segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Na Cidade

A intelectualidade surgia em cada novo membro que se alistava na Irmandade. Toda a nata burguesa se deflagrava ali como uns verdadeiros filhos da puta que dominavam tudo e todos. A Comunicação Social andava atrás deles como sanguessugas, tentando obter a melhor foto para a capa e extorquir-lhes a frase mais sonante para manchete.
                Era sábado de manhã, o tempo estava meio escuro, as donas de casa corriam nas lides domésticas depois de uma semana de trabalho. Conde e Justiniano dirigem-se ao Clube no centro da cidade. Haviam combinado um encontro com o Presidente da Câmara para engendrar a melhor maneira de contratar o recém-licenciado. O Clube era coisa da elite. Só entrava lá quem fosse sócio. Ninguém iria desconfiar. Pelo menos os comunistas que estavam por todo o lado.
                Comunistas eram todos os que não se enquadravam no regime. (…)
in A Sombra da Casa Grande

domingo, 27 de novembro de 2016

Recebi uma carta do Pai Natal

Era uma vez um menino chamado Pedro que um dia resolveu escrever uma carta ao Pai Natal de Portugal. O Pai Natal tinha anunciado que iria responder a todas as cartas dos meninos e, numa bela tarde de Inverno, o Pedro dirigiu-se à venda da terrinha, onde ia parar o correio, e lá ouviu pronunciar o seu nome. Era a Carta do Pai Natal.
Um bloco de notas com a imagem do Pai Natal e o símbolo dos CTT, os promotores da iniciativa, foram o suficiente para fazer do Pedro um menino muito feliz.
E foi assim, o Pai Natal escreveu-me e eu sou um gajo muito importante. O Pai Natal também escreveu às milhares de crianças que também lhe tinham escrito. O Pai Natal é um espetáculo. Na altura não saiu nenhuma notícia a anunciar que o Pai Natal me tinha escrito uma carta, mas escreveu mesmo e a Senhora da Venda pode comprovar. A venda já não existe mais, mas o Pai Natal existe e escreveu-me uma carta.
Gostava que o Pai Natal voltasse a fazer esta mesma aventura. Escrever a todos os meninos e meninas de Portugal. Gostava que o Pai Natal avisasse os pais que iria responder a todos os meninos e meninas e para isso só bastava que os pais se juntassem aos filhos e em conjunto escrevessem a carta mais simples e mais bela e a enviassem para a sua morada.
Um dia vou convidar o Pai Natal para visitar a minha casa. Retribuir-lhe o favor de me ter dado uma alegria tão grande quando eu era ainda um miúdo.
Eu acredito no Pai Natal. Ele existe mesmo. Pelo menos deixa-me sempre uma prenda na noite de Natal. Se ele não existisse eu não tinha a prenda. Toda a gente vai dormir primeiro do que eu nessa noite. Não está nada no sapatinho, mas no dia seguinte já lá está.
Como eu gostava que as outras crianças pudessem dizer o mesmo.

Eu sou feliz. O Pai Natal lembrou-se de mim!
inJornalPovodeFafe(25-11-2016)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Chegou o frio. Tiremos os casacos para as ruas.

O frio vem aí em força. O aviso já corre pelas redes sociais e tem mesmo de ser levado a sério. Às vezes somos tentados em não acreditar muito nestas coisas da internet, mas não é que os tipos até dizem umas coisas acertadas?
Depois de mostrar o bronze, aquelas minis fresquinhas na esplanada, toca a voltar ao trabalho e deixar de postar tanta coisa no facebook, não vá a vizinha aperceber-se que ando com as calças rotas no joelho ou a camisola de passar o chão… Será que não há vida para além das férias que importem mostrar nas redes sociais?
Não sou um defensor de publicar tudo o que fazemos na internet, mas confesso que me divirto em agarrar aquela imagem que sei que vai despontar uma série de likes e sobretudo os comentários mais hilariantes dos meus mais chegados. Sou assíduo nas publicações. Confesso. Mas sei bem o que devo e não devo publicar. Não o faço por vaidade. Faço-o mesmo por pura diversão. Acho uma piada enorme à novela que uma imagem e uma simples frase pode provocar. Penso que a vida assim tem mais interesse. Usar e abusar dos meios de comunicação à nossa disposição para tornar as pessoas mais alegres, mais felizes.
O mundo é demasiado cinzento. A maioria das pessoas parecem não saber ocupar as suas vidas com coisas tão nobres como a contemplação das ondas do mar ou aquela flor que resolveu nascer no meio das ervas daninhas em vez do canteiro tão aprumadinho.
Não gosto nada disso. Sou cada vez mais avesso a tudo o que é politicamente aceitável. O mundo não evoluiu nunca com essa atitude e não me parece que vai ser agora…
Sou diferente? Talvez não. Apenas me parece que há mais vida para além do casaco de pelos que teimamos em vestir só para que nos tratem como senhores.

Há mesmo vida depois do casaco e da gravata. E há ainda mais vida para além das unhas de gel…

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Um dia vou ser Gestor da Caixa Geral de Depósitos ou Vereador da Cultura em Fafe

Estou indeciso entre estes dois cargos. Se me sinto preparado para assumir o segundo, mais ainda me considero motivado para exercer funções no primeiro. Como já ando nisto há uns anos, sei bem que este será um dos artigos mais lidos. Não porque me atiro para um cargo onde os milhares estão em cima da mesa como na CGD, mas porque há eleições para o próximo ano e as especulações já começaram. O que faz com que tudo o que se possa escrever e dizer sobre política é interesse dos concorrentes aos mais diversos cargos.
Estes dois temas parecem-me importantes realçar no momento. Um porque é tema do momento e o outro para chamar a atenção dos votantes para a necessidade de centrarem a sua escolha em bem mais do que no cabeça de lista. Se soubéssemos antes quem seriam os candidatos e os cargos que ocupariam, talvez as respostas às mais diversas necessidades fossem mais respeitadas.
Há indivíduos que não têm a mínima capacidade para o cargo que lhes está confiado, mas como a votação é muito centrada no número um, pouco importa se o Vereador da Cultura é ou não uma pessoa criativa e com vasto conhecimento no mundo das artes. O mesmo se passa, muitas vezes, com a pessoa que desempenha funções na Ação Social, que mais não sabe do que aparecer na fotografia a entregar mais um cheque pelo subsídio atribuído para a reparação de uma habitação e o mesmo se passa noutros cargos…
Os cargos deveriam ser mais estudados pelos partidos, mas isso só irá acontecer quando os cidadãos forem mais exigentes com as propostas que lhes são apresentadas.
Voltando à Caixa Geral de Depósitos, parece-nos que há um excesso na atribuição dos valores. Ainda que possamos compreender a necessidade de encontrar alguém com capacidades acima da média, isso não é garante que são realmente os melhores. O que me parecia mais justo, e até aceitando que o ordenado pudesse ser o que foi atribuído, seria que existisse uma responsabilização se as coisas não corressem bem. O risco é demasiado elevado. Se bem que isto deveria ser aplicado a todos os gestores, salvaguardando-os, mas responsabilizando-os em caso de prevaricação.

Ainda não sou candidato. Descansem. Pelo menos por agora.