sábado, 4 de junho de 2016

Tirem o chapéu... está aqui o Presidente do Fafe!

Há mais de um ano escrevi este post e depois este!
Fica aqui para relembrar que não são só os vedetas que chegam a campeões.
Aproveito para dar os parabéns a toda a equipa da Associação Desportiva de Fafe!


Jorge Fernandes,
Presidente da Comissão Administrativa do Fafe

Conheço o Jorge há muitos anos pelos seus famosos cachorros com molho especial. Confesso que já comi em outros sítios, também dotados de fama, mas este molho é mesmo especial, para além de saboroso não é pesado. Quanto à sua atividade profissional, o sucesso está à vista…
Por alguns imperativos da vida, sei que Jorge Fernandes já foi o salvador de algumas empresas que se encontravam muito perto do abismo e, pelos vistos, a Associação Desportiva de Fafe não foge à regra. Já tinha conhecimento há largos meses da sua ação e mais ainda das suas intenções que me parecem excelentes, uma vez que pretende alterar os estatutos para que ninguém deixe mais o Fafe como ele o encontrou e se quiser deixar que seja responsabilizado como tal.
Como concordo com esta visão, só estou à espera que Jorge Fernandes a ponha em prática para lançar o desafio à classe política, certamente que nunca mais entraremos em crises. Quem prevarica tem de ser responsabilizado e mais nada!
No início da época, ainda que eu não seja de todo um doente da bola, ouviram-se algumas críticas à composição da equipa do Fafe. Porque eram moços novos, sem experiência… enfim, coisa e tal. Com estes resultados destes jovens Grandes Futebolistas, com a herança de uma dívida de 1,2 milhões de euros que em dois anos foi reduzida em 30% e com um Fafe a lutar para subir de divisão, o que podemos dizer ao Jorge e do Jorge?
Eu digo: Grande Administrador financeiro, Excelente Gestor de Recursos Humanos, Muito Bom nas perspetivas de futuro e MUITOS PARABÉNS JORGE FERNANDES.

domingo, 29 de maio de 2016

Um dia cheguei à Universidade…

… de Coimbra!

Ensino público para todos! Sem pestanejar! Sem pensar sequer noutra opção que não esta. A Escola é Pública e é lá que quero continuar a depositar a esperança da Educação deste País. Não sou contra o ensino privado, mas prefiro uma escola que dá oportunidade a todos. Se não fosse essa escola, hoje não poderia ter duas licenciaturas, uma pós-graduação e um mestrado.
Sou filho de dois operários fabris. Operários têxteis. Aquele setor que já pagou melhor que a construção civil, mas também caiu no maior fosso que se conhece na história da indústria. Sou filho de duas criaturas de Deus que tudo fizeram para que eu pudesse andar vestido como qualquer outro menino, tudo orientaram para que nunca me faltasse um prato de comida e sempre apostaram na minha educação. O bom resultado na Escola era a única exigência. Na escola pública, onde andavam todos os meus amigos lá da aldeia…
Fui seminarista. Ainda não sabia se queria ser padre, mas sabia que queria estudar a vocação. Dois anos foram internos. Reconheço a excelente formação. Mas lá pagava todos os meses a mensalidade. Depois voltei à Escola pública e residia no seminário, o 9º Ano na Secundária de Felgueiras e o 10º, 11º e 12º na Secundária de S. Mamede Infesta. Chega a Universidade. Entre decisões e confusões de um jovem sem conhecer o seu futuro, Coimbra e os Estudos Clássicos foram a primeira opção. E, mais uma vez, também a Universidade foi pública. Afinal, os meus pais continuavam a ser operários.
Como posso não defender a Escola Pública?
Foi graças ao ensino público que consegui realizar um sonho de menino. Queria ser Professor. E sou!
Conta-me o meu pai muitas vezes que antigamente só conseguia ir para a Universidade quem tivesse dinheiro. E falamos do ensino público, porque as privadas são recentes… E também me conta que só quem tinha uns terrenos, herdados de um regime fascista, é que tinha essa possibilidade.
Não precisamos investigar muito ainda hoje para perceber quem são os detentores de habilitações superiores. Basta conhecer as suas famílias. Também não precisamos de nos chatear para saber quando foi o virar da página e que formou tanta gente administrativamente, esse 25 de Abril serviu para muita coisa… Mas precisamos de perceber que se hoje há muitas mais famílias que têm filhos doutores e engenheiros é porque finalmente a Escola Pública veio para Todos.
Quero uma Escola pública para todos. Uma Escola que receba sem rotular, mas que proteja os mais desprotegidos. Uma Escola que permita aos filhos dos operários estudar. E que permita também aos outros todos.
Onde não há essa Escola, que seja equacionada a alternativa. Mas se a mim me foi dada essa oportunidade, bem ao contrário do tempo dos meus pais, é meu dever de cidadão defender esse direito para todos os outros jovens e, que estes, um dia façam o mesmo pelos que hão de vir.

