Em Braga já acontece! Em Fafe, podia acontecer... quanto mais não fosse, disponibilizar espaços desocupados (escolas...) para que as associações se instalassem! Mas isto digo eu... não precisam concordar!!!
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
É preciso acabar com o coronelismo
Coronéis
e seus Jagunços. Senhoras da sociedade muito religiosas e defensoras extremas
da moral e dos bons costumes. Os Maridos são clientes assíduos do ‘Bataclan’ e
as esposas não passam de objetos ao serviço das necessidades básicas daqueles
que as possuem como uma propriedade: «Suba que vou-lhe usar». O marido tem
direito, a esposa tem dever. O homem tem as suas necessidades e a mulher não
pensa, não sente, não estuda, não trabalha…
A
reposição da novela inspirada na obra de Jorge Amado, “Gabriela, Cravo e
Canela”, está a chegar ao fim e confesso que fui um espetador muito atento. As
palavras daqueles que tiveram a oportunidade de visualizar a primeira versão
mereciam-me uma atenção especial. A descrição de uma sociedade escandalizada
com a apresentação de situações, em nada aceitáveis para gente de bem,
contrastava com a necessidade de ‘querer’ ver mais. Crítica e aplauso?
Simplesmente o retrato de uma sociedade…
Depois
de tantos anos, a “Gabriela” continua a ter espetadores. Continua a fazer
sentido e, principalmente, ainda é um retrato por excelência de tantas e tantas
situações da sociedade, principalmente dos meios mais provincianos. Agora os
coronéis são outros, mas ainda há alguns jagunços. As mulheres têm direitos,
mas também continua a existir as ‘defensoras da moral e bons costumes’ como
antes, com todos os defeitos e mais alguns… daqueles defeitos que só os outros
têm, apenas até ao dia em que os seus são conhecidos. Na Igreja ainda há os que
só pensem em dinheiro, recorrendo à ‘caridade’, porque bem-aventurados são os
pobres… Os bordéis reúnem os mesmos argumentos e na política, às vezes, ainda
aparece o coronel e seus jagunços…
Acabar
com o ‘coronelismo’ era a motivação maior de Mundinho Falcão. O contraponto
entre a sociedade hipócrita, defensora acérrima dos usos e costumes mas com
mais defeitos do que os outros, e a sociedade progressista que pretende abrir
horizontes e proporcionar uma vida mais igual entre os povos. A obra acaba bem.
Tem um final feliz. E na vida real?
Continua
a ser preciso acabar com os coronéis e seus jagunços!
in Jornal Povo de Fafe (18 de Janeiro de 2013)
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Cidadania participada?
11h45!
A campainha está prestes a tocar e o pensamento será mais uma vez interrompido
para dar lugar à última aula da manhã. O tema é a União Europeia. Não poderia
ser mais adequado ao momento. Sobretudo porque foi aprovado um dos orçamentos
mais contestados. A sala de aula propunha o local ideal para um debate aceso.
A
campainha está a dar o sinal. Volto já!
13h23!
O almoço é indispensável para continuar o trabalho e a vida. Não. Não foi uma
aula acesa. No fundo da sala ouve-se uma voz em meio-tom: “Política, não gosto
nada”. Depois de marcadas as presenças e sumariado o assunto em análise, as
primeiras palavras vão no sentido de uma explicação, mais uma vez, sobre a
necessidade de conhecer e interagir com as organizações que nos governam, mesmo
sem grande apreço, estas são fundamentais à nossa vida. Dependemos de
estruturas políticas, económicas e sociais. Participar nelas é mais do que um
dever, é uma obrigação. A nossa não participação significará a ascensão de
políticas que podemos não concordar. A aula seguiu mesmo o planeado, a
simbologia e os tratados da EU foram analisados e apenas surgiram dúvidas de
circunstância, sem que alguma vez se sentisse a necessidade de enveredar por
temas mais destacados no momento.
