sexta-feira, 24 de maio de 2019

E quem é mesmo o candidato de Fafe ao Parlamento Europeu?


Estar longe da terra não significa que não estejamos atentos ao que lá se passa, muito pelo contrário, as notícias são lidas com mais atenção, afinal é a forma de nos tornar mais perto da nossa terrinha.
Estes dias, dei por mim a fazer uma análise às publicações dos nossos conterrâneos sobre as eleições que se avizinham. Não vi nada de muito inovador. Os grandes comentadores facebookianos continuam a ser os mesmos de sempre. Alguns muito irritados com as notícias sobre os partidos adversários, outros em replicar as suas fotos ao lado dos políticos famosos e ninguém a ter o papel principal nestas eleições.
É claro que não podem ir todos. É claro que não há assim tantos lugares. E também é claro que Fafe não tem assim tanta força no panorama nacional.
Muitos estarão a pensar: ‘Candidata-te tu!’
E eu a pensar: ‘Vou já!’
Por muitas voltas e voltinhas, Fafe continuará a servir para abanar muitas bandeirinhas, quanto muito terá de apoiar os tais ‘mesmos de sempre’. E, ao que parece, não é apenas num partido…
Lá para Setembro ou mais para Outubro haverá novas eleições, por isso, vamos lá ver se desta vez há mais gente de Fafe nas listas, desta vez, ao Parlamento Português. O tal sítio dos deputados. O lugar preferido para encaminhar os filhos, irmãos, esposos…
E ainda, mais uma coisinha, vamos lá ver se os candidatos a deputados de Fafe terão um gabinete na sede dos seus partidos em Fafe para receber os seus concidadãos. Já que têm moradas em Fafe, também podem exercer por cá algum trabalho, não?
Talvez só assim se consiga aproximar mais a política aos cidadãos! Não basta dizer que são de Fafe durante a campanha e depois aquela atitude de ‘vejam lá se não fazem muito barulho que o senhor deputado está a descansar’.

Voto a favor. Voto contra. Voto a favor.


A política portuguesa bateu bem no fundo! Os deputados, os tais representantes (deles próprios ou, melhor, dos interesses corporativos que representam), os soberanos desta nação à beira mar plantada, andam a brincar às birras eleitorais e nós continuamos a pagar-lhes o ordenadozão como se nada fosse!
Pategos! Otários! Somos mesmo umas bestas-quadradas que nem as 100 chicotadas de outrora eram suficientes para nos fazerem perceber que só elegemos gente para nos complicar a vidinha.
O que adianta dizer que aquele grupo só está preocupado em defender os bancos da falência e os altos cargos em empresas que pagam milhões? Ou o perdão das dívidas aos ricalhaços? Ou o aumento de salários, mas só para aqueles que já ganham muito e podem pôr as suas vidas em causa?
O Governo insiste que a reposição do tempo de serviço dos Professores é dispendiosa e pode levar o país a um retrocesso financeiro. Depois é injusto não contabilizar para as outras classes profissionais… É claro que tudo isto é verdade. Mas onde estão os verdadeiros gestores?
Ora vamos lá raciocinar um bocadinho, mas vamos lá passar a coisa para laranjas. São precisas 800 laranjas para que todos possam ter o que é seu por direito. No bolo todo, o governo só tem 200 para distribuir. Faltam 600. Como se podem obter as que faltam?
Provavelmente deveriam começar pelas gorduras do próprio Estado. Cortar aos carros de luxo. Às viagens. Às comezainas. Reestruturar as instituições públicas que gastam milhões só porque os serviços estão obsoletos. Depois incentivar a um maior investimento. Ajudar a fazer dinheiro para que isso traga mais impostos. Aumentar o próprio salário mínimo. É uma vergonha o dinheiro pago a um trabalhador que passa 8 horas dentro de uma fábrica. Criem incentivos às empresas que paguem melhor. Ajudem-nas na exportação. Se um trabalhador ganha mais também vai pagar mais impostos. O estado só lucra com isso.
Estes últimos dias, no meio de tanta teatralidade, o que sobressaiu mais foi mesmo a triste figurinha dos atores envolvidos. Todos sabem que são precisas 800 laranjas. Só existem 200. Mas não se ouviu nem uma proposta para descobrir como fazer para conseguir as outras 600.
Estes políticos só sabem mesmo gerir o país com os impostos previamente estabelecidos. Não estaria na altura de traçar novas leis de incentivo ao crescimento e com isso todos beneficiassem?
Deixem de atribuir aos privados o que deveria ser de gestão pública (Escolas, Hospitais, Água e Luz…), rentabilizem os recursos que andam tantas vezes desperdiçados, e façam leis que proporcionem uma aposta das empresas nos seus trabalhadores e na sua produtividade.
Fazer bonito com o dinheiro dos outros é fácil! Mas fazer bem com projetos inovadores, já não é a mesma coisa!

