sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

2013 Empreendedor


     O próximo ano é aguardado com alguma reserva. As medidas aprovadas em sede parlamentar não deixam sossegado quem precisa do salário mensal para sobreviver, porque não conhece a sua real implicação no orçamento familiar. Numa situação dúbia só resta uma solução possível: Reinventar 2013.
     Apostar na criatividade pode tornar-se um escape excelente para uma vida desafogada. As melhores ideias têm de sair da gaveta e não é preciso saber escrever muito bem para o fazer. Empresários e empregados terão de perceber que a aposta na ‘meritocracia’ será a forma mais eficaz para um futuro próspero. Aceitar a opinião dos outros, independente do seu grau de formação, é aceitar a sua envolvência na ideia que, depois de devidamente analisada, se transformará em projeto e proporcionará um aumento de produtividade.
     Um papel, nem que seja as costas de um saco de cimento qualquer, uma caneta ou um lápis, mesmo daqueles de afiar na pedra, é suficiente para traçar a ideia. Não importa mesmo de onde ela surge, o que interessa é a forma como é apresentada. As empresas, muitas vezes, não precisam mais do que rentabilizar os gastos excessivos. Há empresas que gastam rios de dinheiro na fatura da luz, a maior parte das vezes deve-se ao facto de não repararem que não precisam de tantas lâmpadas ligadas ao mesmo tempo. Vejam-se as autarquias que resolveram apagar a iluminação a partir de uma certa hora da noite, não seria mais inteligente retirar algumas lâmpadas onde estão seguidas ou postes com três e deixar estar durante toda a noite? O que se tem verificado é um aumento de criminalidade e, claro está, depois de ficar tudo às escuras. Há zonas em que o roubo de cobre é constante… será altura de colocar um travão, não?
     Marques Mendes, numa notícia avançada pelo Jornal I, aquando da segunda Universidade Política do PSD/Lisboa, defendeu uma “revolução” nos poderes das câmaras, que devem privilegiar o "desenvolvimento social e económico" em detrimento das obras. A partir duma análise à ação das autarquias, mostra que «as câmaras municipais passaram por duas fases até hoje: Construção de infraestruturas básicas (anos 90) e mais recentemente pela construção de equipamentos (desportivos, de saúde, educativos ou sociais)» e conclui que «nas próximas eleições autárquicas é preciso "uma mudança de cultura e mentalidade".»
     A temática da “Revolução Cultural” já foi abordada por mim algumas vezes nas páginas deste Jornal. Do público ao privado, o País precisa repensar a sua forma de atuar. Muito mais importante do que estar munido das melhores infraestruturas, ter a melhor produção e programação faz a diferença enquanto afirmação da identidade de uma região ou, se se tratar de uma empresa, da qualidade no campo da competitividade. As melhores ideias não precisam de um ‘canudo’, embora o ‘canudo’ se afirme como uma mais-valia porque quem estiver melhor preparado vai saber dar àquela ‘ideia/projeto’ o melhor rumo.
     Neste ano de 2013 qualquer pessoa pode fazer a diferença na empresa ou entidade que o acolhe enquanto profissional ou que pode vir a acolher como tal, basta pegar na tal folha e na caneta ou no lápis e traçar as linhas mestras para o projeto dos projetos. Depois, com toda a humildade, apresentá-la ao seu Diretor ou Patrão. Já estes têm de criar uma forma de gratificar quem também contribui para o sucesso da entidade que representam. O melhor Diretor ou Patrão não tem de ser o que tem a melhor ideia, mas o que sabe ouvir, analisar e aproveitar as melhores ideias.
            Haja humildade e criatividade que o país avança. Força 2013.
                                                                                                                             
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (28-12-2012)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O mais belo conto de Natal