A
política é um tema pouco promissor. É claro que há quem opte por seguir o rumo
político e se afigure como um elemento indispensável à boa organização de um
partido ou grupo de cidadãos, mas não está a ser nada fácil chamar a atenção
dos mais jovens para esta questão que a todos diz respeito. São trapalhadas
atrás de trapalhadas. São atropelos à democracia. Bofetadas nos valores.
Maquiavélicas ações cumpridas à risca.
A
política está descaracterizada. Os jovens não acreditam. A política é uma seca.
Resta-nos
seguir o programa e colocar informação sobre a mesa. Fomentar o espírito
crítico num mesmo espírito aberto, antidogmático e tolerante. Incentivar à
construção de um discurso argumentativo, sempre atento às questões sociais. A
participação cívica é matéria lecionada nos bancos da escola. Os discursos
‘abrilescos’ são construídos na base destes mesmos princípios, mas os exemplos
lançados sobre a sociedade não beneficiam as palavras do discurso elegante no
dia do cravo.
Cidadania participada?
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (30-11-2012)
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
A maior autonomia das pessoas reflete o avanço cultural de qualquer cidade
Ao analisar o percurso de diversos grupos
culturais, recreativos e desportivos, surgiram três elementos que se afiguram
como barreiras ao progresso de qualquer instituição: inveja, vaidade e
oportunismo.
Nenhuma
cidade pode evoluir se os seus habitantes não se prepararem culturalmente.
Embora tenhamos consciência que cabe quase tudo na noção ‘cultura de um povo’,
não se pode aceitar tudo e esperar que as pessoas morram para mudar hábitos,
até porque a cultura vai-se construindo ao longo do tempo pela educação, seja
ela formal ou informal, nos bancos da escola ou meramente através da
transmissão oral de conhecimentos.
A
cidade de Fafe é uma cidade muito rural. Agarrada a bairrismos mais ou menos
agradáveis, mas deixa-se conotar facilmente por uma cidade provinciana que
presta vassalagem a políticas do Estado Novo. Mostrar às pessoas que elas não
são mais nem menos do que ninguém não é tarefa fácil. As pessoas, herdeiras
dessa ditadura salazarista, continuam agarradas à ideia do feudalismo ou do
‘senhor’, onde os que possuem mais terras merecem obediência. O grande problema
é que há muitos que se aproveitam desta ingenuidade sem qualquer escrúpulo. É
triste viver ainda assim em pleno século XXI, não é?
A
igreja católica, uma referência ‘ainda’ na vida das pessoas, devia ter uma
palavra a dizer aos ‘pobres de espírito’. Mas em muitos lados é a própria
igreja que fomenta estas práticas, ao abrir portas aos ‘senhores’ para que eles
comandem os destinos dos povos das terrinhas através do estatuto de comissários
da fábrica da igreja que em muitos casos têm um só objetivo: tirar proveito
pessoal e político perante a comunidade.
Numa
altura em que se aproxima o Natal, num ano em que se celebra o ‘Ano da Fé’, a Igreja
precisa de repensar a sua forma de atuação como educadora de valores. Não serão
as missas bonitas durante uma hora por semana que enchem a vida das pessoas,
mas serão as palavras de incentivo à igualdade entre os semelhantes que
tornarão o respeito mútuo muito mais vincado. A Igreja só sobreviverá se
atualizar a sua atuação e para isso tem de se obrigar a evangelizar o que
indica o catecismo e não as vontades de uns e de outros.
Certamente
que não é apenas esta cidade que precisa de uma renovação, mas é esta a ‘nossa
cidade’. É esta a cidade que teima em não acordar para o progresso de ideias e
rompe com tudo o que seja fútil. É esta a cidade onde ainda há quem se irrita
porque o vizinho tem um carro novo ou também há quem se julgue o melhor só
porque é presidente de uma associação qualquer. Isto hoje é ridículo, não só
porque deveria ser visto como um dever cívico estar à frente de uma
organização, mas também porque é das coisas mais fáceis constituir uma
associação. Até já se pode abrir uma associação na hora!
