terça-feira, 20 de maio de 2014

Não sabia que o Bispo D. Eurico pensava como eu...

«Não vim para o Niassa para passar o tempo a tomar café com os ‘grandes’ da terra e chá com as respectivas esposas, como talvez eles desejassem (...) talvez um dia a minha voz se faça ouvir e cause escândalo nos homens da política bem instalados na vida ou facilmente acomodáveis.»
D. Eurigo Dias Nogueira,
Bispo emérito de Braga

Gostei! Gostei mesmo muito! Like nisso! 
Cresci numa aldeia do Norte. Regadas. Uma freguesia do concelho de Fafe e distrito de Braga. Desde muito menino que ouvia o nome de D. Eurico nas Eucaristias. Há sempre muita coisa que não sabemos. Era o Bispo de Braga e pronto. Mas quem era o Bispo? O que é que ele fazia? E quem era o Homem? Quais as suas convicções e tomadas de posição, sendo um alto representante da Igreja Católica, na sociedade?
Confesso que nunca soube muito sobre D. Eurico. Também não procurei saber. Hoje, porque as notícias aparecem sem termos pedido nada, considero que a Igreja deveria ter falado mais do homem ao mundo, principalmente nas paróquias da sua diocese. Braga, as aldeias de Braga (distrito, entenda-se), ainda são demasiado conservadoras e em muitas zonas ainda há a ideia do Padre com os fulaninhos da política e a 'tomar o chã' com as suas senhoras... Mas, ao que parece, o próprio D. Eurico era avesso a essas atitudes. O que me leva a dizer que se o conhecessem mais como homem não se fazia tanto disparate nas terrinhas...
D. Eurico parte. Que a sua alma fique em paz. Mas que as suas palavras sejam o despertar para um mundo, finalmente, em transformação.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Queima das Fitas II

 Médica de um lado. Psicóloga do outro. Protegidíssimo. Sair à noite, em altas festas estudantis, já não é para todos. A idade começa a pesar e um tipo tem de se precaver… Há quem se refugie no ‘guronsan’, mas a possibilidade de estar ladeado por duas profissionais da saúde, física e psíquica, torna-me um tipo mais importante!
A festa foi mais curta este ano. Uma só noite do parque apenas, para mim. Mas o dia foi bem escolhido. A malta da República da Praça não vacila e o ajuntamento da boa disposição encantaram no tão badalado recinto da canção.

 A vida é festa. Nem sempre é esta festa. Até porque esta só acontece durante uma semana em cada ano. A vida é sempre festa quando por perto estão os amigos. Aqueles que “são capazes de tirar a camisa para nos emprestar” e só descansam quando nos veem bem. Dizem por aí, muitos entendidos, que as novas gerações não têm valores. Não querem saber de nada... Não se preocupam com nada... Uns até podem ser mesmo assim, mas quem sai à rua com esta gente, quem tem o privilégio de ver, ouvir e participar nas suas discussões, e não se resguarde em Bunkers prostibulares dando diferentes imagens do ser aparente, consegue perceber que a sociedade continua exatamente como antes, talvez os mais jovens só não aceitem tudo o que lhes ‘tentam vender’ sem questionar, mas no cerne da questão há muitos valores nestas gerações porque são mais diretos no trato. Basta o facto de dizerem o que pensam 'sem se esconderam por trás da cortina da hipocrisia'.

sábado, 17 de maio de 2014

A "selfie" da Queima das Fitas

Queima das Fitas de Coimbra é Queima das Fitas, mas não seria se não fosse lá! Este ano, pela primeira vez desde o ano de 1998, foi a primeira vez que só fui um dia ao recinto. Ao famoso Queimódromo que acolhe milhares de estudantes de Coimbra, mas também de outras Universidades e Politécnicos que se juntam para estes dias de muita euforia.
Após umas voltas de reconhecimento ao recinto com o Ñito, camarada de entrada em 1997, lá encontrámos o camarada Paulo Bernardo da República da Praça. Umas cervejolas e um Licor Beirão com direito a chapeuzinho não podia passar sem um registo para a posteridade e eis que o Paulo, nick name Xni, resolve puxar do seu telemóvel e surge a selfie. Claro que há festa para além daqui, mas o Xni tinha de levar o carro à inspeção no dia seguinte, e teve de se despedir. Ainda ligámos ao Fafe, às 4h00, mas ele não atendeu... bem, nós tentámos! É que um gajo tem consideração pelos amigos...
Volto já a este tema, há mais para contar...

XVI Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico


terça-feira, 13 de maio de 2014

Cuidado com o EXCELENTE

A palavra excelente é poderosa. Quem não gostava de ver nos testes EXCELENTE? Quem não gosta de ouvir dizer que é uma Excelente pessoa? Teve uma Excelente ideia. Um Excelente princípio…
Desde uns tempos para cá, comecei a aperceber-me da necessidade de alguns figurões em classificar umas certas atividades de ‘excelente’. Não se tratando de uma pauta numérica, não passam de meros juízos de valor. Tratando-se de um grupo que mereceu enormes críticas, pela forma como fora introduzido na comunidade, só se pode concluir que este ‘excelente’ não é mais do que a necessidade dos seus mentores em afirmarem as suas próprias opções e com isso tentarem influenciar a opinião pública.
Ora, o meu conceito de Excelente não é o mesmo daquele ‘excelente’! Até porque há indivíduos que se auto classificam de ‘excelentes’ e tudo o que fazem é ‘excelente’, porque são ‘excelentes’ e ninguém é mais do que ‘excelente’.
Bem, vou continuar a apostar no Muito BOM e olhar para as muito BOAS… coisas da vida! J


