sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ano Novo, Vidas Preocupadas e Fafe sem visão


O novo ano iniciou e com ele todas as preocupações inerentes a um estado caótico do país. O marasmo apoderou-se do povo português e lá vai o tempo em que éramos detentores de meio mundo. Já não cantam os Lusíadas, nem nos serve a Mensagem de Pessoa, porque o sonho foi perturbado pelos tão afamados defensores da pátria. Pátria que chamam sua por direito e o é por nossa obrigação, querem eles, afinal apregoam que nos livraram das garras salazaristas, mas não se lembram que também são eles que nos tiram o pão.
Passeios em carros topo de gama, que não servem mais que uma legislatura, às vezes duas se não surgir qualquer demissão. Mas sentar-se no mesmo banco do anterior está sempre fora de questão. Em altos tamancos, lá tiram de quando em vez a gravata para parecerem ao povo como povo, embora não o são. Estes são os senhores, os ilustres fazedores do tal bem à nação.
A nação, por si só, já nada é mais do que uma ilusão de fronteiras abandonadas. Valha-nos isso, ao menos, para entrar nas terras dos nossos hermanos que vendem o combustível a preços mais humanos. Se Portugal nos persegue a memória, resta-nos agradecer à história de um Camões que nos exaltou e um Pessoa que sonhou: ‘Agora é a hora’ – exclamou. Por isso, resta-nos acordar, para a memória avivar, e depressa declinar todas as atrocidades até então. Demitam-se os ‘mal fazedores’, derrubem-se as tiranias, pois chegou a hora de um novo império ser construído em nome da sabedoria.
Terra de todos os feitios e mar de enorme dimensão, por que esperamos se sabemos que outrora este foi o caminho para impérios emergir?
Se o país está deste modo e Fafe pertence ao país, logo Fafe não me parece que vá encontrar um registo muito diferente, nestas palavras toscas, que encontrarão logo múltiplas observações, de outros sábios da razão.
Contudo, devíamos observar com maior atenção o que vai acontecendo (ou não) neste nosso concelho e perguntar se é desta forma que fazemos com que a nossa comunidade avance e a nossa indústria, comércio, turismo… possa sonhar com um futuro próspero. Por exemplo, na terça-feira passada, em Guimarães, foram apresentados os ‘Fins-de-semana Gastronómicos’, organizados pela Região de Turismo do Norte de Portugal, onde as autarquias presentes puderam apresentar os seus pratos e convidaram a que os participantes fossem expor aos seus respectivos concelhos, como é já comum, Fafe nem se deu ao trabalho de aparecer.
São estes, os erros crassos de quem nos governa. E voltamos sempre ao mesmo problema, Fafe é mesmo ‘A Sala de Visitas do Minho’, porque no Minho passa-se mais tempo na cozinha do que na sala, por isso, Fafe só serve mesmo para que os turistas façam ‘uma passagem’ e de preferência que não estejam muito tempo para não sujar as carpetes, porque depois dá mais trabalho ao limpar na Páscoa!
Será que não há visão capaz de traçar planos de intervenção que possam promover o concelho de Fafe e projectá-lo? Por muito que possam querer passar a mensagem de beleza, o certo é que Fafe não tem nada que cative as pessoas para parar em Fafe. Dizem que temos boa vitela, mas como já alguém questionou: onde se pode comer? Em que restaurante?
Talvez esta e outras questões pudessem ser apresentadas durante os ‘Fins-de-semana Gastronómicos’. Talvez se se aceitasse definitivamente que é preciso pegar na nossa cultura (património, tradições, gastronomia…) e contratar bons promotores, daqueles que reconhecem a necessidade de estar presentes, por exemplo, na promoção de turismo na FIL – Feira Internacional de Lisboa, que acontece todos os anos e Fafe nunca lá vai, e em criar mecanismos para a qualificação de casas de repasto com qualidade, talvez Fafe começasse a sair da sua ruralidade bacoca que até pode dar jeito, mas em nada nos engrandece e muito menos trará melhorias às futuras gerações.

Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (07-01-2011)

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