sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Estado português exige, mas não cumpre!

O Estado sufoca as entidades! Não adianta mais querer atirar a culpa para os outros e tentar mostrar que a culpa não é de ninguém, porque basta parar um momento só para ver como é que o Estado Português lida com os cidadãos e lhes exige o que ele não cumpre.
Quem teve de passar pelo famoso regime do recibo verde sabe que é obrigatório pagar os impostos à Segurança Social até ao dia 15 de cada mês, mas também sabe que tem de o fazer todos os meses sob prejuízo de pagar uma multa se não o fizer. Tudo parece muito transparente, agora vamos mostrar as coisas como realmente são: É do conhecimento público que grande parte dos jovens trabalha a recibo verde e, no caso da formação profissional, também é conhecido que o programa que financia os cursos (poph) não funciona lá muito bem, porque atrasa sistematicamente o pagamento, logo as entidades não recebem a tempo e por isso não pagam devidamente aos formadores. No entanto, estes formadores têm que cumprir prazos perante o Estado, ou seja, o Estado não paga, mas os trabalhadores têm que pagar sem receberem o dinheiro que este lhes deve!
A minha geração já foi apelidada de muita coisa. Começamos por ser considerados ‘geração light ou rasca’, depois chamaram-nos ‘geração do recibo verde’, agora ainda não sei o que nos vão chamar, mas o certo é que a minha geração ainda não está a governar. Muitos já têm uns belos tachos, mas são raia miúda ao serviço da geração que herdou o trono do poder, após o 25 de Abril, e nunca mais o largou!
Se hoje estamos mal, não é por causa das novas gerações, mas sim de gente que cresceu sem computador e agora quer definir a vida com programas de computador, onde o que conta são os números, a famosa estatística, e desacreditou-se a vertente humanista. Onde estão os defensores da pátria agora? Onde estão os senhores de Abril? Onde param os poetas e escritores que tanto lutaram contra o regime salazarista e afinal até lhe apanharam bem o gosto?
Portugal precisa de uma forte dose de humanismo e de deixar de olhar para as pessoas como máquinas ou números. As novas tecnologias são para ser utilizadas mas não para substituir-se às pessoas.
As nossas escolas, por exemplo, são penalizadas se os formandos não forem às aulas, isto não é absurdo? Será que as escolas têm culpa da falta dos alunos? As escolas não são prisões, concordamos que devem tentar sempre recuperar as pessoas e fazer com que vão o mais possível às aulas, mas nunca em regime ditatorial, mas o certo é que é mesmo isso que interessa às estatísticas dos programas de financiamento, aqueles que servem os interesses do governo deste país.
Portugal precisa de humanismo com urgência! É preciso pedir o regresso de António Vieira, Luís de Camões, Eça de Queirós… é preciso uma nova escrita em favor dos valores, mesmo que seja ao modo de Gil Vicente, porque ‘a rir também se mudam os costumes’.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (22/01/2010)

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