Numa sociedade que se diz culta e coloca a imponência humana como factor marcadamente vinculado à sua condição, é a indiferença que nos coloca como única saída aos grupos inúteis e vazios de ideias e conceitos.
A escolha do betão e alcatrão, em detrimento do humanismo evolutivo, reflectem a dinâmica de um ‘grupo ignóbil’ sem ideais pré-definidos.
Nenhuma sociedade evoluiu fruto de grandes investimentos estruturantes, sem que tivesse o seu preenchimento com a massa humana. As paredes não valem por si, mas é a actividade que estas permitem que originam essa evolução. Campos desportivos construídos em terras sem gente jovem, quando o que precisam é de lares ou centros de convívio, porque são idosos. Zonas industriais deslocalizadas, quando o progresso passa pela aproximação das empresas. Zonas florestais que passam a óptimos locais de construção, zonas de construção que não podem passar a zona de comércio… apenas por simples conveniência económica ou política.
Alguns serão conhecidos porque estiveram lá, outros porque permitiram que a humanidade evoluísse e, ainda, há aqueles que nunca estiveram lá e nem vão estar, são os que de ideias não servem e obras não têm.
Cortar com as linhas traçadas pela imaginação é rasgar o que outros dizem, porque já atingimos o poder de dizer tudo o que pensamos e fazer o que queremos. Este é um sentimento indescritível, que só é visível nas linhas da ruptura, porque esta liberdade não é para todos, mas para quem pode!
A sociedade não evoluiu graças ao marasmo de gente que teima em ouvir silenciosamente os destacados num acaso, mas porque as rupturas com as estruturas, previamente definidas, permitiram uma nova visão crítica sobre o mesmo assunto e uma escolha de um risco calculado pela inteligência.
Dizer o que se pensa, sem olhar a quem, é uma tarefa que não é de todos. Nem tudo pode ser dito, mas tudo pode ser transmitido.
Se outros calam, cantemos nós!
ESCRITA | ARTE | PUBLICAÇÕES | PROJETOS
sábado, 31 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Os melhores projectos...
Ao olhar atenciosamente para esta imensidão de projectos disponíveis no QREN, entristece-me saber que muitos dos melhores projectos não vão ser aproveitados. Não por culpa do programa, mas porque as melhores ideias não terão hipótese de fazer chegar a sua candidatura. Fafe, por exemplo, vai continuar sem um gabinete específico para aconselhar as Juntas de Freguesia ou mesmo as pessoas individuais. Só assim é que se poderia construir uma estratégia de acção que servisse realmente Fafe. Mas não deve ter interesse, pois não?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Dizer a ‘verdade’ é diferente de ‘dizer mal’
A inexistente formação humana e intelectual, recalcada nos bancos de uma escola que se deixou longínqua, reflecte-se nos distintos comportamentos selváticos que o Homem se desmancha. Atitudes medíocres, aos berros ou às ameaças, são marca de um puro primitivismo, que nem nos zoológicos se vê mais.
Há muita gente que diz que os jornais dizem mal, mas como relatam os factos estão apenas a fotografar por palavras a realidade. Ou seja, se o que se ouve e vê é o mal, o jornalista não pode dizer bem, estaria a desviar-se da realidade. Reconhecemos que muita gente faz o mal e gostava que ninguém dissesse nada, mas isso não seria a informação de todos. Sabemos também que os ‘lobby’ controlam grande parte de um grupo de informação e, muitas vezes, esta é só uma informação de partes. Mas este poder não desce ao nível de questões corriqueiras, pelo contrário, situa-se num pedestal tão elevado que é impossível penetrar pela maioria dos mortais.
A verdade é sempre verdade, não a verdade que alguns queriam ouvir, mesmo sabendo que fazem o mal, mas a verdade que só tarda e nunca falha. Não há ventos que a abalam, nem dilúvios que a derrubam. A verdade, essa ingrata espada, para uns, é a arma mais poderosa e aquela que deve orientar sempre a vida de qualquer ser que tenha o ‘ethos’ (carácter) como força indiscutível no seu dia-a-dia.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (23/10/2009)
Há muita gente que diz que os jornais dizem mal, mas como relatam os factos estão apenas a fotografar por palavras a realidade. Ou seja, se o que se ouve e vê é o mal, o jornalista não pode dizer bem, estaria a desviar-se da realidade. Reconhecemos que muita gente faz o mal e gostava que ninguém dissesse nada, mas isso não seria a informação de todos. Sabemos também que os ‘lobby’ controlam grande parte de um grupo de informação e, muitas vezes, esta é só uma informação de partes. Mas este poder não desce ao nível de questões corriqueiras, pelo contrário, situa-se num pedestal tão elevado que é impossível penetrar pela maioria dos mortais.