A
cidade não era tão cinzenta se não fosse a inveja, a vaidade e o oportunismo a
mandar na vida das pessoas.
Pedro Miguel
Sousa, in Jornal Povo de Fafe (02-10-2012)
sábado, 27 de outubro de 2012
Hospital de Fafe - A vida por um fio
A
cidade de Fafe começa a ficar habituada a perder. Já não chegava a destruição
do património, agora temos de assistir à perda de recursos que tão importantes
eram em tempos para a distinção de uma vila, uma cidade ou um concelho. Não se
compreende como é que se destrói um edifício por causa de um metro de terreno,
será que os arquitetos ou engenheiros são tão incompetentes que não conseguem
encontrar uma alternativa quando em causa está um edifício com características
únicas e se revela uma marca fundamental na cultura de uma terra? Sinceramente,
não acreditamos, achamos que se trata da falta de sensibilidade cultural dos
líderes políticos, porque se conseguem projetar uma estrada com muros altos,
também sabem projetar um metro ao lado e sem ter de construir suportes para
alargar a estrada.
O
recurso à temática do património não é por acaso, mas porque este último
mandato da Câmara vai ficar marcado pela destruição se não pararem com os seus
planos que ninguém entende. De um momento para o outro, ou esgotaram as ideias
e para mostrar trabalho sentem a necessidade de mexer no que foi construído,
nem que seja só de mudar de um lugar para o outro como tinham a intenção de
fazer com o Monumento à Justiça de Fafe, ou estão dispostos em aceitar tudo o
que lhes impõem mesmo que em causa esteja a perda de recursos que fazem toda a
diferença na afirmação da cidade e, muito mais, na qualidade de vida que todos
merecem.
Fafe
é cada vez mais uma aldeia de Guimarães. Afinal de contas, o artigo causador de
tanta polémica, “Os nossos vizinhos: Fafe”
de Nuno Rocha Vieira, parece ter algum
sentido: Hospital, Centro de Emprego e Tribunal já têm as chefias na grande
cidade Vimaranense ou estão a caminho. Para falar claro, nem é muito isso que
nos incomoda, se a população conseguir ser melhor atendida com esta reestruturação
ainda bem, mas se isto implicar a dificuldade para chegar aos serviços o caso
muda de figura.
O que nos surpreende, no meio
disto tudo, é a forma como o poder político em exercício lida com estas
questões, no início fazem grande escândalo, redobrando-se em conferências de
imprensa para mostrar a sua indignação, veja-se o caso da reestruturação das
freguesias, e depois concordam com tudo o que vem de Lisboa. Obviamente, isto
até se percebe, se não fizerem muitas ondas conseguem orientar melhor as suas
pretensões político-partidárias. Mas será que estas posições de quem lidera uma
comunidade são as ideais? Ou será que deveriam lutar até às últimas consequências
pelos interesses da população?
No grupo “Em
defesa do Hospital de Fafe”, recentemente criado no Facebook por Eugénio
Marinho, advogado e político fafense, este escreve: «Tudo está a ser feito para o Estado se
"livrar" do Hospital de Fafe e entregá-lo à Misericórdia. Devemos
impedir esse negócio que nos privará em
definitivo de termos um hospital público, como sucede desde o 25 de Abril. E o
mais grave é que o negócio está a ser feito com a cumplicidade da autarquia.»
Não podemos avaliar se o melhor para Fafe é o Hospital ser do estado ou
privado, mas defendemos o serviço de saúde como defendemos a educação, ou seja,
saúde e educação pública e para todos.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (26-10-2012)
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Um dia na Malafaia ou arranjos grátis em casa de idosos e carenciados durante todo o ano?
Num
tempo perturbado pela crise económica e social, as prioridades das autarquias
precisam ser revistas. O que preferem as pessoas: comer e beber até não poder mais,
num só dia, ou ter alguém que lhes dê apoio na manutenção da sua habitação
durante todo o ano?
