terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A minha estreia na Assembleia Municipal (ou a minha posição)


Pouco ou nada me surpreendeu aquela reunião. Mais do mesmo… embora nunca tivesse estado em nenhuma, saí com a vontade de lá voltar, mas desta vez para intervir com palavras que possam, pelo menos, despertar consciências ou fazer com que se reflicta sobre Fafe e a falta de dinamismo.
É triste ver a maior parte das pessoas sem darem qualquer contributo.
Confesso que não me pronunciei senão para expressar o meu voto. Era o orçamento que estava em causa e queria ver como eram conduzidos os trabalhos, mas prometi a mim mesmo que não deixarei passar em claro nem mais uma oportunidade de mostrar a minha posição sobre os destinos de Fafe.
Nesta reunião, vi e ouvi o presidente da câmara a tentar ironizar a posição de um elemento do PSD que já esteve por outros partidos, mas logo me fez questionar: Quantos não estavam naquela sala que o fizeram para o partido desta câmara? Basta dar uma volta pelos Presidentes da Junta e até na vereação!
Sinceramente, espero que as próximas reuniões permitam discutir Fafe nos seus distintos pontos: cultura, educação, desporto, acção social, infra-estruturas… enfim, já chega de ver a repetição do plano e orçamento, o que dá a atender que Fafe entrou em gestão e repetição das suas escassas ideias… falta ainda apostar em novas e distintas formas de intervenção cultural e artística.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Administração local - Há presidentes de junta que não passam de excursionistas…


A política já teve melhores dias e o reflexo disso mesmo é o clima de crispação que se instalou devido a um conjunto de factores pouco claros e muito promissores de cargos apelativos, claro está, para o mais do mesmo. Ainda que possamos traçar linhas diferentes, numa análise prática ao desempenho de cada indivíduo, o certo é que a procura do poder pelo poder, sem objectivos definidos, atira os modelos existentes para o cúmulo da incapacidade de trabalho.
As autarquias locais são fortemente apelidadas como as mais importantes em toda a administração, uma vez que se encontram mais perto da população, no entanto estas são apontadas nestes termos por aqueles que já conseguiram mais e melhores lugares dentro da própria vida político-partidária. Desiludam-se quem ainda neles acredita, a ‘ladainha’ é a arma que melhor os identifica e nada melhor sabem fazer do que vender essa ‘banha da cobra’ tão apregoada pelas feiras semanais e intensificada nas feiras francas.
O que realmente temos, hoje, na maior parte das juntas de freguesia, são pessoas com um baixo nível de formação humana e cultural, onde tudo serve para se destacarem no seio da comunidade, mas na prática ainda conseguem fazer pior do que os que estavam antes, mesmo que tenham sido os mesmos, o que se torna ainda mais insustentável.
Pensava eu, em certa altura, que cada presidente da junta tinha autonomia para propor as obras e actividades em que a sua comunidade oferecesse mais necessidade, quando me deparo com o ridículo de uma situação de tais palavras «O que é preciso são passeios para as pessoas da sua idade, os jovens não querem saber de nada!».
Estupefacto, lá mantive a ‘boca firmemente fechada’. Isto, porque a conversa não era comigo.
Mas o que é isto? Que mentalidade é esta? Quem dá instruções a estas criaturas?
É óbvio que muito poderia ser dito, mas não adianta ‘bater no ceguinho’, afinal eles é que são os bons, caso contrário o povo não os elegeria… contudo, que fique bem claro que estas atitudes vêm dar razão ao que muitas vezes já tínhamos referido, ou seja, os autarcas precisam de formação (e urgente). Até acreditamos que possa dar mais jeito assim, principalmente se forem todos da mesma cor, pois não causam alarido e os maiorais estão ‘na paz’, mas desta forma deixam de existir preocupações culturais (música, dança, teatro…) e quem quiser estas ‘regalias’ só tem uma hipótese: leva o filhote à cidade (o que poucas famílias têm possibilidades).
Se as juntas de freguesia não começarem a apostar em planos de intervenção capazes, mesmo estes acordados com as próprias câmaras, estas deixarão de ter qualquer importância administrativa e seria melhor assumir de vez que só servem para organizar o carnaval ou festas de Natal mal feitas e passeios de idosos a uma qualquer quinta onde se dê muita comida e bebida, porque para grandes obras é preciso saber e, se não souber, é necessário muito trabalho para aprender.
Toda a obra pode ser possível, mas não será se «O Reino caiu nas mãos duma gente mesquinha que chama alma ao estômago…», conforme nos indica a obra ‘Felizmente há luar’ de Luís de Sttau Monteiro.
Pedro Miguel Sousa (in Jornal Povo de Fafe, 10-12-2010)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Homenagem ao Blog Montelongo

O mérito deve ser reconhecido e, aqueles que respeitam as diferenças, bem sabemos que muito ou nada se pode fazer em torno de uma cidade ou concelho, principalmente na sua reestruturação, enquanto meio físico, e na sua qualificação, meio humano, pois só depende da força de vontade dos agentes no poder.

