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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

E se em FAFE as ESCOLAS DESOCUPADAS fossem OCUPADAS com os melhores projetos culturais e artísticos?



Em Braga já acontece! Em Fafe, podia acontecer... quanto mais não fosse, disponibilizar espaços desocupados (escolas...) para que as associações se instalassem! Mas isto digo eu... não precisam concordar!!!





sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

É preciso acabar com o coronelismo


     Coronéis e seus Jagunços. Senhoras da sociedade muito religiosas e defensoras extremas da moral e dos bons costumes. Os Maridos são clientes assíduos do ‘Bataclan’ e as esposas não passam de objetos ao serviço das necessidades básicas daqueles que as possuem como uma propriedade: «Suba que vou-lhe usar». O marido tem direito, a esposa tem dever. O homem tem as suas necessidades e a mulher não pensa, não sente, não estuda, não trabalha…
     A reposição da novela inspirada na obra de Jorge Amado, “Gabriela, Cravo e Canela”, está a chegar ao fim e confesso que fui um espetador muito atento. As palavras daqueles que tiveram a oportunidade de visualizar a primeira versão mereciam-me uma atenção especial. A descrição de uma sociedade escandalizada com a apresentação de situações, em nada aceitáveis para gente de bem, contrastava com a necessidade de ‘querer’ ver mais. Crítica e aplauso? Simplesmente o retrato de uma sociedade…
     Depois de tantos anos, a “Gabriela” continua a ter espetadores. Continua a fazer sentido e, principalmente, ainda é um retrato por excelência de tantas e tantas situações da sociedade, principalmente dos meios mais provincianos. Agora os coronéis são outros, mas ainda há alguns jagunços. As mulheres têm direitos, mas também continua a existir as ‘defensoras da moral e bons costumes’ como antes, com todos os defeitos e mais alguns… daqueles defeitos que só os outros têm, apenas até ao dia em que os seus são conhecidos. Na Igreja ainda há os que só pensem em dinheiro, recorrendo à ‘caridade’, porque bem-aventurados são os pobres… Os bordéis reúnem os mesmos argumentos e na política, às vezes, ainda aparece o coronel e seus jagunços…
     Acabar com o ‘coronelismo’ era a motivação maior de Mundinho Falcão. O contraponto entre a sociedade hipócrita, defensora acérrima dos usos e costumes mas com mais defeitos do que os outros, e a sociedade progressista que pretende abrir horizontes e proporcionar uma vida mais igual entre os povos. A obra acaba bem. Tem um final feliz. E na vida real?
     Continua a ser preciso acabar com os coronéis e seus jagunços!
               Pedro Miguel Sousa, 
in Jornal Povo de Fafe (18 de Janeiro de 2013)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Cidadania participada?


                11h45! A campainha está prestes a tocar e o pensamento será mais uma vez interrompido para dar lugar à última aula da manhã. O tema é a União Europeia. Não poderia ser mais adequado ao momento. Sobretudo porque foi aprovado um dos orçamentos mais contestados. A sala de aula propunha o local ideal para um debate aceso.
                A campainha está a dar o sinal. Volto já!
                13h23! O almoço é indispensável para continuar o trabalho e a vida. Não. Não foi uma aula acesa. No fundo da sala ouve-se uma voz em meio-tom: “Política, não gosto nada”. Depois de marcadas as presenças e sumariado o assunto em análise, as primeiras palavras vão no sentido de uma explicação, mais uma vez, sobre a necessidade de conhecer e interagir com as organizações que nos governam, mesmo sem grande apreço, estas são fundamentais à nossa vida. Dependemos de estruturas políticas, económicas e sociais. Participar nelas é mais do que um dever, é uma obrigação. A nossa não participação significará a ascensão de políticas que podemos não concordar. A aula seguiu mesmo o planeado, a simbologia e os tratados da EU foram analisados e apenas surgiram dúvidas de circunstância, sem que alguma vez se sentisse a necessidade de enveredar por temas mais destacados no momento.
                A política é um tema pouco promissor. É claro que há quem opte por seguir o rumo político e se afigure como um elemento indispensável à boa organização de um partido ou grupo de cidadãos, mas não está a ser nada fácil chamar a atenção dos mais jovens para esta questão que a todos diz respeito. São trapalhadas atrás de trapalhadas. São atropelos à democracia. Bofetadas nos valores. Maquiavélicas ações cumpridas à risca.
                A política está descaracterizada. Os jovens não acreditam. A política é uma seca.
                Resta-nos seguir o programa e colocar informação sobre a mesa. Fomentar o espírito crítico num mesmo espírito aberto, antidogmático e tolerante. Incentivar à construção de um discurso argumentativo, sempre atento às questões sociais. A participação cívica é matéria lecionada nos bancos da escola. Os discursos ‘abrilescos’ são construídos na base destes mesmos princípios, mas os exemplos lançados sobre a sociedade não beneficiam as palavras do discurso elegante no dia do cravo.
                Cidadania participada?
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (30-11-2012)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A maior autonomia das pessoas reflete o avanço cultural de qualquer cidade


