quinta-feira, 20 de março de 2014

O trabalho invisível de um professor

Nada agradável. Corrigir testes é matéria que bem dispensava. Preparar aulas, isso sim. O Dicionário já é um amigo firme, presente nos bons e maus momentos, a Gramática de Celso Cunha e Lindley Sintra, História da Literatura Portuguesa e os Manuais escolhidos… Sempre tudo a postos para as mais diversas aventuras de confrontação e revisão. Depois há aqueles momentos muito próprios… turmas diferentes, comportamentos desiguais, mais ou menos dificuldades… toca a adaptar as matérias às circunstâncias. Desistir? Jamais. Se uns aprendem os outros, só se se negarem ao conhecimento, também chegam lá. É difícil? Aborrecido? Chatices? Tantas e tantas vezes… Mas o que é o homem sem a problemática da própria humanidade?

quarta-feira, 19 de março de 2014

Dia do pai… é hoje e amanhã e depois também, ok?

Estes dias vi uma carinha tristinha e não consigo deixar passar como se não fosse nada comigo. «O que se passa? Que tens? – perguntei eu! Nada! – disse ela!» Mas eu volto a insistir e entre lágrimas lá me confessou: «Estou farta de estar sozinha. Já não vejo a minha mãe há muitos meses (a mãe emigrou, já me tinha dito). Eu não tenho regras. Tenho falta disso. Se quiser, depois das aulas vou para o Porto ou para onde quiser, ninguém me diz nada… Tenho falta de alguém a colocar-me regras…».
A conversa continuou apenas mais 2 ou 3 minutos. Não tive tempo de dizer muito. Esta já não era a primeira vez que tive uma conversa do mesmo género. Compreendia a situação. Também não gosto mesmo nada de estar sozinho. Mas tentei orientá-la, no sentido de minimizar a dor, para que ela criasse as suas próprias regras e até se juntar a outros colegas cozinhando uns dias numa casa outros nas outras… aquele sacrifício representará um futuro melhor… enfim!
No dia seguinte já vi um sorriso e motivação no trabalho… vamos lá, um dia de cada vez!

A sociedade até pode ser complexa, mas é nas situações mais comuns que ela se uniformiza. A nossa juventude pode ser muito irreverente, mas cá está uma prova que as regras são o pilar da sociedade e a família é e será sempre essa mesma base estrutural para o saudável crescimento.
Nem sempre a família pode estar junta. Em tempos de crise, agravam-se as situações. 
Agora… aos senhores que nos (des)governam: Talvez seja altura de ouvir mais as vozes de quem sente e menos as teorias políticas…


Eu sou um sortudo. Não fui bafejado por presentes caros só porque passei o ano (sempre me disseram: isso é o teu trabalho, é aí que tens de dar cartas) e nada de roupas de marca, mas tive sempre ali uma base de apoio muito forte. Para o bem e para o mal. Ali. Também longe tantas e tantas vezes… mas ali. Obrigado por tudo… aos dois!

Deixo esta música...
Porque é o dia do Pai e a primeira cassete que o meu Pai me ofereceu tinha esta música.
Porque Zeca Afonso canta Coimbra.
Porque o meu Pai me deu uma cassete de um homem que estudou em Coimbra.
Porque eu era um menino em Fafe quando me deu a cassete.
Porque eu cresci e também fui estudar para Coimbra.
Porque meu Pai está em Fafe e eu em Coimbra... com o coração em Fafe com o Meu Pai!





terça-feira, 18 de março de 2014

Bom dia pessoal

Fortemente preparado para mais um dia no batente. Às vezes a tarefa não é fácil, mas nada como uma espreitadela solarenga para animar. Não sei bem a razão, mas de repente este Moinho de Vento fez-me lembrar o Moinho de Água que me recebia de braços abertos todas as vezes que chegava à minha aldeia (Regadas) em Fafe. Bastou um só metro a interferir no projeto de remodelação da estrada para o derrubarem. Enfim, aos prédios novos deixam construir mais um piso, mesmo contra todas as normas, ao pobre do Velho Moinho Centenário, lá da aldeia - porque há quem pense que somos todos uns parolos - destruíram o Moinho que tão bem me recebia. Mas pensando bem, o problema devia mesmo ter sido esse, eles deviam saber que o Moinho 'me recebia bem' e pronto... já estou a imaginar: «receber bem aquele gajo? Nem pensar!...»
Haja alegria e os belos Moinhos de Apúlia para nos recordar os outros... e, claro, o suporte digital do Jesus Martinho que não deixa morrer as memórias de Fafe.
Aquele abraço e um beijinho à fotógrafa...

domingo, 16 de março de 2014

O prédio da Sacor pode ir a baixo?

