Estava feliz. Nada era meu. Só mesmo aquela sinceridade que me derrubava. Abracei-a. Abraçamo-nos. Nunca vou esquecer aquele abraço. Tão suave. Tão meigo. Tão bom.
As noites perturbadas. O silêncio da distância. Impõem-se a verdade. A sua verdade. A minha também. Mas a verdade dela é mais forte.
Olho as estrelas do imaginário. Perco-me na saudade do que não vivi. Mas sei que um dia... um dia fui tão feliz só com um abraço!»
in Sem Chance

sábado, 28 de março de 2015

Olha-me nos olhos

«Ela estava lá! Sentada como de costume. A minha respiração altera-se. Já não sabia mais o que fazer. Esquecia-a por instantes. Um café... Estava ali. Agora. Tão doce como sempre. Não me olha mais... Vou-me embora confiante. Mais triste do que nunca. Mas vou voltar. Reforçado. Não feliz. Agora a luta é outra. Há mais verdade. Tudo parece voltar ao princípio da criação. O centro das atenções volta-se para futilidades insignificantes, mas as certezas são cada vez mais. Atiro-me novamente aos afazeres. I'm the best. No stress.
Tudo isto não passava de máscaras. Os meus sentimentos não mudaram. Resfriavam apenas. Volto a ser eu. Procuro confortar meus pensamentos perturbados. Acredito nas forças da brisa. Sou eu. Estou vivo. Hoje quem não te olha mais nos olhos sou eu. Mas eu quero-te ainda mais do que ontem. Tu sabes isso. Mas vais duvidar. Aposto que vais voltar com a mesma intensidade como me tratavas. Ou talvez não voltes mais. Mas eu estou vivo. Tu deste-me mais esta certeza. Obrigado. És linda. Olha-me nos olhos.»
in Sem Chance

quarta-feira, 25 de março de 2015

Município de Fafe e INDAQUA uma relação perigosa

Em busca da taxa perdida

As relações que o Município foi estabelecendo ao longo de 30 anos não são de todo as melhores para os cidadãos fafenses. Já sabemos a história amorosa do Município e da Naturfafe, o quase divórcio do Município e da COFAFE e… ainda temos de levar com mais esta privatização das águas que é dos assuntos que nenhum país deveria permitir. Água e Luz nunca deveriam ser privatizadas ou, pelo menos, sem que o poder público tivesse controlo para que não existissem abusos.
Todos nós sabemos que dentro das relações, para que elas funcionem, têm de existir cedências de parte a parte. Hoje cedo eu aqui, tu amanhã arranjas 20 postos de trabalho para os meus fiéis seguidores e se não são passam a ser…
Relações à parte, parece-me que há aqui uma distração de Raúl Cunha em compactuar com esta situação da INDAQUA. Mas também me parece que o PSD não está a fazer o seu trabalho nesta matéria. Uma das propostas do candidato do PSD, se ganhasse as eleições, era municipalizar as águas de imediato. É bem verdade que o PSD não ganhou, mas está lá. Também é verdade que já aconteceram negociações entre o Município e a INDAQUA nesta legislatura e as coisas agravaram-se em matérias de taxas… Sinceramente não sei o que diga quanto a isto…
O que me parecia, neste momento, mais importante seria repensar a forma como estão a fazer as coisas, ou seja, na carta que estão a enviar aos munícipes há um discurso muito pomposo, a roçar a benevolência, mas logo diz ‘ou faz ou paga multas pesadas’.
O que é isto?
Esta atitude não está compatível com a que Raúl Cunha nos tem vindo a presentear. Não seria mais eficaz se agora surgisse apenas só a parte em que diz: neste momento quem quiser meter água da companhia, que será obrigatória para todos, mais ano menos ano, os custos serão suportados pela autarquia e quem não quiser agora ‘só terá direito à ligação gratuita todos os que ultimamente tiverem acesso ao ramal’ ou até 'todos e pronto'.
Para que fique bem claro, isto não é uma questão pessoal, até porque a minha casa já é servida pela rede de águas pública, só espero que não saia azul ou às cores, e também concordo que todos os edifícios estejam ligados por uma questão de saúde pública, mas só concordarei com isto quando o concelho estiver coberto a 100%, o que não é o caso. E porque também sei que isto só servirá para pagar uma taxa à INDAQUA, porque as pessoas vão continuar a beber a água do seu poço… e há pessoas que mais uma taxa faz diferença, onde está a JUSTIÇA SOCIAL? 
É por estas e por outras que me sinto mais à esquerda dos tais da esquerda...
Fafe está com uma imagem muito positiva neste momento. Não mudo uma vírgula aos artigos que escrevi até ao momento, mas mais importante do que a imagem para o exterior é a qualidade de vida dos seus Munícipes, pois essa é a melhor imagem que qualquer concelho pode dar.

