Mostrar mensagens com a etiqueta Religião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Religião. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Senhora de Antime continua com os Políticos aos seus pés


Há uns anos escrevi uma crónica sobre a Senhora de Antime. Todos sabemos que se trata de um momento importantíssimo nas celebrações religiosas de Fafe. As nossas casas, mesmo pertencendo a outras freguesias, são invadidas pela áurea da Senhora de Antime. É a mãe que vai sempre a acompanhar, as tias que vão ‘pagar a promessa’ e até as celebrações eucarísticas sofrem alterações aos horários.
Este ano, voltei a estar atento aos políticos. À sua atitude comportamental. Mas quando apareceram as primeiras fotos, o meu foco de visão atirou-se logo para a varanda da Câmara. Não estava lá ninguém. Depois apareceram outras e eis que aparecem os políticos fafenses, todos alinhadinhos, na escadaria.
Muito bem!
Até porque quem é mais importante é a Senhora de Antime. Sempre me fez muita confusão ver os políticos no pedestal do varandim como se fossem uns verdadeiros monarcas e a Senhora cá em baixo. Virada para eles. Como se Ela é que lhes estivesse a prestar uma homenagem.
Também nunca percebi por que é que os padres embarcavam nesta ‘palhaçada’.
Agora é diferente. Os políticos descem à rua e olham para cima. Podem até nem ter devoção e nem estar espiritualmente a venerar a ‘Senhora do Sol’, mas certamente que a sua atitude é bem mais merecedora de aplauso.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Noite de Natal

O frio abraça as ruas desertas na aldeia, enquanto no interior das casas o calor da família reunida se mistura com o brilho das lareiras. Casacos grossos, gorros e cachecóis protegem as passagens rápidas entre as casas da família antes e depois de uma ceia tão rica, tão doce, tão humana. É noite de Natal.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A celebração da Páscoa e os valores invertidos


A educação cristã tem sofrido ataques constantes do interior da própria igreja. Afirmação que fora feita por Bento XVI na sua visita a Portugal, mas que teimam em não se querer alterar, umas vezes fruto de estilos de vida na ostentação e na promiscuidade adoptados outras devido a uma enorme hipocrisia colectiva, em que quem pratica não tem vergonha e quem sabe cala-se cobardemente.
Os exemplos de gente tão mal intencionada, que se dizem ao serviço de Deus e da Igreja, servem para afastar as pessoas do templo sagrado, porque o comércio ou a tentativa de mandar sobre os outros é o caminho mais apetecível para os ‘magnatas’ que procuram viver à sombra, muitas vezes, do mal-estar dos seus semelhantes. Atropelando a moral e os bons costumes, para conseguir gananciosamente mais uma obra ou um emprego para si ou um familiar mais chegado, apenas porque o importante é eles terem e não os outros, mesmo que isso represente um abraço colectivo contra as leis da Igreja.
Longe vão os tempos em que o adro das igrejas era um local de alegria para quantos se juntavam a fazer os últimos jogos antes de entrar para a catequese. A confissão era o dia de encontro com Cristo, aquele que morreu por nós e só com a nossa remissão de pecados se pode livrar da cruz.
Independente da crença religiosa de cada um, a religião é um alicerce para uma vida harmoniosa, claro está se os valores transmitidos pautarem pela moral. Hoje, as nossas escolas reflectem uma perda de valores ao mais alto nível, o respeito. Não quer dizer que não se consigam controlar as arrogâncias ou atitudes descontroladas e muito menos se quer colocar novamente o crucifixo nas salas, muito pelo contrário, apenas devia estar presente o crucifixo nos corações!
A religião católica teve um papel fundamental na sociedade. Passou por muitas situações vergonhosas, nomeadamente quando teve ou se encostou a regimes absolutistas ou ditatoriais, mas com o reconhecimento dos seus defeitos, tantas vezes nomeados no pedido de perdão pelo Papa João Paulo II, conseguiu envolver os seus crentes numa doutrina de exemplo, bons costumes, alegria. Hoje, ainda que haja a condenação de tantos malfeitores, a religião católica e as outras religiões estão a perder a sua posição enquanto entidades de referência, porque as suas leis autoritárias já não servem, muitos dos seus mensageiros perderam o respeito e a sua catequese já não chega aos mais jovens.
Neste momento, que marca a passagem da morte à vida e, ao mesmo tempo, representa a fertilidade (coelho) e o surgimento de vida nova (ovo), salientamos – independente da crença de cada leitor - a vida exemplar de Jesus Cristo. Nasceu pobre, lutou contra comércio instalado na casa de seu Pai e morreu às mãos da hipocrisia, porque, também ele, não quis uma vida luxuosa, mesmo tendo escolha, mas preferiu honrar a moral, a ética e os valores que o trouxeram ao mundo.
Santa e Feliz Páscoa
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (21-04-2011)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

«Aqueles que um dia nos quiseram mal, se pensam que lhes vamos pagar com a mesma moeda, estão muito enganados. Não gastamos assim o nosso dinheiro!»