A verdade é sempre verdade, não a verdade que alguns queriam ouvir, mesmo sabendo que fazem o mal, mas a verdade que só tarda e nunca falha. Não há ventos que a abalam, nem dilúvios que a derrubam. A verdade, essa ingrata espada, para uns, é a arma mais poderosa e aquela que deve orientar sempre a vida de qualquer ser que tenha o ‘ethos’ (carácter) como força indiscutível no seu dia-a-dia.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (23/10/2009)
sábado, 17 de outubro de 2009
É preferível morrer de pé do que viver a rastejar!
As eleições terminaram e os resultados foram o que o povo escolheu. Seria hipócrita se mostrasse alegria nesses resultados, mas também não entraria em desespero, bastará referir que a minha vida profissional não depende de uma ou outra eleição, mas da minha capacidade de resposta nas várias instituições em que estou ligado, o que me permite respirar livremente, apenas interrompido pelas alergias de quando em vez.
Nestas eleições tive o privilégio de conviver com colegas de trabalho que eram candidatos nas suas terras e em partidos diversificados: CDU, PS e PSD. A farra foi animada, mas os resultados foram menos bons.
Em Fafe, terra em que pago impostos, foi mais uma vez ‘mais do mesmo’, o que não deixa admiração, mas se a maioria assim o quer, só temos de aceitar. Sem saneamento, sem boas estradas, licenças mais elevadas, abandono das freguesias… mas se a maioria está bem, é porque não é mesmo preciso mais! Em Coimbra, terra que me adoptou e me dá o sustento e a formação contínua, as cores foram agradáveis, mas não venceu a lista do meu amigo socialista, embora tenha sido eleito vereador, que até me tinha oferecido um cargo na Cultura e eu já tinha recusado. Em Soure e em Miranda não venceu a CDU e apenas nesta última subiu uns lugares. Enfim, tempos difíceis se vivêssemos da política, mas cá estamos novamente reunidos na mesma escola e a contar as peripécias da azáfama democrática.
Mais uma experiência, numas autárquicas em que o sangue quer saltar das veias, mas a formação não permite que os ânimos sejam confundidos de forma libertina e, sem dúvida, reconhecemos que é sempre importante fazer tudo segundo a nossa consciência, porque se não ganharmos, podemos sair com elevação. Este é um comportamento admirável, mas só para alguns. Basta conhecer um pouco da nossa história.
Um outro aspecto importante é poder dizer que ‘é preferível morrer de pé do que viver a rastejar’. Ter de estar sistematicamente a dizer o que os senhores querem ouvir, não é para pessoas de carácter, mas sim de falta de personalidade. Como nem todos, felizmente, precisamos da política ou de alguns políticos para ter ‘um tachinho’ para viver, então podemos deliberadamente dizer «Somos livres».
in Jornal Povo de Fafe (16/10/2009)
Pedro Miguel Sousa
Nestas eleições tive o privilégio de conviver com colegas de trabalho que eram candidatos nas suas terras e em partidos diversificados: CDU, PS e PSD. A farra foi animada, mas os resultados foram menos bons.
Em Fafe, terra em que pago impostos, foi mais uma vez ‘mais do mesmo’, o que não deixa admiração, mas se a maioria assim o quer, só temos de aceitar. Sem saneamento, sem boas estradas, licenças mais elevadas, abandono das freguesias… mas se a maioria está bem, é porque não é mesmo preciso mais! Em Coimbra, terra que me adoptou e me dá o sustento e a formação contínua, as cores foram agradáveis, mas não venceu a lista do meu amigo socialista, embora tenha sido eleito vereador, que até me tinha oferecido um cargo na Cultura e eu já tinha recusado. Em Soure e em Miranda não venceu a CDU e apenas nesta última subiu uns lugares. Enfim, tempos difíceis se vivêssemos da política, mas cá estamos novamente reunidos na mesma escola e a contar as peripécias da azáfama democrática.
Mais uma experiência, numas autárquicas em que o sangue quer saltar das veias, mas a formação não permite que os ânimos sejam confundidos de forma libertina e, sem dúvida, reconhecemos que é sempre importante fazer tudo segundo a nossa consciência, porque se não ganharmos, podemos sair com elevação. Este é um comportamento admirável, mas só para alguns. Basta conhecer um pouco da nossa história.
Um outro aspecto importante é poder dizer que ‘é preferível morrer de pé do que viver a rastejar’. Ter de estar sistematicamente a dizer o que os senhores querem ouvir, não é para pessoas de carácter, mas sim de falta de personalidade. Como nem todos, felizmente, precisamos da política ou de alguns políticos para ter ‘um tachinho’ para viver, então podemos deliberadamente dizer «Somos livres».
in Jornal Povo de Fafe (16/10/2009)
Pedro Miguel Sousa
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
As Aves
O seu voo determinado. A astúcia anunciada. A atenção redobrada de quem viaja sobre o mar, a terra e as gentes.
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