terça-feira, 29 de abril de 2014

Sinais de mudança na Igreja de Fafe

Falar ‘Igreja de Fafe’ soa mal. Parece que há Igrejas diferentes e cada uma prega conforme a batuta do seu maestro, mas pensando bem, não será mesmo isso que acontece?
Não conheço o Padre Abel Maia. Nunca assisti a nenhuma celebração sua. Mas já li várias notícias a seu respeito, mais concretamente, sobre as suas atividades pastorais. Se tivesse que o classificar, ressalvo novamente que não conheço de perto o seu trabalho, diria que se trata de um padre missionário. Muitos dirão apenas um padre, mas não é a mesma coisa. Sei do que falo. Fui seminarista durante 6 anos na Ordem dos Padres Vicentinos e a preparação dos futuros padres é direcionada para as pessoas e em particular para os mais pobres. Os Padres Missionários são padres de ação. Padres que não têm problemas em fazer, mesmo que com isso possam ser ‘olhados de lado’… e Fafe não estava muito habituada a este tipo de intervenções. É verdade que há outros com esse mesmo espírito empreendedor, mas faltava um Moisés para separar as águas entre a política e a religião.
Padre Abel Maia foi-me dado a conhecer em primeiro por um email que recebi de um camarada de Mirandela. A terra de meu amigo que tinha como pároco Abel Maia. As referências, não do meu colega mas da sua mãe, foram bastante positivas, o que logo me pareceu bem, ainda que não achasse nada de fascinante, até porque não frequento assim tanto a paróquia de Fafe, mas sim, sou católico praticante, ainda que sejam em paróquias à volta da minha aldeia. Razões que por enquanto não interessam ao caso…
ACABAR COM A BAJULICE AOS POLÍTICOS… espetacular! Já tive oportunidade de escrever sobre a atitude do atual Presidente da Câmara, não podia deixar de destacar agora o pároco de Fafe que assume finalmente as rédeas da cidade e quem manda é mesmo ele. Ou talvez, a vontade de Deus, porque só Jesus Cristo foi capaz de destruir o comércio existente no Templo… agora, muitos séculos depois, Abel Maia tira a politiquice da Igreja, coisa que nenhum outro tinha feito até ao momento.

Papa Francisco está a mudar a forma de agir da Igreja católica. Padre Abel Maia começou a mudar a Igreja de Fafe que também é católica. Resta esperar que se espalhe pelas aldeias essa mesma separação, depois os donos da comissão fabriqueira não vão poder usar o altar para se promoverem politicamente. Os chefes dos Centros Sociais não vão poder intimidar os velhinhos que se não votarem no partido da Câmara deixam de receber comida… e muitas outras vigarices em nome de Deus, mas a usar a ingenuidade das pessoas, mais desfavorecidas, para que os seus tachos continuem a prosperar. A religião tem disto, mas acredito que mais investidas de padres com espírito cristão possam alterar a forma de atuar.


sábado, 26 de abril de 2014

Eu posso, tu podes, ele e ela podem... mas nós podemos muito mais!

Tantas e tantas vezes, desesperados com situações que não sabemos muito bem como resolver, sobretudo quando terminamos um curso e precisamos de um emprego ou simplesmente porque perdemos o emprego e também não sabemos o que fazer, a quem nos dirigir... até porque os Centros de Emprego não têm nada para oferecer, a não ser umas formações para tanguear as estatísticas, por tantos momentos entramos em desespero...


  "O Poder não se mede pelo que 
podem fazer por nós, mas pelo 
que nós podemos fazer pelos outros."