segunda-feira, 23 de março de 2015

A "JUSTIÇA DE FAFE" vende ou não vende?


Eu não disse?
Ora aqui está! Como podem ver nas imagens ao lado "546 pessoas gostam disto" e na imagem de baixo há "40 partilhas". Obviamente que isto só diz respeito ao que tenho acesso direto, ou seja, as minhas páginas (blog e facebook do blog). Há outras páginas que partilharam e dessas não tenho dados. Mas o que queria mesmo mostrar é que o nome "JUSTIÇA DE FAFE" vende mesmo e as pessoas de Fafe não têm qualquer medo de o assumir. Quem tem medo, parece-me, são alguns 'maus' gestores do passado e com 'zero' conhecimento em marketing e comunicação.
Neste aspeto, não duvidem, Fafe é terra mais do que justa, é terra da JUSTIÇA DE FAFE.

Amanhã voltaremos a falar em 'Justiça de Fafe' porque parece-me que há uma grande preocupação em vender Fafe lá fora e há aspetos que dizem respeito à vida diretamente dos fafenses que está a ser descorada. Nomeadamente no que diz respeito à parceria Indáqua e Município de Fafe. Preciso da cópia do programa de um partido político, mas já consultei um jurista... Não me parece que entregar cartas a intimidar as pessoas seja o melhor para a imagem da autarquia... A menos que todos já se pudessem ligar à rede pública... mas amanhã falaremos.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Se Deus criou o homem à sua imagem, por que é que este fez logo merda?


José Carlos Nascimento. Sem Título. Jacto de Tinta. 2015.

Ao centro a Bíblia aberta no livro dos Génesis, o pecado original, e no fundo a imagem de uma mulher, a Eva em pleno ato pecaminoso. À esquerda e à direita. Uma maça. Uma banana. A maçã, conhecida pelo seu lado tentador, aqui cortada a meio, a banana também, 'como que autopsiadas no cumprimento do castigo depois de consumada a tentação', assemelha-se a um coração. Já a banana pretende simbolizar mesmo o lado perverso e aqui é a representação do órgão sexual de Adão. Ambos colocados estrategicamente sob um fundo preto, não o vermelho da paixão, antes o preto como referência à condição humana de mortais depois da condenação.

Nota do artista: «... um aspeto absolutamente fundamental nesta fotografia, é que os registos fotográficos foram feitos exclusivamente com luz proveniente de filmes pornográficos.» 

'Deus sabia. Não vale a pena especular mais. Deus é todo poderoso e tinha plena consciência nas que se estava a meter.' Concordo com esta ideia. Se Deus sabe tudo, tinha de saber que Adão não resistiria à beleza de Eva, muito mais se esta se encontra no meio do mato e só coberta com umas folhinhas... 

Tentação. Consumação. Condenação. A condição humana está condenada...

