terça-feira, 14 de abril de 2015

Marcamos na praia?

Sim! Foi a última palavra que ouvi da boca dela. A tarde estava divinal. Quente como tudo, só mesmo o vidro aberto permitia saborear aquele fresquinho das árvores na berma da estrada. Eu estava feliz. Tudo parecia tão belo. Até mesmo aquele camião que não andava tinha piada... Fui com tempo. Como vou sempre. A estrada parecia não ter fim. Mesmo sabendo que ela não estava lá, não queria perder um minuto que fosse de a poder abraçar. Amo o seu abraço. Amo-a.
Vinte e três minutos depois começo a avistar um carro. Cinzento. Sim. era Ela. Deixei que saísse do carro e só depois é que me atirei nos seus braços. Aquele beijo parecia não querer acabar. As nossas faces encostadas acariciavam a mais ternurenta das paixões. Tinham sido só umas horas de distância, mas ali amava-mo-nos como se já não nos víssemos há mais de um ano.
Procurámos a duna mais escondida. Ali fizemos amor. A praia estava quase deserta. Só avistámos primeiro um e depois outro casal mais junto à água. Descemos para junto do mar e voltamos a ser felizes nos braços um do outro. Correndo um atrás do outro como dois adolescentes sem regras. Atirava-a ao chão... beijava-a... voltava a correr... voltava a beijar aquela cara mais linda que alguma vez...
Pudesse ser isto verdade. Não fosse aquela tua mensagem a dizer: 'Desculpa. Mas não vou!'
Volto ao meu carro. Feliz com o mar. A maresia faz-me bem. Acalma a dor. Alivia a pressão. Fui tão feliz naquele dia. Eu sei que também foste. Aquele abraço. Aquele beijo...
in Sem Chance

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Desisti de ti...

No momento em que me fechaste a porta na cara! Sempre compreendi os teus atos. Eram próprios de quem ama de verdade ou talvez de quem tem medo de arriscar... Já estava decidido, mesmo antes de me mostrares com o teu jeitinho doce agora mais amargo do que nunca. Não esperava mesmo outra atitude.
As primeiras horas são mais aflitivas. Depois a distração do mundo ajuda a atenuar a dor. Só muito tempo depois voltam as forças. A vontade de cortar a barba. Olhar o espelho e sentir-me novamente confiante... Como aquele momento em que te perdia nas palavras. Em que te assustei com a minha ilusão. Em que o Jardim da cidade era o mais belo, porque tu estavas lá.
Volto a ser livre. Deixo-te com os teus pensamentos aterrorizados porque não és mulher o suficiente para me admitir. Nos admitir. Só o tempo. Esse tempo o dirá que eu estava certo. Mas isso vai demorar meses, muitos meses. Os anos suficientes para que te tornes uma linda lembrança. Um sonho de menino. Uma saudade cheia de nada. 
Só o tempo me dará razão. Mas como todas as outras vezes, já não serei mais nada... Já Tu... Tu serás sempre uma amada ausente, o tal amor platónico, e eu... agora para ti... um carinho especial de há muito tempo... dirás com esses mesmos olhos brilhantes... como todas as outras paixões da adolescência.
Volto ao meu quarto. Ao meu porto de abrigo. Olho o telemóvel. Apago todas as tuas fotos... sou livre... mesmo sabendo que tu continuas lá... no meu pensamento... e eu sei isso... e sou feliz.
in Sem Chance

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Quando te vi a primeira vez

Não teci qualquer tipo de juízo de valor. Não foi mesmo amor à primeira vista. Acho que o problema está mesmo aí. Se fosse, possivelmente já teria passado este drama. Hoje acordei mais feliz do que ontem. A tua ausência perturba-me e conforta-me ao mesmo tempo. O tempo cura as distâncias e tu... lá estarás, algures, sem pensar uma única vez em mim. Aqui também há festa. Há amores e dasamores. Há outras realidades que só se cruzam contigo por instantes. Porque teimas em não sair do meu pensamento.
Volto ao sabor dos pássaros enquanto dou mais uma volta no meu leito quente. A Primavera é fantástica. O despertador dá sinais de obrigações a cumprir. Tudo está meticulosamente planeado, ainda que os planos se alterem constantemente. É mesmo assim... antes alterados do que nunca realizados...
Dentro de mim, mais consciente do que nunca, há a certeza de outros momentos felizes... contigo... sempre ali... no mesmo Jardim que nos viu um dia amantes. Estou sem ti... mas serei sempre feliz enquanto o pensamento me lembrar de ti!
in Sem Chance