Haja alegria e que o resto seja fantasia

domingo, 11 de maio de 2014

O dia do cartolado

Já lá vão uns anitos. Onze, para ser mais preciso. Os meus pais e a minha irmã lá vieram para me dar aquele abraço que só eles sabem dar. O cortejo ainda era a uma terça-feira, não era fácil para o meu pai que trabalhava no turno da noite fazer aquela viagem quase sem dormir, mas veio ele, a minha mãe que também não trabalhou nesse dia e a minha irmã que teve de faltar às aulas.
São muitas as fotos que contam uma pequena história e poderia selecionar, mas esta é especial. Hoje vou ao cortejo. Já falta pouco. A malta da minha República já deve andar em reboliço. Deviam-se ter deitado há uma ou duas horas, a noite foi forte, mas os velhinhos começam a chegar e ninguém dorme mais. Bem, dormir nesta altura é brincadeira, estudante de Coimbra não dorme na Queima, só descansa.
«Ó Mãe, eu sou doutor…» embala-me os ouvidos. Mas sou mesmo. Não é que isso seja um assunto que entre no meu dia-a-dia. Não é o título. Todos sabem bem disso. Sou e pronto. Mas sou. E sou porque os meus pais, ainda que de recursos sempre controlados, nunca desistiram de mim… ou melhor… dizer de nós é mais apropriado. Os seus míseros salários eram uma vergonha nacional. Mas nunca faltou o pão, nem o arroz, nem a roupa, nem tudo o que fosse realmente preciso…
Esta é uma pequena homenagem. A maior está gravada nos meus diplomas onde se conjuga o meu nome com o deles, porque o meu curso também é deles.

Obrigado Pai, Mãe, Mana. 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Estamos na campanha... mas a banana já estava frita

Eu e o 'mê amigue' também resolvemos entrar na campanha "Todos somos macacos". O grande problema é que a banana já estava frita, mas como em tudo na vida o que realmente conta é a intenção e disso, não temos dúvida, não há pessoas superiores, há pessoas e ponto!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Liberdade chega a Fafe 40 anos depois da Revolução dos Cravos

Blog Montelongo, o único órgão que não censurou os meus artigos em Fafe

Quando me apercebi, estava a ser convidado para escrever no Blog Montelongo que não conhecia muito bem. Reparei que o meu blog, Pedro Miguel Sousa, inicialmente criado para um projeto político com o nome Pedro Sousa Fafe e, depois, para colocar os artigos de opinião que publicava no jornal Povo de Fafe já aparecia nos blogues em destaque. Essa é a razão do próprio nome, ou seja, usava e uso o nome que estava registado na Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.
Fiz amigos. Organizei um debate com os camaradas do Club Alfa, onde participaram pessoas de diferentes posições, e já estamos a organizar o próximo. Só estou mesmo à espera que a gráfica me entregue as revistas que serão distribuídas nesse dia que contém excelentes artigos de gente que também escreve em blogues. Conheci finalmente o que tanto queria que acontecesse e que na Imprensa Escrita nunca fora alcançado: uma liberdade total, onde eu fosse o único responsável pelo que escrevia e, por isso, poderia publicar o que bem me apetecia. Sim! Eu responsabilizo-me pelo que faço, não preciso ter um inquisidor que me diz o que posso e não posso… ainda que todos saibamos as razões de isso acontecer.
O Blog Montelongo influenciou decisões políticas. Obrigou os agentes da autarquia a arrepiar caminho e estar mais atentos ao que a população desejava. Já não estavam mais a trabalhar num campo em que a comunicação estava controlada, agora o campo está minado… e pode explodir a qualquer momento.
Os leitores do blogue são mais exigentes. Uns têm coragem de dizer tudo e assinam, outros com o anonimato dizem o que já todos sabemos, mas dizem e, nestas coisas, quem não deve não teme. Não é a crítica pela crítica como alguns tão conhecidos tentaram mostrar, até para denegrir a imagem da blogosfera, mas é a crítica porque fazem mal ou só fazem conforme as conveniências. Há também a crítica que nós procurávamos, mas nem todos a entendiam, a construtiva. Não é fácil escrever uma crítica, há pessoas que ainda hoje não percebem o que significa ‘crítica’. Quem dera aos escritores terem uma crítica aos seus livros…
A democracia não estava em Fafe. As pessoas tinham medo (e ainda têm em certos casos) de falar porque diziam: ‘podemos precisar deles’. Este clima de medo, instalado e enraizado nesta pequenez de cidade, deixava-me ‘enojado’.
Fafe está hoje a acordar de um coma profundo. As últimas eleições revelaram um desprendimento monárquico e com tiques ditatoriais. E nas aldeias? Os cães de guarda andavam por todo o lado… ameaçavam as pessoas se não fossem seguidores do regime. E o que faziam os poderosos quando sabiam? Nada! Não estou a falar antes do 25 de Abril, até porque só nasci em 1979.

O Blog Montelongo cumpriu a sua missão! Estou muito orgulhoso de ter pertencido a essa geração de malta bem disposta que marcou ‘Presença’ em Fafe. Qual Geração da Presença? Qual Geração Rasca? Que revolucionou a forma de pensar. Que fez a tão desejada “Revolução Cultural”. Os seus textos não podem ser perdidos. Um dia, mesmo que seja daqui a 30 anos, alguém vai pegar nestes textos e estudar sociologicamente o que aqui se passou e, sem dúvida, Fafe ficará mais rica.