… Fafe! Política (bem) à moda de… Fafe. Não é que deixaram construir este belo edifício e agora até já falam em demoli-lo? Oh valha-nos Deus e os anjinhos todos… Mas que raio de administração da coisa pública nós temos?
Sinceramente, ainda não percebi muito bem o que se passa com este prédio… foi mal construído? Seguiu tudo à risca mas não acabaram? Confesso que não sei mesmo o que se passa, apenas ouvi uns rumores aqui e ali e continuo sem perceber. Li e reli o artigo no Notícias e Fafe… e continuo sem perceber. Afinal, o que se passa? Será que alguém me pode mesmo explicar?
É claro que isto já não é novo em Fafe, há outro há anos nos mesmos moldes, Royal Center…
Se há erros na construção… se é que é esse o problema… quem falhou? Quem tem de ser responsabilizado?

Não haverá resolução sem ser a demolição? E será que me podem esclarecer do que se está a passar?

sábado, 15 de março de 2014

Isto é fantástico

Recebi os meus livros da Editorial Presença. Não chegou a 5 euros o valor que paguei por estes três livros. Quando lá cheguei, tarefa meia turbulenta porque eram muitos a sobrecarregar a rede, as opções não eram muitas, mas mesmo assim ainda consegui três bons livros. Esta estratégia de Marketing é excelente. Não só permite adquirir livros a preços irrisórios, mas faz com que as pessoas andem a pedir umas às outras para tentarem adquirir os livros pela sua conta. No meu caso não foi necessário, bastou-me partilhar e logo uns amigos (que também gostam de livros) entraram pelo meu link e quase logo fiquei com os pontos necessários. Afinal, tenho amigos. Obrigadinho a eles e a elas e obrigadinho à Editorial Presença por contribuir para que a cultura (minha/tua/nossa/vossa/deles) aumente. Viva a Cultura!

Há uma curiosidade que tenho num destes livros: será que vou encontrar tiques dos atuais políticos idênticos aos de Luís XIV?

sexta-feira, 14 de março de 2014

M.

Amo-te, mas não penso,

Porque pensar faz sofrer...

quinta-feira, 13 de março de 2014

O problema é que os jornais dizem a merda que os gajos como tu não gostam de ouvir…


Mané – Ei! Tu aí! Sim tu, ó totó… que estás para aí a dizer? Não gostas da tua vida? Queres levar um tiro nos cornos? Ou não gostas do que dizem os jornais? Podes sempre limpar-lhe o cú. O problema é que os jornais dizem a merda que os gajos como tu não gostam de ouvir… porque são desmascarados… são trafulhas… deixa ver
(arranca-lhe o jornal das mãos)
«subida de impostos… fraude fiscal… mata a amante e suicida-se a seguir… aumento de desemprego… férias de luxo… esbarra lamborgHini e compra Ferrari…»
Filhos-da-puta! É este o país que temos…

Rute – Chega! Deixa o homem em paz.

Mané – Ai é? Queres que o deixe em paz? E logo tu que estavas a dizer que as nossas famílias é que viviam sem fazer nada.

Rute – E tu sabes bem que é verdade!

Mané – (aponta-lhe a arma) Cala-me essa boca. Só dizes merda…
Rute – E tu só fazes merda. Onde arranjaste essa arma? Já estiveste a fumar…
(Salvador sai sem eles se aperceberem)

Mané – (empurrando-a) Já te disse, caralho. Cala-te!

Zé – (tira-lhe o jornal) Baixa isso.

Joca – Não consegues ser normal? Pensas que estás sozinho? Há gente que gosta de ti…

Mané – (aponta a arma para Joca) Agora queres dar-me tu lições… ó betinha? Mas eu perguntei-te alguma coisa? Achas que me convences por teres uns olhos bonitos e andares sempre bonitinha?

Zé – (agarra no Mané para lhe tirar a arma) Chega Mané! Dá cá isso, senão ainda magoas alguém. Somos todos amigos…


Mané – Somos o caralho. Estamos todos a lutar pela sobrevivência… ninguém é amigo de ninguém na hora da morte… todos fogem… todos se borram de medo de ser apanhados pela bófia… (empurra-o) e chega-te para lá…

SOUSA, Pedro Miguel Teixeira, Back to life, Cena IV (excerto).

quarta-feira, 12 de março de 2014

«Um escravo à inteira serventia da sua deusa!»

Cena IX

(Psique deslumbra-se com esta dedicatória amorosa e quando terminam a cantoria, corre e joga-se nos braços do seu amado)

PSIQUE (Agarrada ao pescoço de Cupido e beijando-o)
Tu és louco! Tu és divinal! Tu és…

CUPIDO

            … um eterno apaixonado! Um escravo à inteira serventia da sua deusa! A mais bela e mais carinhosa de todas as mulheres, que faz parar as chuvas e os ventos, as aves e os animais selvagens com tamanha luz que de si irradia. Não há noite que não clareie, nem dia que não escureça! Os rios correm para o leito e as nuvens dissolvem-se nos mares! Tudo precipita a sua beleza!
(...)

SOUSA, Pedro Miguel Teixeira, AS NÚPCIAS DE CUPIDO E PSIQUE, Ato IV, Cena IX.