terça-feira, 30 de outubro de 2012

CDS com uma atitude nobre. Se todos comungassem destas ideias, lá se ia o esquema maquiavélico do mapa de Fafe


Não poderia deixar de partilhar esta atitude do CDS/PP. Se a lei pretende limitar mandatos não deveria permitir, de forma alguma, que os políticos que exerceram funções durante 3 mandatos seguidos pudessem recandidatar-se. Se todos comungassem destas ideias, lá se ia o esquema maquiavélico do PS em Fafe.

Por Catarina Falcão, publicado em 30 Out 2012 - 03:10 | Actualizado há 11 horas 19 minutos
Acordo deixa de fora questões polémicas. CDS recusa alinhar com PSD e dar aval a candidatos que possam violar lei da limitação de mandatos
A lei da limitação de mandatos pode pôr em perigo algumas coligações entre o PSD e o CDS nas próximas eleições autárquicas. A interpretação da legislação que proíbe a reeleição de autarcas com três mandatos é diferente entre os dois partidos e o acordo ontem assinado não resolve esse problema. Se o PSD mantém que os autarcas com mais de três mandatos se podem candidatar a outras autarquias, o CDS considera que essa hipótese seria “defraudar a expectativa do eleitorado”. (...)

sábado, 27 de outubro de 2012

Hospital de Fafe - A vida por um fio


                A cidade de Fafe começa a ficar habituada a perder. Já não chegava a destruição do património, agora temos de assistir à perda de recursos que tão importantes eram em tempos para a distinção de uma vila, uma cidade ou um concelho. Não se compreende como é que se destrói um edifício por causa de um metro de terreno, será que os arquitetos ou engenheiros são tão incompetentes que não conseguem encontrar uma alternativa quando em causa está um edifício com características únicas e se revela uma marca fundamental na cultura de uma terra? Sinceramente, não acreditamos, achamos que se trata da falta de sensibilidade cultural dos líderes políticos, porque se conseguem projetar uma estrada com muros altos, também sabem projetar um metro ao lado e sem ter de construir suportes para alargar a estrada.
                O recurso à temática do património não é por acaso, mas porque este último mandato da Câmara vai ficar marcado pela destruição se não pararem com os seus planos que ninguém entende. De um momento para o outro, ou esgotaram as ideias e para mostrar trabalho sentem a necessidade de mexer no que foi construído, nem que seja só de mudar de um lugar para o outro como tinham a intenção de fazer com o Monumento à Justiça de Fafe, ou estão dispostos em aceitar tudo o que lhes impõem mesmo que em causa esteja a perda de recursos que fazem toda a diferença na afirmação da cidade e, muito mais, na qualidade de vida que todos merecem.
                Fafe é cada vez mais uma aldeia de Guimarães. Afinal de contas, o artigo causador de tanta polémica, “Os nossos vizinhos: Fafe” de Nuno Rocha Vieira, parece ter algum sentido: Hospital, Centro de Emprego e Tribunal já têm as chefias na grande cidade Vimaranense ou estão a caminho. Para falar claro, nem é muito isso que nos incomoda, se a população conseguir ser melhor atendida com esta reestruturação ainda bem, mas se isto implicar a dificuldade para chegar aos serviços o caso muda de figura.
                O que nos surpreende, no meio disto tudo, é a forma como o poder político em exercício lida com estas questões, no início fazem grande escândalo, redobrando-se em conferências de imprensa para mostrar a sua indignação, veja-se o caso da reestruturação das freguesias, e depois concordam com tudo o que vem de Lisboa. Obviamente, isto até se percebe, se não fizerem muitas ondas conseguem orientar melhor as suas pretensões político-partidárias. Mas será que estas posições de quem lidera uma comunidade são as ideais? Ou será que deveriam lutar até às últimas consequências pelos interesses da população?
                No grupo “Em defesa do Hospital de Fafe”, recentemente criado no Facebook por Eugénio Marinho, advogado e político fafense, este escreve: «Tudo está a ser feito para o Estado se "livrar" do Hospital de Fafe e entregá-lo à Misericórdia. Devemos impedir esse negócio que nos privará em definitivo de termos um hospital público, como sucede desde o 25 de Abril. E o mais grave é que o negócio está a ser feito com a cumplicidade da autarquia.» Não podemos avaliar se o melhor para Fafe é o Hospital ser do estado ou privado, mas defendemos o serviço de saúde como defendemos a educação, ou seja, saúde e educação pública e para todos.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (26-10-2012)