É claro que recorremos aos amigos, pelo menos pensamos que são, que até dizem umas coisas e estão lá na política, mas logo nos apercebemos que eles só querem é mesmo o seu bem-estar e os outros que se lixem com um 'F' bem grande...
Lá vamos nós. Currículos na mão, devagarinho no carro para não gastar muita gasolina porque só temos 5 euros que a nossa mãe tirou do porta moedas para nos dar, é que ela sabe bem que não podemos devolver, tocámos à campainha e somos dirigidos para a secretaria onde uma senhora simpática nos recebe e diz que podemos deixar o currículo com ela...
O regresso a casa, entre lágrimas desesperantes, é acalmado com aquela música que nos vem salvar numa rádio que já é mais nossa companhia do que a nossa família porque passamos o tempo na estrada à procura do que ninguém tem para nos oferecer.
Vamos desesperando dia após dia... a pressão familiar é tanta que já não sabemos responder com o jeito que eles merecem... até que decidimos, mais uma vez, pedir auxílio a outro, pensámos, amigo que foi nomeado para um cargo público. As suas recomendações são as melhores e o grau de confiança aumenta, até chegar ao destino e ouvir de uma funcionária mal amada que ali 'não é a Santa Casa da Misericórdia'.
Foda-se!
Se eles não podem, posso eu... Mochila às costas e partimos em busca do acaso. Limpar pratos? Servir às mesas? Corrigir textos? Dar explicações? Limpezas? Nada... ninguém precisa de nós... a fome aperta.
- Uma sopa, por favor. 1 euro. - Não quer mais nada? - Não, obrigado!
Querer, até queria, mas o dinheiro já é pouco e ainda tenho de apanhar o autocarro. O bilhete custa 18 euros e só tenho 20. E se fico doente?
Não, isto não vai mais acontecer.
- Boa tarde!
- Desculpe, mas agora não tenho tempo.
- Desculpe mesmo, só 1 minuto, por favor. Acho que tenho uma ideia interessante para a sua empresa.
- Como assim? Nem cá trabalha.
- A minha proposta pode não ser inovadora, mas gostava de lhe mostrar que pode inovar em alguns aspetos e rentabilizar mais os recursos, o que significará um aumento de capital e nem precisa investir...
- Sente-se, por favor...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

É hoje que conto tudo…

Este título vai trazer visitas. Não porque vá “contar tudo”, pelo menos por agora, até porque ainda faltam uns pormenores à grande exposição pública que os impostores merecem. Noutros tempos, todo este parágrafo já estaria riscado e eu com a cabeça a prémio. Mas como já não estamos em outros tempos, vou continuar a escrever este artigo, agora chamado de ‘post’, no ‘meu blog’, e ele vai ser publicado livremente, não fosse eu o editor/proprietário/gestor/articulista e blogger responsável…
Hoje é Abril. Hoje não há diretor nenhum que me proíbe de publicar o que quer que seja, porque o diretor sou eu… hoje, neste Abril, posso escrever sobre ‘As princesas que sonham’ porque elas, sobretudo as filhas dos senhores lavradores de há 60 anos – ainda não vai nem há um século, já podem casar com quem quiserem, independentemente do ‘marmanjo’ possuir terras ou umas cabeças de gado… Hoje, os filhos da classe baixa estudam nas melhores Universidades do país porque tiveram notas para lá entrarem… hoje, hoje é Abril e só me lembro da ‘Grândola Vila Morena…’ vai-se lá saber porquê…
Hoje, neste dia 25 de Abril de 2014, há políticos espalhados por todos os lados. Uns de cravo ao peito, outros de risquinha ao lado, mas todos emproados em gravatas eretas, desdobrando as expressões em sorrisos hipócritas porque a sua liberdade não são mais do que os ordenados ao final do mês que lhes permite uma vida mais desafogada do que o pobre do cidadão comum. Esses mesmos políticos, os defensores da liberdade, não passam de uns maltrapilhos que julgam todos mais burros e que jamais estariam preparados para assumir outros cargos, porque eles é que são os bons… os outros não, principalmente aqueles que estão ao lado, porque podem ter mais protagonismo.

Hoje é Abril… e o dia tem as mesmas 24 horas como todos os outros dias!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O sonho das Princesas

É giro! Diria, muito giro! Saber que ainda há Princesas que sonham com o seu Príncipe, que as vai regatar dos seus aposentos que ficam sempre no sítio mais alto dos castelos para que estejam protegidas de qualquer malfeitor. Nada poderia ser mais trágico a um reino do que perder a sua Princesa. Qual Helena de Tróia? Quantas guerras despontaria?