in Jornal Povo de Fafe (27-05-2016)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A Comunicação Social precisa investigar mais sobre os colégios…

     A recente polémica sobre o ensino privado está a aquecer muito as hostes políticas e as razões evocadas pela atual oposição não convencem nem um mosquito!
     Passos Coelho só teve uma ou duas semanas de glória após o último ato eleitoral, precisamente aquele imediato ao congresso, depois voltou ao azedume que não parece de quem soube fazer uma bela jogada para lançar o trunfo na hora certa. Faltará Miguel Relvas a orientar a estratégia?
     Os colégios privados com contrato de associação andam enfurecidos. Uns até podem ter alguma razão, mas serão muito poucos. ‘Razão’ só terão aqueles em que realmente há a necessidade da sua existência porque são a alternativa à falta de Escola Pública. É claro que desde já se pode questionar essa ausência, mas foram estratégias de outros tempos e, como tal, quem não pode ficar sem ensino são as crianças, adolescentes e jovens deste país. Os que não têm ‘razão nenhuma’ são todos aqueles que fazem concorrência com a escola pública. Se existe uma escola pública por perto, o estado não pode usar o dinheiro dos contribuintes para financiar esses colégios.
     No meio de toda esta problemática, no calor de tantas acusações como aquela do hipotético interesse do Ministro da educação, lançado por Passos Coelho, seria importante se a comunicação social fizesse um levantamento dos donos desses colégios e das ligações que eles têm com o mundo da política e até de alguns setores da religião. Não deixava de ser interessante obrigá-los a apresentar as suas contas bancárias antes e depois dos colégios, as suas casas e o seu parque automóvel… Se não der muito trabalho, até porque dizem que podem ir muitos professores e auxiliares para o desemprego, seria ótimo se se conhecessem os valores pagos por muitos desses colégios aos professores… certamente que se vão encontrar muitas surpresas. E, mais ainda, conhecer o que aconteceu a muitos professores que lhes foi proposto ver o seu salário reduzido e não aceitaram… contudo, cada caso é um caso, também não são todos maus, ok?
     Há, no entanto, alguns argumentos das famílias que devem ser considerados. Há famílias que optam por colégios, mesmo quando existe escola pública perto, só porque o pai e a mãe trabalham e os avós estão longe para cuidar dos netos como acontecia antigamente. É mais do que evidente que a realidade das famílias é muito diferente daquela que se vivia há trinta anos atrás e, se assim é, há que reconsiderar a forma de atuação do Estado em questões de matéria educativa. Se a natalidade é baixa, terão de ser equacionadas soluções. Os pais têm de sentir que os seus filhos estão protegidos enquanto eles estão nos seus empregos, logo o Estado ou reduz às horas do trabalho ou aposta nas atividades extra curriculares. Ou seja, se os colégios têm ensino extra curricular pago pelo estado, logo o estado pode ter essas atividades na escola ou em parceria com outras entidades, até para diferenciar o 'ensino formal' e o 'ensino não-formal'... Mas não tem é de andar a manter colégios privados em sítios onde existem escolas públicas, tem é de capacitar essas escolas para a realidade destes novos tempos.
     Só para que fique muito claro, não sou contra o ensino privado, entenda-se, mas no que respeita à sua subsidiação, considero que só deva existir n as condições estabelecidas por lei, isto é, quando não há escola pública perto. Se há escola pública nas proximidades, essa tem de ser financiada e não o colégio… e ponto final!


in Jornal Povo de Fafe (13-05-2016)

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Há mais comunicação. Há mais Abril.