A
Câmara Municipal de Fafe resolveu colocar à discussão pública uma série de
situações, talvez as mais polémicas, numa tentativa de desresponsabilização se
algo correr mal, mas no que pode sacar uns votinhos aos idosos nem lhe mexe,
muito pelo contrário, no último encontro já fora prometida mais uma investida
na Malafaia para o próximo ano de 2013. É positivo dar a oportunidade às
pessoas de se pronunciarem, o problema é que antes não o fizeram e algumas
obras correram mal (o parque da cidade ou o parque de betão armado), agora têm
de minimizar os danos e por isso já importa o que o ‘povo’ tem a dizer. Como
diz o ditado: “é melhor tarde do que nunca”. Não seria importante dar a
oportunidade às pessoas se preferem um dia na Malafaia ou arranjos grátis em
casa de idosos e carenciados durante todo o ano?
A
Câmara Municipal de Odivelas, na voz da sua Presidente, «Não faz festas
popularuchas» e canaliza essas verbas para apoiar gratuitamente as pessoas
idosas e com carências financeiras, tendo alargado neste momento aos
desempregados. Mas esta Câmara não se concentra apenas nos mais idosos ou
desprotegidos, aos alunos do primeiro ciclo oferece os manuais escolares.
As
prioridades são sempre discutíveis. As necessidades das pessoas são distintas.
A realidade deste país, infelizmente, é só uma e não se advinha risonho o
futuro próximo. Apesar de não conhecer quem orientava os destinos da Câmara de
Odivelas, muito menos a sua cor partidária (pesquisei na internet e vi que é do
PS), não poderia deixar de destacar a atitude desta autarca que dá primazia o
interesse da comunidade, através destas iniciativas, canalizando os dinheiros
públicos para o melhor servir os cidadãos do seu concelho. É para isto que
todos são eleitos, não para o cacique e a continuada preocupação com o ato
eleitoral, mas para oferecer às pessoas, principalmente os mais desfavorecidos,
proteção social. Um país que tem gente a passar fome não é um país digno. Não
chega empanturrar as pessoas um dia por ano, é preciso dar-lhe apoio durante
todo o ano.
Pedro Miguel
Sousa, in Jornal Povo de Fafe
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
O poder das redes sociais é o maior desespero dos políticos
A
sociedade está em guerra aberta. Se até agora as estruturas governamentais
convocavam reuniões para debater e incentivar a atividade cívica e a
necessidade da envolvência das pessoas, hoje já deixou de ser uma prioridade,
porque as pessoas resolveram definitivamente usar as redes sociais (sites,
blogues, facebook, twiter…) e nada nem ninguém consegue bloquear o seu
pensamento, as suas observações e indignações.
A
participação direta dos cidadãos, finalmente, é uma realidade. “A fome é má
conselheira” e “quando não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Estes
provérbios poderão aplicar-se ao que poderá acontecer se a classe política não
arrepiar caminho. Quando falamos de classe política não estamos apenas a
referir-nos aos Ministros do Estado Português ou aos deputados da Assembleia da
República, estamos a referir-nos a todos, principalmente aos que usam e abusam
de pequenos poderes lá na cidade ou na aldeia. Ainda há pessoas que pensam estar
no tempo de Salazar e que podem pôr e dispor do estatuto de intocáveis, porque
são protegidos pelo clero e pela nobreza, o grande problema é que o povo está a
perceber que tem voz e pode usá-la, sem ter de passar por nenhum crivo
mal-intencionado.
