sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Não acredites em tudo o que te dizem, informa-te!


A informação é um direito que assiste a todos os cidadãos, mas nem todos estão disponíveis para se debruçar sobre assuntos que à partida parecem mais complexos e que possam dar algum trabalho de pesquisa e análise. Esta atitude, pouco inteligente, faz com que os mais oportunistas joguem com as suas capacidades e sejam idolatrados, obviamente até ao dia em que a verdade factual aparece. O grande problema é quando esta ‘verdade’ chega tarde, porque já fez muitos cometerem erros e jamais permitirá que se corrijam a tempo de evitar confusões ou trapalhadas.
Não é fácil incentivar as pessoas para uma leitura continuada. Não é mesmo nada fácil, principalmente se estivermos a pensar num país muito ruralizado e que tem o futebol e, às vezes, a missa como o único meio de aquisição de algum conhecimento, visto que a escola já ficou bem lá para trás. Como em tudo na vida, cada um tem os seus gostos e assim deve continuar, mas não deveria tomar as verdades que lhes dizem sem que as questione e, depois de uma análise, as tome como suas ou as rejeite. A população portuguesa está envelhecida, mas ser velho não é um defeito é mais um dos momentos da construção da pessoa. Por isso, nunca é tarde para aprender nem para ganhar novos hábitos e, sem dúvida, a leitura seria uma boa opção.
Se as pessoas lessem mais, se procurassem informação, não se deixariam iludir pelas falas de gente que nada ou pouco sabe, mas porque leu umas coisas até parece que sabe muito e depois conseguem enganar facilmente qualquer um que seja desprotegido culturalmente. Por tudo isto, é importante saber que ‘um bom contador de histórias não é o mesmo que um bom historiador’.
As gerações mais novas, felizmente, já dominam as novas tecnologias, o que faz com que elas mesmas pesquisem quando não sabem do que se está a falar, basta colocar no motor de busca e este leva-as de imediato ao que procuram, mas os mais velhos não se dão a esse trabalho e isto só faz com que as nossas gentes continuem a acreditar em histórias ilusórias e rejeitem a verdade, principalmente se se trata de ‘politiqueiros’ que só lhes querem caçar o votinho e se dizem capazes de tudo fazer até porque são muito amigos dos senhores do poder, mas no final, quem preferiu a fantasia, lá terão de dizer que afinal… havia outra!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (30-09-2011)

1 comentário:

  1. Há muita informação disponível a quem a queira, mas também há desinformação... e os meios de comunicação têm culpas. Acho que o maior desafio que temos hoje, não é em encontrar informação, mas em distinguir informação de sensacionalismo.

    No outro dia fui parada pela polícia. No centro da cidade. Hora de ponta. Imenso trânsito. E mandam-me encostar depois de uma curva apertada. O senhor polícia achava que me tinha visto ao telefone. Param o carro atrás do meu e nem os 4 piscas ligam. Pedem-me a carta, mas nem o livrete do carro pedem para ver. Passam a multa que dizem que vai para a minha morada. E quando eu pergunto pela multa por estarmos (eu e eles) mal estacionados e pôr em risco outros condutores, o senhor diz "eu sou agente da autoridade e eu é que decido se se pode parar ou não". Disse-lhe que não era bem assim porque podíamos causar um acidente. Ele diz que eu só teria motivos para reclamar se houvesse de facto um acidente (??!!) e que a GNR até na autoestrada manda parar carros e que a autoridade é que sabe.

    Disse-lhe que os agentes da autoridade não estão acima da lei. Mas acabam por estar. Porque a grande maioria das pessoas faz tudo o que a polícia diz sem questionar. Quando a multa chegar eu não a vou pagar. A Constituição da República reconhece aos cidadãos a presunção de inocência e põe da parte que quem acusa a responsabilidade da prova. Independentemente de todas as coisas que aqueles polícias fizeram de errado, o mais grave foi aquela frase "eu sou agente da autoridade e eu é que decido".

    Enquanto nos continuarmos a abaixar...

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