sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dizer a ‘verdade’ é diferente de ‘dizer mal’

A inexistente formação humana e intelectual, recalcada nos bancos de uma escola que se deixou longínqua, reflecte-se nos distintos comportamentos selváticos que o Homem se desmancha. Atitudes medíocres, aos berros ou às ameaças, são marca de um puro primitivismo, que nem nos zoológicos se vê mais.
Há muita gente que diz que os jornais dizem mal, mas como relatam os factos estão apenas a fotografar por palavras a realidade. Ou seja, se o que se ouve e vê é o mal, o jornalista não pode dizer bem, estaria a desviar-se da realidade. Reconhecemos que muita gente faz o mal e gostava que ninguém dissesse nada, mas isso não seria a informação de todos. Sabemos também que os ‘lobby’ controlam grande parte de um grupo de informação e, muitas vezes, esta é só uma informação de partes. Mas este poder não desce ao nível de questões corriqueiras, pelo contrário, situa-se num pedestal tão elevado que é impossível penetrar pela maioria dos mortais.
A verdade é sempre verdade, não a verdade que alguns queriam ouvir, mesmo sabendo que fazem o mal, mas a verdade que só tarda e nunca falha. Não há ventos que a abalam, nem dilúvios que a derrubam. A verdade, essa ingrata espada, para uns, é a arma mais poderosa e aquela que deve orientar sempre a vida de qualquer ser que tenha o ‘ethos’ (carácter) como força indiscutível no seu dia-a-dia.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (23/10/2009)

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