             Ao analisar o percurso de diversos grupos culturais, recreativos e desportivos, surgiram três elementos que se afiguram como barreiras ao progresso de qualquer instituição: inveja, vaidade e oportunismo.
            Nenhuma cidade pode evoluir se os seus habitantes não se prepararem culturalmente. Embora tenhamos consciência que cabe quase tudo na noção ‘cultura de um povo’, não se pode aceitar tudo e esperar que as pessoas morram para mudar hábitos, até porque a cultura vai-se construindo ao longo do tempo pela educação, seja ela formal ou informal, nos bancos da escola ou meramente através da transmissão oral de conhecimentos.
            A cidade de Fafe é uma cidade muito rural. Agarrada a bairrismos mais ou menos agradáveis, mas deixa-se conotar facilmente por uma cidade provinciana que presta vassalagem a políticas do Estado Novo. Mostrar às pessoas que elas não são mais nem menos do que ninguém não é tarefa fácil. As pessoas, herdeiras dessa ditadura salazarista, continuam agarradas à ideia do feudalismo ou do ‘senhor’, onde os que possuem mais terras merecem obediência. O grande problema é que há muitos que se aproveitam desta ingenuidade sem qualquer escrúpulo. É triste viver ainda assim em pleno século XXI, não é?
            A igreja católica, uma referência ‘ainda’ na vida das pessoas, devia ter uma palavra a dizer aos ‘pobres de espírito’. Mas em muitos lados é a própria igreja que fomenta estas práticas, ao abrir portas aos ‘senhores’ para que eles comandem os destinos dos povos das terrinhas através do estatuto de comissários da fábrica da igreja que em muitos casos têm um só objetivo: tirar proveito pessoal e político perante a comunidade.
            Numa altura em que se aproxima o Natal, num ano em que se celebra o ‘Ano da Fé’, a Igreja precisa de repensar a sua forma de atuação como educadora de valores. Não serão as missas bonitas durante uma hora por semana que enchem a vida das pessoas, mas serão as palavras de incentivo à igualdade entre os semelhantes que tornarão o respeito mútuo muito mais vincado. A Igreja só sobreviverá se atualizar a sua atuação e para isso tem de se obrigar a evangelizar o que indica o catecismo e não as vontades de uns e de outros.
            Certamente que não é apenas esta cidade que precisa de uma renovação, mas é esta a ‘nossa cidade’. É esta a cidade que teima em não acordar para o progresso de ideias e rompe com tudo o que seja fútil. É esta a cidade onde ainda há quem se irrita porque o vizinho tem um carro novo ou também há quem se julgue o melhor só porque é presidente de uma associação qualquer. Isto hoje é ridículo, não só porque deveria ser visto como um dever cívico estar à frente de uma organização, mas também porque é das coisas mais fáceis constituir uma associação. Até já se pode abrir uma associação na hora!
            A cidade não era tão cinzenta se não fosse a inveja, a vaidade e o oportunismo a mandar na vida das pessoas.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (02-10-2012)

