sábado, 12 de junho de 2010

As línguas clássicas são um excelente veículo para a estrutura mental

Saber fazer rápido, pode ser fácil. Saber fazer bem, também pode ser fácil. Saber fazer rápido e bem, pode já não ser tão fácil!
Perante um mercado cada vez mais competitivo, onde a formação base é obrigada a misturar-se com uma atitude dinâmica e multifuncional, resolvemos observar de perto o que é procurado pelas entidades que pretendem alargar os seus potenciais e afirmar-se no mercado nacional e, principalmente, internacional.
Ainda que as novas tecnologias sejam já uma ferramenta indispensável no dia-a-dia e quem não souber lidar com elas seja considerado ultrapassado, o certo é que estas só funcionam com uma verdadeira estrutura mental. Ou seja, os estudos humanistas são fundamentais para um equilíbrio de emoções que vão despontar uma aplicação de excelência na prática. Beber na fonte dos estudos clássicos, conhecer as suas regras e pensamentos, ouvir com atenção as suas obras e levá-las a uma prática consciente, isto é, estudar a língua dos gregos e dos romanos, traduzindo caso a caso (declinações) permite adquirir uma estrutura mental verdadeiramente arrumada. Esta acção, ainda que reconhecida mais tarde, leva o estudioso a aplicar essa mesma estrutura na sua forma de actuação do dia-a-dia, o que permite ganhar um ritmo de trabalho muitas vezes considerado alucinante, uma vez que permite fazer muitas coisas ao mesmo tempo e adaptar-se com facilidade a qualquer tipo de trabalho ou a ajustar a sua função dentro do seu próprio trabalho.
Esta forma de actuação não tem nada de impossível, bastaria que o estudo das línguas clássicas fosse obrigatório no terceiro ciclo ou no secundário, não se ganhava apenas a dinâmica, mas também a pessoa que dava menos valor ao virtual e mais ao humano, usava apenas o virtual para o essencial e nunca se deixava ultrapassar por este. Além do mais, saberia escrever correctamente o português, a cultura geral seria muito mais eficaz e, em vez de se discutir ‘o carrascão ou o presunto defumado’, os grandes filósofos ou poetas da comédia e da tragédia seriam alvo de observação espontânea, sem nunca se esquecer o néctar de Baco, obviamente!
Por uma cultura humanista para todos!
in Jornal Povo de Fafe (11-06-2010)
Pedro Miguel Sousa

2 comentários:

  1. É como tudo. Eu não tive línguas clássicas e não me posso queixar da minha estrutura e organização. Conheço pessoalmente quem prive com o grego e o latim e, no entanto, não se saiba exprimir de forma objectiva, coerente, assertiva, inteligível (ou coisa que o valha) ... Mas, sim, porque não? Claro que tem de haver sempre a opção para quem queira estudar. E é uma pena que o leque de disciplinas de escolha no secundário não seja mais alargado (mas penso que já o foi bem menos e, pela minha experiência, o digo...).

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