sábado, 20 de outubro de 2012

Mapa feito à revelia da Assembleia revela erros graves na identidade cultural das freguesias


Respeito mas não concordo!
Liberdade, igualdade e fraternidade são princípios orientadores de gente que pensa e que procura o equilíbrio entre seus semelhantes, todo o homem é livre!
                Na última Assembleia Municipal, sendo esta extraordinária para debater a junção de freguesias, notou-se claramente o único propósito na junção de certas aldeias: dar oportunidade de recandidatura a alguns presidentes de junta em fim de mandato. Embora o objetivo primasse pela votação unanime, visto que o Executivo não apresentou uma proposta e transferiu para a Assembleia a apresentação de uma proposta e essa é que seria votada, aconteceram dois erros graves na elaboração e posterior votação: em primeiro lugar, a Comissão composta pelo Presidente da Assembleia e um Membro de cada partido não só foi obrigada a ‘fechar-se em copas’, através de um acordo de cavalheiros que nada transmitiriam para o exterior, até que a proposta chegasse à Assembleia (obviamente uns cumpriram e outros não, porque o Jornal Notícias de Fafe obteve o mapa primeiro que os membros da própria assembleia), mas também existiu a desresponsabilização de toda a Comissão, logo no início da Assembleia, quando o Presidente afirma e reafirma que a proposta apresentada não vinculava os seus membros à mesma; Em segundo lugar, não existiu uma apresentação formal aos membros da Assembleia dos critérios orientadores para a formulação da proposta.
                Na nossa opinião, depois de presenciar e analisar o seguimento desta proposta de reorganização, consideramos que só existiu um único objetivo e esse não ‘olhou a meios para atingir os fins’, ultrapassando todos os limites aceitáveis num estado de direito e num país que presa os valores de Abril. Ao contrário do que afirmou José Ribeiro, Presidente da Autarquia, ao Correio da Manhã, ridículo não é: «as pessoas que participaram na elaboração da proposta votarem contra», ridículo é ‘fazer tudo às escondidas, fazer de conta que a proposta caiu do céu e não explicar aos membros eleitos democraticamente quais os critérios seguidos para juntar umas freguesias e deixar outras, a maioria com menor número de habitantes ou eleitores.
                Nunca tivemos dúvidas que a proposta iria passar. O número de eleitos pelo PS está em maioria e, por isso mesmo, tudo o que vai de acordo com os interesses político-partidários foi, é e será aprovado, mesmo que isso ponha em causa questões de maior interesse para as comunidades e a sua qualidade de vida. Este mapa só foi aprovado por medo, por parte daqueles que se apressaram em votá-lo, do que pudesse vir de Lisboa, uma vez que se fosse Lisboa a definir, os interesses partidários poderiam ser abalados.
                Por tudo isto questionamos: perguntou-se ao povo onde queriam o Monumento da Justiça, não se poderia ter questionado o povo no que respeita à junção de freguesias? Quem melhor do que os próprios habitantes para mostrar as suas ligações culturais, artísticas, patrimoniais, festivas… a outras freguesias? Qual a ligação de Silvares e Armil? Ou Moreira e Várzea Cova? Não seria mais lógico: Silvares S. Martinho e Silvares S. Clemente? Moreira e Ribeiros? Ou será que Silvares S. Marinho e Moreira não deveriam ficar sozinhas como tantas outras com menos população?
                Bem, conhecer os critérios de seleção era o mínimo exigido. Não explicar os critérios, ou melhor ‘esconder os critérios’ é inaceitável.
                Votei e votaria novamente contra, porque não faz parte da minha forma de ser e estar perante a vida simplesmente aceitar o que me impõem. Olhem: é a vida!
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (20-10-2012) 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Um dia na Malafaia ou arranjos grátis em casa de idosos e carenciados durante todo o ano?


