segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Moinho


           O Moinho inutilizado pelo homem,
despedido do trabalho agreste,
           Onde as pastagens verdejantes
Acolhem os rebanhos solitários,
É agora o centro da minha fantasia.
Ali vivem as Musas e Ninfas,
As Fadas e Adivinhas,
As Mulheres de amores
E os Cupidos flamejantes.
A água sai do leito
Com a crispação da atmosfera,
Que nos incomoda durante o dia
E nos recorda ao anoitecer...
Com ela corre meu pensamento
Que desponta por cabelos e olhos castanhos
Se empobrece ao findar a estação
Neste momento de carinho festivo.
O Moinho esconde a minha ilusão,
Mostrando um rosto pobre e degradado,
Mas o verdadeiro salão nobre
Enaltece este ser desesperado.
Aquele se entristece para o povo
Com a cabeça baixa e o olhar cansado,
Dentro as Ninfas e Musas triunfam
Na sabedoria... no fado.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

CR7, de bestial a… ainda mais bestial


            A cultura portuguesa é muito previsível. Começa a roçar o sempre o mesmo e com isso deixa de ter graça. Quando os heróis nos servem, são bajulados como se fossem deuses, mas quando algum contratempo se torna num empecilho para alcançar a vitória, aí a coisa muda de figura. Que raio de sociedade sem sal!
            Não se pode elogiar as pessoas só porque nos dão alegrias ou até algum jeito para uma ou outra necessidade da nossa vida ou porque são pessoas importantes e ‘até podemos vir a precisar delas’. As pessoas têm que ser tratadas com dignidade sempre e todas da mesma forma. A história é a melhor professora que nos fala de casos em que grandes momentos foram liderados pelos mais fracos, sem que tivessem de recorrer à força ou à violência, pois esta é a arma dos maiores inúteis, os mais desprovidos de conhecimento e cultura cívica.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

S. Francisco de Assis: A troca da vida farta pela pobreza

Ainda que possa não parecer, às vezes paro para pensar no que escrevo. Acredito que muitas das minhas palavras não são as mais apreciáveis, mas quem manda ler os meus artigos? As pessoas são livres e, tal como elas, a liberdade do meu pensamento ultrapassa qualquer limite de correntes e obsessões, medos e fantasias de mundos tão ofuscados por poderes controladores.


Eu sou livre porque penso e o (meu) pensamento não pode ser aprisionado.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Património, o que é isso? Só serve para estorvar!


            A mediocridade dos atos evidencia a inteligência e competência, ou falta de ambas, ao permitir a destruição do nosso património. Os jornais de Fafe têm dado alguma visibilidade à discussão em torno da possível deslocalização do ‘Monumento da Justiça’, o que os torna apelativos, apenas porque é o nosso monumento mais emblemático e com ele a frase: «Com Fafe ninguém fanfe».
            Esta questão tem levado a várias discussões, não só na imprensa escrita mas também na blogosfera, o que é agradável perceber que as pessoas se envolvem quando os assuntos lhes tocam de algum modo. Estes momentos, provavelmente através de métodos mais informais e recorrendo ao uso da imprensa escrita, radiofónica e das diferentes redes sociais na internet, poderiam ser aproveitados para promover a história de Fafe e do seu património. A cultura também não ocupa espaço.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A política é a arte do possível, mas só é arte quando há criatividade!


            A definição de arte leva sempre aos mais ousados diálogos intelectuais. O recurso a um manual de Teoria da Arte confronta o leitor nas mais distintas interpretações, mas uma das mais plausíveis aparece-nos nas palavras do Artista Plástico e Performer Armando Azevedo quando afirma «A Arte é comunicação estética». Esta afirmação é muito mais valiosa do que se pode observar no imediato, na verdade Armando Azevedo começa por afirmar a arte enquanto comunicação, nos distintos sentidos e fases da comunicação – apelativa, informativa, conativa…, e a estética – em termos muito genéricos: o despertar do sentimento do belo.
            Na afirmação “a política é a arte do possível”, uma das expressões mais aprazíveis aos ‘políticos de profissão’, o termo ‘arte’ tem o sentido distante do abordado em cima, aqui é ‘a arte como ofício’, a arte com a finalidade de fazer algo. Aparentemente, esta é uma ótima escapatória para a ‘arte de não fazer’. Ou seja, ao afirmar que ‘a política é a arte do possível’, o político sente-se desculpabilizado por aquilo que devia ter feito e não fez. Será para isto que elegemos os nossos representantes?