sexta-feira, 2 de março de 2012

Estado paga 5 euros para avaliar casas… Às vezes o tiro sai pela culatra

A correria a este novo serviço despontou uma onda de contestação, ainda que camuflada, em muitas repartições de finanças do país. Alguns dos selecionados são pessoas já muito bem colocadas no mercado de trabalho, algumas das quais em regime de acumulação na função pública. Numa altura em que os jovens licenciados já não conseguem emprego com facilidade nestas áreas e até há os que têm formação específica em avaliação de imóveis, as palavras de protesto foram proferidas mas de uma forma muito superficial por medo de represálias.

Este é o clima que se vive em Portugal em algumas cidades. Podemos todos tentar tapar o sol com a peneira ou pintar as ruas de cores quentes, mas à medida que nos vamos entranhando no modus operandi destas localidades menos vontade temos de colaborar com estas atitudes tão mal intencionadas para o serviço público. No meio disto tudo, o que pode deixar ainda mais intrigado um cidadão que paga todos os seus impostos é saber que alguns dos escolhidos são pessoas com cargos de responsabilidade nas câmaras municipais e que para assinar uma licença é preciso andar a pedir favores e sacrificar os pobres dos cabritos.
Na notícia avançada pelo Jornal I, de 29 de Fevereiro deste ano, pode ler-se: «Ambas as ordens já tinham sido avisadas de que o preço pago este ano seria inferior aos 16 euros de 2009, que já tinha sido reduzido 10% em 2011. Agora houve um novo corte, de 36,8%». O mesmo artigo aponta ainda que «Os peritos a recrutar devem ter experiência em avaliações imobiliárias e receberão dois dias de formação específica dada pelas Finanças. O ministério oferece-lhes um contrato de prestação de serviços, mas a Autoridade Tributária e Aduaneira avisou já que “prevê que a função de perito local exija disponibilidade total” e também que “não serão pagas despesas de deslocação”».
Para quem está habituado a receber muito e pensava que estava aqui a galinha de ovos de ouro, vê aqui as voltas trocadas. O país está sem dinheiro e é preciso rentabilizar os recursos para fazer frente ao conceito de país despesista que se cultivou no pós 25 de Abril. Na nossa opinião, alguém que no início de carreira teve de pegar numa mochila às costas e ir trabalhar a recibos verdes na capital e receber de quatro em quatro meses, estas exigências são essenciais para travar os abutres privilegiados do sistema. Têm experiência, têm informação privilegiada sobre os concursos, têm conhecimentos… são sempre os que melhor se posicionam para rapar o que aparece de melhor. Nada de novo, era o que acontecia com muitos agricultores em lugares de destaque nas cooperativas, tinham conhecimentos dos apoios e as suas candidaturas eram as primeiras a ficar preparadas, depois, se houvesse, é que a informação corria para os outros sócios. Seja como for, há medidas que aparecem no momento certo para travar os oportunistas do sistema, por isso, se estamos num país de direito como tanto apregoam ao lado dos políticos que os acompanham, deixem estes novos cargos para os mais jovens que bem precisam!
Por um estado social de oportunidades para todos!
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (02/03/2012)

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