            Num tempo perturbado pela crise económica e social, as prioridades das autarquias precisam ser revistas. O que preferem as pessoas: comer e beber até não poder mais, num só dia, ou ter alguém que lhes dê apoio na manutenção da sua habitação durante todo o ano?
            A Câmara Municipal de Fafe resolveu colocar à discussão pública uma série de situações, talvez as mais polémicas, numa tentativa de desresponsabilização se algo correr mal, mas no que pode sacar uns votinhos aos idosos nem lhe mexe, muito pelo contrário, no último encontro já fora prometida mais uma investida na Malafaia para o próximo ano de 2013. É positivo dar a oportunidade às pessoas de se pronunciarem, o problema é que antes não o fizeram e algumas obras correram mal (o parque da cidade ou o parque de betão armado), agora têm de minimizar os danos e por isso já importa o que o ‘povo’ tem a dizer. Como diz o ditado: “é melhor tarde do que nunca”. Não seria importante dar a oportunidade às pessoas se preferem um dia na Malafaia ou arranjos grátis em casa de idosos e carenciados durante todo o ano?
            A Câmara Municipal de Odivelas, na voz da sua Presidente, «Não faz festas popularuchas» e canaliza essas verbas para apoiar gratuitamente as pessoas idosas e com carências financeiras, tendo alargado neste momento aos desempregados. Mas esta Câmara não se concentra apenas nos mais idosos ou desprotegidos, aos alunos do primeiro ciclo oferece os manuais escolares.
            As prioridades são sempre discutíveis. As necessidades das pessoas são distintas. A realidade deste país, infelizmente, é só uma e não se advinha risonho o futuro próximo. Apesar de não conhecer quem orientava os destinos da Câmara de Odivelas, muito menos a sua cor partidária (pesquisei na internet e vi que é do PS), não poderia deixar de destacar a atitude desta autarca que dá primazia o interesse da comunidade, através destas iniciativas, canalizando os dinheiros públicos para o melhor servir os cidadãos do seu concelho. É para isto que todos são eleitos, não para o cacique e a continuada preocupação com o ato eleitoral, mas para oferecer às pessoas, principalmente os mais desfavorecidos, proteção social. Um país que tem gente a passar fome não é um país digno. Não chega empanturrar as pessoas um dia por ano, é preciso dar-lhe apoio durante todo o ano.

Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Media online" está a ganhar espaço

Os papéis começam a inverter-se. A internet é mais rápida e, se quiser, mais completa. Se no passado a Comunicação Social usava o site para despertar interesse nos leitores, que depois iriam comprar os jornais, hoje já há notícias que só aparecem na internet. Como na imprensa escrita existe o problema do espaço, na internet há espaço 'que nunca mais acaba'. Não estará na altura de repensar o jornalismo e remeter para o site o que falta na imprensa escrita?
Talvez o futuro passe por: 
1 - Títilo e Lead (Despertar) -» internet; 
2 - Títilo, Lead e Corpo da notícia -» imprensa escrita; 
3 - Títilo, Lead e Corpo da Notícia (e espaço para comentários) -» internet.

