quarta-feira, 18 de maio de 2016

A Comunicação Social precisa investigar mais sobre os colégios…

     A recente polémica sobre o ensino privado está a aquecer muito as hostes políticas e as razões evocadas pela atual oposição não convencem nem um mosquito!
     Passos Coelho só teve uma ou duas semanas de glória após o último ato eleitoral, precisamente aquele imediato ao congresso, depois voltou ao azedume que não parece de quem soube fazer uma bela jogada para lançar o trunfo na hora certa. Faltará Miguel Relvas a orientar a estratégia?
     Os colégios privados com contrato de associação andam enfurecidos. Uns até podem ter alguma razão, mas serão muito poucos. ‘Razão’ só terão aqueles em que realmente há a necessidade da sua existência porque são a alternativa à falta de Escola Pública. É claro que desde já se pode questionar essa ausência, mas foram estratégias de outros tempos e, como tal, quem não pode ficar sem ensino são as crianças, adolescentes e jovens deste país. Os que não têm ‘razão nenhuma’ são todos aqueles que fazem concorrência com a escola pública. Se existe uma escola pública por perto, o estado não pode usar o dinheiro dos contribuintes para financiar esses colégios.
     No meio de toda esta problemática, no calor de tantas acusações como aquela do hipotético interesse do Ministro da educação, lançado por Passos Coelho, seria importante se a comunicação social fizesse um levantamento dos donos desses colégios e das ligações que eles têm com o mundo da política e até de alguns setores da religião. Não deixava de ser interessante obrigá-los a apresentar as suas contas bancárias antes e depois dos colégios, as suas casas e o seu parque automóvel… Se não der muito trabalho, até porque dizem que podem ir muitos professores e auxiliares para o desemprego, seria ótimo se se conhecessem os valores pagos por muitos desses colégios aos professores… certamente que se vão encontrar muitas surpresas. E, mais ainda, conhecer o que aconteceu a muitos professores que lhes foi proposto ver o seu salário reduzido e não aceitaram… contudo, cada caso é um caso, também não são todos maus, ok?
     Há, no entanto, alguns argumentos das famílias que devem ser considerados. Há famílias que optam por colégios, mesmo quando existe escola pública perto, só porque o pai e a mãe trabalham e os avós estão longe para cuidar dos netos como acontecia antigamente. É mais do que evidente que a realidade das famílias é muito diferente daquela que se vivia há trinta anos atrás e, se assim é, há que reconsiderar a forma de atuação do Estado em questões de matéria educativa. Se a natalidade é baixa, terão de ser equacionadas soluções. Os pais têm de sentir que os seus filhos estão protegidos enquanto eles estão nos seus empregos, logo o Estado ou reduz às horas do trabalho ou aposta nas atividades extra curriculares. Ou seja, se os colégios têm ensino extra curricular pago pelo estado, logo o estado pode ter essas atividades na escola ou em parceria com outras entidades, até para diferenciar o 'ensino formal' e o 'ensino não-formal'... Mas não tem é de andar a manter colégios privados em sítios onde existem escolas públicas, tem é de capacitar essas escolas para a realidade destes novos tempos.
     Só para que fique muito claro, não sou contra o ensino privado, entenda-se, mas no que respeita à sua subsidiação, considero que só deva existir n as condições estabelecidas por lei, isto é, quando não há escola pública perto. Se há escola pública nas proximidades, essa tem de ser financiada e não o colégio… e ponto final!


in Jornal Povo de Fafe (13-05-2016)

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