terça-feira, 22 de janeiro de 2013

BAKALHAU - EXPOSIÇÃO COLETIVA - PINTURA ESCULTURA FOTOGRAFIA - 2012 DEZ . MAR 2013 - ÍLHAVO - CURADORIA: NUNO SACRAMENTO|ARTE CONTEMPORÂNEA


Esculturas de Pedro Figueiredo
"CAIS" Metal resina de poliester e fibra de vidro, 2 - 272x125x90cm, 2012
Pedro Sousa, Amélia Jorge e Pedro Figueiredo (Escultor)



Esculturas de Albano Martins 




"SOPA DE LETRAS COM BAKALHAU"
Compósito de matriz polimétrica, 197x46x40cm, 2012


Pintura de Teresa Bravo
"AZUL SALGADO OU DEMOLHADO?"
Acrílico sobre tela, 100x120cm, 2012
Pedro Figueiredo, Teresa Bravo (Pintora) e Pedro Sousa



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

É preciso acabar com o coronelismo


     Coronéis e seus Jagunços. Senhoras da sociedade muito religiosas e defensoras extremas da moral e dos bons costumes. Os Maridos são clientes assíduos do ‘Bataclan’ e as esposas não passam de objetos ao serviço das necessidades básicas daqueles que as possuem como uma propriedade: «Suba que vou-lhe usar». O marido tem direito, a esposa tem dever. O homem tem as suas necessidades e a mulher não pensa, não sente, não estuda, não trabalha…
     A reposição da novela inspirada na obra de Jorge Amado, “Gabriela, Cravo e Canela”, está a chegar ao fim e confesso que fui um espetador muito atento. As palavras daqueles que tiveram a oportunidade de visualizar a primeira versão mereciam-me uma atenção especial. A descrição de uma sociedade escandalizada com a apresentação de situações, em nada aceitáveis para gente de bem, contrastava com a necessidade de ‘querer’ ver mais. Crítica e aplauso? Simplesmente o retrato de uma sociedade…
     Depois de tantos anos, a “Gabriela” continua a ter espetadores. Continua a fazer sentido e, principalmente, ainda é um retrato por excelência de tantas e tantas situações da sociedade, principalmente dos meios mais provincianos. Agora os coronéis são outros, mas ainda há alguns jagunços. As mulheres têm direitos, mas também continua a existir as ‘defensoras da moral e bons costumes’ como antes, com todos os defeitos e mais alguns… daqueles defeitos que só os outros têm, apenas até ao dia em que os seus são conhecidos. Na Igreja ainda há os que só pensem em dinheiro, recorrendo à ‘caridade’, porque bem-aventurados são os pobres… Os bordéis reúnem os mesmos argumentos e na política, às vezes, ainda aparece o coronel e seus jagunços…
     Acabar com o ‘coronelismo’ era a motivação maior de Mundinho Falcão. O contraponto entre a sociedade hipócrita, defensora acérrima dos usos e costumes mas com mais defeitos do que os outros, e a sociedade progressista que pretende abrir horizontes e proporcionar uma vida mais igual entre os povos. A obra acaba bem. Tem um final feliz. E na vida real?
     Continua a ser preciso acabar com os coronéis e seus jagunços!
               Pedro Miguel Sousa, 
in Jornal Povo de Fafe (18 de Janeiro de 2013)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Política Cultural e Artística: Reaproveitamento de edifícios carismáticos?


     Na última Assembleia Municipal de 2012, depois de analisadas algumas questões relativas às propostas do plano e orçamento para o ano 2013, ouvi o Senhor Presidente da Câmara dar destaque positivo à implementação de uma ‘incubadora’ para fomentar o emprego, mas esta não tinha sido possível porque não surgiu financiamento.
     Perante esta situação não pude deixar de fazer algumas observações, analisar com calma e chegar a algumas conclusões e interrogações que poderão servir de mote para em conjunto encontrarmos a melhor solução, ora vejamos: Comecei por pesquisar em dois locais, Instituto Pedro Nunes em Coimbra (uma referência internacional) e a Indústria Criativa ‘INSERRALVES’ da Fundação Serralves no Porto. Ambas têm várias empresas a funcionar e serviriam muito bem como exemplo, mas basta recorrermos apenas a uma. A INSERRALVES, numa pequena sala, consegue ter três empresas a funcionar em simultâneo, o que é muito fácil, por exemplo, uma empresa de Design só precisa de uma secretária, uma estante de exposição, um computador e duas cadeiras. As empresas pagavam, quando lá estive, 7€/m2 e tinham todas uma coordenadora em comum para fazer a ponte com a Fundação Serralves. Esta incubadora funciona num pré-fabricado atrás da Fundação.
     Primeira pergunta: Será necessário assim tanto investimento?
     Na nossa opinião, pensamos que só seria necessário um edifício (a escola se não tivesse sido deitada a baixo e virado capela, por exemplo, ou o reaproveitamento de outro edifício). Colocar um funcionário com as devidas habilitações, muito empreendedor, e que não fosse um ‘boy’ sem experiência ou apenas com a experiência de colar cartazes. Com a renda a custos reduzidos, até porque o edifício é da autarquia, o projeto seria autofinanciado.
     Qual é o grande problema que impede o investimento?
     O problema é que esta autarquia ou não tem ideias e muito menos investiga o que outros já o fazem ou sofre de um mal denominado: subsidiodependência. Por isso não vão mais além. Com dinheiro dos outros, todos fazem obra, mas criar condições para que continuem a ter rendimentos mesmo sem apoios já não é para todos. Um bom gestor não é o que não gasta mas o que consegue ter mais coisas com o mesmo dinheiro. Tudo isto para usar a frase de um amigo socialista: «Só se vão conhecer os bons presidentes de Câmara quando acabarem os apoios comunitários».
     Esta semana, através do Facebook, tive conhecimento da forma como S. Paulo no Brasil orienta as suas atuações em matéria cultural e criativa (http://programavai.blogspot.com.br/2012/12/vai-lanca-edital-2013.html) e rapidamente percebi que não é mais do que já aqui falei em artigos anteriores, ou seja, abrem concursos para que as entidades apresentem as melhores propostas de dinamização cultural e artística. Como já escrevi antes: «Não seria mais proveitoso se a Câmara entregasse a administração dos espaços a quem apresentasse os melhores projetos de dinamização?»
Desprezar a cultura é desprezar o futuro!

Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (11-01-2013)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

2013 Empreendedor


     O próximo ano é aguardado com alguma reserva. As medidas aprovadas em sede parlamentar não deixam sossegado quem precisa do salário mensal para sobreviver, porque não conhece a sua real implicação no orçamento familiar. Numa situação dúbia só resta uma solução possível: Reinventar 2013.
     Apostar na criatividade pode tornar-se um escape excelente para uma vida desafogada. As melhores ideias têm de sair da gaveta e não é preciso saber escrever muito bem para o fazer. Empresários e empregados terão de perceber que a aposta na ‘meritocracia’ será a forma mais eficaz para um futuro próspero. Aceitar a opinião dos outros, independente do seu grau de formação, é aceitar a sua envolvência na ideia que, depois de devidamente analisada, se transformará em projeto e proporcionará um aumento de produtividade.
     Um papel, nem que seja as costas de um saco de cimento qualquer, uma caneta ou um lápis, mesmo daqueles de afiar na pedra, é suficiente para traçar a ideia. Não importa mesmo de onde ela surge, o que interessa é a forma como é apresentada. As empresas, muitas vezes, não precisam mais do que rentabilizar os gastos excessivos. Há empresas que gastam rios de dinheiro na fatura da luz, a maior parte das vezes deve-se ao facto de não repararem que não precisam de tantas lâmpadas ligadas ao mesmo tempo. Vejam-se as autarquias que resolveram apagar a iluminação a partir de uma certa hora da noite, não seria mais inteligente retirar algumas lâmpadas onde estão seguidas ou postes com três e deixar estar durante toda a noite? O que se tem verificado é um aumento de criminalidade e, claro está, depois de ficar tudo às escuras. Há zonas em que o roubo de cobre é constante… será altura de colocar um travão, não?
     Marques Mendes, numa notícia avançada pelo Jornal I, aquando da segunda Universidade Política do PSD/Lisboa, defendeu uma “revolução” nos poderes das câmaras, que devem privilegiar o "desenvolvimento social e económico" em detrimento das obras. A partir duma análise à ação das autarquias, mostra que «as câmaras municipais passaram por duas fases até hoje: Construção de infraestruturas básicas (anos 90) e mais recentemente pela construção de equipamentos (desportivos, de saúde, educativos ou sociais)» e conclui que «nas próximas eleições autárquicas é preciso "uma mudança de cultura e mentalidade".»
     A temática da “Revolução Cultural” já foi abordada por mim algumas vezes nas páginas deste Jornal. Do público ao privado, o País precisa repensar a sua forma de atuar. Muito mais importante do que estar munido das melhores infraestruturas, ter a melhor produção e programação faz a diferença enquanto afirmação da identidade de uma região ou, se se tratar de uma empresa, da qualidade no campo da competitividade. As melhores ideias não precisam de um ‘canudo’, embora o ‘canudo’ se afirme como uma mais-valia porque quem estiver melhor preparado vai saber dar àquela ‘ideia/projeto’ o melhor rumo.
     Neste ano de 2013 qualquer pessoa pode fazer a diferença na empresa ou entidade que o acolhe enquanto profissional ou que pode vir a acolher como tal, basta pegar na tal folha e na caneta ou no lápis e traçar as linhas mestras para o projeto dos projetos. Depois, com toda a humildade, apresentá-la ao seu Diretor ou Patrão. Já estes têm de criar uma forma de gratificar quem também contribui para o sucesso da entidade que representam. O melhor Diretor ou Patrão não tem de ser o que tem a melhor ideia, mas o que sabe ouvir, analisar e aproveitar as melhores ideias.
            Haja humildade e criatividade que o país avança. Força 2013.
                                                                                                                             
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (28-12-2012)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O mais belo conto de Natal


 “Vou buscar um paninho para cobrir o Menino.”
Salvador, 2 anos

     Lindo. Simplesmente magnífico. A inocência desta criaturinha de Deus. A ternura de um olhar sincero. Ainda lhe tentei explicar que o Menino não precisava porque as palhinhas eram quentes e a vaquinha e o burrinho também protegiam o menino com o seu respirar. Mas nada adiantou. Estava decidido. Não conseguindo mais nada, Salvador trouxe um pano de cozinha para aquela imagem que cabe na palma de uma mão. O importante era cobrir o Menino.
     - Não é preciso – disse eu. – É, é. Responde o Salvador de voz forte e determinada.
     O primeiro pano era enorme para um menino tão pequenino, mas como não o consegui demover da imagem de presépio convencionada, a qual nunca questionei, nem em sonhos, sugeri que pedisse um pano pequenino. Salvador logo se apressou a pedir à Avó: “Bózita, dá-me um paninho para cobrir o Menino.” Como é óbvio, a Avó logo se apressou em resolver o problema e encontrar a melhor solução.
    Isto não é uma estória, é mesmo a história mais bonita. A história de uma criança que sentiu um menino desprotegido no meio de todas aquelas figuras com as suas próprias vestes. O Menino não podia ficar ali ao frio. Os meninos não podem ficar ao frio. As pessoas têm de estar cobertas e protegidas.
   Quantas vezes pensámos nisto? Quantas vezes pensamos naqueles que têm frio, fome, sede e, principalmente, atenção? Bem pelo contrário. As preocupações dos adultos resumem-se às maiores futilidades de uma sociedade consumista que não sabe celebrar um Natal sem prendas. Tantas e tantas vezes essas prendas só servem de alegria durante dois minutos, o tempo suficiente para abrir e colocar na prateleira.
     O Natal é muito mais do que isto. O Natal é a celebração do nascimento. A festa da Família. A riqueza dos presentes da união, partilha e toda aquela alegria proporcionada pela azáfama das crianças nas casas onde se juntam os avós, os pais, os filhos, os primos, os sobrinhos, os tios… esta é a maior alegria do Natal.
   Aproveitando este lindo conto e ensinamento de um menino de 2 anos, desejo que seja simplesmente NATAL nas vossas casas.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (21-12-2012)

domingo, 9 de dezembro de 2012

Back to Life

12.12 | 14h30 | ARCA - Escola de Artes de Coimbra

Sinopse
Um bairro… um grupo… boné… música… arma… violência… amor… ilusão. Muita ilusão. Esta é a história, mais uma história igual a tantas outras, de um grupo de jovens. Apenas um grupo igual a qualquer outro. Num tempo e espaço específico. Onde as coisas acontecem do mesmo modo todos os dias. E depois voltam a acontecer…

Dramaturgia e encenação Pedro Sousa Cenografia Fernando Lardosa, Pedro Figueiredo, Hélio Moreira Figurinos Pedro Figueiredo Adereços Cristiana Carrito Luminotecnia Fernando Lardosa Sonoplastia João Nunes Interpretação Pedro Figueiredo, Flávia Sousa, Paulo Simão, Hélio Moreira, Cristina Almeida, Ana Rita, Débora Miranda, Eliana Mendes, Inês Ferreira, Ana Madeira, Susana Silva, Alexandre Carvalho, Diogo Madaleno, Cátia Monteiro, Carla Morais, Fábio Pereira, Inês Gomes, Alexia Silva Fotografia José Carlos Nascimento, Cindy Manta Vídeo Flávio Neves Writer SDK Frederico Castanheira Design gráfico Rui Veríssimo dur. aprox. 0:50 

sábado, 8 de dezembro de 2012

A blogosfera está a enriquecer Fafe


                Escrever é um hábito que se adquire e não se consegue parar por muito tempo. Se num passado ainda recente não era muito fácil ver os textos publicados, as novas tecnologias trouxeram um novo fôlego à comunicação e há mais gente a contribuir para o desenvolvimento cultural e social das comunidades e do país.
                Sempre me identifiquei com a liberdade de imprensa, o que me permitiu aceitar com a maior das naturalidades o surgimento destas ferramentas. Depois de longos meses e muita informação online, Fafe tem uma rede de blogues plural e diversificado. E se até há bem pouco tempo não se olhava para a blogosfera como uma realidade fidedigna, hoje esta barreira está praticamente ultrapassada, devendo-se a dois fatores fundamentais: identificação das fontes (indivíduos já conhecidos de outras lides e outros que vão surgindo no mesmo grupo) e a seriedade como são tratados os assuntos. Num olhar rápido sobre a blogosfera em Fafe, encontramos no Blog Montelongo, o impulsionador de toda esta rede agora existente, a troca de opiniões sobre os mais variados assuntos da vida cívica. O blog JORNAL de FAFE, em muito pouco tempo de vida, conseguiu ganhar a confiança das instituições ao analisar pelas notas de imprensa lá encontradas e publicadas também na imprensa escrita. Na Falaf Revista Cultural de Fafe está lá uma enorme recolha de informação sobre aspetos culturais do concelho. Há também blogues que nos mostram as atividades das associações e outros pessoais mais ligados a atividade criativa e opinativa.
                Nos mais distintos blogues leem-se umas coisas interessantes, uns bitaites, umas arrufadas mais ou menos severas, mas o mais brilhante de tudo isto, para mim, é a oportunidade de conhecer gente, locais, história e histórias fantásticas do meu concelho que de outra forma não tinha hipótese. É certo que a imprensa escrita é um meio fundamental para a comunicação e divulgação do que se passa no concelho, mas a blogosfera torna-se um complemento por excelência.
                Deste modo, a cultura em Fafe está a tornar-se mais e melhor. O processo de construção ainda está no início mas a participação ativa é merecedora de destaque. Há mesmo muita gente a interessar-se e a usar este meio de comunicação. Uns lançam-se em projetos individuais outros coletivos e alguns em uns e outros. Se até agora só eram conhecidas algumas individualidades que escreviam umas coisas, mais ou menos agradáveis dependerá sempre da impressão de cada um, a realidade está a transformar-se finalmente e, sobretudo, felizmente para a projeção deste ‘nosso’ concelho de Fafe.


Nota de esclarecimento:
Na crónica do dia 23 de Novembro de 2012, “Hora de mudar de rumo ou continuar na mesma?”, escrevemos o seguinte sobre as Jornadas Literárias: «... enquanto uns trabalharam voluntariamente outros, segundo informações de participantes, faziam-se pagar por horas extras ao serviço da autarquia. (…) Se realmente é verdade,…». Na semana seguinte fomos informados que os funcionários envolvidos são da área da cultura e que «… a Câmara não paga horas extras a ninguém, absolutamente ninguém, da área da cultura». Voltando a abordar as nossas fontes, fomos confrontados com uma observação diferente: «… o que acontece é que têm altos salários, mas a iniciativa parte de fora. Eles é que deveriam tomar a iniciativa». Neste sentido, verifica-se que há leituras diferentes do inicial, não se fala agora de ‘horas extras’ mas de iniciativas, o que não foi por nós abordado. Contudo, a autarquia não é uma entidade sem fins lucrativos, se recorre aos funcionários tem de lhes pagar. Quem deveria ou não ‘tomar as iniciativas’ é outra questão que não importa para este caso.
Seja como for, importa repor a verdade, reconhecer a falha de comunicação e o facto de não termos confrontado previamente a situação com a autarquia. A bem da verdade, não poderíamos deixar de pedir desculpa e de ressalvar que nesse mesmo artigo tecemos elogios a duas pessoas que consideramos de muito valor e trabalham ambos na área da cultura, Artur Coimbra e Jesus Martinho, o que seria um contrassenso a crítica e o aplauso simultâneo. Por tudo isto, lamentamos o sucedido e fica claro que a autarquia não pagou qualquer hora extra durante o evento. A verdade acima de tudo!

Pedro Sousa, in Jornal Povo de Fafe (08-12-2012)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Cidadania participada?


                11h45! A campainha está prestes a tocar e o pensamento será mais uma vez interrompido para dar lugar à última aula da manhã. O tema é a União Europeia. Não poderia ser mais adequado ao momento. Sobretudo porque foi aprovado um dos orçamentos mais contestados. A sala de aula propunha o local ideal para um debate aceso.
                A campainha está a dar o sinal. Volto já!
                13h23! O almoço é indispensável para continuar o trabalho e a vida. Não. Não foi uma aula acesa. No fundo da sala ouve-se uma voz em meio-tom: “Política, não gosto nada”. Depois de marcadas as presenças e sumariado o assunto em análise, as primeiras palavras vão no sentido de uma explicação, mais uma vez, sobre a necessidade de conhecer e interagir com as organizações que nos governam, mesmo sem grande apreço, estas são fundamentais à nossa vida. Dependemos de estruturas políticas, económicas e sociais. Participar nelas é mais do que um dever, é uma obrigação. A nossa não participação significará a ascensão de políticas que podemos não concordar. A aula seguiu mesmo o planeado, a simbologia e os tratados da EU foram analisados e apenas surgiram dúvidas de circunstância, sem que alguma vez se sentisse a necessidade de enveredar por temas mais destacados no momento.
                A política é um tema pouco promissor. É claro que há quem opte por seguir o rumo político e se afigure como um elemento indispensável à boa organização de um partido ou grupo de cidadãos, mas não está a ser nada fácil chamar a atenção dos mais jovens para esta questão que a todos diz respeito. São trapalhadas atrás de trapalhadas. São atropelos à democracia. Bofetadas nos valores. Maquiavélicas ações cumpridas à risca.
                A política está descaracterizada. Os jovens não acreditam. A política é uma seca.
                Resta-nos seguir o programa e colocar informação sobre a mesa. Fomentar o espírito crítico num mesmo espírito aberto, antidogmático e tolerante. Incentivar à construção de um discurso argumentativo, sempre atento às questões sociais. A participação cívica é matéria lecionada nos bancos da escola. Os discursos ‘abrilescos’ são construídos na base destes mesmos princípios, mas os exemplos lançados sobre a sociedade não beneficiam as palavras do discurso elegante no dia do cravo.
                Cidadania participada?
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (30-11-2012)