O trabalho está exposto no antigo Governo Civil de Coimbra, numa exposição do Teatro Anatómico (o olhar da Arte sob a condição humana), até ao final do mês de Março.

terça-feira, 17 de março de 2015

“Com Fafe, Ninguém Fanfe”

Sou um acérrimo defensor da causa. Nunca fui muito com a ideia de Sala de Visitas do Minho. Não quero com isto menosprezar a intencionalidade dos seus autores, sejam lá eles quem forem, mas “Justiça de Fafe” vende muito mais e nisso ninguém me lixa.
Assumi esta posição há muito tempo. Há dias voltei a fazer referência ao assunto:

Logo de seguida vejo anunciada uma aposta na Justiça, ainda que o nome me pareça lançado um pouco a medo: “Terra Justa”. Porquê? Não seria mesmo mais eficaz: “Fafe, Terra da Justiça”?
Compreendo que se queira associar este novo projeto a ‘causas’, mas haverá causa maior do que fazer justiça? Até nas palavras: ‘justa’ tem 5 letras e 2 sílabas e ‘Justiça’ tem 7 letras e 3 sílabas. Até a simbologia do 7 e do 3 podiam ser auxiliadores de grandes dissertações académicas… ou criações performativas!
É mais do que evidente que me agrada pegar no tema. Mas mais me agradará se se assumir mesmo este nosso lema tão forte (Com Fafe, Ninguém Fanfe) e a própria imagem da ‘Justiça de Fafe’ como se faz com o Galo de Barcelos.
Querem apostar como a imagem vende?
Vamos ver quantos likes tem este post… com esta simpática imagem que representa muito mais do que arruaceirada que alguns tanto medo têm. Quem vem de fora quer ver esta imagem e conhecer o nosso lema.
Não será de justiça que a cidade de Fafe, o Distrito, o País, A Europa e o Mundo precisam?
Seja como for, finalmente à 'Justiça de Fafe' vai-lhe ser dada a importância merecida. Mais uns pontos para quem muito bem sabe orientar o líder maior e, com isso, o líder soma e segue. É assim, um gestor não tem de saber tudo, mas tem de se saber rodear. Para que se 'faça justiça' temos de aplaudir Nuno Cobanco que muito bem está a trabalhar a imagem de Fafe e Raúl Cunha que se soube rodear.

Viva a Justiça… de Fafe! Claro! 

Imagem retirada do JORNALdeFAFE

domingo, 8 de março de 2015

Só seremos Homens de verdade...

... quando soubermos respeitar a Mulher com toda a dignidade!

«Se a tua Liberdade depende dos meus atos, então desisto.
Nenhuma Princesa pode viver aprisionada,
Nem mesmo dentro do meu coração!»
Pedro Sousa