     Povo... Jornal… Notícias… Comboio... Expresso… (de Fafe). Fafetv.
     Não importa o veículo. O que importa efetivamente é que a comunicação existe e há muitas formas de se fazer cumprir aquele que é o principal objetivo de um órgão informativo – informar.
     Jornais. Blogues. Canais web. Páginas de facebook.
     Depois de um tempo de quase monopólio, não fosse o serviço público de alguns blogues que teimam em trabalhar por carolice e um ou outro que tanto contribuem sobretudo para o património cultural, multiplicaram-se os órgãos informativos e, desculpem se penso diferente, eis que uma cidade consegue ser tão rica em contribuir para esta nobre missão outrora tão restritiva ao pensamento de alguns.
     Há cerca de quatro anos, Fafe viveu um dos maiores momentos de debate público. Um grupo de Fafenses dava voz ao ‘BlogMontelongo’, um espaço de confrontação, um verdadeiro forum romano. Como em tudo, surgiram vozes discordantes de políticos locais insurgindo-se contra um espaço sem diretor, mas ali todos tinham mais do que o nome nos artigos, havia um rosto facilmente apontado para outros espaços dos seus autores. Esse foi e será um marco fundamental para a história (ou estudos sociais) de Fafe.
     Uma notícia pode ser dada de muitas formas. O mesmo acontece com uma fotografia. Ambas dependem da abertura da objetiva. Tanto se pode focar no cortar da fita como em todo o público presente. O jornalista ou fotógrafo escolhe o ângulo. E foi assim durante muito tempo. Só um grupo muito restrito tinha opinião em Fafe. As suas posições nunca eram confrontadas. Tudo era controlado ao milímetro e ai de quem ousasse pensar em publicar um artigo que pusesse em causa o aparelho, o amigo das tertúlias ou do conhaque ao final de mais um dia de escritório.
     O Abril ainda não se fez totalmente. É verdade. Mas não estará muito longe de acontecer. Aqueles que ontem eram todos poderosos, hoje conhecem o sabor da derrota. Os que julgam os seus pensamentos superiores, hoje são confrontados. Os que consideram os outros inferiores, são muito ultrapassados.
     E para isso, quantas armas se usaram?
     A mais poderosa de todas elas: a escrita. Todo o resto é a mudança de mentalidades que finalmente está a acontecer.

“eles (já não) comem tudo…”

in Jornal Povo de Fafe (22-04-2016)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A Terra pode começar a ficar Justa