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Não é fácil ser ‘jornalista’!


Não sou jornalista. Sou Professor, sempre que posso um amigo e às vezes aquele gajo que dá uns conselhos parvos, tipo os cotas lá de casa, mas vindo do stor até é ‘na boa’. Não sou Jornalista de profissão, mas a verdade é que há anos que o ‘tal bichinho’ do jornalismo me picou e fiquei infetado e não me parece que a cura esteja para breve.
Confesso que fiquei surpreendido com a minha nomeação para “OS MAIS 2018” do Jornal Povo de Fafe e, mais ainda, porque dias antes me tinham pedido o currículo, sendo que o mail dizia que se ‘tratava de um procedimento para fins estatísticos e o mesmo seria feito com outros colaboradores do jornal’. Nada a estranhar, basta pensar nos recursos humanos de qualquer empresa e é naturalíssimo que haja um dossier que guarde, atualize, os currículos dos seus quadros. Ou seja, desvalorizei a situação, nada de estranho até ao momento em que o meu pai me diz “estás em grande destaque no jornal”. Bem, das duas uma, ou se tratava do destaque do meu artigo que abordava a ‘homenagem de António Arnaut e a criação do SNS’ ou era outro assunto, mas eu não tinha feito nada de especial que merecesse tanto relevo.
“OS MAIS 2018” na categoria de ‘Jornalismo’ faz jus à minha pessoa, ao meu desempenho ao longo destes anos todos e até realça o meu percurso académico, profissional e no associativismo de uma forma até elogiosa demais. É claro que um elogio é um elogio e um reconhecimento público é sempre motivo de orgulho. É também mais do que evidente que não podia deixar de fotografar e partilhar no meu facebook, ver os comentários dos meus amigos e babar-me literalmente, porque se tratava de um reconhecimento de um trabalho livre e descomprometido que me dá um gozo tremendo, o jornalismo.
Mas o ‘jornalismo’ não é propriamente a coisa mais fácil de se fazer. Principalmente se se trata de uma localidade onde todo o mundo se conhece. E, mais ainda, quando um tipo como eu escreve crónicas de assuntos variados do país e do mundo, mas não consegue deixar de comentar as problemáticas que vão acontecendo cá na nossa terrinha e que se não alteradas atitudes e comportamentos vão continuar a penalizar os mais vulneráveis. Não posso com isso! Não suporto ir a um local de atendimento ao público e ver uma ‘supremacia bacoca’ de gente que se julga mais esperta do que os outros. Não posso compreender por que razão uma licença na autarquia precisa de meses a fio para sair dos gabinetes, não só porque sei que são muitos a trabalhar lá, mas porque estamos na era digital. Não posso deixar com que as ofertas de emprego públicas continuem destinadas à partida. Não admito que os políticos sejam sempre os mesmos ou passem legados aos seus parentes! Não percebo por que é que as pessoas se calavam quando as vagas para um bom atendimento na saúde não apareciam. Mesmo que isso me tenha ditado a saída de um jornal! Eu não posso! Não quero! Sou livre!
Esta é a minha realidade no jornalismo. Esta é a minha forma de ser e estar na vida. Esta é a minha maneira de ser, a que se deve uma formação em primeiro numa família tradicional e muito humilde, à catequese do padre Manuel Fernandes, a uma longa passagem pelo seminário, o escutismo, o associativismo, a oportunidade do meu Mestre no Jornalismo, Luís Meireles, para escrever e aprender no Correio de Fafe, seguindo-se depois outro desafio pelo Dr. Ribeiro Cardoso e pertencer a esta família do Povo de Fafe, os anos incríveis em Coimbra… Universidade e Faculdade de Letras, o Estudo dos Clássicos e da Literatura Portuguesa, os Estudos Artísticos, o Coral de Letras, Conselho Pedagógico, República da Praça, Mansão do Olimpo… As Escolas e as terras que já passei e me recebem com tanto carinho.
Enfim, seriam muitas situações que foram construindo a minha personalidade, mas a maior, certamente, é a oportunidade que a vida me dá em poder conviver com pessoas de muito caráter. Sou um sortudo! Obrigado, Jornal Povo de Fafe!