quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Paixão


Penetrei outrora os caminhos
desvendando o segredo de viver
encontrava um rosto de menina
beldade petrarquista no parecer
não na cor nem no alento
só no ver a pele calma
o sorriso pleno e a saudade
de saber quem és, eras, foste
um dia desejada outro olhada
observada apetecida mostrada
és encanto e sabor dos meus
lábios sequiosos
roxos ou vermelhos
pretos ou amargos
sentindo desespero de amar
ou então, somente
alegria de te olhar.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

«que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar…», “Parva que sou”, Os Deolinda


A performatividade das palavras, unidas melodicamente, marcam os tempos, as épocas, as gerações e demais momentos que de uma ou de outra forma imprimem cada instante, num tempo e num lugar muito bem definido. Certos que não se conhecem nascimentos exactos das mais distintas correntes, mas mais convictos somos que essas manifestações existem e quando surgem jamais voltam atrás.
Assim aconteceu com a pintura, a escultura, a música, o teatro e todas as revoluções que derrubaram regimes autoritários dando lugar a democracias mais ou menos justas. Hoje, em pleno século XXI, onde imperam as novas tecnologias, foram as redes sociais os motores que despontaram as manifestações no Egipto, mas também são as novas tecnologias que em Portugal nos apresentaram o novo tema dos ‘Deolinda’ - «Parva que sou».
Parva que sou… eu, tu, ele, nós, vós e eles.
Parvos, mas mesmo muito parvos! Tão parvos por nos deixarmos iludir por aqueles que mais não querem do que o nosso apoio. Muitos deles, descendentes directos de uma época de ditadura, que se dizem defensores da democracia, mas o que realmente os caracteriza é a fome e a ânsia do poder. Alguns deles, muitos, filhos directos do puro salazarismo em que tudo ‘era mais bonito antigamente’, principalmente para os que dizem isto, pois não passavam fome nem tinham de ir descalços para a escola como a maioria dos demais.
Agora, neste preciso momento, a história está a mudar. Os ‘filhos de papai’ não estudaram e os herdeiros do proletariado estão formados pelas melhores universidades do país. Hoje, os descendentes do capitalismo agrícola são obrigados a cultivar as terras se não as querem ver abandonadas, porque seus pais não queriam que sujassem as mãos e não os ensinaram a cuidar das quintas, o que implicava acompanhar os tempos e modernizar quer na robotização quer na computadorização. Mas, também hoje, a geração nascida nos anos 50 está mais ou menos equilibrada, ainda que viva com rendimentos muito baixos, a de 60 enrascada e a de 70 muito à rasca.
Que parvo que sou! Ou talvez, que parvo que fui, quando acreditava que todos queriam o bem de todos, que todos ‘tiravam a camisa’ pelas instituições e defendiam o bem comum. Realmente, que parvoíce!
Foi mesmo preciso estudar para ser escravo e pegar na mochila e fazer 1000 Km todas as semanas para ter um emprego precário dos famosos recibos verdes. Foi preciso estudar para parvo… Mas também foi preciso estudar para perceber que ninguém é superior e que não foi preciso ter terras para ser doutor. Hoje, ainda que parvo, reconheço que esta geração tem muito a fazer para que os jovens que vão crescer não sejam parvos como nós, apenas porque vão perceber o que nos fizeram e verificar que não adianta mais armar-se em parvo, porque outros, ainda mais parvos, nos tramaram este futuro.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (11-02-2011)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

