sábado, 20 de outubro de 2012

Mapa feito à revelia da Assembleia revela erros graves na identidade cultural das freguesias


Respeito mas não concordo!
Liberdade, igualdade e fraternidade são princípios orientadores de gente que pensa e que procura o equilíbrio entre seus semelhantes, todo o homem é livre!
                Na última Assembleia Municipal, sendo esta extraordinária para debater a junção de freguesias, notou-se claramente o único propósito na junção de certas aldeias: dar oportunidade de recandidatura a alguns presidentes de junta em fim de mandato. Embora o objetivo primasse pela votação unanime, visto que o Executivo não apresentou uma proposta e transferiu para a Assembleia a apresentação de uma proposta e essa é que seria votada, aconteceram dois erros graves na elaboração e posterior votação: em primeiro lugar, a Comissão composta pelo Presidente da Assembleia e um Membro de cada partido não só foi obrigada a ‘fechar-se em copas’, através de um acordo de cavalheiros que nada transmitiriam para o exterior, até que a proposta chegasse à Assembleia (obviamente uns cumpriram e outros não, porque o Jornal Notícias de Fafe obteve o mapa primeiro que os membros da própria assembleia), mas também existiu a desresponsabilização de toda a Comissão, logo no início da Assembleia, quando o Presidente afirma e reafirma que a proposta apresentada não vinculava os seus membros à mesma; Em segundo lugar, não existiu uma apresentação formal aos membros da Assembleia dos critérios orientadores para a formulação da proposta.
                Na nossa opinião, depois de presenciar e analisar o seguimento desta proposta de reorganização, consideramos que só existiu um único objetivo e esse não ‘olhou a meios para atingir os fins’, ultrapassando todos os limites aceitáveis num estado de direito e num país que presa os valores de Abril. Ao contrário do que afirmou José Ribeiro, Presidente da Autarquia, ao Correio da Manhã, ridículo não é: «as pessoas que participaram na elaboração da proposta votarem contra», ridículo é ‘fazer tudo às escondidas, fazer de conta que a proposta caiu do céu e não explicar aos membros eleitos democraticamente quais os critérios seguidos para juntar umas freguesias e deixar outras, a maioria com menor número de habitantes ou eleitores.
                Nunca tivemos dúvidas que a proposta iria passar. O número de eleitos pelo PS está em maioria e, por isso mesmo, tudo o que vai de acordo com os interesses político-partidários foi, é e será aprovado, mesmo que isso ponha em causa questões de maior interesse para as comunidades e a sua qualidade de vida. Este mapa só foi aprovado por medo, por parte daqueles que se apressaram em votá-lo, do que pudesse vir de Lisboa, uma vez que se fosse Lisboa a definir, os interesses partidários poderiam ser abalados.
                Por tudo isto questionamos: perguntou-se ao povo onde queriam o Monumento da Justiça, não se poderia ter questionado o povo no que respeita à junção de freguesias? Quem melhor do que os próprios habitantes para mostrar as suas ligações culturais, artísticas, patrimoniais, festivas… a outras freguesias? Qual a ligação de Silvares e Armil? Ou Moreira e Várzea Cova? Não seria mais lógico: Silvares S. Martinho e Silvares S. Clemente? Moreira e Ribeiros? Ou será que Silvares S. Marinho e Moreira não deveriam ficar sozinhas como tantas outras com menos população?
                Bem, conhecer os critérios de seleção era o mínimo exigido. Não explicar os critérios, ou melhor ‘esconder os critérios’ é inaceitável.
                Votei e votaria novamente contra, porque não faz parte da minha forma de ser e estar perante a vida simplesmente aceitar o que me impõem. Olhem: é a vida!
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (20-10-2012) 

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