sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ser jornalista não é fácil…


Na primeira pessoa!
Nunca tive o jornalismo como actividade profissional, mas sempre procurei cumprir com os valores do jornalismo e o código deontológico. Em mais de dez anos, ao serviço do jornalismo local, já tive vários dissabores, desde ameaças de morte a pancadaria, o mais engraçado no meio disto tudo é que todas as ameaças só surgem em tempo de eleições, o que nos leva a questionar: são estes que defendem a democracia?
Ainda não me calaram e, para falar muita verdade, agora sou eu quem não quer falar. Que ninguém pense que é por medo de ameaças ou de indivíduos mal formados, apenas porque já percebi que basta escrever uma vez, são muitos que no momento nos condenam por relatar o que está a acontecer, mas depois são os primeiros a dizer que ‘afinal tinha razão’. É nessa altura que eu sempre digo: «Desculpe, mas não tenho culpa!».
A velhice é um posto e, por isso, já não tenho paciência para ouvir e calar. A maior parte das pessoas que se julgam superiores aos outros nunca tiveram muita sorte comigo, em primeiro porque nasci de uma família humilde, que tudo o que tem foi fruto de muito trabalho e sempre me ensinou a olhar para os outros como iguais. Depois, porque também fui seminarista, o que muito me orgulha na minha formação humana assim como o facto de ter sido formado pelos classicistas, e fui preparado para me sentar à mesa com pobres e com ricos. Sei comer com todos os garfos e não colocar os cotovelos em cima da mesa, mas adoro uma bela churrascada e ficar com as mãos gordurentas. Já comi umas sandes e uma sopa em tascas ranhosas, mas também já estive em jantares de gala daqueles que têm orquestras a receber os convidados. Não sou melhor do que ninguém, mas não admito que se superiorizem perto de mim, principalmente se em causa estiverem pessoas com poucas capacidades para se defenderem!
Na primeira pessoa, tal como desenhei esta crónica, quero fazer uma homenagem especial a todos aqueles que diariamente se vêem confrontados com situações pouco transparentes, onde os seus empregos ou até as suas vidas podem ficar em causa se não fizerem o que os chefes ordenam, e mesmo assim têm coragem para enfrentar esses obstáculos. Quero saudar quem acredita na democracia, mesmo sem a apregoar. E, por fim, dizer a todos os leitores que a vida é bem mais interessante quando aprendemos a valorizar tudo o que nos rodeia, sejam as pessoas, as pedras, as flores, os rios…
Já agora, façam o favor de serem felizes, porque eu faço o mesmo!

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