sábado, 27 de outubro de 2012

Hospital de Fafe - A vida por um fio


                A cidade de Fafe começa a ficar habituada a perder. Já não chegava a destruição do património, agora temos de assistir à perda de recursos que tão importantes eram em tempos para a distinção de uma vila, uma cidade ou um concelho. Não se compreende como é que se destrói um edifício por causa de um metro de terreno, será que os arquitetos ou engenheiros são tão incompetentes que não conseguem encontrar uma alternativa quando em causa está um edifício com características únicas e se revela uma marca fundamental na cultura de uma terra? Sinceramente, não acreditamos, achamos que se trata da falta de sensibilidade cultural dos líderes políticos, porque se conseguem projetar uma estrada com muros altos, também sabem projetar um metro ao lado e sem ter de construir suportes para alargar a estrada.
                O recurso à temática do património não é por acaso, mas porque este último mandato da Câmara vai ficar marcado pela destruição se não pararem com os seus planos que ninguém entende. De um momento para o outro, ou esgotaram as ideias e para mostrar trabalho sentem a necessidade de mexer no que foi construído, nem que seja só de mudar de um lugar para o outro como tinham a intenção de fazer com o Monumento à Justiça de Fafe, ou estão dispostos em aceitar tudo o que lhes impõem mesmo que em causa esteja a perda de recursos que fazem toda a diferença na afirmação da cidade e, muito mais, na qualidade de vida que todos merecem.
                Fafe é cada vez mais uma aldeia de Guimarães. Afinal de contas, o artigo causador de tanta polémica, “Os nossos vizinhos: Fafe” de Nuno Rocha Vieira, parece ter algum sentido: Hospital, Centro de Emprego e Tribunal já têm as chefias na grande cidade Vimaranense ou estão a caminho. Para falar claro, nem é muito isso que nos incomoda, se a população conseguir ser melhor atendida com esta reestruturação ainda bem, mas se isto implicar a dificuldade para chegar aos serviços o caso muda de figura.
                O que nos surpreende, no meio disto tudo, é a forma como o poder político em exercício lida com estas questões, no início fazem grande escândalo, redobrando-se em conferências de imprensa para mostrar a sua indignação, veja-se o caso da reestruturação das freguesias, e depois concordam com tudo o que vem de Lisboa. Obviamente, isto até se percebe, se não fizerem muitas ondas conseguem orientar melhor as suas pretensões político-partidárias. Mas será que estas posições de quem lidera uma comunidade são as ideais? Ou será que deveriam lutar até às últimas consequências pelos interesses da população?
                No grupo “Em defesa do Hospital de Fafe”, recentemente criado no Facebook por Eugénio Marinho, advogado e político fafense, este escreve: «Tudo está a ser feito para o Estado se "livrar" do Hospital de Fafe e entregá-lo à Misericórdia. Devemos impedir esse negócio que nos privará em definitivo de termos um hospital público, como sucede desde o 25 de Abril. E o mais grave é que o negócio está a ser feito com a cumplicidade da autarquia.» Não podemos avaliar se o melhor para Fafe é o Hospital ser do estado ou privado, mas defendemos o serviço de saúde como defendemos a educação, ou seja, saúde e educação pública e para todos.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (26-10-2012)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Um dia na Malafaia ou arranjos grátis em casa de idosos e carenciados durante todo o ano?


            Num tempo perturbado pela crise económica e social, as prioridades das autarquias precisam ser revistas. O que preferem as pessoas: comer e beber até não poder mais, num só dia, ou ter alguém que lhes dê apoio na manutenção da sua habitação durante todo o ano?
            A Câmara Municipal de Fafe resolveu colocar à discussão pública uma série de situações, talvez as mais polémicas, numa tentativa de desresponsabilização se algo correr mal, mas no que pode sacar uns votinhos aos idosos nem lhe mexe, muito pelo contrário, no último encontro já fora prometida mais uma investida na Malafaia para o próximo ano de 2013. É positivo dar a oportunidade às pessoas de se pronunciarem, o problema é que antes não o fizeram e algumas obras correram mal (o parque da cidade ou o parque de betão armado), agora têm de minimizar os danos e por isso já importa o que o ‘povo’ tem a dizer. Como diz o ditado: “é melhor tarde do que nunca”. Não seria importante dar a oportunidade às pessoas se preferem um dia na Malafaia ou arranjos grátis em casa de idosos e carenciados durante todo o ano?
            A Câmara Municipal de Odivelas, na voz da sua Presidente, «Não faz festas popularuchas» e canaliza essas verbas para apoiar gratuitamente as pessoas idosas e com carências financeiras, tendo alargado neste momento aos desempregados. Mas esta Câmara não se concentra apenas nos mais idosos ou desprotegidos, aos alunos do primeiro ciclo oferece os manuais escolares.
            As prioridades são sempre discutíveis. As necessidades das pessoas são distintas. A realidade deste país, infelizmente, é só uma e não se advinha risonho o futuro próximo. Apesar de não conhecer quem orientava os destinos da Câmara de Odivelas, muito menos a sua cor partidária (pesquisei na internet e vi que é do PS), não poderia deixar de destacar a atitude desta autarca que dá primazia o interesse da comunidade, através destas iniciativas, canalizando os dinheiros públicos para o melhor servir os cidadãos do seu concelho. É para isto que todos são eleitos, não para o cacique e a continuada preocupação com o ato eleitoral, mas para oferecer às pessoas, principalmente os mais desfavorecidos, proteção social. Um país que tem gente a passar fome não é um país digno. Não chega empanturrar as pessoas um dia por ano, é preciso dar-lhe apoio durante todo o ano.

Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O poder das redes sociais é o maior desespero dos políticos


            A sociedade está em guerra aberta. Se até agora as estruturas governamentais convocavam reuniões para debater e incentivar a atividade cívica e a necessidade da envolvência das pessoas, hoje já deixou de ser uma prioridade, porque as pessoas resolveram definitivamente usar as redes sociais (sites, blogues, facebook, twiter…) e nada nem ninguém consegue bloquear o seu pensamento, as suas observações e indignações.
            A participação direta dos cidadãos, finalmente, é uma realidade. “A fome é má conselheira” e “quando não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Estes provérbios poderão aplicar-se ao que poderá acontecer se a classe política não arrepiar caminho. Quando falamos de classe política não estamos apenas a referir-nos aos Ministros do Estado Português ou aos deputados da Assembleia da República, estamos a referir-nos a todos, principalmente aos que usam e abusam de pequenos poderes lá na cidade ou na aldeia. Ainda há pessoas que pensam estar no tempo de Salazar e que podem pôr e dispor do estatuto de intocáveis, porque são protegidos pelo clero e pela nobreza, o grande problema é que o povo está a perceber que tem voz e pode usá-la, sem ter de passar por nenhum crivo mal-intencionado.
            Neste preciso momento, a sociedade é um campo minado ou, se preferirem, um barril de pólvora pronto a explodir. Se pretendermos uma sociedade equilibrada e que oriente as suas ações pela racionalidade e harmonia, mesmo em tempo de luta, os governantes necessitam repensar a sua forma de atuar com urgência. O ‘quero, posso e mando’ começa a não ter sentido, até porque a falta de empregos, onde muitos se agarravam para oferecer e/ou chantagear os que pretendiam ter por perto, está a deixar as suas armas sem munições. As autarquias controladoras de empresas, associações e, mesmo muito, da comunicação social têm de alterar a atitude, porque até podem conseguir dominar as direções, mas «há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não». E, esse alguém – hoje pode ser qualquer pessoa, pode ter uma estrutura ainda maior com ele, onde com um simples clique e uma partilha no seu mural consegue mover montanhas e derrubar regimes.
            Ora aí está a participação cívica ou democracia participada.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (28/09/2012)

sábado, 22 de setembro de 2012

Os nossos vizinhos… não terão razão?


