O Carnaval trouxe muito frio, mas o colorido da festa conseguiu mobilizar os espectadores atentos às mais diversas sátiras que iam surgindo. Como habitual, Antime mereceu a nossa atenção e, sem dúvida, a organização é merecedora de aplauso pela coordenação cada vez mais marcada.
Não fosse a rasteira pregada pela Câmara, que alterou o desfile das crianças para domingo, Antime teria mais uma vez uma enchente igual a anos anteriores. Mas, independente dos visitantes, a festa em Antime é cada vez mais animada e o espírito do espectador é mesmo influenciado pela alegria e boa disposição. Na frente, os bombos abriam o arraial e um grupo de madeirenses do infantário, perfeitamente caracterizados, coloriam as ruas. Este ano, não faltou o casamento homossexual, que não mereceu a bênção do Padre, ainda que tenham tentado quando este se aproximara. Se o espírito se queixava, o mesmo não podia dizer o corpo, uma vez que o cozinheiro de serviço servia umas bifanas bem temperadas.
As várias instituições de Antime estavam representadas e, sem dúvida, o carnaval não pode ser analisado por uma simples fotografia objectiva do real, mas este é um palco por excelência onde há uma representação efectiva. O encenador, coadjuvado pelos figurinistas, aderecistas, cenógrafos e gente da sonoplastia conseguiram mostrar que o caminho se faz caminhando e que só em conjunto e com uma coordenação firme é que se conseguem os melhores aplausos.
Fafe (autarquia/turismo) precisa de pensar em aproveitar o que de bom já acontece e não atrapalhar. Precisa de ajudar a dar mais visibilidade e até conseguir mais apoios para tornar a festa ainda mais colorida.
Se há um Carnaval de referência em Fafe, este acontece em Antime. No teatro, após uma representação brilhante, os espectadores aplaudem os actores em pé. Como considero este desfile uma boa representação, aplaudo o encenador, toda a equipa técnica e, principalmente, os actores grandes e pequeninos.
in Jornal Povo de Fafe (19/02/2010)
Pedro Miguel Sousa
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Salvador
Hoje é o teu dia. Hoje é o dia em que trouxeste a alegria a todos os que te rodeiam, que aguardavam a tua chegada com muito carinho. Já sei que chegaste bem! E também sei que trazes muita felicidade para o mundo.
Obrigado, Salvador!
Obrigado, Salvador!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
A máscara
Os Estudos Teatrais têm ocupado uma parte considerável do meu percurso académico. Ainda que muitos afirmem que ‘um doutor é um burro carregado de livros’, prefiro pensar que os livros são um belo fardo de palha, que muito me apraz saborear. No entanto, não poderia deixar passar mais um Carnaval sem mostrar que realmente conheço também as artimanhas de ‘ser um rei em terra de cegos’, mas prefiro continuar sem máscara.
Valério, personagem da obra O Avarento de Molière, apontava o caminho a seguir para ser bem visto pelo seu Senhor: «…sob que máscara de simpatia me disfarço para lhe agradar e que personagem represento todos os dias para conseguir o seu afecto. (…) vou-me dando conta de que para ganhar os homens, não há melhor caminho do que o de, diante deles, fazer reverência às suas inclinações, adoptar as suas máximas, esconder os seus defeitos e aplaudir o que fazem. (…) A sinceridade sofre um pouco com este meu trabalho, mas quando precisamos dos homens, temos de nos ajustar a eles e como não conseguimos conquistá-los senão assim, a culpa não é dos que lisonjeiam mas dos que querem ser lisonjeados.».
Toda a fala, deste modo, põe em claro, ao leitor/espectador que se trata de uma ‘máscara’ e faz transparecer toda a hipocrisia existente na sociedade, ou seja, como se deve fazer para iludir os homens e levá-los a fazer o que se pretende. Afinal de contas, nem é assim tão difícil: quem se quer dar bem basta dizer ‘sim, senhor’, quando o senhor diz ‘sim’ ou ‘não, senhor’, quando este diz ‘não’. Mas serão os que praticam estes actos que melhor servem as comunidades? Serão melhores políticos do que aqueles que enfrentam a realidade e lutam pelo bem comum?
Na verdade, esta sociedade é mesmo um palco gigante, onde actuam actores de primeira e de segunda, mas os melhores não são os que imitam os outros, antes os que conseguem representar, o que por si só obriga ao acto de criação. Obriga à construção de uma nova personagem em cada momento sem se tornar um eterno mascarado.
Viva o Carnaval, sem máscara!
Pedro Miguel Sousa
In Jornal Povo de Fafe (12/02/2010)
Valério, personagem da obra O Avarento de Molière, apontava o caminho a seguir para ser bem visto pelo seu Senhor: «…sob que máscara de simpatia me disfarço para lhe agradar e que personagem represento todos os dias para conseguir o seu afecto. (…) vou-me dando conta de que para ganhar os homens, não há melhor caminho do que o de, diante deles, fazer reverência às suas inclinações, adoptar as suas máximas, esconder os seus defeitos e aplaudir o que fazem. (…) A sinceridade sofre um pouco com este meu trabalho, mas quando precisamos dos homens, temos de nos ajustar a eles e como não conseguimos conquistá-los senão assim, a culpa não é dos que lisonjeiam mas dos que querem ser lisonjeados.».
Toda a fala, deste modo, põe em claro, ao leitor/espectador que se trata de uma ‘máscara’ e faz transparecer toda a hipocrisia existente na sociedade, ou seja, como se deve fazer para iludir os homens e levá-los a fazer o que se pretende. Afinal de contas, nem é assim tão difícil: quem se quer dar bem basta dizer ‘sim, senhor’, quando o senhor diz ‘sim’ ou ‘não, senhor’, quando este diz ‘não’. Mas serão os que praticam estes actos que melhor servem as comunidades? Serão melhores políticos do que aqueles que enfrentam a realidade e lutam pelo bem comum?
Na verdade, esta sociedade é mesmo um palco gigante, onde actuam actores de primeira e de segunda, mas os melhores não são os que imitam os outros, antes os que conseguem representar, o que por si só obriga ao acto de criação. Obriga à construção de uma nova personagem em cada momento sem se tornar um eterno mascarado.
Viva o Carnaval, sem máscara!
Pedro Miguel Sousa
In Jornal Povo de Fafe (12/02/2010)
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