domingo, 6 de março de 2011

"EDUCACÇÃO” - Uma performance com encenação de Pedro Sousa e Pedro Figueiredo


"EDUCACÇÃO”

E AC……… E ACÇÃO………. EDUCACÇÃO

ESCOLA DE ARTES DE COIMBRA… E ACÇÃO… EDUCAÇÃO

Happening, acontecimento, acção, educação são conceitos que formam a perfeição.
Treze mascarados, petrificados, despertam ao som da música (conquest-of-paradise-vangelis)… em passo lento, descem o primeiro patamar onde formam uma carapaça, num lugar onde, num lugar mesmo, num espaço e tempo antes ocupados por primeiros construtores munidos de um rolo de cartão, tintas e tubos… desmobilizando a seu tempo, cada performer/pintor petrificado faz a sua parte: um coloca o papel, outro as tintas, outros os tubos e seguem-se as letras… E AC……… ÇÃO………. DUC….. formando a palavra “EDUCACÇÃO”. Numa vénia colectiva, agarram os tubos, rodam e surge a festa, a cor, o movimento, a alegria… o happening.
É a Escola em Acção, é a “EDUCAcÇÃO”.

Texto: Pedro Sousa

http://eacartesespectaculo.blogspot.com/2011/03/educaccao.html

sábado, 5 de março de 2011

Estado social? O que é isso?


Nada melhor do que esperar pelo momento certo. Nunca fui apoiante da caça e para a pesca não tenho paciência, mas desde cedo aprendi que é preciso esperar o momento exacto para carregar nas teclas. Há uns meses atrás, várias vezes e a pessoas diferentes, mas de orientações políticas semelhantes, resolvi lançar uma simples frase sobre o estado do país: ‘Desculpem, mas não tenho culpa. Eu não votei nele!’. O que mais me surpreendeu, confesso, ambas as vezes a resposta foi a mesma: ‘Se o teu estivesse lá, fazia o mesmo!’
Embora não quisesse dar muito mais azo à conversa, não hesitei em responder: ‘Não sei… só depois de o ver lá’. Se a minha crítica era direccionada a José Sócrates, até porque ambos nos queixávamos do estado lastimável do país, a deles era para Passos Coelho que ainda não formou governo. Se se conhecem as façanhas de Sócrates, o mesmo não se pode dizer de quem nunca foi Primeiro-Ministro. Reconheço que algumas das suas tiradas foram infelizes, talvez no timing e na pouca exploração, principalmente em mostrar um caminho viável, mas ao ver que as preocupações eram a questão social, contra as ideias de Pedro Passos Coelho, uma nova interrogação me fez questionar, a que não partilhei, senão agora: ‘Afinal, o que é o estado social?’
Certamente que a resposta a esta pergunta daria para escrever um livro, mas será mesmo preciso escrevê-lo ou bastará olhar para as políticas do senhor engenheiro José Sócrates e perceber que as suas políticas são uma afronta ao estado social? As suas recentes declarações, em relação à melhoria, dizia, da economia, davam a entender que o país estava melhor, mas que país, o meu ou o dele? É que o meu obriga-me a pagar mais impostos desde o início do ano e o meu ordenado não aumentou… e já me dou por feliz ter ordenado, porque o tempo não é para melhoras…
Não pretendo, mesmo, dar qualquer significado sobre o estado social. Não pretendo voltar a declarar que defendo um verdadeiro estado social, que seja complemento e não substituto, mas também não me parece que o próprio Sócrates convença alguém, neste momento. Concordarei se me disserem que ainda há muita gente que abanará bandeiras em sua defesa, mas se olharmos para a história encontramos tanta gente que defendia os maiores ditadores, bastava que o seu cargo fosse uma questão a segurar. Contudo, esses caíram com os regimes e, pelos vistos, a «geração parva» parece que começa a estar cansada de ser maltratada.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (04-03-2011)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Vire o mundo num clique!


