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sábado, 6 de janeiro de 2018

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Escultura de Albano Martins



Uma obra imponente do Escultor Albano Martins, Professor na ARCA (EUAC e EAC), para comemorar o centenário da Freguesia e Paróquia da Gafanha da Nazaré em Ílhavo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

“Limites da des-figuração”

A figura humana é posta à prova desde os primeiros momentos da tomada de consciência pelas criaturas. A descoberta do novo, causada pelo estranhamento, leva a uma procura constante das mais distintas funcionalidades de um membro corporal, um estímulo, uma sensação, um gosto, isto é, a tomada de consciência das variadas potencialidades distribuídas por um só corpo e formando uma só pessoa.
Numa exposição individual, a apresentar amanhã (30 de Abril) na Galeria de São Mamede no Porto, o Escultor Pedro Figueiredo questiona a construção humana ou, talvez, atribui-lhe o verdadeiro significado que tantas vezes nos parece utópico à luz da “des-igualdade” social. Pedro Figueiredo, em diversas peças desta exposição que ilustramos na peça ‘Instante’ reflecte o sentimento bíblico da união numa só carne. Os membros unidos dão origem a dois troncos, representando o Homem e a Mulher, o mesmo Homem e a mesma Mulher, os dois num só corpo, numa só alma, num só espírito. Eis a transformação anunciada, eis o momento tão desejado para a espécie humana.
No catálogo que servirá de elemento auxiliador a esta exposição, Pedro Pita, Professor da Universidade de Coimbra e actual Director Regional da Cultura do Centro, que escreve o texto de apresentação, refere que «Vistas em conjunto – ou melhor: circulando no espaço poético ou espectral definido por qualquer conjunto destas peças – fui ganho pelo sentimento de que estamos perante personagens de uma história enigmática, subterrânea, fantástica, onde não há olhares nem proporções porque é a um outro plano que a figuração desfigurativa de Pedro Figueiredo nos faz aceder.».
Ainda que possamos concordar com estas linhas orientadoras, a nossa imaginação leva-nos para um mesmo mundo fantástico, mas um mundo mais próximo do divino. Um mundo que se conjuga no ‘ser’ e no ‘existir’, a verdadeira existência humana, a procura constante de um equilíbrio num mundo desequilibrado. Se a exposição se intitula “Limites da des-figuração”, diríamos que os limites nada mais são do que o encontro da perfeição conjugados num mesmo tempo e num mesmo espaço, ainda não atingido na sua plenitude, mas que procura apontar como saída única num caminho desfigurado, tortuoso, mas possível de alcançar.
As peças apresentadas nesta exposição são na sua maioria em resina de poliéster, o que é mais usual neste artista plástico, mas são apresentadas também algumas em bronze. Pedro Figueiredo, natural da Guarda, licenciou-se em Escultura na Escola Universitária das Artes de Coimbra, onde viria também a concluir mais tarde o Mestrado em Comunicação Estética. Com participações em diversas exposições individuais e colectivas, destaca-se o Prémio Revelação da XII Bienal de Vila Nova de Cerveira, sendo este ano de 2011 artista convidado. Para além da sua exposição individual “Des-figuração”, que estará presente na Galeria SÃO MAMEDE a partir de amanhã, algumas das suas obras podem ser consultadas nas suas páginas www.pedrofigueiredo.pt ou http://pedrocfigueiredo.blogspot.com.
Pedro Miguel Sousa, in Caderno Cultural do Jornal Povo de Fafe (29-04-2011)


