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sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Regresso ao passado
Dois anos volvidos e as obras teimam em não chegar às aldeias. Algumas estradas tornaram-se insuportáveis e outras, feitas à revelia, numa pressa eleitoral para destronar as vozes incómodas até já deixam que a pequena força dos cogumelos levante o alcatrão. As mais emblemáticas são uma miragem cada vez mais ausente e as ‘ilegais’ a única realidade presente.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Novas oportunidades: Dinheiro investido em formação atirado ao lixo
Na hora de contratar funcionários, entidades que aderiram à iniciativa das novas oportunidades, funcionando principalmente como entidades promotoras, pesaram mais os favorecimentos que tinham de prestar aos comparsas do que as habilitações adquiridas por aqueles que frequentaram os cursos que os próprios promoveram.
A iniciativa ‘Novas Oportunidades’, embora enredada em questões de estatística na tentativa de colocar o país ao nível dos melhores rankings, pretendia ser uma mais-valia na colocação ou recolocação de pessoas no mundo do trabalho. Desde muito cedo se aperceberam as principais lacunas, principalmente no campo da exigência formativa, mas no que se refere à formação técnica existia uma preocupação acrescida em dotar as pessoas de ferramentas essenciais para o exercício das suas funções técnicas.
Muitos dos formandos foram colocados directamente pelas entidades formadoras, até porque os obrigatórios protocolos de estágio são uma ponte que em muitos casos permite ao estagiário passar a contratado. Em muitos outros casos, as entidades que não eram acreditadas para ministrar formação e pretendiam pessoas qualificadas para melhor responder às suas valências contratavam o serviço de uma entidade formadora e, por obrigação moral e institucional, recorria à sua bolsa de emprego para contratar novos funcionários. Noutros casos, há entidades que recorrem a tudo menos aos seus formandos. É precisamente aqui que reside o problema, ou seja, uma grande parte das instituições não estava interessada em capacitar pessoas para as contratar mas em conseguir as regalias financeiras para a sua instituição, porque na hora de contratar pessoas há entidades que nem um dos formandos contratou, sendo preteridos a pessoas sem qualquer qualificação profissional.
Certamente que todos têm o direito ao trabalho, mas o dinheiro que foi para aquela entidade foi um dinheiro muito mal empregue, afinal de nada serviu a formação, apenas para encher os bolsos à própria entidade.
Na reestruturação das Novas Oportunidades, será interessante repensar na efectiva aplicação dos dinheiros públicos e obrigar as entidades a um plano rigoroso no momento da apresentação das suas candidaturas, obrigando-as a dar preferência àqueles que adquiriram conhecimento nas suas instalações e, por isso, contribuíram para que as entidades aumentassem o seu potencial.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (04-11-2011)
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
Os ditadores acabam no esgoto
Ninguém podia ficar indiferente às imagens horríveis que se apoderaram das nossas televisões durante todo o passado fim-de-semana. Depois de vários meses de perseguição, o homem mais procurado da Líbia é capturado e o tratamento não foi nada agradável de se ver. Neste momento, há duas questões que se levantam: a execução e a transmissão das imagens pelas agências noticiosas.
A primeira pergunta levanta a problemática da ‘justiça pelas próprias mãos’, mas se atentarmos ao clima de guerrilha instalado, logo nos apercebemos que nestas circunstâncias é a força do momento que comanda. Ninguém tem o direito a tirar a vida a ninguém, mas estamos a falar de guerra e de muitos anos de tortura, o que não é fácil parar a ira de pessoas e famílias maltratadas por um regime sem escrúpulos. Era melhor entregar à justiça? Certamente que sim, mas será que alguém conseguiria ter sangue frio para o fazer?
Uma outra questão que se coloca é mesmo a transmissão de imagens durante os jornais televisivos: Há tantas restrições para que os miúdos não possam ver determinadas imagens e num caso destes, em horas fulcrais próximas do almoço e do jantar e com as famílias reunidas, somos bombardeados com altos actos de violência. Era mesmo importante mostrar todo aquele aparato sobre o indivíduo?
No final de tudo isto, relembrando o que tem acontecido em diversas partes do globo, todos os ditadores são heróis até que o povo acorde e se aperceba que juntos valem muito mais do que todo o exército que os protege. Os ditadores, por norma, fazem acreditar ao comum dos mortais que são uma espécie de deuses e estão protegidos, mas todos têm debaixo dos seus palácios labirintos ou altas contas em ilhas paradisíacas em caso de terem de escapar da ira do (seu) povo.
Quantos ditadores ainda se disfarçam de cordeiros? Ainda há muitos. Alguns apenas com pequenos poderes, mas vão tendo alguma importância porque estão no poder e com isso lá vão distribuindo umas migalhas para uns e para outros… será que vão ser adorados quando deixarem de ter migalhas? Será que aqueles que hoje andam com eles ao colo vão continuar ao seu lado quando não tiverem nada para lhes dar? Será que vão visitá-los ao hospital quando se encontrarem doentes?
Na hora de grande aflição não são os que estão mais distantes, os críticos e opositores, que os condenam, mas aqueles que tinham tudo com o ditador e passam a não ter nada após o seu declínio. Pelo contrário, são os que mais os criticam que aceitam que as suas condenações sigam pelas vias da justiça e não pelas próprias mãos. Até porque desse ditador só esperavam a queda, ao contrário de muitos que os apoiam que não só querem dividendos materiais como lugares melhores do que os seus semelhantes.
Moral da história: Os oportunistas juntam-se aos ditadores, os outros estudam e trabalham para viverem das suas capacidades.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (28-10-2011)
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Voto de congratulação aprovado em reunião de Câmara
Felicitações a Pedro Sousa e José Ribeiro
Pedro Miguel Sousa e José Ribeiro, jovens fafenses, viram recentemente os seus trabalhos na área da literatura reconhecidos, nomeadamente com o Prémio de melhor conto nos concursos levados a cabo pelas editoras Iara (Brasil) e Alfarroba (Portugal).
José Ribeiro venceu com o conto “Visão estereoscópica de um abandono” e Pedro Sousa foi um dos escolhidos entre cerca de 40 artigos de todo o Brasil e de Portugal, com o trabalho “Ensaio sobre a escultura de Pedro Figueiredo”.
Tendo em conta o mérito alcançado por ambos, a Câmara deliberou, por proposta do vereador Pompeu Martins e por unanimidade, aprovar um voto de congratulação, a ser transmitido aos próprios e à comunicação social.
(Acta completa: Reunião da Câmara de 20 de Outubro)sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Já não se escrevem cartas
Três estados da América adoptaram como único mecanismo de escrita o computador. As suas razões prendem-se com a preparação para o sucesso dos jovens em questão, acreditando piamente que ‘é uma perda de tempo ensinar a escrever à mão quando o futuro está nos computadores’.
Esta situação não é propriamente inovadora se atentarmos à substituição das folhas quadriculadas pelas máquinas de calcular, talvez só agora se consiga perceber realmente que o mundo está a preparar ‘máquinas’ em vez de pessoas. Medidas deste género começam desde logo a fazer com que os indivíduos percam a sua identidade e não consigam resolver um problema se por alguma razão a máquina não funcionar.
Será uma perda de tempo saber a tabuada? Será mesmo perder tempo aprender a escrever à mão, ter a sua própria caligrafia, ainda que possa ser horrível?
Mais do que tudo isto, muito para além de ter a sua identidade, o que realmente está em questão é o raciocínio que se vai perder e definitivamente o homem não será mais do que uma máquina no exercício das suas funções laborais.
‘Quando foi a última carta ou postal que escreveu?’
Todos nos apercebemos que é muito mais cómodo enviar um email do que ter de escrever uma carta, colocá-la num envelope e ainda ter de pagar os portes de envio depois de passar tempo infindável nas filas dos correios, mas, se se trata de uma carta pessoal, não será este um gesto mais próximo do que realmente se pretende?
Não dispensando de forma alguma a máquina, até porque tudo ficou muito mais eficaz no que diz respeito a serviços, a realização do indivíduo só será completa se ele orientar a sua acção pelo humanismo, permitindo-se a si mesmo pensar, sonhar e escrever.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (14-10-2011)
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Fafe, terra das merendas
Vamos comer uma merenda…
Uma paisagem singular faz de Fafe uma terra aprazível. Rios e ribeiros, campos e montes contrastam numa natureza invejável para quem consome fumos e ruídos citadinos diariamente. As casas de turismo rural, as residenciais e o hotel, bons restaurantes, cafés, bares e discotecas preenchem os dias e as noites de todos os que procuram visitar este concelho. Um património muito diversificado, ainda que pouco ou nada preservado, começa a despertar a atenção de alguns que há muito sabem que é na preservação dos bens materiais e imateriais que se constroem as identidades de qualquer região. Afinal, o que faz falta?
A resposta seria fácil para os amigos da luta, logo nos lembrariam que ‘o que faz falta é animar a malta’. Atendendo a esta deixa, até porque a vida é curta, resolvemos inverter alguns pensamentos para tentar compreender o que motiva os nossos governantes a insistirem em altos passeios, sempre ao mesmo local – famosa Quinta da Malafaia. São vários autocarros que anualmente se perfilam de Fafe à Malafaia. Qual o objectivo? Apenas um, todos sabemos, mas vamos deixar esse de lado, porque é do conhecimento comum, e vamos analisar esta aderência em massa. Ou seja, se todos os anos há tanta gente a participar, se há governantes que incentivam a esta movimentação e até os há que dizem que o que as aldeias precisam é deste tipo de coisas porque os mais jovens não querem saber de nada… não seria importante incentivar à abertura das tradicionais tascas?
Ouve-se tantas vezes: ‘Faz-me lá esse favor que depois vamos comer uma merenda’; ‘Temos de ir comer uma merenda’.
A cultura de Fafe está sobretudo no estômago e é ele que permite muitas das vezes com que os lugares melhores sejam para os que vão pagando umas merendolas. Haverá necessidade de fugir da realidade e querer mostrar o que não se é? Fafe é mesmo isto, terra de tainadas, o que não tem de ser um defeito se aproveitar a sua excelente gastronomia e se tornar uma referência em toda a região norte e quiçá além fronteiras.
Agora, se juntarmos às belas paisagens o sabor e aroma dos alimentos, Fafe ficará a ganhar numa aposta que criará empregos através do investimento em casas de repasto de qualidade excelente.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (07-10-2011)
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