sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Já não se escrevem cartas


Três estados da América adoptaram como único mecanismo de escrita o computador. As suas razões prendem-se com a preparação para o sucesso dos jovens em questão, acreditando piamente que ‘é uma perda de tempo ensinar a escrever à mão quando o futuro está nos computadores’.
Esta situação não é propriamente inovadora se atentarmos à substituição das folhas quadriculadas pelas máquinas de calcular, talvez só agora se consiga perceber realmente que o mundo está a preparar ‘máquinas’ em vez de pessoas. Medidas deste género começam desde logo a fazer com que os indivíduos percam a sua identidade e não consigam resolver um problema se por alguma razão a máquina não funcionar.
Será uma perda de tempo saber a tabuada? Será mesmo perder tempo aprender a escrever à mão, ter a sua própria caligrafia, ainda que possa ser horrível?
Mais do que tudo isto, muito para além de ter a sua identidade, o que realmente está em questão é o raciocínio que se vai perder e definitivamente o homem não será mais do que uma máquina no exercício das suas funções laborais.
‘Quando foi a última carta ou postal que escreveu?’
Todos nos apercebemos que é muito mais cómodo enviar um email do que ter de escrever uma carta, colocá-la num envelope e ainda ter de pagar os portes de envio depois de passar tempo infindável nas filas dos correios, mas, se se trata de uma carta pessoal, não será este um gesto mais próximo do que realmente se pretende?
Não dispensando de forma alguma a máquina, até porque tudo ficou muito mais eficaz no que diz respeito a serviços, a realização do indivíduo só será completa se ele orientar a sua acção pelo humanismo, permitindo-se a si mesmo pensar, sonhar e escrever.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (14-10-2011)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Fafe, terra das merendas


Vamos comer uma merenda…
Uma paisagem singular faz de Fafe uma terra aprazível. Rios e ribeiros, campos e montes contrastam numa natureza invejável para quem consome fumos e ruídos citadinos diariamente. As casas de turismo rural, as residenciais e o hotel, bons restaurantes, cafés, bares e discotecas preenchem os dias e as noites de todos os que procuram visitar este concelho. Um património muito diversificado, ainda que pouco ou nada preservado, começa a despertar a atenção de alguns que há muito sabem que é na preservação dos bens materiais e imateriais que se constroem as identidades de qualquer região. Afinal, o que faz falta?
A resposta seria fácil para os amigos da luta, logo nos lembrariam que ‘o que faz falta é animar a malta’. Atendendo a esta deixa, até porque a vida é curta, resolvemos inverter alguns pensamentos para tentar compreender o que motiva os nossos governantes a insistirem em altos passeios, sempre ao mesmo local – famosa Quinta da Malafaia. São vários autocarros que anualmente se perfilam de Fafe à Malafaia. Qual o objectivo? Apenas um, todos sabemos, mas vamos deixar esse de lado, porque é do conhecimento comum, e vamos analisar esta aderência em massa. Ou seja, se todos os anos há tanta gente a participar, se há governantes que incentivam a esta movimentação e até os há que dizem que o que as aldeias precisam é deste tipo de coisas porque os mais jovens não querem saber de nada… não seria importante incentivar à abertura das tradicionais tascas?
Ouve-se tantas vezes: ‘Faz-me lá esse favor que depois vamos comer uma merenda’; ‘Temos de ir comer uma merenda’.
A cultura de Fafe está sobretudo no estômago e é ele que permite muitas das vezes com que os lugares melhores sejam para os que vão pagando umas merendolas. Haverá necessidade de fugir da realidade e querer mostrar o que não se é? Fafe é mesmo isto, terra de tainadas, o que não tem de ser um defeito se aproveitar a sua excelente gastronomia e se tornar uma referência em toda a região norte e quiçá além fronteiras.
Agora, se juntarmos às belas paisagens o sabor e aroma dos alimentos, Fafe ficará a ganhar numa aposta que criará empregos através do investimento em casas de repasto de qualidade excelente.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (07-10-2011)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Não acredites em tudo o que te dizem, informa-te!