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

“Diacrítico” de João Rasteiro



«.a arte mais sublime de trespassar a morte é descansar num nevoeiro a arder de sangue. e mastigar a ferocidade das abismadas paisagens com a zoologia aberta do amor. na agonia da pura inocência. olhar o gume da lâmina prateada e amá-la exalando a sua boca atulhada em espaço lírico. no ventre suculento das algas. a renúncia do torpor é apenas a entrega incólume da candura e da vulva viva porque nos incutimos erectos. o fingimento que evoca a mulher sufocada nos ganchos quando o poeta faz de homem sábio. a magnólia cheirando a incesto nas palavras faustosas. cada golpe luminoso é a acutilante pujança das orquídeas negras do nosso próprio eco. a exígua morte.»
in Rasteiro, João, “Diacrítico” (VIII)
JOÃO RASTEIRO, poeta e ensaísta, nascido em Coimbra, apresenta o livro “Diacrítico” com a chancela da Editora Labirinto. A sessão realizar-se-á no dia 4 de Fevereiro (sexta-feira), pelas 18h30, na Casa da Cultura de Coimbra - Sala Sá de Miranda e será apresentada pela Professora Doutora Maria Irene Ramalho da Universidade de Coimbra. Leituras de poemas pelo poeta Jorge Fragoso e uma performance de dança por Cláudia Afonso, enriquecerão o evento.
“Diacrítico”, obra poética, apresenta-se como uma metamorfose da ordem natural das coisas, onde os sentimentos são invadidos por uma perturbação desconcertante no seu significado. Palavras atentas, escolhidas no mar, juntas na areia constroem esta nova natureza, que, na realidade, já não é nova, apenas esclarece uma ordem desordenada. Entre o poeta e a mulher volta o ‘fingimento’, semeado vezes sem conta, colhido por esta humanidade empobrecida, que caminha para a eterna morada.
Em “Diacrítico”, as palavras oscilam ‘entre a espada e a parede’. São palavras que não respiram ao respirar. São vozes que calam sem falar. São mensagens que passam sem um som se notar.
Nas palavras de Albano Martins, no prefácio à obra, «Empurrada por um vento que sopra do deserto, a linguagem carrega consigo algumas pétalas que vai deixando na página em branco. Portadoras dum sentido originário, genesíaco, as palavras abrem sulcos num terreno onde o significado se oferece pleno de potencialidades e sugestões, carimbando de decantada expressão o corpo do poema. Tudo, aqui, é alusão. Tudo é profecia, oráculo, metamorfose. Tudo é, também, delírio.» são as letras, assim, que se juntam nas palavras e ganham forma, conhecem um corpo e lhes permitem comunicar. Esse corpo, ladeado de sentidos contraditórios, ergue-se triunfante e aproxima o divino ao humano e o humano ao divido, como se a transformação fosse um sinal possível e a harmonia reinasse num reino sem trono. Tudo é fantasia. Tudo é ilusão. Tudo é metamorfose.
Biografia
João Rasteiro (Ameal - Coimbra, 1965), poeta e ensaísta, traduziu para o português vários poemas de Harold Alvarado Tenorio, Miro Villar e Juan Carlos Garcia Hoyuelos. É Licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Universidade de Coimbra. Trabalha actualmente na “Casa da Escrita” – Câmara Municipal Coimbra. É sócio da Associação Portuguesa de Escritores e membro dos Conselhos Editoriais das revistas Oficina de Poesia e Confraria do Vento (Brasil). Possui vários poemas publicados em várias revistas e antologias em Portugal, Brasil, Itália, Colômbia, Chile e Espanha e possui vários poemas traduzidos para o Espanhol, Italiano, Inglês, Francês e Finlandês. Obteve vários prémios, nomeadamente a “Segnalazione di Merito” do Concurso Internacional Publio Virgilio Marone, Castiglione de Sicilia, Itália, 2003, o 1º Prémio no Concurso de Poesia Cinco Povos Cinco Nações, 2004, o 1º prémio – na categoria de autores estrangeiros – do Premio Poesia, Prosa e Arti Figurative-Il Convívio (Verzella, Itália, 2004) e o Prémio Literário Manuel António Pina (Câmara da Guarda/Assírio & Alvim, 2010). Publicou os seguintes livros: A Respiração das Vértebras, 2001, No Centro do Arco, 2003, Os Cílios Maternos, 2005, O Búzio de Istambul, 2008, Pedro e Inês ou As madrugadas esculpidas, 2009, Diacrítico, 2010 e A Divina Pestilência, Assírio & Alvim, 2011. Em 2005 integrou a antologia: “Cânticos da Fronteira/Cánticos de la Frontera (Trilce Ediciones – Salamanca). Em 2007 integrou a antologiaTransnatural”, um projecto multidisciplinar sobre o Jardim Botânico de Coimbra. Em 2008 integrou a antologia e exposição internacional de surrealismo O Reverso do Olhar. Em 2009 integrou a antologia: “Portuguesia: Minas entre os povos da mesma língua – antropologia de uma poética”, organizada pelo poeta brasileiro Wilmar Silva e que engloba poéticas de Portugal, Brasil, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Em 2009 integrou o livro de ensaios “O que é a poesia?”, organizado pelo brasileiro Edson Cruz. Em 2010 integrou a antologia Poesia do Mundo VI, resultante dos VI Encontros Internacionais de Poetas de Coimbra organizados pelo Grupo de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Em 2009, organizou para a revista ARQUITRAVE da Colômbia, uma antologia de poesia portuguesa, intitulada “A Poesia Portuguesa Hoje”. Mantém em permanente irrupção o sísmico fulgor do blogue: http://www.nocentrodoarco.blogspot.com/
Pedro Miguel Sousa, in Caderno Cultural do Jornal Povo de Fafe (28/01/2011)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

José Carlos Nascimento, Fotógrafo


Na primeira fotografia, que mais não é do que a junção de duas imagens, é o sagrado e o profano que surgem lado a lado como que de uma competição se tratasse. Se a imagem da esquerda nos mostra uma ‘seta’ rumo ao céu, construída a partir de velas que ardem oferecidas nas promessas de fiéis, a da direita tem uma ‘seta’ para a terra, os prazeres mundanos.
Na segunda fotografia, os temas repetem-se, embora neste caso há uma multiplicação de sentido, uma vez que o contraste entre divino e profano ou céu e terra estão reflectidos em cada uma das partes de cada imagem, sendo a linha do horizonte o corte exacto para essa mesma realidade.
Claramente, há uma intenção de alerta expressa nestes dois trabalhos, uma proposta de análise do religioso e do profano ou apenas do bom e do mau, ou pode não ser nada das duas, mas é com certeza uma confrontação que o Homem consciente coloca diariamente no seu caminho, isto é, a linha imaginária do limite, as barreiras colocadas pela própria imaginação, embora sem qualquer parede que o proíba.