A sociedade tem destas coisas. Muitas das vezes, independentemente do posto ou estatuto, o indivíduo sente uma enorme vontade de se insurgir contra todos aqueles que de uma ou outra forma se lhes atravessaram pelo caminho, apenas com um único objectivo – afastar do seu caminho para conseguir o seu lugar, mesmo que para isso seja preciso ‘apunhalar pelas costas'. Ainda que o poder instalado seja o melhor auxílio para que estas manobras tenham sucesso, o certo é que ‘a mentira tem perna curta’ e ‘a verdade tarda, mas não falha’.
As comunidades mais pequenas, onde a ruralidade insiste em reinar em espíritos maléficos, são caracterizadas pelas frases conhecidas ‘toda a gente sabe a vida de toda a gente’ ou, porque a gabarolice é arma dos mais fracos, ‘o senhor fulano bateu-me com a mão nas costas’ e, ainda, ‘fui chamado ao gabinete do senhor cicraninho’. Eis uma imagem perfeita de um país atrasado, mas que se impõe ‘erecticamente’, pendurando num corpo semi-novo um fato e gravata.
A sociedade portuguesa começa a despertar consciências aos mais distintos níveis. Os boys continuam à sombra, os fulaninhos estatelados, mas os cicraninhos começam a ficar assombrados. O prior já não é o mais importante e o doutor o mais destacado, porque todos puderam crescer e a educação generalizada dita um rumo novo aos mesmos de sempre remediados.
Apesar de toda esta crise económica que vivemos, que leva à insistência em não recorrer a ajuda ainda que a fome esteja instalada, a crise pior é a falta de escrúpulos de uma sociedade que sempre viveu de aparências, em que os mais destacados se serviam da pouca ou nenhuma formação dos outros para lhes tolher os sentidos e motivar com umas palavras delicodoces.
Infeliz daquele que vive sobre as ordens dos outros, sem que estas sejam tomadas suas; infeliz daquele que se julga um deus, porque não passa de um pobre coitado; infeliz daquele que se julga superior, porque não é mais do que manipulado; infeliz daquele que usa a sua posição para mandar, porque um dia será julgado.
No Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente já nos retratava esta mesma sociedade, utilizando o riso para a caracterizar, «ridendo castigat mores – a rir se castigam os costumes». Todas as personagens que se vão apresentando naquele cais de embarque pretendem partir na mais apetecível, a barca do purgatório, mas nem o padre, que se fazia acompanhar de «ûa moça», consegue tal viagem. É o parvo, aquele que dizia asneirada atrás de asneirada, o merecedor de tal lugar.
Por tudo isto, se Gil Vicente já dizia isto e, depois de tanto tempo, os costumes continuam inalteráveis, só uma frase se pode dizer: «Bem-aventurados sejam os pobres, porque deles é o reino dos céus».
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (08-04-2011)

domingo, 26 de dezembro de 2010

«Quando me amei de verdade comecei a livrar-me de tudo que não fosse saudável...


«Quando me amei de verdade comecei a livrar-me de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me atirasse para baixo. De início, a minha razão considerou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor-próprio.»
Charles Chaplin
Não precisamos inventar as melhores frases, mas devemos saber ler, seleccionar e aproveitar muito bem aquelas que podem fazer toda a diferença e contribuir para a nossa forma de ser e estar na vida, porque só na busca constante da felicidade é que nos tornamos verdadeiros humanistas.
Em tempos, pensava erradamente, via que ao dar atenção a tudo e a todos estava a contribuir com a minha parte para o bem-estar colectivo. Aos poucos, fui-me apercebendo que havia atitudes de pouca lealdade e que a felicidade de uns, muitas vezes, não implica a de outros.
Neste tempo natalício, as luzes parecem piscar em qualquer esquina em que nos encontremos. Às vezes brilham mais outras menos, apenas depende do investimento que se faz ou do tempo climatérico que também tem uma palavra a dizer sobre esse mesmo brilho. Acreditado que o brilho pode ser maior ou menor, apenas dependendo do investimento de cada um, considero imprescindível um investimento profundo nas relações humanas. Estas, por sua vez, só prevalecem se os projectos traçados conseguirem acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e com isso aumentar o seu investimento.
O que adianta dizer a verdade aos surdos ou mostrá-la aos cegos?
A ignorância continuará a ser a fraqueza dos pobres de espírito e o aproveitamento dessa mesma ignorância será a arma do oportunismo sem escrúpulos.
Em Belém nasceu um Menino, há muitos anos, numa manjedoura, cresceu e derrubou o comércio que se encontrava no templo de seu pai. E hoje? Será que também deixamos esse mesmo Menino nascer ou será que dá jeito continuar a aproveitar o templo para comércio e promoção de pequenos poderes?
A Igreja, um dos pilares da sociedade (já o foi mais), não pode ser uma farsa onde os erros acontecem e se juntam logo os fariseus para abafar o que se passa. A Igreja tem de ser exemplo e admitir as suas fragilidades (honra seja feita a Bento XVI). Um caminho a seguir.
Não adianta atirar areia para os olhos de quem vê. Nem embelezar altares para abafar a maledicência. Onde há fumo há fogo! E, nestes tempos, a cultura está ao alcance de quem se quiser cultivar, o que significa que todos podem procurar essa mesma verdade e não se deixam enveredar por meias verdades ou mesmo mentiras.
Não acredito naqueles que querem fazer da Igreja de Deus à imagem e semelhança deles, pregando uma doutrina de conveniência para os seus prazeres e dos seus falsos profetas, que se aproveitam para benefícios pessoais.
Neste tempo de Natal, tempo que significa a união familiar para a nossa cultura, gostava de dizer ao Menino que acredito na sua doutrina, apenas. Acredito que é possível seguir o seu caminho com os modelos que ele deixou, muitas vezes atribulado, mas sempre possível de retomar se assim o pretendermos. Aproveito também para pedir que haja a mesma verdade em todas as Igrejas e mais brilho nas palavras e nas acções.
Um Natal Feliz,
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (31-12-2010)