 “Vou buscar um paninho para cobrir o Menino.”
Salvador, 2 anos

     Lindo. Simplesmente magnífico. A inocência desta criaturinha de Deus. A ternura de um olhar sincero. Ainda lhe tentei explicar que o Menino não precisava porque as palhinhas eram quentes e a vaquinha e o burrinho também protegiam o menino com o seu respirar. Mas nada adiantou. Estava decidido. Não conseguindo mais nada, Salvador trouxe um pano de cozinha para aquela imagem que cabe na palma de uma mão. O importante era cobrir o Menino.
     - Não é preciso – disse eu. – É, é. Responde o Salvador de voz forte e determinada.
     O primeiro pano era enorme para um menino tão pequenino, mas como não o consegui demover da imagem de presépio convencionada, a qual nunca questionei, nem em sonhos, sugeri que pedisse um pano pequenino. Salvador logo se apressou a pedir à Avó: “Bózita, dá-me um paninho para cobrir o Menino.” Como é óbvio, a Avó logo se apressou em resolver o problema e encontrar a melhor solução.
    Isto não é uma estória, é mesmo a história mais bonita. A história de uma criança que sentiu um menino desprotegido no meio de todas aquelas figuras com as suas próprias vestes. O Menino não podia ficar ali ao frio. Os meninos não podem ficar ao frio. As pessoas têm de estar cobertas e protegidas.
   Quantas vezes pensámos nisto? Quantas vezes pensamos naqueles que têm frio, fome, sede e, principalmente, atenção? Bem pelo contrário. As preocupações dos adultos resumem-se às maiores futilidades de uma sociedade consumista que não sabe celebrar um Natal sem prendas. Tantas e tantas vezes essas prendas só servem de alegria durante dois minutos, o tempo suficiente para abrir e colocar na prateleira.
     O Natal é muito mais do que isto. O Natal é a celebração do nascimento. A festa da Família. A riqueza dos presentes da união, partilha e toda aquela alegria proporcionada pela azáfama das crianças nas casas onde se juntam os avós, os pais, os filhos, os primos, os sobrinhos, os tios… esta é a maior alegria do Natal.
   Aproveitando este lindo conto e ensinamento de um menino de 2 anos, desejo que seja simplesmente NATAL nas vossas casas.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (21-12-2012)

domingo, 9 de dezembro de 2012

Back to Life

12.12 | 14h30 | ARCA - Escola de Artes de Coimbra

Sinopse
Um bairro… um grupo… boné… música… arma… violência… amor… ilusão. Muita ilusão. Esta é a história, mais uma história igual a tantas outras, de um grupo de jovens. Apenas um grupo igual a qualquer outro. Num tempo e espaço específico. Onde as coisas acontecem do mesmo modo todos os dias. E depois voltam a acontecer…

Dramaturgia e encenação Pedro Sousa Cenografia Fernando Lardosa, Pedro Figueiredo, Hélio Moreira Figurinos Pedro Figueiredo Adereços Cristiana Carrito Luminotecnia Fernando Lardosa Sonoplastia João Nunes Interpretação Pedro Figueiredo, Flávia Sousa, Paulo Simão, Hélio Moreira, Cristina Almeida, Ana Rita, Débora Miranda, Eliana Mendes, Inês Ferreira, Ana Madeira, Susana Silva, Alexandre Carvalho, Diogo Madaleno, Cátia Monteiro, Carla Morais, Fábio Pereira, Inês Gomes, Alexia Silva Fotografia José Carlos Nascimento, Cindy Manta Vídeo Flávio Neves Writer SDK Frederico Castanheira Design gráfico Rui Veríssimo dur. aprox. 0:50 