A informação é um direito que assiste a todos os cidadãos, mas nem todos estão disponíveis para se debruçar sobre assuntos que à partida parecem mais complexos e que possam dar algum trabalho de pesquisa e análise. Esta atitude, pouco inteligente, faz com que os mais oportunistas joguem com as suas capacidades e sejam idolatrados, obviamente até ao dia em que a verdade factual aparece. O grande problema é quando esta ‘verdade’ chega tarde, porque já fez muitos cometerem erros e jamais permitirá que se corrijam a tempo de evitar confusões ou trapalhadas.
Não é fácil incentivar as pessoas para uma leitura continuada. Não é mesmo nada fácil, principalmente se estivermos a pensar num país muito ruralizado e que tem o futebol e, às vezes, a missa como o único meio de aquisição de algum conhecimento, visto que a escola já ficou bem lá para trás. Como em tudo na vida, cada um tem os seus gostos e assim deve continuar, mas não deveria tomar as verdades que lhes dizem sem que as questione e, depois de uma análise, as tome como suas ou as rejeite. A população portuguesa está envelhecida, mas ser velho não é um defeito é mais um dos momentos da construção da pessoa. Por isso, nunca é tarde para aprender nem para ganhar novos hábitos e, sem dúvida, a leitura seria uma boa opção.
Se as pessoas lessem mais, se procurassem informação, não se deixariam iludir pelas falas de gente que nada ou pouco sabe, mas porque leu umas coisas até parece que sabe muito e depois conseguem enganar facilmente qualquer um que seja desprotegido culturalmente. Por tudo isto, é importante saber que ‘um bom contador de histórias não é o mesmo que um bom historiador’.
As gerações mais novas, felizmente, já dominam as novas tecnologias, o que faz com que elas mesmas pesquisem quando não sabem do que se está a falar, basta colocar no motor de busca e este leva-as de imediato ao que procuram, mas os mais velhos não se dão a esse trabalho e isto só faz com que as nossas gentes continuem a acreditar em histórias ilusórias e rejeitem a verdade, principalmente se se trata de ‘politiqueiros’ que só lhes querem caçar o votinho e se dizem capazes de tudo fazer até porque são muito amigos dos senhores do poder, mas no final, quem preferiu a fantasia, lá terão de dizer que afinal… havia outra!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (30-09-2011)

sábado, 24 de setembro de 2011

Os políticos nunca cometem erros às vezes é que se distraem


Será que alguém ainda fica admirado se um político cometer erros grosseiros e continuar a (des)governar como se nada tivesse acontecido? Quer nos altos cargos ou mesmo nos pequenos, há tanta trafulhice que se faz e nada, mesmo nada, acontece a estes prevaricadores. Onde está a justiça? Não está! E não está porque as leis estão tão bem preparadas que eles sabem muito bem o que fazer para não serem agarrados pelas suas teias e se não sabem têm sempre os protectores que os informam. Afinal quem aprova as leis, não são os políticos? Claro que sim!
Durante todos estes dias a comunicação social bombardeou os espectadores com notícias da Madeira e dos enormes buracos que por lá se vão encontrando, mas também já foi anunciando que a lei não será muito penosa, simplesmente porque não está legislada com fortes sanções para estas prevaricações. Presidente da República e Primeiro-ministro já se reuniram e uma das conclusões foi o facto de terem de apresentar uma lei que penalize duramente quem usar indevidamente os dinheiros públicos, mas será que isto só acontece agora? Será que só agora é que acontecem crimes destes? É evidente que todos sabemos que não, desde os mais altos cargos até aos pequenos há provas evidentes de prevaricação e o que lhes acontece? Nada!
Há uns anos foram encontradas facturas em contas públicas que mais não eram do que as costas do totoloto, em folhas de apontamentos da super bock, outras em folhas recortadas e a dizer ‘Contribuição autárquica (quinhentos contos)’ e até as justificações eram vergonhosas e trapalhosas, pois diziam que ‘era para pagar almoços aos altos cargos da câmara para que fizessem obras lá na terrinha’… ou seja, gastavam o dinheiro como bem entendiam, não tinham facturas como manda a lei e ainda gastavam ou davam dinheiro aos amigos, porque era nos seus estabelecimentos que isto se passava. Qual foi o resultado judicial? Nenhum!
Esta é apenas alguma da realidade que acontece neste país onde um pequeno empresário que esteja em crise se não pagar à segurança social ou às finanças fica sem nada, mesmo que só deva uns míseros euros, e um político que desvie quantias grandes ou pequenas, mas para as quais não tem justificações válidas, nada lhes acontece!
É caso para voltar a perguntar: ó TROIKA por que tardaste?
Nota: Será ainda importante relembrar que ‘deixar dívida’ não é o mesmo que ‘deixar buracos’, porque a dívida está devidamente justificada e basta ver para quem foram passados os cheques em confrontação com os recibos das obras executadas, já os buracos nunca terão ‘recibos válidos’ a confrontar a despesa porque foram gastos indevidamente.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (23-09-2011)

