segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Neste País


Neste País sem chuva,
Sem vento e sem sol,
As aves não voam,
Os animais não correm
E as crianças não brincam.

Neste país, neste país
Há terra e mar,
Árvores,
Planaltos e planícies
E gente.

Neste País,
Onde as paisagens
São fartas e os ventos
Fortes,
Só falta o SONHO!
Pedro Sousa, 22/12/2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

«Quando me amei de verdade comecei a livrar-me de tudo que não fosse saudável...


«Quando me amei de verdade comecei a livrar-me de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me atirasse para baixo. De início, a minha razão considerou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor-próprio.»
Charles Chaplin
Não precisamos inventar as melhores frases, mas devemos saber ler, seleccionar e aproveitar muito bem aquelas que podem fazer toda a diferença e contribuir para a nossa forma de ser e estar na vida, porque só na busca constante da felicidade é que nos tornamos verdadeiros humanistas.
Em tempos, pensava erradamente, via que ao dar atenção a tudo e a todos estava a contribuir com a minha parte para o bem-estar colectivo. Aos poucos, fui-me apercebendo que havia atitudes de pouca lealdade e que a felicidade de uns, muitas vezes, não implica a de outros.
Neste tempo natalício, as luzes parecem piscar em qualquer esquina em que nos encontremos. Às vezes brilham mais outras menos, apenas depende do investimento que se faz ou do tempo climatérico que também tem uma palavra a dizer sobre esse mesmo brilho. Acreditado que o brilho pode ser maior ou menor, apenas dependendo do investimento de cada um, considero imprescindível um investimento profundo nas relações humanas. Estas, por sua vez, só prevalecem se os projectos traçados conseguirem acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e com isso aumentar o seu investimento.
O que adianta dizer a verdade aos surdos ou mostrá-la aos cegos?
A ignorância continuará a ser a fraqueza dos pobres de espírito e o aproveitamento dessa mesma ignorância será a arma do oportunismo sem escrúpulos.
Em Belém nasceu um Menino, há muitos anos, numa manjedoura, cresceu e derrubou o comércio que se encontrava no templo de seu pai. E hoje? Será que também deixamos esse mesmo Menino nascer ou será que dá jeito continuar a aproveitar o templo para comércio e promoção de pequenos poderes?
A Igreja, um dos pilares da sociedade (já o foi mais), não pode ser uma farsa onde os erros acontecem e se juntam logo os fariseus para abafar o que se passa. A Igreja tem de ser exemplo e admitir as suas fragilidades (honra seja feita a Bento XVI). Um caminho a seguir.
Não adianta atirar areia para os olhos de quem vê. Nem embelezar altares para abafar a maledicência. Onde há fumo há fogo! E, nestes tempos, a cultura está ao alcance de quem se quiser cultivar, o que significa que todos podem procurar essa mesma verdade e não se deixam enveredar por meias verdades ou mesmo mentiras.
Não acredito naqueles que querem fazer da Igreja de Deus à imagem e semelhança deles, pregando uma doutrina de conveniência para os seus prazeres e dos seus falsos profetas, que se aproveitam para benefícios pessoais.
Neste tempo de Natal, tempo que significa a união familiar para a nossa cultura, gostava de dizer ao Menino que acredito na sua doutrina, apenas. Acredito que é possível seguir o seu caminho com os modelos que ele deixou, muitas vezes atribulado, mas sempre possível de retomar se assim o pretendermos. Aproveito também para pedir que haja a mesma verdade em todas as Igrejas e mais brilho nas palavras e nas acções.
Um Natal Feliz,
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (31-12-2010)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A minha estreia na Assembleia Municipal (ou a minha posição)


Pouco ou nada me surpreendeu aquela reunião. Mais do mesmo… embora nunca tivesse estado em nenhuma, saí com a vontade de lá voltar, mas desta vez para intervir com palavras que possam, pelo menos, despertar consciências ou fazer com que se reflicta sobre Fafe e a falta de dinamismo.
É triste ver a maior parte das pessoas sem darem qualquer contributo.
Confesso que não me pronunciei senão para expressar o meu voto. Era o orçamento que estava em causa e queria ver como eram conduzidos os trabalhos, mas prometi a mim mesmo que não deixarei passar em claro nem mais uma oportunidade de mostrar a minha posição sobre os destinos de Fafe.
Nesta reunião, vi e ouvi o presidente da câmara a tentar ironizar a posição de um elemento do PSD que já esteve por outros partidos, mas logo me fez questionar: Quantos não estavam naquela sala que o fizeram para o partido desta câmara? Basta dar uma volta pelos Presidentes da Junta e até na vereação!
Sinceramente, espero que as próximas reuniões permitam discutir Fafe nos seus distintos pontos: cultura, educação, desporto, acção social, infra-estruturas… enfim, já chega de ver a repetição do plano e orçamento, o que dá a atender que Fafe entrou em gestão e repetição das suas escassas ideias… falta ainda apostar em novas e distintas formas de intervenção cultural e artística.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Administração local - Há presidentes de junta que não passam de excursionistas…