Usei uma intervenção minha na Assembleia Municipal de Fafe para fazer a analogia. Na referida intervenção foquei 3 pontos: a) Deputados que recebem e não produzem; b) As maioria das intervenções fala da cidade e não as freguesias; c) Cultura, Património.
A Imprensa escrita só aponta um assunto tratado, sendo que os dois jornais tratam pontos distintos. Na internet está quase a totalidade e destaca os três pontos:

Notícias de Fafe, 04-10-2012


 Povo de Fafe, 04-10-2012



Jornal de Fafe, 30-09-2012
(...)interveio do PSD o Deputado Municipal Pedro Sousa: Começou por referir que o valor pago aos deputados municipais é “exagerado para quem nada produz”, apelando à “participação cívica”, uma vez que foi para isso que todos foram eleitos, em representação daqueles que os elegeram e, acrescentou, que se não o fizerem não passarão de umas “marionetas nas mãos de um malabarista qualquer”. Em segundo lugar, salientou que a maioria das intervenções na Assembleia Municipal focam a cidade e quase nada se fala das freguesias, neste momento direcionou algumas perguntas à assembleia, nomeadamente aos presidentes da junta, questionando se está tudo bem nas respetivas freguesias, pois na do deputado (Regadas) isso não acontece e “até piorou depois das últimas eleições com a vitória do PS”, porque tinham internet a 1€ para toda a freguesia e agora não existe, havia aulas de música e acabaram e todos os documentos são taxados. O último ponto foi direcionado mais para a área cultural, salientado que são imprescindíveis para a qualidade de vida dos cidadãos mas que a autarquia desrespeita continuamente no momento em que as ‘indústrias criativas’ se afirmam cada vez mais, dando exemplo do que apelidou de destruição de património: Desmantelamento da Escola da Feira Velha e na posterior alienação do património a particulares; Na Ponte Românica das Romãs, Rua de Pardelhas, Fafe; No restauro da ponte de Sangidos, também conhecida por ponte de Bouças, onde colocaram pedra azul sobre pedra velha, sendo que as pedras da ponte, segundo pedestrianistas, se encontra no fundo do regato; No desmantelamento do Moinho de Regadas, que só interferia na reconstrução da via em um metro. Para todas estas questões pediu nomes dos responsáveis, ainda que isso não fosse o mais importante, o importante mesmo era que estes percebessem que “estavam a destruir o património”. Referiu que tinha enorme consideração pessoal e intelectual pelo Vereador da Cultura e por essa razão ainda intensificava mais as questões, ao que questionou se este era ouvido ou se simplesmente ignoravam as suas palavras devido a tantas atrocidades contra o património. Em jeito de conclusão, mostrou que a autarquia poderia repensar a atribuição de edifícios às juntas, uma vez que há as que sabem dar-lhes uma excelente utilidade, como o caso do Moinho de Vento de Aboim, mas outras em que isso não acontece como em Regadas. Nesta última mostrou que uma associação tinha solicitado a escola para lá “construir um espaço de dinamização de atividades culturais, formativas e proceder à montagem do Museu do trabalho rural e das tradições do Minho”, o que não se verificou porque a junta preferiu entregar parcialmente a um rancho, que pertence a uma associação em que os membros da junta estão nos seus corpos gerentes, e desta forma a escola passa a maior parte do tempo desocupada com um ensaio semanal do rancho, quando poderia estar disponível para toda a população. Depois de apontar exemplos concretos questionou a autarquia se “não seria mais proveitoso se a Câmara entregasse a administração dos espaços a quem apresentasse os melhores projetos de dinamização”, que poderiam ser alvo de avaliação anualmente, e serviriam melhor a comunidade.” (...)

