sábado, 5 de março de 2011

Estado social? O que é isso?


Nada melhor do que esperar pelo momento certo. Nunca fui apoiante da caça e para a pesca não tenho paciência, mas desde cedo aprendi que é preciso esperar o momento exacto para carregar nas teclas. Há uns meses atrás, várias vezes e a pessoas diferentes, mas de orientações políticas semelhantes, resolvi lançar uma simples frase sobre o estado do país: ‘Desculpem, mas não tenho culpa. Eu não votei nele!’. O que mais me surpreendeu, confesso, ambas as vezes a resposta foi a mesma: ‘Se o teu estivesse lá, fazia o mesmo!’
Embora não quisesse dar muito mais azo à conversa, não hesitei em responder: ‘Não sei… só depois de o ver lá’. Se a minha crítica era direccionada a José Sócrates, até porque ambos nos queixávamos do estado lastimável do país, a deles era para Passos Coelho que ainda não formou governo. Se se conhecem as façanhas de Sócrates, o mesmo não se pode dizer de quem nunca foi Primeiro-Ministro. Reconheço que algumas das suas tiradas foram infelizes, talvez no timing e na pouca exploração, principalmente em mostrar um caminho viável, mas ao ver que as preocupações eram a questão social, contra as ideias de Pedro Passos Coelho, uma nova interrogação me fez questionar, a que não partilhei, senão agora: ‘Afinal, o que é o estado social?’
Certamente que a resposta a esta pergunta daria para escrever um livro, mas será mesmo preciso escrevê-lo ou bastará olhar para as políticas do senhor engenheiro José Sócrates e perceber que as suas políticas são uma afronta ao estado social? As suas recentes declarações, em relação à melhoria, dizia, da economia, davam a entender que o país estava melhor, mas que país, o meu ou o dele? É que o meu obriga-me a pagar mais impostos desde o início do ano e o meu ordenado não aumentou… e já me dou por feliz ter ordenado, porque o tempo não é para melhoras…
Não pretendo, mesmo, dar qualquer significado sobre o estado social. Não pretendo voltar a declarar que defendo um verdadeiro estado social, que seja complemento e não substituto, mas também não me parece que o próprio Sócrates convença alguém, neste momento. Concordarei se me disserem que ainda há muita gente que abanará bandeiras em sua defesa, mas se olharmos para a história encontramos tanta gente que defendia os maiores ditadores, bastava que o seu cargo fosse uma questão a segurar. Contudo, esses caíram com os regimes e, pelos vistos, a «geração parva» parece que começa a estar cansada de ser maltratada.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (04-03-2011)

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