            Não basta andar de cravo ao peito no dia 25 de Abril de cada ano. A democracia foi consequência de vários anos de sufoco e a liberdade de expressão é contemplada em documento próprio, devidamente aprovado e assinado pelas altas patentes do Estado Português.
            Recentemente, o artigo “Os nossos vizinhos: Fafe” de Nuno Rocha Vieira, vimaranense, criou uma enorme onda de contestação, em certos casos, a rossar a malcriadez e brejeirice. Se o objetivo do articulista fosse atribuir estatuto de ‘gente rude’, poder-se-ia afirmar que tinha conseguido, basta ver alguns comentários. Contudo, independentemente do que se possa pensar e dizer, não vi o artigo como uma provocação cerrada, mas como um alerta, visto que permite perceber a imagem que têm da minha cidade.
            Fafe é grande em Fafe. Seria a conclusão mais rápida que se podia tirar de toda esta confusão de palavras. Por muito que se brinque aos rallies ou ao ciclismo, isto só acontece uma vez no ano. Será que é assim tão difícil perceber que só o facto de passear pelas ruas de Guimarães é agradável? Sabem porquê? É muito simples: eles preservam o património e dão-lhe vida! Fafe, bem pelo contrário, faz muito alarido em torno das construções dos brasileiros, fruto do trabalho de um estudioso persistente, Miguel Monteiro, mas na primeira oportunidade autoriza que se derrube um edifício para dar lugar a um mamarracho de vários andares, basta aparecer uma construtora que considere que dava um bom prédio naquele sítio.
            Isto é cultura? Com tanto espaço para crescer, há mesmo necessidade de destruir a identidade? Não seria muito mais inteligente recuperar os edifícios para espaços comerciais ou escritórios?
            No meio de tudo isto, o texto que mais me cativou não foi o do articulista vimaranense mas o de Leonor Castro. A classe com que construiu o seu texto foi muito perspicaz, inteligente, direta. Não disse apenas que o vimaranense não conhece bem Fafe, mas demonstrou através de excelentes exemplos que se conhecesse teria muitas mais observações a fazer.
            Agora, sem ressentimentos e bairrismos, com a maior das naturalidades, imaginem se “os nossos vizinhos” quando vêm a banhos à barragem, como diz o articulista, parassem num dos nossos espaços comerciais para encher a lancheira com umas ‘cervejolas’, um queijinho, fiambre… e o pão caseiro de Fafe? Imaginem também se eles tivessem a hipótese de parar em Fafe para provar a famosa vitela ou, os mais novos principalmente, se imaginassem o quão é saboroso comer o cachorro ou a francesinha no Jorge junto ao Estádio do Fafe? Certamente, não diriam mais que Fafe só tem acessos para a barragem… mas para isso a política precisa de mudar. Nós conhecemos, mais ao menos, o que temos, agora o que realmente é preciso é saber aproveitar recursos naturais e patrimoniais e dar-lhes vida (Animação Cultural e Artística).
            Mas isso não dá trabalho? Dá! Importa é saber se queremos abrir as portas a outros concelhos ou ficar estupidamente sozinhos a armar-nos em ‘fortes, feios e maus’.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (22/09/2012)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Quando os clubes não contratam jogadores da terra…


            Não se trata mesmo de bairrismo. Nem tão pouco qualquer tipo de crítica à gestão de qualquer clube em particular. Trata-se de uma observação muito pessoal, ainda que já sei partilhada por muitos, sobre as aquisições ou contratações dos jovens jogadores do campeonato popular ou regional.
            Longe vão os tempos em que o objetivo dos clubes da regional se prendia com a ideia de dar oportunidade aos jovens da terra onde a associação se encontrava sediada. Orientar e incentivar os jovens para a prática desportiva fazia parte de um plano que os dirigentes, ainda que a maior parte das vezes nem nisso pensassem, procuravam entre aqueles que se propunham treinar dentro das quatro linhas em exercícios de captação de atletas do futebol. O bairrismo era uma característica inerente à situação, porque todos se conheciam, mas era saudável e soberba a ideia de apoiar o clube dos amigos que se cruzavam em diferentes momentos do dia-a-dia (café, escola, igreja…).
            Hoje os valores estão mais virados para outros interesses, muitas vezes pouco transparentes. Levar o nome da terra deixou de ser um objetivo principal e ganhou força o nome individual e, se possível, de um grupo restrito de ‘pseudo-empresários futebolísticos’ que se consideram os melhores porque até ficam em terceiro ou quarto e, se correr menos mal, até podem chegar à final.
            Esta situação é muito fácil de analisar: se um clube deixa de ter dirigentes da terra também deixa de centrar as suas motivações na mesma, ainda que haja a tentativa de alguma aproximação para não parecer muito mal e conseguir uns apoios lá das juntas ou das câmaras locais.
            Os objetivos de um clube do popular ou da regional não são os mesmos dos clubes a disputar o campeonato nacional. Em primeiro estão os jogadores da terra, depois das proximidades e só depois, se já não for possível, é que se deveria recorrer aos mais distantes. Isto permite rentabilizar recursos, dinamizar da mesma forma o clube e contribuir para a prática desportiva dos jovens, incentivando-os a uma vida saudável.
            É claro que há interesses que nos escapam (ou não) em recorrer a jogadores que habitam a centenas de quilómetros, mas isso é outra guerra e isto é apenas uma opinião. Bairrista? Nem por isso, apenas defensor do desporto de proximidade como educação física.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (07-09-2012)