     O que fica depois de cinco dias de notícias com a palavra Fafe?
     Existir uma terra que premeia, reconhece ou destaca valores da humanidade não me parece mal. Aí está uma boa utilização da ‘Justiça de Fafe’. Mas começa-me a preocupar os valores em causa. Nada se faz sem investimento e, ao contrário dos liberais e dos economistas, nem tudo tem de ter retorno financeiro, mas há limites…
     Escrevo este artigo no dia 4 de Abril e, como é óbvio, desconheço o resultado desta segunda edição da “Terra Justa – Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade”. Sei bem que servirá para projetar Fafe (e um ou outro político fafense), mas continua-se a ter de pagar para chamar a atenção dos Media.
     Confesso que isto me provoca alguma confusão. Já tivemos um evento que poderia dar frutos nessa matéria e, por causa daquelas invejinhas marotas, tudo desabou… Quem manda? Quem deu o mote? A quem pertence? Eram algumas perguntas que se faziam aquando da organização daquele evento que juntava associações, juntas de freguesia, escolas e o município. Milhares de pessoas saíam às ruas para participar como figurinos ou como espetadores nas tais ‘Jornadas Literárias’… que poderiam ser ‘Jornadas Culturais e Literárias’…
     Seria o caminho? Seria este o tal evento para que Fafe não precisasse de chamar a comunicação social como acontece com as sextas-feiras treze? Não sei… não sei e não vou saber porque o formato já não existe. Só sei que não é nada fácil trabalhar em Fafe. Há muita gente à procura de protagonismo e há quem tenha muito medo de ser ultrapassado…
     Acredito que isto não está muito longe de sofrer uma reviravolta. Há por aí uma fornada de gente nova, muito bem formada, e que está mais empenhada em defender causas do que entrar em jogos político-partidários. Essa malta jovem, ao contrário da geração à sua frente, tem uma característica excelente: são capazes de partilhar informação. Há uns anos, só um grupelho se candidatava a subsídios para o gado porque metiam-se nas cooperativas e poucos tinham acesso à informação, hoje é diferente, muito diferente. Os mais jovens partilham a informação sem receio e, mais ainda, são capazes de se juntarem para construírem projetos melhores.
     Será este o princípio da reviravolta na política?
     O tempo o dirá. O que me parece é que os jovens acreditam cada vez mais em projetos do que em colagens de cartazes ou o abanar de bandeirinhas…
     Enquanto isso… o que fica depois de cinco dias de notícias com a palavra Fafe?
     E para o comum dos fafenses, há interesse neste evento? Que valor atribuem a esta atividade? Há retorno económico, social ou cultural?
     Ate lá… Que a Terra continue Justa!


in Jornal Povo de Fafe (08-04-2016)

segunda-feira, 21 de março de 2016

Não precisam tirar o chapéu…

… é o Professor Marcelo!
A Presidência da República Portuguesa vai mudar de mãos. Se o estilo demasiado formal agrada a muitos, pode ser que o menos formal agrade a muitos mais.
Ainda não se sabe muito bem como serão os próximos anos e quais as alterações ao protocolo que a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa vai imprimir, mas já se sabe que a sua prestação será bem diferente do que estamos habituados.
Há quem atribua a sua vitória ao facto de ter estado ligado à televisão durante décadas, mas devemos classificar isso como negativo? Será que um Jornalista não se poderá candidatar só porque aparece na televisão à hora do jantar todos os dias? Pois era o que mais faltava…
Marcelo Rebelo de Sousa não venceu apenas por se tratar de uma figura mediática, embora isso tenha abonado e muito a seu favor, mas venceu porque é o Professor Marcelo. Quantas figuras mediáticas conhecem? Certamente que todos enunciaram um conjunto alargado delas, mas será que se se candidatassem teriam os mesmos votos que teve Marcelo Rebelo de Sousa? É óbvio que não…
Marcelo Rebelo de Sousa tem uma forma de ser e estar que agrada às pessoas, muitos dirão ‘ao povão’ e se assim é, eu estou nesse lote… também eu sou ‘povão’ e mais do que isso ‘povão da aldeia’… embora disponível para debater ideias com os intelectuais até da cidade! Agrada-me, particularmente, a ideia de democracia, aquela coisa da igualdade e sobretudo de tratar o seu semelhante com dignidade, seja ele rico ou pobre, só mesmo porque é pessoa ou em latim “persona”.
Durante toda a campanha, ao contrário do que se poderia imaginar, até porque já foi provado pela comunicação social, os passos aparentemente desregrados de Marcelo, estavam a ser muito bem trabalhados. Muito antes da campanha, numa simples frase deixada no seu facebook, um especialista em Redes Sociais fazia a seguinte pergunta: ‘Querem apostar como o Marcelo não vai usar outdoors na campanha?’ E, como bem sabemos, não usou mesmo… é verdade que não precisava, ao contrário de outros, basta olhar para o caso de Edgar Silva, apoiado pelo PCP, Maria de Belém ou Sampaio da Nóvoa. Mas compreende-se perfeitamente que as estratégias tenham sido diferentes, pois cada um tem de adaptar à sua circunstância e, aí, Marcelo era bem mais conhecido.
O candidato do PCP, Edgar Silva, devia ter sido trabalhado de outra forma. Passou mais a imagem do candidato do PCP do que de Edgar Silva, o homem que foi padre e tem uma história de vida incrível de lutas ao lado dos mais desprotegidos, mas chegou às pessoas? Não! Já Marcelo chegava e entrava em todo o lado. Marcelo não abandonava programas televisivos e permitia-se discutir com todos os candidatos. Tivessem ou não gravata.
Os próximos tempos vão ser interessantes, sobretudo para politólogos ou até para quem gosta de comunicação, aqui me incluo, porque podemos deixar de ter ‘os sapatos vermelhos de Prada’ e passar a usar os sapatos de todos os dias… tal como fez Francisco ao chegar ao Estado do Vaticano.


Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe

terça-feira, 1 de março de 2016

Os partidos políticos estão distantes das pessoas

     A política está desacreditada. As pessoas não conseguem identificar-se com as opções tantas vezes tomadas e que sacrificam sempre os mesmos. Os poderosos estão sempre protegidos. Há duas realidades numa só sociedade.
     Mas se há conhecimento do que realmente se passa, o que fazem os gestores da ‘coisa pública’ e o que podem fazer as pessoas no geral?
     Estudar! Estudar! Estudar!
     Só o conhecimento é que pode alterar toda esta pouca vergonha social. Há efetivamente duas realidades muito distintas neste país. Há a sociedade com regras, onde tudo é feito à luz do dia, e há uma outra sociedade só acessível a alguns. Na primeira temos de obedecer a regras feitas pela segunda (ou segundas). Isto é o que realmente se passa. As sociedades secretas fazem as regras para a sociedade civil obedecer. Depois, só mesmo muito depois, surgem os políticos que estão em determinados cargos e por isso sabem onde podem recorrer para conseguir apoios para os seus projetos… no fim da linha, está o povo… e aqui já não chega nada!
     Daqui a ano e meio, mais coisa menos coisa, há eleições autárquicas. As obras vão arrancar em força, só para ficar na memória mais recente das pessoas, tratando-as como ignorantes. E, mais uma vez, ver-se-á até que ponto ainda funciona essa estratégia. Por falar em estratégia, haverá multiplicação de encontros e participações em ações sociais, até porque os candidatos têm de aparecer para serem conhecidos. Os discursos vão-se repetir, porque mais uma vez aparece a velha frase ‘aprecio muito quem trabalha em juntas de freguesia porque esses é que estão junto das populações’. E, também como não pode deixar de ser, a palmadinha nas costas é sempre bem-vinda para que todos possam ver que o senhor fulaninho até é bem tratado pelos políticos da elite pacóvia.
     O que fazer para alterar isto?
     Estudar! Estudar! Estudar!
     As próximas eleições autárquicas não vão trazer nada de muito especial. As estratégias não vão variar muito. Desengane-se quem pensa o contrário. Nada muda quando se resolve fazer política dois ou três meses antes do ato eleitoral. E não adianta dizer, repetidamente, que há um plano, uma estratégia ou qualquer outro sinónimo para dizer que ‘agora é que é’!
     O contacto com as pessoas é fundamental. O eleitorado tem de conhecer os candidatos. As redes sociais e os jornais são importantes mas não substituem o modelo presencial. Três meses servem o máximo para iludir, nunca servirão para dar a conhecer.
     Se não acreditarem nestas ideias, basta fazer uma sondagem de café e pedir para nomear todos vereadores de um município e qual o seu pelouro. Com toda a certeza que a maior parte das pessoas não saberá responder, quanto muito apenas lançar alguns nomes.
     O indivíduo tem de se afirmar em primeiro pelo exemplo. No emprego, nas associações, na cidade ou na aldeia, no emprego… enfim, a prestação do indivíduo é que o poderá definir como um político, no sentido literal da palavra, capaz de enfrentar verdadeiros desafios de uma comunidade. É claro que esta é a minha posição. Não gosto de políticos profissionais, porque não sabem fazer mais nada do que ser políticos!
     Escolhamos bem, sejamos inteligentes!
     Quanto aos partidos políticos, estes também têm de saber acompanhar mais de perto os eleitos. Ser eleito não chega, é preciso acompanhar o trabalho. Sejam os plenários, seja o gabinete jurídico, por exemplo, para quando surge uma dúvida… ou quando se está na oposição e se deteta uma anomalia... Se existisse um trabalho mais próximo, sobretudo dentro dos partidos, quer fosse executivo ou oposição, certamente que haveria mais justiça.