1% para a Cultura


                A Cultura tem merecido um tratamento precário pela classe política. Se eles conhecessem o poder da cultura, inscreviam-se na primeira Universidade que lhes aparecesse à frente, o problema é que o país ‘todo’ tem um grande caminho pela frente para que todos possuam essa coisa chamada “cultura”, principalmente a tecnocracia.      Pessoas incultas, ou sem conhecimento, podem ser felizes, mas serão muito mais se obtiverem esse mesmo saber que faz com que não se deixem pisar, ao exigir os seus direitos entre seus semelhantes.
                Costuma-se ‘brincar’ à cultura. As festinhas e os bailaricos, as exposições amontoadas… quanto mais não seja para conseguir um espacinho no jornal lá da terra e tentar mostrar que até se fazem umas coisas. Talvez esteja aí a grande questão: uma aposta fraca não pode cativar uma massa crítica forte. É preciso mais. É necessário apostar com qualidade. Não se pense que falamos de uma cultura erudita, do género daquela que infelizmente só está ao alcance das carteiras mais recheadas, falamos inclusive da cultura popular, daquilo que é genuinamente nosso, as nossas tradições mais comuns: as vindimas, os magustos, o Natal e os seus presépios, o Carnaval e as características de cada terra, as festas religiosas e tantas outras que muitas vezes só quem lá mora é sabedor e são feitas à medida e interesses dos seus organizadores.
                A cultura não é uma coisa de ricos. Nunca foi. Embora quem tem recursos pode frequentar com maior facilidade locais onde esta é servida de bandeja: teatros, cinemas, óperas, museus, galerias… até porque a maior parte das vezes esta fica em grandes cidades, mas há aquela cultura que não necessita nem de deslocalização nem mesmo de grandes gastos ou até qualquer gasto, seja na leitura de um jornal lá no café, seja na participação num evento popular daqueles que se constroem através da pesquisa e do conhecimento ou simplesmente daquele baile de verão que é tão nosso.
                Dinamizar a cultura é apostar na procura, no turismo, na identidade. Há cada vez mais pessoas a procurar as tradições de cada região, não só em questões de animação mas também na gastronomia, no património… Saber combinar usos e costumes com um bom prato típico e um vinho da região é a porta aberta para um sucesso já com provas dadas em muitas terras portuguesas. Às vezes não precisamos de ser ‘inventores’, basta apenas importar ideias bem-sucedidas e ajustá-las à nossa realidade.
                Neste sentido, o nosso país tem de acordar definitivamente para a aposta na cultura e não continuar a atirar a cultura para um canto, dando-lhe apenas umas migalhas para a sua sobrevivência, uma infeliz realidade repetida pelos diferentes governos. Porque a cultura planeada e estruturada, muitas vezes apenas com o reavivar de tradições, pode gerar milhões, para isso acontecer só precisa de um pequeno empurrão, em vez dos 0,4% passar a ser comparticipada com «1% para a Cultura».
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (04/10/2012)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Intervenção na Assembleia Municipal de Fafe – 28 de Setembro de 2012


Exmo. Sr. Presidente da Assembleia e restante mesa;
Exmo. Sr. Presidente da Câmara, Senhoras e Senhores Vereadores;
Minhas Senhoras e Meus Senhores

Agradeço, desde já, a Vossa atenção para três pontos:

a) Recebi um cheque no valor de 76,32 (setenta e seis euros e trinta e dois cêntimos). Logo me apercebi que o valor é exagerado para quem nada produz. Esta é a terceira reunião em que participo e já me apercebi que a maior parte dos membros presentes em nada contribui para a discussão sobre os diversos pontos em análise nas Reuniões das Assembleias. Isto não é apenas mau - é péssimo - para a democracia, porque em nada contribuem para uma cidadania participada e muito menos para realmente representarem aqueles que neles votaram.
Será altura para repensarem a sua função nesta casa: ou são verdadeiros representantes ou, como se diz em linguagem teatral, jamais passarão de umas marionetas ao comando de um qualquer malabarista;