sábado, 7 de julho de 2012

Um país que não exporta também não gera riqueza


            Os impostos são a arma do mais fraco. Faltam estudos para a criação de novas empresas. Nem todos os cidadãos podem ser empresários. É vergonhoso a redução desmedida de salários. Continuar a votar nos políticos profissionais é dar esmolas chorudas aos ricos. Revolução de mentalidades precisa-se!
            Este país vive há muitos anos debaixo das teias do poder, mas não é de um poder qualquer. Os políticos são acusados sistematicamente pelas trapalhadas que acontecem, embora a lógica seria essa, ou seja, eles mandarem e por isso serem apontados quando alguma coisa falha, a verdade é que a maior parte das vezes não passam de ‘paus mandados’ ao serviço dos grandes interesses económicos. O resultado de tudo isto sobra sempre para o lado mais fraco: como não podem impor-se contra o grande capital, viram-se para o povo ou melhor para os seus impostos. Carga fiscal sobre carga fiscal.
            Já começa a cansar ouvir tantas referências à necessidade de criar novas empresas, pequenas e médias dizem eles, mas a grande questão que se impõe é: Empresas de quê? Portugal é um país extremamente pequeno, mas tem muitas potencialidades que podem incidir sobre muitos e diferentes sectores, mas para isso é preciso, de uma vez por todas, concentrar energias e criar um plano de intervenção, não só para criar empresas com vista à exportação mas sobretudo que não se atropelam mutuamente neste retângulo minúsculo. Ao mesmo tempo, importa perceber que nem todos podem ser empresários, nem todos podem abrir uma mercearia ou um café, mas todos podem e devem contribuir, por isso, ao pensar em novos investimentos, é importante pensar no número de trabalhadores necessários e apoiar as empresas que iniciam atividade e conseguem reunir nos seus quadros o maior número de trabalhadores. Se uma empresa produz vai gerar riqueza, se tem trabalhadores vão pagar impostos, vão comprar casa, logo estão todos a contribuir para a riqueza do país. É preciso mais alguma coisa?
            Nenhum país avança com o descontentamento da sua população. O ordenado miserável proposto aos enfermeiros, e não só, é o sinal da fraqueza de um estado que apostou muito dinheiro na formação de profissionais e que agora os quer impedir de exercer as suas funções. Será isto sinal de inteligência? Não seria mais firme uma posição de rentabilização de recursos de modo a distribuir profissionais qualificados por outras valências de acompanhamento social, onde os utentes tantas vezes são tratados como lixo por gente sem escrúpulos?
            A grande preocupação dos políticos não passa de todo pela governação do país, mas pela obediência aos seus chefes, aos patrões que lhes garantem a candidatura de quatro em quatro anos. Alinhar com o partido é a regra base para quem precisa manter o seu tacho. As teorias sobre empreendedorismo, património, educação… e tantas outras não passam de farsas, porque na hora da verdade, as ideias ficam na cabeça ou o lançamento de livros nas gavetas, porque impor-se contra os ‘tubarões’ é assassinar o ordenado gigante.
            Revolução de mentalidades precisa-se!

Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (06-07-2012)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

CR7, de bestial a… ainda mais bestial


            A cultura portuguesa é muito previsível. Começa a roçar o sempre o mesmo e com isso deixa de ter graça. Quando os heróis nos servem, são bajulados como se fossem deuses, mas quando algum contratempo se torna num empecilho para alcançar a vitória, aí a coisa muda de figura. Que raio de sociedade sem sal!
            Não se pode elogiar as pessoas só porque nos dão alegrias ou até algum jeito para uma ou outra necessidade da nossa vida ou porque são pessoas importantes e ‘até podemos vir a precisar delas’. As pessoas têm que ser tratadas com dignidade sempre e todas da mesma forma. A história é a melhor professora que nos fala de casos em que grandes momentos foram liderados pelos mais fracos, sem que tivessem de recorrer à força ou à violência, pois esta é a arma dos maiores inúteis, os mais desprovidos de conhecimento e cultura cívica.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

S. Francisco de Assis: A troca da vida farta pela pobreza

Ainda que possa não parecer, às vezes paro para pensar no que escrevo. Acredito que muitas das minhas palavras não são as mais apreciáveis, mas quem manda ler os meus artigos? As pessoas são livres e, tal como elas, a liberdade do meu pensamento ultrapassa qualquer limite de correntes e obsessões, medos e fantasias de mundos tão ofuscados por poderes controladores.