Neste
preciso momento, a sociedade é um campo minado ou, se preferirem, um barril de
pólvora pronto a explodir. Se pretendermos uma sociedade equilibrada e que
oriente as suas ações pela racionalidade e harmonia, mesmo em tempo de luta, os
governantes necessitam repensar a sua forma de atuar com urgência. O ‘quero,
posso e mando’ começa a não ter sentido, até porque a falta de empregos, onde
muitos se agarravam para oferecer e/ou chantagear os que pretendiam ter por
perto, está a deixar as suas armas sem munições. As autarquias controladoras de
empresas, associações e, mesmo muito, da comunicação social têm de alterar a
atitude, porque até podem conseguir dominar as direções, mas «há sempre alguém
que resiste, há sempre alguém que diz não». E, esse alguém – hoje pode ser
qualquer pessoa, pode ter uma estrutura ainda maior com ele, onde com um
simples clique e uma partilha no seu mural consegue mover montanhas e derrubar
regimes.
Ora aí
está a participação cívica ou democracia participada.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (28/09/2012)
sábado, 22 de setembro de 2012
Os nossos vizinhos… não terão razão?
Não
basta andar de cravo ao peito no dia 25 de Abril de cada ano. A democracia foi
consequência de vários anos de sufoco e a liberdade de expressão é contemplada
em documento próprio, devidamente aprovado e assinado pelas altas patentes do
Estado Português.
Recentemente,
o artigo “Os nossos vizinhos: Fafe” de Nuno Rocha Vieira, vimaranense, criou
uma enorme onda de contestação, em certos casos, a rossar a malcriadez e
brejeirice. Se o objetivo do articulista fosse atribuir estatuto de ‘gente
rude’, poder-se-ia afirmar que tinha conseguido, basta ver alguns comentários.
Contudo, independentemente do que se possa pensar e dizer, não vi o artigo como
uma provocação cerrada, mas como um alerta, visto que permite perceber a imagem
que têm da minha cidade.
Fafe
é grande em Fafe. Seria a conclusão mais rápida que se podia tirar de toda esta
confusão de palavras. Por muito que se brinque aos rallies ou ao ciclismo, isto
só acontece uma vez no ano. Será que é assim tão difícil perceber que só o
facto de passear pelas ruas de Guimarães é agradável? Sabem porquê? É muito
simples: eles preservam o património e dão-lhe vida! Fafe, bem pelo contrário,
faz muito alarido em torno das construções dos brasileiros, fruto do trabalho
de um estudioso persistente, Miguel Monteiro, mas na primeira oportunidade autoriza
que se derrube um edifício para dar lugar a um mamarracho de vários andares,
basta aparecer uma construtora que considere que dava um bom prédio naquele
sítio.
Isto
é cultura? Com tanto espaço para crescer, há mesmo necessidade de destruir a
identidade? Não seria muito mais inteligente recuperar os edifícios para
espaços comerciais ou escritórios?
No
meio de tudo isto, o texto que mais me cativou não foi o do articulista
vimaranense mas o de Leonor Castro. A classe com que construiu o seu texto foi
muito perspicaz, inteligente, direta. Não disse apenas que o vimaranense não
conhece bem Fafe, mas demonstrou através de excelentes exemplos que se
conhecesse teria muitas mais observações a fazer.
Agora,
sem ressentimentos e bairrismos, com a maior das naturalidades, imaginem se “os
nossos vizinhos” quando vêm a banhos à barragem, como diz o articulista,
parassem num dos nossos espaços comerciais para encher a lancheira com umas
‘cervejolas’, um queijinho, fiambre… e o pão caseiro de Fafe? Imaginem também
se eles tivessem a hipótese de parar em Fafe para provar a famosa vitela ou, os
mais novos principalmente, se imaginassem o quão é saboroso comer o cachorro ou
a francesinha no Jorge junto ao Estádio do Fafe? Certamente, não diriam mais
que Fafe só tem acessos para a barragem… mas para isso a política precisa de
mudar. Nós conhecemos, mais ao menos, o que temos, agora o que realmente é
preciso é saber aproveitar recursos naturais e patrimoniais e dar-lhes vida
(Animação Cultural e Artística).
