sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Em terra de Reis, quem tem um olho é mirolho!

O que será que acontece quando todos querem ser Reis e se deixam orientar pelos cegos? Nada mais fácil, o trono continua a ser apenas um, por isso, nunca poderá existir lugar na mesma cadeira, ainda que esta seguisse os modelos das bicicletas puxadas por duas ou mais pessoas… haverá sempre alguém que se cansa e ‘vai de boleia’ ou, melhor, ‘na pendura dos outros’.
Numa observação sociológica, mais ou menos atenta, ainda que muito rápida ao comportamento e intervenção dos mais hábeis e manhosos sobre os mais frágeis, deparei-me com uma situação de aproveitamento que nem queria acreditar. Ora vejamos, os indivíduos, astutos que nem raposas, conhecedores das manhas e artimanhas e um pouco mais favorecidos no meio de umas gravatas mal passadas, socorrem-se das suas proximidades, ainda que tidos como os mais pequenos entre os maiores, tentam fazer valer o seu grau de influencia: ‘Se precisar de alguma coisa… já sabe!’
Mas sabe o quê? Será que sabe que o poder é efémero? Ou será que o dourado das igrejas dura para sempre, o sol nasce só para uns e a lua nunca se põe para outros?
Nada disso! Tudo é efémero, tudo é transitório.
Retomando o texto anterior, descobrimos que os mais vulneráveis a situações de engano são aqueles, usando uma linguagem muito popular, ‘que se julgam importantes’. Estes, porque até são chefes de uma ou outra associaçãozita, basta dizer-lhes que terão apoio incontornável se apoiar uma candidatura, que os destacarão entre ‘os maiores’ e, às vezes, até os empregos melhores são prometidos. No final da cena, o pano cai. Os apoios não chegam, aos grandes nunca são apresentados, mesmo que sejam de pouco lhes vale, e os empregos não chegam para as encomendas.
Moral da história, como diz muitas vezes o meu pai, «Se és grande, faz-te pequeno». E, agora, digo eu: «Se és pequeno, estuda, lê e trabalha, porque também podes ser grande».
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (26-11-2010)

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