sábado, 8 de dezembro de 2012

A blogosfera está a enriquecer Fafe


                Escrever é um hábito que se adquire e não se consegue parar por muito tempo. Se num passado ainda recente não era muito fácil ver os textos publicados, as novas tecnologias trouxeram um novo fôlego à comunicação e há mais gente a contribuir para o desenvolvimento cultural e social das comunidades e do país.
                Sempre me identifiquei com a liberdade de imprensa, o que me permitiu aceitar com a maior das naturalidades o surgimento destas ferramentas. Depois de longos meses e muita informação online, Fafe tem uma rede de blogues plural e diversificado. E se até há bem pouco tempo não se olhava para a blogosfera como uma realidade fidedigna, hoje esta barreira está praticamente ultrapassada, devendo-se a dois fatores fundamentais: identificação das fontes (indivíduos já conhecidos de outras lides e outros que vão surgindo no mesmo grupo) e a seriedade como são tratados os assuntos. Num olhar rápido sobre a blogosfera em Fafe, encontramos no Blog Montelongo, o impulsionador de toda esta rede agora existente, a troca de opiniões sobre os mais variados assuntos da vida cívica. O blog JORNAL de FAFE, em muito pouco tempo de vida, conseguiu ganhar a confiança das instituições ao analisar pelas notas de imprensa lá encontradas e publicadas também na imprensa escrita. Na Falaf Revista Cultural de Fafe está lá uma enorme recolha de informação sobre aspetos culturais do concelho. Há também blogues que nos mostram as atividades das associações e outros pessoais mais ligados a atividade criativa e opinativa.
                Nos mais distintos blogues leem-se umas coisas interessantes, uns bitaites, umas arrufadas mais ou menos severas, mas o mais brilhante de tudo isto, para mim, é a oportunidade de conhecer gente, locais, história e histórias fantásticas do meu concelho que de outra forma não tinha hipótese. É certo que a imprensa escrita é um meio fundamental para a comunicação e divulgação do que se passa no concelho, mas a blogosfera torna-se um complemento por excelência.
                Deste modo, a cultura em Fafe está a tornar-se mais e melhor. O processo de construção ainda está no início mas a participação ativa é merecedora de destaque. Há mesmo muita gente a interessar-se e a usar este meio de comunicação. Uns lançam-se em projetos individuais outros coletivos e alguns em uns e outros. Se até agora só eram conhecidas algumas individualidades que escreviam umas coisas, mais ou menos agradáveis dependerá sempre da impressão de cada um, a realidade está a transformar-se finalmente e, sobretudo, felizmente para a projeção deste ‘nosso’ concelho de Fafe.


Nota de esclarecimento:
Na crónica do dia 23 de Novembro de 2012, “Hora de mudar de rumo ou continuar na mesma?”, escrevemos o seguinte sobre as Jornadas Literárias: «... enquanto uns trabalharam voluntariamente outros, segundo informações de participantes, faziam-se pagar por horas extras ao serviço da autarquia. (…) Se realmente é verdade,…». Na semana seguinte fomos informados que os funcionários envolvidos são da área da cultura e que «… a Câmara não paga horas extras a ninguém, absolutamente ninguém, da área da cultura». Voltando a abordar as nossas fontes, fomos confrontados com uma observação diferente: «… o que acontece é que têm altos salários, mas a iniciativa parte de fora. Eles é que deveriam tomar a iniciativa». Neste sentido, verifica-se que há leituras diferentes do inicial, não se fala agora de ‘horas extras’ mas de iniciativas, o que não foi por nós abordado. Contudo, a autarquia não é uma entidade sem fins lucrativos, se recorre aos funcionários tem de lhes pagar. Quem deveria ou não ‘tomar as iniciativas’ é outra questão que não importa para este caso.
Seja como for, importa repor a verdade, reconhecer a falha de comunicação e o facto de não termos confrontado previamente a situação com a autarquia. A bem da verdade, não poderíamos deixar de pedir desculpa e de ressalvar que nesse mesmo artigo tecemos elogios a duas pessoas que consideramos de muito valor e trabalham ambos na área da cultura, Artur Coimbra e Jesus Martinho, o que seria um contrassenso a crítica e o aplauso simultâneo. Por tudo isto, lamentamos o sucedido e fica claro que a autarquia não pagou qualquer hora extra durante o evento. A verdade acima de tudo!

Pedro Sousa, in Jornal Povo de Fafe (08-12-2012)