sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Fafe já teve comboio!



As cidades optam por criar espaços de memória para preservar as identidades, as características, os usos e costumes de um povo. Os espaços de memória são obras de arte a céu aberto e permitem ao espetador viajar num mundo outro, onde as suas memórias se confundem com realidades mais ou menos presentes, mas que trazem momentos de nostalgia e saudade.
Na última segunda-feira, em conferência de imprensa, foi publicamente apresentada a ideia para criar o Espaço de Memória Coletiva, Educação, Cultura e Arte. Um projeto que nasceu da ideia de aquisição de uma locomotiva, mas que logo uniu em seu redor pessoas para construir um projeto que pudesse contribuir para o engrandecimento de Fafe. Este mesmo projeto vai para além do seu aspeto físico, uma vez que já contempla uma proposta educativa para que esse espaço possa ser um museu sobre o comboio em Fafe, mas também concentra a sua ação numa estrutura pedagógica construída para contribuir para uma educação (informal) saudável junto da comunidade. Na perspetiva de alargar e/ou ajustar as suas valências, sempre em parceria com Escolas (Procurar promover visitas de estudo constantes), Autarquias e outras instituições públicas ou privadas, que trabalhem sobretudo na área da educação, este espaço pretende colocar ao serviço da população um “Espaço de Memória’’ (através de uma exposição permanente referente ao comboio em Fafe), “Atividades Educativas/Culturais” (Atividades lúdicas, Cursos livres, Workshops, Clubes culturais, artísticos e recreativos…) e um “Espaço de Artes” (Exposições temporárias com artistas locais, nacionais e internacionais; Parceria com outras entidades de modo a tornar-se uma extensão de atividades artísticas já existentes e que possam colocar Fafe na rota das artes).
Na verdade, esta proposta é uma oferta da sociedade civil. É uma ideia que não está fechada, mas pode ser completada com muitas outras ideias, ou não fosse a cultura e a arte dois dos seus principais pilares.
Um Movimento de Cidadãos Fafenses oferece a proposta, estará Fafe (política) em condições de a receber?

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

As cidades ficam mais animadas com projetos artísticos


A educação, cultura e arte ainda são muito pouco amadas. Saraus literários, inauguração de exposições, lançamento de livros vão medindo o público pela maior ou menor proximidade ao artista. Não é propriamente o interesse que possa representar a sua obra, porque todos sabemos que os livros são apenas usados até à fila do autógrafo e depois nunca mais são abertos. Se questionarmos aleatoriamente um participante sobre um poema ou um excerto que mais o impressionou, podemos garantir que poucos saberão responder.
Será que vale a pena continuar a apostar na oferta cultural e artística?
Claro que sim! E cada vez mais. Mas não chega anunciar um plano das atividades promovidas pelo pelouro da Cultura. Não chega traçar um projeto de músicas intimistas. O que é preciso é fazer tudo isso, mas trabalhar em sintonia com as Escolas do Concelho. É preciso contruir um Plano Educativo que envolva a Cultura e a Arte. Educar os mais jovens para uma interação permanente com novas linguagens, pois serão estas que lhes permitirão construir um percurso mais culto e levarão ao crescendo da criatividade.
A Escola de hoje precisa oferecer aos educandos propostas que lhes permitam raciocinar, investigar até encontrar as respostas às suas interrogações. Os alunos não são mais estáticos. Os alunos de hoje não querem imposições, mas têm uma mente mais sensível ao desconhecido. Ao que eles próprios desconhecem, o que não implica que já tenha sido descoberto e trabalhado por outros. As artes são exemplo claro disso. Os jovens são capazes de ficar a contemplar uma pintura, uma escultura ou simplesmente atentos a uma representação teatral ou musical se o tema os envolver. Os jovens não são apenas espetadores passivos. Os jovens são atores da sua própria história.
Será que os agentes culturais, políticos, associativos e os próprios professores se podem sentar à mesma mesa e traçar um projeto arrojado para melhorar o sucesso escolar que tanto chateia quando saem os rankings?
A arte é comunicação estética!