sexta-feira, 20 de maio de 2011

É preciso sair do conforto para o confronto


Os queixumes são características dos fracos, não dos que têm incapacidades mas dos que as têm e não fazem nada porque ‘parece mal’, ‘não fica bem’ ou ‘não é remunerado’…
A experiência é uma excelente forma de se conseguir contrariar as ordens pré-estabelecidas, muitas delas na desordem. Ninguém faz falta e todos são precisos, principalmente se for para apoiar os nossos desejos e anseios, mas quando não interessam já ninguém os quer por perto porque atrapalham as nossas investidas e os nossos objectivos mais ou menos obscuros. Este é o lema de quem trabalha de forma muito pouco clara, o mais engraçado é que quando descobrem que foram usados voltam para trás, mas muitas vezes já é tarde demais!
Na verdade, nem todos têm o privilégio do ‘filho pródigo’. Quando a ambição é mais alta do que o passo que se pode dar, só há uma saída, a ‘queda’. Também há a história ‘se caíres, levanta-te’, ‘se voltares a cair, levanta-te novamente’, mas se saíres do lado de quem te diz a verdade, toma atenção, porque podes querer voltar e já ninguém quer saber de ti. Mesmo que digas que erraste, o mal está feito e nem todos querem ou têm a capacidade de perdoar setenta vezes sete.
É tão agradável dizer a verdade! Nem sempre é o caminho mais fácil, pelo contrário, muitas das vezes era melhor dizer umas mentirinhas só para enganar e depois logo se via o que ia dar, mas se fizéssemos isso estávamos a ser como tantos outros, o melhor é mesmo dizer a verdade e depois, mesmo que se revoltem contra o que dissemos, é só esperar, dar tempo ao tempo, a verdade aparece e voltamos a ser os heróis… voltamos a estar em grande, porque o que dizíamos afinal estava certo e começam as ‘mil e uma’ justificações e pedidos de desculpa.
É tão agradável conseguir ver mais à frente!
Contudo, este conselho não pode ser para toda a gente, porque é preciso estofo para aguentar as adversidades da vida. Também não pode ser para aqueles que dependem de determinados cargos para viver, porque podem pôr em risco o alimento dos filhos e o seu, mas pode ser para pessoas que só dependem do seu potencial e não estão reféns de nenhuma corrupçãozinha manhosa para estar dependentes de indivíduos mal intencionados.
Se queremos conseguir melhores serviços na educação, saúde, cultura, infra-estruturas… ter empregos que à partida são sempre para os mesmos… temos de sair do conforto dos sofás e confrontar as distintas realidades, porque só assim se consegue um conforto colectivo.
Mas, se estiverem à espera que os outros o façam por si, então é melhor conformar-se, porque os outros, que nunca quiseram nada senão igualdade, têm objectivos diferentes e já têm cargos melhores do que aquilo que vocês cobiçam.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (20-05-2011)

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