terça-feira, 3 de março de 2015

Nova identidade da Câmara de Fafe, like…

A mudança tem destas coisas. Agradam a uns. Desagradam a outros. E irritam sobretudo os que estão acomodados e habituados a um ritmo de vida que só o facto de se falar em mudança já os assusta. É também assim que vejo estes sucessivos progressos que têm acontecido com a Câmara de Fafe. É verdade que é preciso mudar muita coisa e até mesmo pessoas que já estão há tempo demasiado em cargos públicos. Isto de ter políticos máquinas, que só sabem fazer caça às bruxas, que não têm sensibilidade humana e multam por tudo e por nada… não são certamente os melhores para esses lugares.
Quanto ao site e à nova imagem, parece-me bem, numa primeira impressão. Quase só tive tempo de abrir o site e fazer uma visita rápida, mas acho piada ao logótipo. Parece-me que vai funcionar bem. O que continuo a não perceber é a teimosia em deixar a ‘Justiça de Fafe’ fora disto…
Assim como considero que Raúl Cunha está com o verdadeiro espírito de um político. Não sei os livros que lê, mas há muita inspiração na Cultura Clássica. Era importante que recomendasse a obra ‘Os Cavaleiros’ de Aristófanes aos seus colegas… sobretudo aos que ainda só vêem a política do ‘venha a nós’.
Aprecio a postura de alguém que não está lá para ajudar as panelinhas criadas há décadas, mas obriga as entidades que queiram trabalhar com a Câmara a ter uma atitude transparente. Agora só falta fazer isso com todas as entidades…
Gosto deste trabalho com outras entidades (Carnaval, por exemplo, em conjunto com a Junta de Fafe), ainda que não tenha percebido a razão do nome que me causou alguma estranheza: Pai das Orelheiras? Porquê? Até pode existir alguma razão histórica, mas também é verdade que se não existia, passa a existir e o mais importante é o conceito que foi muito bem visto. Nesta matéria, surgiu uma observação da minha namorada que me parece importante: «E se as freguesias com o que já fazem fossem desfilar todas ao centro da cidade e acabasse com o Pai das Orelheiras?»
Gosto, ainda mais, de uma nova Câmara que não quer o protagonismo só para si, especialmente quando as ideias são de outros, mas colabora como parceiros e, deste modo, o projeto é dos dois. Está aqui um bom pretexto para voltarem a pegar nas Jornadas Literárias e Culturais e convidarem Carlos Afonso para as coordenar como ele tão bem sabe. Podem, também, e é apenas sugestão, ser mais abrangentes e solicitar registos de património e criarem uma base de dados no próprio site. Neste campo, até têm um funcionário especialista no assunto… que tal uma parceria com ele? Certamente quem vier a seguir, ao consultar o património de cada freguesia, vai pensar duas vezes antes de derrubar monumentos como se fazia até aqui.
Seja como for, agrada-me sobretudo esta Câmara que sabe comunicar com as Pessoas! É óbvio que o trabalho não termina e há muito a fazer. Também é evidente que o que me agrada a mim, que não tenho tacho na Câmara, desagrada a muitos que não o querem perder (até porque se o perdem, há alguns que nunca mais na vida irão ganhar esses salários). Seja como for, o caminho é esse e a Comunicação não só chega às pessoas como é possível para as pessoas.



segunda-feira, 2 de março de 2015

O poder da comunicação

De Fotógrafo a fotografado com gente fantástica!
A “Comunicação” iniciou hoje mais um tema das minhas aulas de Área de Integração. É interessantíssimo verificar que os nossos jovens não são assim tão máquinas como tantas vezes os queremos rotular. Por mais avanços da ciência ou da tecnologia que possam existir, há sempre um retorno à fase inicial. O indivíduo, a pessoa e a sua necessidade de comunicar.
Não há sociedade, nem grupo, nem casal de namorados se não existir comunicação. Acho que posso dizer mesmo que não há nada sem a comunicação. Os grandes milionários apercebem-se disso com grande facilidade. Muitos deles nem sabem sequer que querem ser milionários. Essa é uma consequência dos seus atos, precisamente, em favor da humanidade.
Vejamos, por exemplo, o dono Facebook que se tornou um dos homens mais poderosos do mundo porque um dia resolveu criar uma plataforma onde as pessoas pudessem comunicar entre si e partilhar documentos. Muito facilmente se expandiu porque todos nós temos necessidade de comunicar. O mesmo aconteceu com o Linkedin e muitas outras redes sociais.
O que têm em comum? Algo muito simples: fazer alguma coisa pelos outros! Fazer com que as pessoas tenham facilidades e vantagens em usar as suas ferramentas. Que estas lhes sejam mesmo úteis e de alguma forma contribuam para o seu sucesso pessoal e profissional.
Numa das minhas aventuras pelo mundo da fotografia, reconhecendo (que remédio) que sou apenas um simples amador mas que até gosta da coisa, e com a sua posterior divulgação e dinamização nas redes sociais (nas próprias e nas que nos permitem divulgar os nossos trabalhos) apercebo-me que há muito para lá das redes sociais tecnológicas. Há mesmo redes sociais previamente estabelecidas e as tecnológicas só têm sucesso porque as ‘redes humanas’ existem.
É verdade que as pessoas gostam de ver as suas fotografias publicadas, mas é mais verdade que o volume de ‘likes’ e ‘partilhas’ é mais elevado se cada indivíduo estiver bem enquadrado numa família, num grupo, numa comunidade ou num mundo cada vez mais próximo.


Só percebemos os outros quando somos um deles.