Eu sou livre porque penso e o (meu) pensamento não pode ser aprisionado.

sábado, 26 de maio de 2012

A venda


            O que realmente importa não são mais as conversas. A felicidade invade o espírito e, sem preocupações futuras, surge o aroma de um tempo doce. A verdade, tantas e tantas vezes tida como sentido único, compreende que é preciso dar tempo ao tempo. Mas a sintonia das coisas mais naturais, atiram-se entre a espada e a parede, numa brincadeira de meninos, até compreender o que realmente ‘agora’ importa: aproveitar o momento.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Durante 7 anos nem uma palavra de louvor, mas agora precisam de todos…

Aceita-se quase tudo da política, nunca do jornalismo!
Deixar que tudo possa ser dito é um teste, não à resistência porque essa é cada vez maior mas aos princípios do jornalismo e sobretudo enquanto pessoas. Não se pode dizer o que se quer e ouvir o que nos convém. A política perdeu a credibilidade porque os interesses pessoais foram colocados à frente dos interesses das comunidades, mas aceitar que se faça o mesmo no jornalismo é demais.

sexta-feira, 30 de março de 2012

O triunfo dos Porcos

O romance ‘Animal Farm’ de George Orwell relata a revolução dos animais de uma quinta. Um velho e respeitado porco, apercebendo-se que a sua vida estava a chegar ao fim e sentindo o quanto esta valia, reuniu os animais da quinta e explicou-lhes que a sua condição miserável devem-na à tirania dos homens que os exploram. Os animais resolvem fazer uma revolução e expulsam o dono da quinta e criam os ‘sete mandamentos’. Como nem todos conseguem decorar os sete mandamentos, devido à estupidez e limitações de alguns, estes foram reduzidos à máxima: ‘Quatro pernas bom, duas pernas mau’.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quem escolheria para promover a sua empresa ou associação: os que têm uma maior qualificação académica ou os que bebem mais vinho?

Novas técnicas criativas para empresas de sucesso!
Os critérios para a seleção de recursos humanos não são há muito tempo os mais indicados nos manuais universitários. Já estamos fartos de ouvir falar dos lugares disponíveis na função pública que logo são preenchidos por familiares ou amigos dos poderes instalados. Há uma classe que merece uma atenção especial neste momento de aflição financeira na Europa, os amigos de (muitos) copos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Motivo de orgulho não é jantar com uma mulher diferente todos os dias, mas sim convencer a mesma a jantar connosco!

Dia dos namorados
Numa sociedade ainda muito dominada pelo homem, a postura do galã ou talvez do playboy é das poucas referências que a maioria dos homens tenta alimentar e de se gabar aos amigos. No percurso da adolescência para a juventude contabiliza-se a quantidade de cerveja e outros produtos menos lícitos, os mais velhos viram-se para as conquistas, embora muitas delas só obtidas pelo recurso ao dinheiro.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Os idosos não são objectos!

Numa simples conversa informal, onde se discutiam os prós e contras da vida dos idosos em lares, soubemos que, durante o estágio de formandos em geriatria, alguns idosos tapavam a cabeça com as mãos quando estes abriam simplesmente a porta dos seus quartos. As conclusões não podem ser mais evidentes: há lares que não tem gente capaz para ocupar os cargos necessários para lidar com PESSOAS e diretores dimitidos das suas funções; existem famílias que depositam os seus idosos num local e não querem saber se os tratam, pelo menos, com dignidade.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Cão que me fez parar

No primeiro dia do ano, a tarde merecera alguns momentos de passeio quando uma ideia repentina me avivara a memória dos presépios que tanto queria ver naquela aldeia da Póvoa de Lanhoso, logo a seguir a Serafão. Num percurso cauteloso, a atmosfera era contagiante de uma terra enobrecida por mais uma daquelas ideias que faz parar o trânsito ou, pelo menos, desperta a curiosidade dos viajantes mais apressados que, certamente, mais tarde não hesitarão em parar.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Noite de Natal

O frio abraça as ruas desertas na aldeia, enquanto no interior das casas o calor da família reunida se mistura com o brilho das lareiras. Casacos grossos, gorros e cachecóis protegem as passagens rápidas entre as casas da família antes e depois de uma ceia tão rica, tão doce, tão humana. É noite de Natal.