     Bem, mas isto são ideias de quem é muito prático quando se fala em execução… e estratégia! Por falar em estratégia…



Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Funcionários do Privado têm de trabalhar mais horas e cara alegre

     Não é fácil compreender como é que há uma lei com dois pesos e duas medidas. Considero-me, de todo, um defensor da coisa pública. Sei que foi essa dita coisa pública que democratizou o ensino e fez com que o acesso a milhares de pessoas, tal como eu, pudessem tirar um curso superior. Compreendo que isso seja uma dor de cabeça para os seguidistas do fascismo e herdeiros dos senhores lavradores, mas deixou de chegar a doutor quem era filho do senhor fulaninho e passou a ser uma oportunidade para todos. Isto é igualdade. Isto é democracia. Mas… entristece-me ver que em vez da defesa de direitos iguais, há uns que querem continuar a ser mais iguais do que outros. E ainda mais grave é ver que antes, esses mesmos, não passavam de uns pés descalços.
     O funcionalismo público deve trabalhar 35 horas, até porque era um direito adquirido, mas o setor privado também deve trabalhar as mesmas horas. Não me venham com demagogias dizer que ‘eles têm inveja’ ou que ‘lutem pelos mesmos direitos’. Se os governantes do estado fossem verdadeiros democratas, saberiam que o exercício de funções deveria ser igual e contemplado em código do trabalho. É verdade que muitos, bem à portuguesa, em vez de dizerem ‘também quero os mesmos direitos’, pelo contrário, preferem dizer ‘deviam ficar sem essas regalias’, mas não no meu caso. Isso para mim não é válido, ok? E muito menos, por todas as razões, me consideraria com inveja.
     Mas pensemos em conjunto numa família, por exemplo, de quatro pessoas em que os pais são operários têxteis e ganham o salário mínimo e os filhos são estudantes. E há uma só pessoa, funcionária pública, que recebe mais do que aquele casal. Na família de quatro pessoas, a mãe e os dois filhos precisam de óculos. O funcionário público também precisa de óculos. Quem deveria ter apoio para a aquisição dos óculos. A família de 4 ou aquele que vive sozinho? A resposta parece óbvia, mas quem tem direito aos óculos quase de graça é o funcionário público porque tem um sistema de saúde melhor.
      Eu conheço bem estas situações e só posso dizer que os meus pais são uns heróis. É claro que poderia juntar-me ao ambiente mais confortável e fazer de conta que isso nem é comigo, mas se hoje tenho duas licenciaturas, uma pós-graduação e um mestrado, tenho que agradecer aos dois operários têxteis que me pagaram os óculos desde a terceira classe.

     E nós que até temos cursos superiores devemos deixar que os outros lutem ou antes juntarmo-nos às suas lutas? A maior parte da população está nesta situação. A maior parte das pessoas não sabe como lutar. Se nos foi dada a possibilidade de entrar numa Universidade, muitas vezes com tanto esforço e a privarem-se de tanta coisa, sejamos nós mais humanos e façamos só uma décima parte do que eles um dia fizeram por nós.

 Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe