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terça-feira, 12 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
Novo rumo
O blog
vai entrar noutra vida. Não significa um abandono a outras formas de escrita,
mas haverá certamente mais espaço de opinião e confronto de ideias. Textos mais
curtos. Fotografias. Ou outra coisa qualquer que bem me apeteça partilhar com
aqueles que nos visitam. Já há muito tempo pensava orientar este espaço nesse
sentido, para um blog no real sentido da palavra, o problema era mesmo a falta de tempo e a dedicação a
outras coisas. Talvez agora ainda tenha o tempo mais preenchido, mas ao mesmo
tempo há outras formas de organizar esse mesmo tempo. O que aqui vai encontrar
não é uma visão reta, provavelmente será a mais tortuosa das visões… mas a vida
é mesmo assim, feita de opiniões divergentes. Educação, Cultura, Arte,
Sociedade… Noite. Amores e desamores. Tudo e nada ao mesmo tempo. O importante
é a comunicação.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Arte, Cultura e Património
“Actualmente [a cultura] não tem
nenhuma relação com a sociedade, e esta separação leva-nos a uma conclusão
perigosa: que a cultura está estritamente ligada à lei, à produção, ao
dinheiro, ao produto nacional, ao status
de cada indivíduo dentro da sociedade”, Joseph
Beuys.
O setor
cultural e artístico, parente pobre dos executivos sem visão estratégica, definha-se
ainda mais quando em causa estão valores estritamente economicistas. Deixar
este setor à mercê do acaso ou da simples benevolência de um grupo mais
empenhado em servir o poder é permitir o fim da criação artística, o que vem a
estrangular a identidade de uma população.
As autarquias têm um papel fundamental na
preservação da identidade da comunidade que representam. Esse papel pode ser abordado
com sentido elevatório ou destruído sem deixar prevalecer as raízes culturais,
artísticas e patrimoniais. Questionar a cultura nas suas origens, tradições e
festejos, assim como permitir a prática da criação, pode significar não só o
avanço da comunidade, numa perspetiva evolutiva no conhecimento proporcionado
aos cidadãos, mas também em questões económicas se isso possibilitar uma marca
capaz de provocar a lei da oferta e da procura.
O concelho de Fafe é vasto em
património cultural, mas não o tem sabido encarar com o respeito merecido. São
múltiplas as aberrações cometidas ao longo do tempo, seja na destruição
(escolas; moinhos…), no restauro (pontes), ou na própria descaracterização do
tradicional nas mais diversas festividades. Fafe não cria identidade, porque
não quer ou não sabe, não aproveita os recursos, não concebe uma estratégia capaz
de levar o seu nome e ver o retorno nas visitas turísticas, sem necessitar de
despojar quantias avultadas em programas televisivos.
A cidade de Fafe está equipada com
bons edifícios para prática cultural (Teatro-Cinema; Biblioteca; Casa da
Cultura; Museus; Sítios Arqueológicos; Escolas… Moinhos; Alpendres… o próprio
Mercado Municipal), mas falta-lhe um plano de ação, o delinear de uma
estratégia que conjugue todos os esforços para uma prática constante de
pesquisa e posterior promoção de eventos culturais e artísticos. Essa
estratégia, por exemplo, à imagem do que já acontece com as entidades ligadas à
Música, passa pela instalação de outros grupos artísticos (Artes Plásticas,
Artes do Espetáculo e Performativas) no Teatro-Cinema ou mesmo em Escolas
abandonadas, mas grupos obrigados a produzir e a envolver a comunidade, dotados
de reconhecido valor nos seus recursos humanos, que possam contribuir para uma
comunidade efetivamente criativa através da formação de novos públicos,
preservar o património imaterial e, ao mesmo tempo, permitir-se enveredar pela
experimentação de outras expressões artísticas (Teatro, Música, Dança, Cinema,
Escultura, Pintura, Fotografia…) e literárias (Poesia, Conto, Romance,
Dramaturgia…).
Apostar na cultura é provocar o
desenvolvimento. Envolver o meio empresarial nas atividades culturais e
artísticas, a médio e longo prazo, representará um alargar de horizontes e
ultrapassar barreiras ideológicas. Está mais do que na hora de traçar linhas de
orientação sem olhar a clubismos ou partidarismos. A cultura é de todos.
in “Notícias de Fafe” (23-02-2013)
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Brindar aos amigos com dinheiros públicos
Se
correr bem há lucros para os acionistas, se correr mal o Estado repõe o
dinheiro!
A
mentalidade portuguesa dos gestores das empresas públicas ou público-privadas é
uma enorme fraude. Estas empresas nunca perdem e jamais pensam em abrir
falência, a não ser que já estejam assegurados outros taxos para os seus
gestores. Como todos comem da mesma gamela nunca está em causa a sua
dissolução. Os interesses falam bem mais alto.
A reportagem sobre o caso BPN é apenas um
exemplo claro do que um só Banco fez para que hoje a vida dos portugueses
esteja infernizada. Este banco tem rosto, melhor ainda, tem vários rostos,
todos eles ligados à vida política, perfilando nos dois maiores partidos deste
pequeno país. E o que lhes acontece? São premiados com nomeações para altos
cargos nacionais e internacionais. Viva a canalhice, viva a fraude, viva a
estupidez de um povo calado e sereno que só serve para ‘ralhar’ quando não lhe
dão as migalhas habituais.
Estas
situações não acontecem apenas nos bancos e nos grandes, vejamos bem ao nosso
lado: será que não andam por aí algumas pseudoempresas, disfarçadas de
autónomas, geridas por próximos do poder político, sem produzir nada de jeito,
mas que dão prejuízo e nunca ficam mal nos orçamentos porque há sempre uma
mãozinha para tapar os buracos que vão deixando?
Portugal
é isto! Um grupo de indivíduos endinheirados, outro de malta bem posicionada e
muitos mais a aproveitar as migalhas que vão deixando escapar entre cada
ferradela no mais saboroso dos manjares reais. E as lutas, as guerras? Estas
são feitas pela classe baixa. Os pobres de espírito ou de cultura, porque não
conseguem perceber que os grandes se protegem, jantam juntos e até partilham as
mesmas festas. Se um perder, perdem todos. Isto passou-se com o BPN, dizem uns
que era gerido por malta do PSD mas a verdade o PS não deixou cair. Seria pior
para o país? Não! Seria apenas mau para os tais amigos, porque se o país
indemnizasse os clientes do banco ficava-lhe bem mais barato do que a
nacionalização.
Mas,
por que é que não se deixou cair o banco? Não era uma empresa privada? Não há
tantas empresas privadas a abrir falência? Infelizmente há, o que faz o estado
para as proteger? Nada, quando a maior parte das vezes bastava perdoar a dívida
ou parte dela e a empresa continuaria a laborar e a produzir.
Deixemo-nos
de lamechices e comecemos a exigir mais os nossos direitos. No poder só
prevalece lá quem nós quisermos. Enquanto só pensarmos nas nossas vidas, não
receberemos mais do que migalhas. Contudo, na nossa opinião, quem tem o
trabalho merece o pão inteiro.
Pedro Miguel Sousa
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Quem não aceita a opinião dos outros...
... também não saberá governar um povo sem ser com a voz da ditadura!
sábado, 2 de fevereiro de 2013
BAKALHAU
Na
semana passada, devido à minha atividade profissional, acompanhei os alunos à
exposição “BAKALHAU”.
Uma exposição coletiva de pintura, escultura e fotografia subordinada
ao tema ‘bacalhau’, organizada pela Galeria NUNO SACRAMENTO|ARTE
CONTEMPORÂNEA, inaugurada em Dezembro e estará aberta ao público até Março em
quatro locais diferentes em ÍLHAVO: Museu Marítimo de Ílhavo; Centro Cultural de Ílhavo; Navio Santo André
e Centro Cultural da Gafanha da Nazaré.
O
recurso a este assunto não se prende com a exposição em si e as obras
apresentadas, ao qual se reconhece qualidade inegável, mas pretendemos destacar
o apetrecho desta pequena localidade junto a Aveiro que demonstra uma forte
viragem para as questões culturais e patrimoniais como ‘alavanca de progresso’.
A autarquia tem feito um trabalho notório no que respeita à identidade de um
povo de pescadores de bacalhau. Construíram um Museu alusivo ao Mar e dão-lhes
vida ao atrair milhares de visitantes, quer com exposições pontuais quer com a
própria exposição permanente das barcaças e da vida dos pescadores e agora com
o aquário de bacalhaus. Para esta exposição, os curadores recorreram a locais
diferentes, espalhados pelo concelho.
As
cidades não precisam ter sempre ideias originais para dinamizar as suas
atividades. Às vezes basta copiar o conceito e adaptar à realidade de cada
terra. Há muito tempo que venho a defender uma aposta que englobe o concelho de
Fafe e não se limite à cidade. Não se deve isto, de modo algum, ao facto de
residir numa aldeia, até porque as aldeias são diferentes e defendo este tipo
de ações em todas que possam representar uma mais-valia. Por exemplo, se Fafe tivesse
um Museu do Trabalho Rural faria todo o sentido, na organização de uma
exposição alusiva ao tema, usar o espaço da Casa da Cultura, do Teatro-Cinema,
da Biblioteca mas também o Museu de Aboim. É claro que para isso era necessário
conhecer a verdadeira identidade de Fafe.
Num
artigo intitulado “Cafés” publicado no Blog Montelongo, António Daniel faz um
levantamento exaustivo de cafés mais emblemáticos de Fafe, na sua maioria
desaparecidos, terminando com uma interrogação: «Por que razão os fafenses raramente souberam acarinhar o tempo?»
A maior parte dos
nomes de estabelecimentos não conheço. Mas concordo com a questão. A cidade de
Fafe (ou os seus políticos), mesmo depois de todas as indicações comunitárias,
ainda olha para o antigo como uma coisa 'velha' e destrói (Escolas, moinhos…).
Não sei se já repararam, mas os atuais
responsáveis andam à procura da nossa identidade do outro lado do atlântico.
Pomposamente designam a cidade de 'Fafe dos Brasileiros'. Não menosprezando o
brilhante trabalho de pesquisa de Miguel Monteiro, que foi meu professor no
Ciclo e que eu admirava por andar sempre à procura de saber coisas antigas - um
dia viu-me na minha freguesia e parou para me perguntar o nome de uma casa de
lavrador (Casa do Niz) - na altura não percebia muito, hoje sei que estava a
reunir material (da nossa identidade), contudo não se pode pensar que somos
todos descendentes dos 'torna-viagem'. A identidade de Fafe está em Fafe. As
suas gentes. A sua ruralidade. Nas casas dos brasileiros mas também nas casas
dos lavradores (ou da lavoira). Miguel Monteiro também tem estudos sobre isso.
Se me permitem uma indicação de leitura: 'Morgado de Fafe em Lisboa' de Camilo
Castelo Branco. Esta dramaturgia é excelente para quem quer investigar sobre a
nossa identidade.
Pedro Miguel Sousa
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
BAKALHAU - EXPOSIÇÃO COLETIVA - PINTURA ESCULTURA FOTOGRAFIA - 2012 DEZ . MAR 2013 - ÍLHAVO - CURADORIA: NUNO SACRAMENTO|ARTE CONTEMPORÂNEA
Esculturas de Pedro Figueiredo
"CAIS" Metal resina de poliester e fibra de vidro, 2 - 272x125x90cm, 2012
Pedro Sousa, Amélia Jorge e Pedro Figueiredo (Escultor)
Esculturas de Albano Martins
"SOPA DE LETRAS COM BAKALHAU"
Compósito de matriz polimétrica, 197x46x40cm, 2012
Pintura de Teresa Bravo
"AZUL SALGADO OU DEMOLHADO?"
Acrílico sobre tela, 100x120cm, 2012
Pedro Figueiredo, Teresa Bravo (Pintora) e Pedro Sousa
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