segunda-feira, 30 de março de 2015

Sufocas-me

– Desculpe!
– Não tem importância.
– Desculpe mais uma vez. Pode emprestar-me a revista do jornal?
– Claro!
– Obrigado. Vai para o Oriente…
– Sim. Como sabe?
– Tenho-a visto a sair lá.
–  A mim? Já me viu outras vezes?
– Todos os dias. Entra em Moscavide às 06h55 e vem até Alcântara. Depois regressa às 17h20 ou 17h40 e sai na Estação do Oriente, mas vai mais no das 17h20.
–  É verdade!
– Mas tenha calma. Não sou detective.
 Por momentos até pensei!
– Peço desculpa pela ousadia. Não a queria perturbar. Embora… confesso… precisava dizer-lhe isto. Não me pergunte porquê! Não saberia responder-lhe…
– Espere! Estão-me a ligar… oh, parou… é só uma mensagem.
– Estamos em Entre-Campos, já não falta muito para si.
– Pois… talvez...
– Não saia!
– Desculpe?!?
– Desculpe você. Excedi-me! Não queria dizer isto!
– O comboio hoje está vazio… por que me olha assim?
– Não sei… sei… no outro dia… desculpe… não… não…
– Fale. Quero ouvir. Sinto que o conheço! Não percebo!
– Você é linda…
– Então?
– Não! Não! Não nos conhecemos, eu sei, mas é como se a conhecesse há muito. Vejo-a todos os dias…
– Pelos vistos, já me conhece todos os passos…
– Linda… tão linda… nunca vi mulher igual!
– Você está a deixar-me sem jeito.
– Vamos. Vamos sair na próxima estação, os dois?
– Sim! Não… não… não pode ser! Não o conheço.
–  Oriente! Saímos?
– Não! Na próxima!
– Estranho. O comboio parou. Saiu toda a gente…
– Espere… não saia.

A minha fantasia volta a ganhar sentido. Sou feliz por instantes. Não sei mais o caminho a percorrer. Sinto-me perdido. Acordo. Quatro da manhã. Vou à net. Tu não estás lá. Chega. Assim não. O meu pensamento sufoca-me! Tu estás lá, sempre... 
in Sem Chance

domingo, 29 de março de 2015

Abraça-me!

«No início hesitei. A sua atitude era tão meiga. Nunca percebi bem. Acho que me apaixonei pelo jeito dela. Não havia qualquer chance para uma relação. Todas as portas estavam fechadas. Nem mesmo as da ilusão alguma vez deram sinal de se querer abrir. O sonho encurralava-me em cada frase que proferia. Mais uma vez a sua atitude era divinal. Que Menina linda. Que Mulher perfeita!
O percurso era curto. Não queria nada que acabasse. Nunca me tinha sentido tão perto dela. Contei tudo. Ela era especial. A sua compreensão foi imediata. Um dia parámos. Era impossível. Mais do que a proibição da lei. Era a sua proibição. A minha também. Mais a dela, confesso.
Olá. Que bonito. Ainda me lembro das suas palavras e das minhas ao cachorro que resolveu saudar-nos no Jardim mais bonito da cidade, só porque Ela estava lá. Estava feliz. Nada era meu. Só mesmo aquela sinceridade que me derrubava. Abracei-a. Abraçamo-nos. Nunca vou esquecer aquele abraço. Tão suave. Tão meigo. Tão bom.
As noites perturbadas. O silêncio da distância. Impõem-se a verdade. A sua verdade. A minha também. Mas a verdade dela é mais forte.
Olho as estrelas do imaginário. Perco-me na saudade do que não vivi. Mas sei que um dia... um dia fui tão feliz só com um abraço!»
in Sem Chance