Gosto de saber que as Princesas sonham com Príncipes encantados, porque essas são as verdadeiras Princesas. Não conhecem, por vezes, mais do que o rosto belo do seu amado e, qui çá, a cor dos olhos quando estes são alcançáveis do alto dos torreões castelares. Estas Princesas sonham partir com esse desconhecido, mesmo sabendo que deixam para trás as terras, o ouro, a esmeralda e todos os outros bens próprios do reino. Como admiro as Princesas…

terça-feira, 22 de abril de 2014

ANDRÓMACA de Eurípides

Associação Cultural Thíasos vai apresentar a sua mais recente produção: "Andrómaca", de Eurípides. E, como é óbvio, está todo o mundo convidado para assistir a esta peça cujo encenador é o meu camarada da República da Praça, e dos Clássicos, o João Baptista de Sousa. "Andrómaca", de Eurípides, é uma tragédia que nos mostra dor, raiva e perda, e que tem em foco Andrómaca, mulher de Heitor, agora escrava de Peleu e do filho de Aquiles.

 Teatro Paulo Quintela – FLUC
Terça-feira, 29 de Abril, às 21:30
 (Entrada Gratuita)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A minha caricatura já está pronta!

Bem, para ser mais sincero, já está pronta há muito tempo. Desde aquele dia em que nos metemos todos no atelier do caricaturista para que este pudesse traçar os nossos rostos e dar aquele toque personalizado que só era possível porque em conjunto as ‘bocas’ escapam-se sem barreiras.
Lá estávamos! Uns mais felizes outros menos, até porque a caricatura não agradava a todos, será que descobriram que eram mais feios do que pensavam?!?! J
O exagero é a característica fundamental da caricatura. Aliado às tais bocas dos colegas de curso, o exagero brindava-nos de uma forma estonteante… era a festa… o clima… a saudade da partida anunciada… a incerteza de uma vida que só estava a começar… a melancolia dos companheiros que jamais veríamos… a cidade que nos recebeu meninos e transformou-nos em senhores…
Coimbra faz isto! Tem visco!
E porque tristezas não pagam dívidas,
venha a festa,
‘as recordações de um passado’,
Afoguem-se as mágoas ‘até que a voz nos doa’,
Soltem-se as serenatas às donzelas,
As capas negras ao luar
E juntemo-las novamente, porque somos Coimbra até à eternidade!


Efeerreaaaaaaaa…

Cidade aldeia

Há uma metamorfose a acontecer em cada pé lançado por entre uma natureza que só não é despercebida a quem a revisita de vez em quando. Os terrões que nela permanecem nem lhes dão valor, ou pelo menos o devido valor, nós, os outros, caminheiros de obrigações profissionais, contemplá-molas com uma atenção contemplativa. Também somos terrões, apenas nos demoramos na caminhada, porque a pressa deixa de ter sentido na natureza sempre igual para uns mas bem nossa só naquele momento.
Lá não há destas flores. Há outras mordomias. Mas aqui o ar é mais puro. O vento tem outro sabor.
Aqui, a cidade é aldeia. Lá, a cidade também será aldeia. Aqui, a cidade é tão aldeia como a cidade, mas lá, cidade é só cidade-aldeia.

domingo, 20 de abril de 2014

Não adianta! O fogo do Loureiro é o melhor

A Páscoa na minha aldeia é especial. Já percorri uma parte da freguesia, durante alguns anos, como elemento do 'compasso' (um grupo de pessoas que parte da Igreja logo pela manhã lançando a notícia que Cristo Ressuscitou). Uma tradição muito antiga e que se vai mantendo pelas aldeias do Minho.
Os últimos anos têm sido mais recatados, em família e de casa em casa como manda a tradição. Mas há uma passagem obrigatória: o alto do Loureiro, um lugar da freguesia, onde moravam os meus avós e atualmente residem, mesmo ao lado, os meus tios...
Bem do alto do Loureiro contemplo juntamente com familiares e amigos o tradicional 'fogo do Loureiro'. Este já rivalizou com o do Saibro e mais tarde com o de Chã-de-Ribeiras, mas digam o que disserem... o melhor é o do Loureiro!
É evidente que há uma carga emocional que me leva a estas afirmações. As origens familiares são as mais fortes, mas sem dúvida que as recordações de menino vencem qualquer disputa. É uma espécie dos sabores que só são bons porque nos lembram a infância...
Este ano fomos saudados pelas aves. Não sei se queriam dizer mais do que 'estamos aqui'... mas sei que também elas vieram ver o melhor fogo da Páscoa, o 'fogo do Loureiro'.