ACABA MAIS DEPRESSA UM REGIME DO QUE AS NOVAS TECNOLOGIAS!
A ‘Era Tecnológica’ dava sinais de evolução rápida, mas também as vozes contrárias à sua determinação se faziam notar. Não demorou muito tempo para que umas mensagens no Facebook levassem dezenas, centenas, milhares e milhões de pessoas às ruas para se manifestarem contra a opressão de várias décadas. Um já caiu, o outro está em guerra aberta… e o resto ainda se vai conhecer.
Até aqui era muito fácil para um regime ditatorial controlar as mais diversas formas de informação, bastava para isso encontrar os ‘seus’ melhores directores para chefiar os órgãos informativos, agora já pouco vale essa atitude. É certo que os grandes órgãos informativos ainda conseguem controlar e manipular se assim o entenderem, mas também eles já se renderam às tecnologias e disponibilizam a sua plataforma para a instalação de blogues pessoais.
Apesar da distância que nos une fisicamente, o mesmo não se pode dizer da presença e dos efeitos que estas transformações têm no dia-a-dia das pessoas, basta reparar na perturbação dos próprios mercados petrolíferos que faz aumentar os combustíveis, sem os quais a economia não avança, apenas porque nos habituaram a depender destes como de ‘pão para a boca’, porque as alternativas não representam os mesmos lucros.
O mundo está em revolução. O mundo está a perder o medo das opressões de anos a fio e a mostrar ao próprio mundo que nada é eterno, basta que o povo se una em torno de causas maiores. Foi sempre assim ao longo da história da humanidade. São lamentáveis, todas as vítimas que se fazem, mas isto só demonstra que o homem não é mais do que um ‘animal’ que reage melhor ou pior mediante os seus instintos e a sua cultura e educação.
Na verdade, o que está a acontecer nada mais é do que uma geração que se cansou de ser manipulada por oportunistas do sistema. Gente que se aproveitou de uma posição directiva para exercer um poder que não lhes pertence e, com isso, levar as pessoas a pensar da maneira que eles muito bem querem. Usam a sua posição, destacada pela circunstância, para se insurgirem contra o seu próprio povo, aqueles que os colocaram no poder… isto não é absurdo?
Mas por quê falar do que está distante se temos estes casos bem perto? Já ouvi algumas pessoas, depois de apoiar até as listas para as juntas, a dizer «A gente não pode dizer nada, porque podemos precisar deles…». Mas que tipo de política é esta? Mas que gente sem princípios é que persegue as pessoas se não votarem nos seus partidos ou ameaçam que lhes prejudicam os empregos ou atrasa as licenças para as casas?
Estes são os que vestem fato aos domingos para ir à missa ou tomar um ‘favaios’ no café mais próximo da igreja, para que todos os vejam pendurados num casaco e os trate por ‘senhores da aldeia’. Depois, também estes, são os que dizem ‘que vão partir a cara a quem não deixa passar as suas artimanhas em claro…’ contudo, após longos meses dos actos eleitorais, verifica-se que as suas vidas continuam a ser de obediência aos seus senhores, porque os outros têm independência e eles não! Estes, muitos mesmo, continuam à espera de um lugar (que nunca chega) numa câmara qualquer…
Os outros são todos aqueles que são mais felizes!
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (25-02-2011)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Não aconteceu nada!


É mesmo isso, não aconteceu nada. Esta semana, depois de dar umas voltas pelos jornais e pensar o que poderia escrever, verifiquei que não havia nada para escrever. é verdade que à medida que o tempo ía passando, mais se acentuava o facto de não ter mesmo nada para escrever. Foi aí, nesse momento, que decidi escrever, porque não tinha nada. Porque não havia nada.
Escrever sobre o que vai acontecendo, dar a minha opinião, ou apontar uma ou outra proposta é um caminho que tenho seguido para os meus artigos, que já me mereceram alguns confrontos, ainda que poucos, por sinal, nada que me derrubasse, o que não é grande coisa para um escritor. Mas também sei que só não há mais crítica porque a maioria das pessoas só consegue fazer críticas entre os amigos no café… ou nos mercados… mas era bem melhor que estas palavras fossem confrontadas em público. Apenas significaria que as pessoas estão vivas e têm uma opinião sobre as coisas.
Que me desculpem os outros, mas é para este público que eu escrevo, para aqueles que gostavam de ver a sua freguesia, cidade e concelho, país… a evoluir para a verdadeira qualidade de vida. Não para o laxismo, esse eu condeno-o e estou farto de trabalhar para que alguns encham o bandulho à minha custa e dos demais trabalhadores. É claro que não falo dos reformados ou realmente doentes, até porque continuo a defender a reforma aos 40 anos de serviço para todos, pois já trabalharam muitos anos. É óbvio que excluo deste lote os que se reformaram da política…
Mas, como dizia, não vou falar mesmo de nada. Porque não acontece nada!
Sendo um colaborador de um órgão informativo regional/local devo concentrar as minhas crónicas em Fafe e, por isso mesmo, continuo a dizer que não tenho nada para dizer. Em Fafe não acontece nada há muito tempo!
Verdade seja dita, quando digo ‘não acontece nada’, quero mesmo dizer que ‘não se passa nada’. Não me refiro às festas em honra da Sr.ª de Antime e da vénia que esta faz aos senhores do poder, muito menos aos 16 de Maio ou às marchas luminosas ou ‘manhosas’… que são planeadas de regra e esquadro para não ferir susceptibilidades. Refiro-me a situações que possam levar os fafenses a mobilizarem-se, sem ser os encontros dos reis.
Está na altura de algo mais inovador e arrojado, não? Algo que nos surpreenda! Pensando bem, talvez esteja bem como está! Se olharmos por outra perspectiva, o que importa são mesmo bons jogos de futebol e umas cervejolas…
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (18/02/2011)