sábado, 16 de janeiro de 2010

Um café e um bagaço!

Entrava no café com ar de poucos amigos. A sua reacção, ao contrário do esperado, fora de extrema delicadeza: «- Boa tarde!». De imediato, a funcionária retribui a saudação e pergunta o que deseja. A resposta foi simples: «Um café e um bagaço!»
Este poderia ser o mote para mais uma história fantasiosa em forma de novela, onde a acção iniciada in medias res se situa num interior provinciano. Contudo, repescamos uma das frases mais ouvidas todos os dias para uma crónica em que olha os usos e os costumes com simpatia, mas despreza a arrogância ‘intelectualóide’ por esta não se enquadrar nem respeitar o que há de mais genuíno.
O mundo está a sofrer verdadeiras transformações, disso já não temos qualquer dúvida. Se em tempos a crise económica deu lugar a ditaduras na Europa que levaram à 2ª Guerra Mundial, a crise de hoje está a ser muito mais feroz e felizmente não mata.
Depois de tantos anos em cegas ditaduras, eis que uma lufada de ar fresco prometia igualdade de direitos e tudo parecia um mar de rosas. Hoje, já todos nos apercebemos que a democracia veio só para alguns que continuaram a controlar a liberdade de expressão, a justiça e o poder político. No entanto, as novas tecnologias revolucionaram o século e agora a liberdade de expressão pode ser retomada e colocada à observação em todo o mundo. A justiça ainda está débil e a política de rastos, continua-se a aguardar uma revolução tecnológica ou de outra dimensão que exija mais destes quadros, mas uma certeza já existe: retomar as tradições e costumes e os valores da moral são o garante de uma nova geração que despertará uma revolução cultural.
Quantos políticos se formaram profissionalmente e quantos profissionais se formaram na política? A resposta será óbvia, mas o que importará destacar é que no futuro próximo só terá capacidade interventiva quem melhor desempenhar a sua função na sociedade ou polis, porque esses serão eleitos preferenciais do povo. Já os que continuarem a usar a chantagem, a mentira, a falsidade e os esquemas mais manhosos para aceder ao poder podem estar certos que ‘a justiça tarda, mas não falha’. Todos esses ficarão para trás, porque não apostaram na formação, porque não acreditaram no passado, logo não acreditam no futuro.
Procurar a identidade será o caminho a seguir para a evolução de toda e qualquer comunidade. Por isso, «um café e um bagaço!».
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (15/01/2010)

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