sábado, 28 de março de 2015

Olha-me nos olhos

«Ela estava lá! Sentada como de costume. A minha respiração altera-se. Já não sabia mais o que fazer. Esquecia-a por instantes. Um café... Estava ali. Agora. Tão doce como sempre. Não me olha mais... Vou-me embora confiante. Mais triste do que nunca. Mas vou voltar. Reforçado. Não feliz. Agora a luta é outra. Há mais verdade. Tudo parece voltar ao princípio da criação. O centro das atenções volta-se para futilidades insignificantes, mas as certezas são cada vez mais. Atiro-me novamente aos afazeres. I'm the best. No stress.
Tudo isto não passava de máscaras. Os meus sentimentos não mudaram. Resfriavam apenas. Volto a ser eu. Procuro confortar meus pensamentos perturbados. Acredito nas forças da brisa. Sou eu. Estou vivo. Hoje quem não te olha mais nos olhos sou eu. Mas eu quero-te ainda mais do que ontem. Tu sabes isso. Mas vais duvidar. Aposto que vais voltar com a mesma intensidade como me tratavas. Ou talvez não voltes mais. Mas eu estou vivo. Tu deste-me mais esta certeza. Obrigado. És linda. Olha-me nos olhos.»
in Sem Chance

quarta-feira, 25 de março de 2015

Município de Fafe e INDAQUA uma relação perigosa

Em busca da taxa perdida

As relações que o Município foi estabelecendo ao longo de 30 anos não são de todo as melhores para os cidadãos fafenses. Já sabemos a história amorosa do Município e da Naturfafe, o quase divórcio do Município e da COFAFE e… ainda temos de levar com mais esta privatização das águas que é dos assuntos que nenhum país deveria permitir. Água e Luz nunca deveriam ser privatizadas ou, pelo menos, sem que o poder público tivesse controlo para que não existissem abusos.
Todos nós sabemos que dentro das relações, para que elas funcionem, têm de existir cedências de parte a parte. Hoje cedo eu aqui, tu amanhã arranjas 20 postos de trabalho para os meus fiéis seguidores e se não são passam a ser…
Relações à parte, parece-me que há aqui uma distração de Raúl Cunha em compactuar com esta situação da INDAQUA. Mas também me parece que o PSD não está a fazer o seu trabalho nesta matéria. Uma das propostas do candidato do PSD, se ganhasse as eleições, era municipalizar as águas de imediato. É bem verdade que o PSD não ganhou, mas está lá. Também é verdade que já aconteceram negociações entre o Município e a INDAQUA nesta legislatura e as coisas agravaram-se em matérias de taxas… Sinceramente não sei o que diga quanto a isto…
O que me parecia, neste momento, mais importante seria repensar a forma como estão a fazer as coisas, ou seja, na carta que estão a enviar aos munícipes há um discurso muito pomposo, a roçar a benevolência, mas logo diz ‘ou faz ou paga multas pesadas’.
O que é isto?
Esta atitude não está compatível com a que Raúl Cunha nos tem vindo a presentear. Não seria mais eficaz se agora surgisse apenas só a parte em que diz: neste momento quem quiser meter água da companhia, que será obrigatória para todos, mais ano menos ano, os custos serão suportados pela autarquia e quem não quiser agora ‘só terá direito à ligação gratuita todos os que ultimamente tiverem acesso ao ramal’ ou até 'todos e pronto'.
Para que fique bem claro, isto não é uma questão pessoal, até porque a minha casa já é servida pela rede de águas pública, só espero que não saia azul ou às cores, e também concordo que todos os edifícios estejam ligados por uma questão de saúde pública, mas só concordarei com isto quando o concelho estiver coberto a 100%, o que não é o caso. E porque também sei que isto só servirá para pagar uma taxa à INDAQUA, porque as pessoas vão continuar a beber a água do seu poço… e há pessoas que mais uma taxa faz diferença, onde está a JUSTIÇA SOCIAL? 
É por estas e por outras que me sinto mais à esquerda dos tais da esquerda...
Fafe está com uma imagem muito positiva neste momento. Não mudo uma vírgula aos artigos que escrevi até ao momento, mas mais importante do que a imagem para o exterior é a qualidade de vida dos seus Munícipes, pois essa é a melhor imagem que qualquer concelho pode dar.