Mas
isso não dá trabalho? Dá! Importa é saber se queremos abrir as portas a outros
concelhos ou ficar estupidamente sozinhos a armar-nos em ‘fortes, feios e
maus’.
Pedro Miguel
Sousa, in Jornal Povo de Fafe (22/09/2012)
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Quando os clubes não contratam jogadores da terra…
Não se
trata mesmo de bairrismo. Nem tão pouco qualquer tipo de crítica à gestão de
qualquer clube em particular. Trata-se de uma observação muito pessoal, ainda
que já sei partilhada por muitos, sobre as aquisições ou contratações dos
jovens jogadores do campeonato popular ou regional.
Longe
vão os tempos em que o objetivo dos clubes da regional se prendia com a ideia
de dar oportunidade aos jovens da terra onde a associação se encontrava sediada.
Orientar e incentivar os jovens para a prática desportiva fazia parte de um
plano que os dirigentes, ainda que a maior parte das vezes nem nisso pensassem,
procuravam entre aqueles que se propunham treinar dentro das quatro linhas em
exercícios de captação de atletas do futebol. O bairrismo era uma
característica inerente à situação, porque todos se conheciam, mas era saudável
e soberba a ideia de apoiar o clube dos amigos que se cruzavam em diferentes
momentos do dia-a-dia (café, escola, igreja…).
Hoje os
valores estão mais virados para outros interesses, muitas vezes pouco
transparentes. Levar o nome da terra deixou de ser um objetivo principal e
ganhou força o nome individual e, se possível, de um grupo restrito de
‘pseudo-empresários futebolísticos’ que se consideram os melhores porque até
ficam em terceiro ou quarto e, se correr menos mal, até podem chegar à final.
Esta
situação é muito fácil de analisar: se um clube deixa de ter dirigentes da
terra também deixa de centrar as suas motivações na mesma, ainda que haja a
tentativa de alguma aproximação para não parecer muito mal e conseguir uns
apoios lá das juntas ou das câmaras locais.
Os
objetivos de um clube do popular ou da regional não são os mesmos dos clubes a
disputar o campeonato nacional. Em primeiro estão os jogadores da terra, depois
das proximidades e só depois, se já não for possível, é que se deveria recorrer
aos mais distantes. Isto permite rentabilizar recursos, dinamizar da mesma
forma o clube e contribuir para a prática desportiva dos jovens,
incentivando-os a uma vida saudável.
É claro
que há interesses que nos escapam (ou não) em recorrer a jogadores que habitam
a centenas de quilómetros, mas isso é outra guerra e isto é apenas uma opinião.
Bairrista? Nem por isso, apenas defensor do desporto de proximidade como
educação física.
Pedro Miguel Sousa, in
Jornal Povo de Fafe (07-09-2012)
sábado, 7 de julho de 2012
Um país que não exporta também não gera riqueza
Os
impostos são a arma do mais fraco. Faltam estudos para a criação de novas
empresas. Nem todos os cidadãos podem ser empresários. É vergonhoso a redução
desmedida de salários. Continuar a votar nos políticos profissionais é dar
esmolas chorudas aos ricos. Revolução de mentalidades precisa-se!
Este
país vive há muitos anos debaixo das teias do poder, mas não é de um poder
qualquer. Os políticos são acusados sistematicamente pelas trapalhadas que acontecem,
embora a lógica seria essa, ou seja, eles mandarem e por isso serem apontados
quando alguma coisa falha, a verdade é que a maior parte das vezes não passam
de ‘paus mandados’ ao serviço dos grandes interesses económicos. O resultado de
tudo isto sobra sempre para o lado mais fraco: como não podem impor-se contra o
grande capital, viram-se para o povo ou melhor para os seus impostos. Carga
fiscal sobre carga fiscal.
Já
começa a cansar ouvir tantas referências à necessidade de criar novas empresas,
pequenas e médias dizem eles, mas a grande questão que se impõe é: Empresas de
quê? Portugal é um país extremamente pequeno, mas tem muitas potencialidades
que podem incidir sobre muitos e diferentes sectores, mas para isso é preciso,
de uma vez por todas, concentrar energias e criar um plano de intervenção, não
só para criar empresas com vista à exportação mas sobretudo que não se
atropelam mutuamente neste retângulo minúsculo. Ao mesmo tempo, importa
perceber que nem todos podem ser empresários, nem todos podem abrir uma
mercearia ou um café, mas todos podem e devem contribuir, por isso, ao pensar
em novos investimentos, é importante pensar no número de trabalhadores
necessários e apoiar as empresas que iniciam atividade e conseguem reunir nos
seus quadros o maior número de trabalhadores. Se uma empresa produz vai gerar
riqueza, se tem trabalhadores vão pagar impostos, vão comprar casa, logo estão
todos a contribuir para a riqueza do país. É preciso mais alguma coisa?
Nenhum
país avança com o descontentamento da sua população. O ordenado miserável
proposto aos enfermeiros, e não só, é o sinal da fraqueza de um estado que
apostou muito dinheiro na formação de profissionais e que agora os quer impedir
de exercer as suas funções. Será isto sinal de inteligência? Não seria mais
firme uma posição de rentabilização de recursos de modo a distribuir
profissionais qualificados por outras valências de acompanhamento social, onde
os utentes tantas vezes são tratados como lixo por gente sem escrúpulos?
A
grande preocupação dos políticos não passa de todo pela governação do país, mas
pela obediência aos seus chefes, aos patrões que lhes garantem a candidatura de
quatro em quatro anos. Alinhar com o partido é a regra base para quem precisa
manter o seu tacho. As teorias sobre empreendedorismo, património, educação… e
tantas outras não passam de farsas, porque na hora da verdade, as ideias ficam
na cabeça ou o lançamento de livros nas gavetas, porque impor-se contra os
‘tubarões’ é assassinar o ordenado gigante.
Revolução
de mentalidades precisa-se!
Pedro Miguel
Sousa, in Jornal Povo de Fafe (06-07-2012)
sexta-feira, 22 de junho de 2012
CR7, de bestial a… ainda mais bestial
A
cultura portuguesa é muito previsível. Começa a roçar o sempre o mesmo e com
isso deixa de ter graça. Quando os heróis nos servem, são bajulados como se
fossem deuses, mas quando algum contratempo se torna num empecilho para
alcançar a vitória, aí a coisa muda de figura. Que raio de sociedade sem sal!
Não
se pode elogiar as pessoas só porque nos dão alegrias ou até algum jeito para
uma ou outra necessidade da nossa vida ou porque são pessoas importantes e ‘até
podemos vir a precisar delas’. As pessoas têm que ser tratadas com dignidade
sempre e todas da mesma forma. A história é a melhor professora que nos fala de
casos em que grandes momentos foram liderados pelos mais fracos, sem que
tivessem de recorrer à força ou à violência, pois esta é a arma dos maiores
inúteis, os mais desprovidos de conhecimento e cultura cívica.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
S. Francisco de Assis: A troca da vida farta pela pobreza
Ainda que possa não parecer, às vezes paro para pensar no que escrevo. Acredito que muitas das minhas palavras não são as mais apreciáveis, mas quem manda ler os meus artigos? As pessoas são livres e, tal como elas, a liberdade do meu pensamento ultrapassa qualquer limite de correntes e obsessões, medos e fantasias de mundos tão ofuscados por poderes controladores.
Eu sou livre porque penso e o (meu) pensamento não pode ser aprisionado.
Eu sou livre porque penso e o (meu) pensamento não pode ser aprisionado.
sábado, 26 de maio de 2012
A venda
O que
realmente importa não são mais as conversas. A felicidade invade o espírito e,
sem preocupações futuras, surge o aroma de um tempo doce. A verdade, tantas e
tantas vezes tida como sentido único, compreende que é preciso dar tempo ao
tempo. Mas a sintonia das coisas mais naturais, atiram-se entre a espada e a
parede, numa brincadeira de meninos, até compreender o que realmente ‘agora’
importa: aproveitar o momento.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Durante 7 anos nem uma palavra de louvor, mas agora precisam de todos…
Aceita-se quase tudo da política, nunca do jornalismo!