E se Fafe tivesse…



… uma feira quinzenal ou mensal no Multiusos?
Numa recente recolha para uma próxima publicação da revista ‘alfa’, revista do CLUB ALFA, fiquei com a sensação que muito mais se poderia fazer por um concelho que me parece rico em criatividade e pobre na exploração dos seus recursos. Ainda que me pareça que a minha ideia tenha a necessidade de algum amadurecimento, principalmente no que se refere à confrontação com questões de ordem logística, o certo é que a cidade precisa de mais acção, envolver os seus munícipes e atrair mais visitantes.
O Plano de intervenção em nada se oferece complicado, ou seja, trata-se simplesmente na abertura do Multiusos para acolher exposição e venda de produtos artesanais, que podem ser elaborados por pessoas individuais ou através das associações. À primeira vista, não é mais do que promover a mostra das associações que já vem acontecendo uma vez por ano. Contudo, esta actividade, se fosse devidamente coordenada, não se fixava no ponto de venda, mas sim no pré, durante e pós execução, o que implicaria um acompanhamento, promoção e divulgação, através de locais próprios para a construção e, possivelmente, colaboração no encontro de temáticas a abordar em cada momento expositivo.
Se o Multiusos é um local para expor/vender o produto final com capacidade reconhecida, também as Escolas primárias, na sua maioria sem utilidade, representam locais privilegiados para o planeamento e execução dos trabalhos. É certo que estas precisam de coordenadores de grupo, mas para isso existe a vereação da cultura que pode encontrar em cada núcleo de freguesias uma associação com currículo cultural que possa assumir essa responsabilidade ou contratar jovens formados nas áreas de Educação/Artes/Cultura/Turismo.
Se Fafe somos todos, também todos devemos dar o nosso melhor por Fafe.
Às vezes, basta que deixem!
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (04-02-2011)

sábado, 29 de janeiro de 2011

«Servir é a arte suprema. Deus é o primeiro servidor!»


A VIDA É BELA, Um Filme de Roberto Benigni
‘Em democracia não há derrotas. A maior vitória tem de ser o povo.’ Da minha parte convivo muito bem com uma não eleição, mas não admito gente falsa! Em tempos, na minha Faculdade, fui eleito duas vezes para o Conselho Pedagógico e numa outra eleição, para representante dos estagiários, perdi por um voto. E perdi porque um votante em vez de colocar o meu nome (Pedro Sousa) colocou como me tratava (Fafe), logo foi nulo e o resultado, histórico, teve 129 – 128. Não tive problemas em cumprimentá-lo no final. Muito pelo contrário, ambos estávamos a concorrer para representar os nossos colegas e, neste caso, a sua votação fora maior.
Todo este percurso, que considero um tempo muito enriquecedor na minha vida académica, foi muito importante para a minha formação cívica. Desde muito cedo me habituei a lidar com vitórias e derrotas, mas sempre me recusei a viver com a falsidade, o oportunismo e a mentira. Não tenho problemas em cumprimentar um adversário político, porque esse pode ter o mesmo objectivo que eu, em contribuir para o bem comum, mas não consigo de todo acompanhar com aqueles que se aproveitam das circunstâncias para ‘apunhalar’ pelas costas logo que lhes seja oportuno.
Posso dizer que tenho amigos nos vários quadrantes políticos. Amigos mesmo, daqueles que estão connosco sempre, menos na altura da defesa dos respectivos partidos, ainda que às vezes, porque alguns, tal como eu, não se consideram propriedades dos partidos mas sim seus militantes, possamos estar todos do mesmo lado e defender o colectivo. Na verdade, nunca tive problemas em estar com aqueles que sei que defendem um partido ou uma ideia diferente da minha, mas nunca gostei de estar, até os evito, com aqueles que nunca se sabe a sua posição, esses são muito falsos!
Ao verificar tamanha abstenção neste país, penso que é, mais uma vez, oportuno focar a necessidade da renovação da classe política e das ideias vigentes. Estas estão obsoletas e já não servem. É preciso voltar a motivar os mais novos para a cidadania, o uso do seu direito que está no voto e alertar para a necessidade destes se envolverem numa política que merece muito mais do que a que nós já bem conhecemos.
Como diz a célebre frase: «Para que o mal triunfe, basta que os homens de bem nada façam!», por isso, todos têm de agir, para que a política deixe de ser ocupada por aqueles que se servem dela e passe para aqueles que a querem servir.
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (28/01/2011)