sexta-feira, 22 de junho de 2012

CR7, de bestial a… ainda mais bestial


            A cultura portuguesa é muito previsível. Começa a roçar o sempre o mesmo e com isso deixa de ter graça. Quando os heróis nos servem, são bajulados como se fossem deuses, mas quando algum contratempo se torna num empecilho para alcançar a vitória, aí a coisa muda de figura. Que raio de sociedade sem sal!
            Não se pode elogiar as pessoas só porque nos dão alegrias ou até algum jeito para uma ou outra necessidade da nossa vida ou porque são pessoas importantes e ‘até podemos vir a precisar delas’. As pessoas têm que ser tratadas com dignidade sempre e todas da mesma forma. A história é a melhor professora que nos fala de casos em que grandes momentos foram liderados pelos mais fracos, sem que tivessem de recorrer à força ou à violência, pois esta é a arma dos maiores inúteis, os mais desprovidos de conhecimento e cultura cívica.


            Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo, não foi feliz na sua prestação frente à Dinamarca, as redes sociais invadiram-se de críticas, mas neste jogo eu jamais embarcaria, até porque se nós ficamos tristes por não termos visto um resultado melhor, certamente que Ronaldo, o próprio jogador, sofreu muito mais do que qualquer um adepto por não ter conseguido alcançar o objetivo pretendido. Mas não se fez esperar e foi só ter um pouco de paciência, o melhor dos melhores encarou o jogo com a Holanda com muita garra e o seu brilhantismo esteve lá, por      que os que são realmente bons também têm momentos maus mas rápido se recuperam.
            À imagem de Cristiano Ronaldo, a sociedade portuguesa tem muita gente com grandes qualidades. É certo que para a maioria dos portugueses ‘ninguém é santo na sua terra’, mas está na hora de acreditar mais nas potencialidades dos nossos, porque se aparecer uma dor, nem que seja no dedo mindinho, quem está lá para socorrer são os mais próximos.
            Quanto às invejas, o carro melhor do que o vizinho, a casa com jardim topo de gama, não passam de meras futilidades de gente desocupada. Se as invejas atingem outros patamares, principalmente em questões culturais e princípios cívicos, só há uma solução: ler muito e ter um comportamento exemplar, sem atropelar os amigos só para estar sempre (pensam) numa posição superior, porque as terras não têm donos, só a propriedade individual, até podem ter melhores ou piores administradores, mas estes estão lá para servir e não para mandar nas pessoas e, se pensam que mandam, devem ter cuidado porque a roda tanto anda como desanda.
            Obrigado Ronaldo pela alegria, obrigado a todos os Ronaldos anónimos pelo exemplo na sociedade: 11 por todos e todos por 11.

Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (22/06/2012)

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