A política já teve melhores dias e o reflexo disso mesmo é o clima de crispação que se instalou devido a um conjunto de factores pouco claros e muito promissores de cargos apelativos, claro está, para o mais do mesmo. Ainda que possamos traçar linhas diferentes, numa análise prática ao desempenho de cada indivíduo, o certo é que a procura do poder pelo poder, sem objectivos definidos, atira os modelos existentes para o cúmulo da incapacidade de trabalho.
As autarquias locais são fortemente apelidadas como as mais importantes em toda a administração, uma vez que se encontram mais perto da população, no entanto estas são apontadas nestes termos por aqueles que já conseguiram mais e melhores lugares dentro da própria vida político-partidária. Desiludam-se quem ainda neles acredita, a ‘ladainha’ é a arma que melhor os identifica e nada melhor sabem fazer do que vender essa ‘banha da cobra’ tão apregoada pelas feiras semanais e intensificada nas feiras francas.
O que realmente temos, hoje, na maior parte das juntas de freguesia, são pessoas com um baixo nível de formação humana e cultural, onde tudo serve para se destacarem no seio da comunidade, mas na prática ainda conseguem fazer pior do que os que estavam antes, mesmo que tenham sido os mesmos, o que se torna ainda mais insustentável.
Pensava eu, em certa altura, que cada presidente da junta tinha autonomia para propor as obras e actividades em que a sua comunidade oferecesse mais necessidade, quando me deparo com o ridículo de uma situação de tais palavras «O que é preciso são passeios para as pessoas da sua idade, os jovens não querem saber de nada!».
Estupefacto, lá mantive a ‘boca firmemente fechada’. Isto, porque a conversa não era comigo.
Mas o que é isto? Que mentalidade é esta? Quem dá instruções a estas criaturas?
É óbvio que muito poderia ser dito, mas não adianta ‘bater no ceguinho’, afinal eles é que são os bons, caso contrário o povo não os elegeria… contudo, que fique bem claro que estas atitudes vêm dar razão ao que muitas vezes já tínhamos referido, ou seja, os autarcas precisam de formação (e urgente). Até acreditamos que possa dar mais jeito assim, principalmente se forem todos da mesma cor, pois não causam alarido e os maiorais estão ‘na paz’, mas desta forma deixam de existir preocupações culturais (música, dança, teatro…) e quem quiser estas ‘regalias’ só tem uma hipótese: leva o filhote à cidade (o que poucas famílias têm possibilidades).
Se as juntas de freguesia não começarem a apostar em planos de intervenção capazes, mesmo estes acordados com as próprias câmaras, estas deixarão de ter qualquer importância administrativa e seria melhor assumir de vez que só servem para organizar o carnaval ou festas de Natal mal feitas e passeios de idosos a uma qualquer quinta onde se dê muita comida e bebida, porque para grandes obras é preciso saber e, se não souber, é necessário muito trabalho para aprender.
Toda a obra pode ser possível, mas não será se «O Reino caiu nas mãos duma gente mesquinha que chama alma ao estômago…», conforme nos indica a obra ‘Felizmente há luar’ de Luís de Sttau Monteiro.
Pedro Miguel Sousa (in Jornal Povo de Fafe, 10-12-2010)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Homenagem ao Blog Montelongo

O mérito deve ser reconhecido e, aqueles que respeitam as diferenças, bem sabemos que muito ou nada se pode fazer em torno de uma cidade ou concelho, principalmente na sua reestruturação, enquanto meio físico, e na sua qualificação, meio humano, pois só depende da força de vontade dos agentes no poder.

O Blog Montelongo, para o qual fui convidado a colaborar, é um exemplo de cidadania por excelência. Não por ter a minha pessoa nos seus intervenientes, mas porque é um local de passagem obrigatória para todos aqueles que se preocupam e gostam de Fafe.

Neste Blog discute-se Fafe a vários níveis e é a prova de que várias vozes podem ser úteis se se unirem esforços e se aproveitar o que se vai discutindo, elogiando a alertando para um bem comum que todos, mais ou menos, anseiam, ou seja, um futuro próspero para Fafe e as suas gentes.

Este Blog não apareceu sozinho! Este Blog fez com que à sua volta se acordassem outros blogs quase adormecidos e se incentivasse outros a nascer. Hoje existe uma corrente que interliga diferentes compositores das letras, sendo eles de clubes, religiões ou partidos opostos ou não, mas todos são pessoas que acreditam que o seu contributo pode ser tomado em conta e permitir, também eles - simples cidadãos, colaborar para a verdadeira ‘coisa pública’.

Ao Blog Montelongo elevo toda esta brilhante responsabilidade social!