sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O meu bairro é o melhor

A reorganização administrativa será uma realidade nos próximos tempos. Ainda não se conhecem muito bem as reais divisões e muito menos se deram a conhecer publicamente onde serão as sedes dessas mesmas freguesias, nesse momento as coisas vão mudar de figura por uns tempos, mas logo voltam à normalidade como é o costume de terras conformistas.

A grande preocupação que se coloca neste momento é o facto de as freguesias ficarem sem uma junta que as represente, embora este parece-nos o mal menor, há tantas juntas de freguesia que só servem para ganhar o dinheiro ao final do mês e esperarem que a câmara municipal decida alguma obra para as suas terras. Este tem sido o maior problema ao longo dos tempos, as juntas das mesmas cores partidárias ou têm gente astuta na sua direcção ou não passam de uns fantoches nas mãos da câmara. O que ganham as populações com isso?
Na verdade, os presidentes das juntas de freguesia com maior população vão ter uma missão de fogo, pois terão de fazer valer a sua força para que a sede do conjunto onde está inserida a sua freguesia se estabeleça lá, caso contrário sairão como derrotados.
No que se refere à reestruturação propriamente dita, esta poderá trazer benefícios grandes para todo o concelho. Ora vejamos: a maior parte dos presidentes da junta não estão minimamente preparados para o cargo que exercem, não têm conhecimentos administrativos e muito menos sensibilidade cultural e artística; limitam-se a fazer o que as câmaras ordenam, passando a maior parte do tempo a mendigar umas esmolas para ficarem bem vistos na fotografia e mostrarem lá na ‘aldeia’ que conseguem porque são amigos do senhor presidente. Assim, o que se poderá então fazer? Nada de mais fácil: criar um plano de acção do município e que nele seja englobado todo o concelho.
Neste plano de acção o concelho terá de ser visto como um todo: a nível de infra-estruturas (hospital, vias de comunicação, lares, escolas…) criar um mapa de prioridades e deixar de fazer obras que não terão viabilidade, quanto mais não seja por falta de crianças como acontece com as escolas novas de Seidões e S. Clemente; Deverá existir uma rede de acompanhamento ao associativismo, aqui as juntas, sem interferirem nos seus planos de actividade, podem ser uma mais valia na rentabilização de recursos para a criação de eventos que possam projectar as suas terras com qualidade, englobando o maior número de pessoas nessas actividades; na cultura (património material e imaterial) deverá ser lançada uma campanha de levantamento e requalificação dos espaços ou recolha de tudo o que tenha a ver com lendas, canções… que possam vir a servir para o engrandecimento do concelho, principalmente a nível turístico.
Podemos verificar que há um longo e vasto trabalho a percorrer. As exigências não são mais simplesmente porque as pessoas não conhecem mais e conformam-se com muito pouco. As câmaras têm de ser mais activas e não esperar que o associativismo substitua os seus afazeres, quanto mais não seja estabeleçam protocolos para que estes desenvolvam mais e melhores actividades. Às vezes, por um simples espaço que é requerido para desenvolver actividades em prol das comunidades, faz-se um compasso de espera enorme, para ver de que lado estão os votos dos dirigentes, não se apercebendo com isso que as pessoas não estão sempre dispostas a esperar pelo que não sabem se vai chegar, porque há pessoas que trabalham com todos mas mantêm as suas convicções e ideais.
Quantas escolas estão desocupadas? Não seria muito mais rentável se entregassem esses espaços a uma associação que tenha projectos bem definidos? Projectos que poderiam ser apresentados aos próprios vereadores da cultura, turismo e educação e com o auxílio da autarquia desenvolverem as mais variadas actividades de enriquecimento cultural e humano?
Há mesmo muito trabalho a desenvolver, haja a vontade do poder autárquico, porque aí todos poderão dizer: o meu bairro é o melhor!
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (09-12-2011)

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