b) Uma segunda questão prende-se com as observações apontadas pelos participantes mais ativos: nota-se claramente uma opção pela cidade e o seu espaço e nada ou muito pouco se fala sobre as freguesias. Será que isto quer dizer que está tudo bem nas freguesias?
Os senhores Presidentes estão satisfeitos?
Eu tenho sérias dúvidas, até porque na minha freguesia existe uma falta enorme de recursos, há muito prometidos nesta mesma sede (estrada do saibro; praia fluvial do avial;…) e que se intensificaram desde as últimas eleições com a vitória do Partido Socialista através:
- Eliminação da internet a 1€/mês;
- Eliminação das aulas de música com dezenas de jovens;
- A taxação para todos os requerimentos…

c) Para terminar, gostaria de deixar uma observação sobre alguns pontos sobre “Educação, Cultura, Arte, Património e Turismo” que me parecem essenciais para o progresso e qualidade de vida dos cidadãos, mas que a autarquia teima em desrespeitar ou, pelo menos, não levar a sério e que podem representar uma mais-valia num tempo em que as ‘indústrias criativas’ se afirmam como alavanca de progresso.
                Quando observo as opções deste executivo sobre estas áreas, são muitas as interrogações que se me colocam. Confesso que tenho uma enorme estima pessoal e intelectual pelo Senhor Vereador da Cultura, Dr. Pompeu Martins, e talvez por isso ainda mais acentue as minhas questões, as quais gostava de ver esclarecidas:

1 – Quando há intervenções sobre o património, o Vereador da Cultura é ouvido?
Só encontro três hipóteses possíveis:
a) É ouvido e é feito o que ele determina;
b) É ouvido, mas ninguém lhe dá crédito;
c) Não é ouvido.

Deixo as respostas para o próprio executivo discutir depois, mas quero fundamentar apenas com alguns exemplos:
Quem é o responsável pela intervenção:
- No desmantelamento da Escola da Feira Velha e na posterior alienação do património a particulares?
- Na Ponte Românica das Romãs, Rua de Pardelhas, Fafe, parcialmente destruída para dar lugar à nova ponte de betão?
- Restauro da ponte de Sangidos, também conhecida por ponte de Bouças, (onde colocaram pedra azul sobre pedra velha, sendo que as pedras da ponte, segundo um pedestrianista me informou, se encontram no fundo do regato…?)
- O Moinho de Regadas, que só interferia por 1metro no projeto, não haveria alternativa?

Será que se estão a perceber que estão a destruir património?
Património que poderia, tantas vezes, servir para abrigo de projetos culturais e artísticos (escolas); Património que deveria ser requalificado e integrar roteiros turísticos; … ???????

Agora, mesmo para concluir, gostava apenas de deixar uma última nota:
               
Já todos nos apercebemos que Fafe ainda tem algum património em pé e, agora só os mais atentos, sabemos que há quem aproveite com qualidade os recursos ou quem simplesmente o despreze. O Senhor Vereador da Cultura sabe que há uns tempos uma associação lhe entregou um projeto para requisitar uma escola e nela construir um espaço de dinamização de atividades culturais, formativas e proceder à montagem do Museu do trabalho rural e das tradições do Minho.

O senhor vereador agiu como todos têm agido e referiu: a escola tem de ser entregue à junta.

O problema reside aí, pois há juntas que têm capacidade, como Aboim e o seu Moinho de Vento, mas há outras que entregam tudo às associações em que eles próprios fazem parte dos órgãos diretivos, como acontece com Regadas.

Sabem o que se faz na Escola de Regadas normalmente? Um ensaio do rancho por semana.

Não seria mais proveitoso se a Câmara entregasse a administração dos espaços a quem apresentasse os melhores projetos de dinamização? Juntas, associações… Como acontece com as candidaturas ao IPDJ que todos conhecemos… Até poderiam ser por um ano com avaliação no final…

Certamente que a comunidade fafense ficaria a ganhar e era conseguido o ‘retorno’ que o Senhor Vereador defende, no artigo hoje publicado e que eu aprecio, no jornal Povo de Fafe.

Pedro Sousa, Intervenção na Assembleia Municipal de Fafe, 28 de Setembro de 2012.