sábado, 17 de setembro de 2011

Fafe, para quando marca própria?


A cidade de Fafe, sem qualquer sombra para dúvidas, é uma cidade agradável para visitar, o que já lhe deu o epíteto de ‘Sala de Visitas do Minho’ embora não acreditemos que esse tenha sido o principal objectivo para a atribuição de tal designação. E isto porque Fafe não tem bairrismo só nas aldeias que disputam quem vai ter a melhor escola ou o melhor lar e, às vezes, quem fica com a extensão de saúde… para não falar das estradas… o bairrismo está mesmo em todo o concelho.
Nem sempre é negativo este síndroma que atravessa gerações e gerações, mas ao longo do tempo é perceptível que em determinados momentos se tivesse existido maior capacidade de decisão e menos bairrismo tudo poderia estar mais evoluído e a qualidade de vida ser transversal a toda a população. Os governantes fafenses, por muito que até pretendam mostrar o contrário, vivem concentrados apenas nos seus quintais. Há alguns que até têm umas quintas, mas a maioria não tem mais do que uma simples horta e pensam que podem cultivar lá de tudo mas o terreno não chega.
Há uns anos a esta parte, a autarquia fafense tem apostado sistematicamente na volta a Portugal, uns dirão que é muito bom porque a cidade é falada durante todo o dia na comunicação social, mas quanto custa aos fafenses uma aposta destas? Qual é o retorno efectivo do investimento que se faz? Estas e outras questões são as principais linhas de análise para qualquer gestor mais ou menos atento. Com este exemplo não se pretende mostrar que a aposta está errada, até porque a festa é bonita, movimenta muita gente e também pode ser uma mais valia a longo prazo, mas para isso há a necessidade de reestruturar as linhas de ação do turismo e fazer com que os forasteiros que visitam Fafe no dia do ciclismo sintam vontade de voltar noutras épocas do ano.
Se a questão das iniciativas de Fafe para atrair a comunicação social têm de despender de avultadas quantias em dinheiro, pode-se concluir que algo está muito errado e, ao longo de todos estes anos, significa que ainda não apareceu nenhuma ideia que marcasse a cidade pela diferença e excelência, o que obrigaria a comunicação social procurar Fafe e não o contrário. Como exemplo concreto salientamos ‘Vilar de Perdizes’, que certamente já todos sabem do que se trata sem ter de se dizer o que lá se passa, uma terrinha muito pequena, mas todos os anos é notícia diversas vezes durante o ‘Congresso de Medicina Popular’, conseguindo chamar a atenção de todas as televisões.
Fafe, que perdeu uma das suas marcas ainda hoje faladas por todo o lado – o rali, precisa de colocar a criatividade a funcionar. Os governantes podem não ser os únicos que devam pensar no assunto, mas com toda a certeza deveriam ser os primeiros a criar condições para que tal possa acontecer. Uma contínua aposta na investigação dos usos e costumes do passado devem merecer uma atenção especial, mas que não fiquem pelos livros a dizer que ‘fomos os maiores’, é preciso mesmo reestruturar a cidade sem a descaracterizar e, para isso, tudo vai depender de uma maior aposta em matéria de questões culturais que possam ser determinantes na afirmação de Fafe.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (16-09-2011)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Escultura de Albano Martins



Uma obra imponente do Escultor Albano Martins, Professor na ARCA (EUAC e EAC), para comemorar o centenário da Freguesia e Paróquia da Gafanha da Nazaré em Ílhavo.