sábado, 24 de março de 2012

Jornadas Literárias,

Uma aposta ganha na exploração e divulgação do património material e imaterial
O concelho de Fafe foi palco de uma série de eventos culturais, recreativos e literários nestas últimas semanas. Esta iniciativa, liderada pelo professor Carlos Afonso, é já uma referência do que de bom se faz em prol da cultura e tem potencial para se tornar num evento de referência nacional e internacional, bastará apenas acrescentar duas ou três atividades pelo meio.

As Jornadas Literárias de 2012 chegaram a mais aldeias, o que demonstra uma estratégia inteligente, não só na envolvência das escolas com as respetivas atividades mas também com a exploração do imenso património material e imaterial do concelho. Nem tudo são aspetos totalmente ganhos, uma vez que o apelo à participação nem sempre é conseguido, mas sê-lo-á com uma contínua envolvência das pessoas nestes programas. Já o mesmo não se pode dizer do apelo à participação na grande festa da cidade, pois aí as pessoas vão e participam ativamente como já acontece há muitos anos, por exemplo, com o cantar de reis.
Estas atividades, sem dúvida, são uma aposta bem conseguida e a organização não só deve continuar como aumentar os seus objetivos. Se as Jornadas Literárias ainda não conseguiram destaque nos jornais nacionais, como acontece com o Encontro de Vilar de perdizes ou as Feiras do Fumeiro de Montalegre ou Vinhais, é simplesmente pela sua tenra idade. Primeiro é preciso nascer, depois crescer e na maturidade é que se ganha o protagonismo. Não é o que acontece com os escritores, poetas, escultores, pintores… ou seja nas artes em geral? Não é de Jornadas Literárias que estamos a falar?
Independentemente de abrir noticiários, o mais importante é mesmo que este tipo de atividades aconteça e que se movimente as pessoas em torno do que mais genuíno lhes pertence, seja na representação ou na evocação de memórias e tradições ou na demonstração das atividades nas diferentes organizações em que participam. Fafe é uma terra de muitas associações e estas respondem afirmativamente aos mais diversos apelos, por isso, venham mais iniciativas, sejamos criativos. Mas se as Jornadas Literárias querem mesmo tornar-se uma referência fora de Fafe terão de abrir as portas e permitir a entrada a pessoas e grupos de referência (escritores, poetas, grupos de teatro…). Se ficarem pela prata da casa apenas se promove o já promovido na cidade (às vezes parece que os intelectuais em Fafe são só dois ou três), mas se organizarem, por exemplo, debates em torno da literatura com escritores de referência, mesmo que só seja um, as televisões, as rádios e a imprensa escrita vão querer estar presente.
O sucesso está certamente na continuada envolvência das pessoas e associações do concelho, assim como na passagem pelas freguesias e na exploração do que estas têm de referência, mas está na hora de abrir a festa ao país.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (23-03-2012)

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