Deixar que tudo possa ser dito é um teste, não à resistência porque essa é cada vez maior mas aos princípios do jornalismo e sobretudo enquanto pessoas. Não se pode dizer o que se quer e ouvir o que nos convém. A política perdeu a credibilidade porque os interesses pessoais foram colocados à frente dos interesses das comunidades, mas aceitar que se faça o mesmo no jornalismo é demais.
sexta-feira, 30 de março de 2012
O triunfo dos Porcos
O romance ‘Animal Farm’ de George Orwell relata a revolução dos animais de uma quinta. Um velho e respeitado porco, apercebendo-se que a sua vida estava a chegar ao fim e sentindo o quanto esta valia, reuniu os animais da quinta e explicou-lhes que a sua condição miserável devem-na à tirania dos homens que os exploram. Os animais resolvem fazer uma revolução e expulsam o dono da quinta e criam os ‘sete mandamentos’. Como nem todos conseguem decorar os sete mandamentos, devido à estupidez e limitações de alguns, estes foram reduzidos à máxima: ‘Quatro pernas bom, duas pernas mau’.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Quem escolheria para promover a sua empresa ou associação: os que têm uma maior qualificação académica ou os que bebem mais vinho?
Novas técnicas criativas para empresas de sucesso!
Os critérios para a seleção de recursos humanos não são há muito tempo os mais indicados nos manuais universitários. Já estamos fartos de ouvir falar dos lugares disponíveis na função pública que logo são preenchidos por familiares ou amigos dos poderes instalados. Há uma classe que merece uma atenção especial neste momento de aflição financeira na Europa, os amigos de (muitos) copos.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Motivo de orgulho não é jantar com uma mulher diferente todos os dias, mas sim convencer a mesma a jantar connosco!
Dia dos namorados
Numa sociedade ainda muito dominada pelo homem, a postura do galã ou talvez do playboy é das poucas referências que a maioria dos homens tenta alimentar e de se gabar aos amigos. No percurso da adolescência para a juventude contabiliza-se a quantidade de cerveja e outros produtos menos lícitos, os mais velhos viram-se para as conquistas, embora muitas delas só obtidas pelo recurso ao dinheiro.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Os idosos não são objectos!
Numa simples conversa informal, onde se discutiam os prós e contras da vida dos idosos em lares, soubemos que, durante o estágio de formandos em geriatria, alguns idosos tapavam a cabeça com as mãos quando estes abriam simplesmente a porta dos seus quartos. As conclusões não podem ser mais evidentes: há lares que não tem gente capaz para ocupar os cargos necessários para lidar com PESSOAS e diretores dimitidos das suas funções; existem famílias que depositam os seus idosos num local e não querem saber se os tratam, pelo menos, com dignidade.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
O Cão que me fez parar
No primeiro dia do ano, a tarde merecera alguns momentos de passeio quando uma ideia repentina me avivara a memória dos presépios que tanto queria ver naquela aldeia da Póvoa de Lanhoso, logo a seguir a Serafão. Num percurso cauteloso, a atmosfera era contagiante de uma terra enobrecida por mais uma daquelas ideias que faz parar o trânsito ou, pelo menos, desperta a curiosidade dos viajantes mais apressados que, certamente, mais tarde não hesitarão em parar.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Noite de Natal
O frio abraça as ruas desertas na aldeia, enquanto no interior das casas o calor da família reunida se mistura com o brilho das lareiras. Casacos grossos, gorros e cachecóis protegem as passagens rápidas entre as casas da família antes e depois de uma ceia tão rica, tão doce, tão humana. É noite de Natal.
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