sábado, 17 de março de 2012

Aquele abraço

Uma escrita consciente!
Criticados por alguns e amados por muitos, a história da literatura está repleta de brilhantes casos de escritores que só ganharam reconhecimento após a sua morte, deixando um vasto legado à humanidade que ainda hoje temos o privilégio de ler, estudar e investigar e deliciarmo-nos entre as maravilhas de mundos mais ou menos imagináveis ou revoltarmo-nos com as atrocidades retratadas numa sociedade de vícios e injustiças. A escrita é essa faca de dois gumes, ora corta sem dor nem piedade ora serve para barrar a manteiga no pão saboroso.

Escrever uma crónica não é o mesmo que escrever uma obra literária. Quando experimento escrever um poema, um texto dramático, um conto ou mesmo mais um capítulo de um romance, sinto-me sobretudo um recetor da minha própria escrita. O mesmo não acontece com as crónicas, estas são mesmo o que quero dizer. Ou seja, nas primeiras escuto e falo nas segundas!
O Jornal Povo de Fafe, desde o ano 2005, atribuiu-me um espaço para expressar as minhas ideias. Há imagem de tantos outros escritores e jornalistas, sou criticado por alguns mas também sei que sou admirado por outros, até porque já cheguei à fase em que as pessoas sentem necessidade de me criticar ou de me dar os parabéns. Agora sei que a minha escrita tem importância! Agora já tenho a certeza que sou lido!
Analisando um pouco do meu percurso, posso dizer que há duas atitudes com as quais aprendi a conviver: a primeira diz respeito ao jornalismo noticioso – as pessoas que não tinham coragem para denunciar algumas situações políticas de favorecimentos vinham ter comigo porque eu escrevia fosse o que fosse, mas se um dia tivesse de escrever alguma situação que as envolvesse já deixava de ser o homem de coragem. As conclusões eram óbvias, as pessoas tinham inveja de alguns lugares estarem ocupados por outras e não por elas. A segunda atitude refere-se à escrita de crónicas e esta, sem dúvida, é a que mais me impressiona e faz-me bem ao ego - são as pessoas que olham para mim, depois voltam a olhar e repentinamente dizem: ‘A sua cara não é estranha. Conheço-o de algum lado. Já sei, escreve no jornal. Olhe que gosto muito do que escreve!’
Depois de todos estes anos chego à conclusão que a minha escrita é sobretudo para as pessoas anónimas e para aquelas, mesmo conhecidas, que se reveem somente no que escrevo. Estes leitores são o meu público preferido porque não esperam nada de mim senão a minha escrita, revendo as suas ideias muitas vezes nas minhas palavras, não porque elas sejam melhores do que as suas, apenas porque eu as escrevo num espaço nobre que o Jornal Povo de Fafe me concede.
A minha escrita não é mesmo para agradar castelos, nem tão pouco pretende ser uma referência nos manuais de literatura, mas é de certeza consciente e isso basta para agradar a humanidade e quem sabe um pouquinho a Deus.
Obrigado, JORNAL POVO DE FAFE!
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (16/03/2012)

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