sexta-feira, 6 de novembro de 2009

José Carlos Nascimento, Fotógrafo


Na primeira fotografia, que mais não é do que a junção de duas imagens, é o sagrado e o profano que surgem lado a lado como que de uma competição se tratasse. Se a imagem da esquerda nos mostra uma ‘seta’ rumo ao céu, construída a partir de velas que ardem oferecidas nas promessas de fiéis, a da direita tem uma ‘seta’ para a terra, os prazeres mundanos.
Na segunda fotografia, os temas repetem-se, embora neste caso há uma multiplicação de sentido, uma vez que o contraste entre divino e profano ou céu e terra estão reflectidos em cada uma das partes de cada imagem, sendo a linha do horizonte o corte exacto para essa mesma realidade.
Claramente, há uma intenção de alerta expressa nestes dois trabalhos, uma proposta de análise do religioso e do profano ou apenas do bom e do mau, ou pode não ser nada das duas, mas é com certeza uma confrontação que o Homem consciente coloca diariamente no seu caminho, isto é, a linha imaginária do limite, as barreiras colocadas pela própria imaginação, embora sem qualquer parede que o proíba.

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