O Blog Montelongo, para o qual fui convidado a colaborar, é um exemplo de cidadania por excelência. Não por ter a minha pessoa nos seus intervenientes, mas porque é um local de passagem obrigatória para todos aqueles que se preocupam e gostam de Fafe.

Neste Blog discute-se Fafe a vários níveis e é a prova de que várias vozes podem ser úteis se se unirem esforços e se aproveitar o que se vai discutindo, elogiando a alertando para um bem comum que todos, mais ou menos, anseiam, ou seja, um futuro próspero para Fafe e as suas gentes.

Este Blog não apareceu sozinho! Este Blog fez com que à sua volta se acordassem outros blogs quase adormecidos e se incentivasse outros a nascer. Hoje existe uma corrente que interliga diferentes compositores das letras, sendo eles de clubes, religiões ou partidos opostos ou não, mas todos são pessoas que acreditam que o seu contributo pode ser tomado em conta e permitir, também eles - simples cidadãos, colaborar para a verdadeira ‘coisa pública’.

Ao Blog Montelongo elevo toda esta brilhante responsabilidade social!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Liberdade

Espuma doirada de ventos
Em sol matinal
Brisa suave e doce
Nesta areia sem cais.

Ao longe as tempestades
No Bojador esquecidas,
Ao perto as aventuras
Ancestrais.

Repicam as bolas
Crescem os castelos
Soltam-se os gritos
Abraçam-se os demais.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Em terra de Reis, quem tem um olho é mirolho!

O que será que acontece quando todos querem ser Reis e se deixam orientar pelos cegos? Nada mais fácil, o trono continua a ser apenas um, por isso, nunca poderá existir lugar na mesma cadeira, ainda que esta seguisse os modelos das bicicletas puxadas por duas ou mais pessoas… haverá sempre alguém que se cansa e ‘vai de boleia’ ou, melhor, ‘na pendura dos outros’.
Numa observação sociológica, mais ou menos atenta, ainda que muito rápida ao comportamento e intervenção dos mais hábeis e manhosos sobre os mais frágeis, deparei-me com uma situação de aproveitamento que nem queria acreditar. Ora vejamos, os indivíduos, astutos que nem raposas, conhecedores das manhas e artimanhas e um pouco mais favorecidos no meio de umas gravatas mal passadas, socorrem-se das suas proximidades, ainda que tidos como os mais pequenos entre os maiores, tentam fazer valer o seu grau de influencia: ‘Se precisar de alguma coisa… já sabe!’
Mas sabe o quê? Será que sabe que o poder é efémero? Ou será que o dourado das igrejas dura para sempre, o sol nasce só para uns e a lua nunca se põe para outros?
Nada disso! Tudo é efémero, tudo é transitório.
Retomando o texto anterior, descobrimos que os mais vulneráveis a situações de engano são aqueles, usando uma linguagem muito popular, ‘que se julgam importantes’. Estes, porque até são chefes de uma ou outra associaçãozita, basta dizer-lhes que terão apoio incontornável se apoiar uma candidatura, que os destacarão entre ‘os maiores’ e, às vezes, até os empregos melhores são prometidos. No final da cena, o pano cai. Os apoios não chegam, aos grandes nunca são apresentados, mesmo que sejam de pouco lhes vale, e os empregos não chegam para as encomendas.
Moral da história, como diz muitas vezes o meu pai, «Se és grande, faz-te pequeno». E, agora, digo eu: «Se és pequeno, estuda, lê e trabalha, porque também podes ser grande».
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (26-11-2010)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Nem todos eternizam os ‘tachos’…

«Muda-se o ser, muda-se a confiança;» escreveu Camões num dos seus muitos poemas. Esta, a mudança, mereceu uma atenção particular, o mundo precisa constantemente de mudança e, se assim não acontece, surgem necessidades devido a essa ausência prolongada de mudança.
Ao contrário daqueles que teimam em manter os seus tachinhos, mesmo que mude tudo à sua volta, Moita Flores, em declarações ao Jornal I, referia que «em 2013 "o trabalho estará concluído", por isso, "será a hora de dar lugar a outros"». A possibilidade de uma nova candidatura, para este homem, prende-se com a dimensão do mesmo, ou seja, se o projecto for aliciante avançará.
Esta atitude merece algumas considerações, principalmente quando este autarca começou por dizer que ficava somente ‘dois mandatos’ e que não via a política «… como uma profissão, como uma coisa sedentária. Estou na política com uma missão, um projecto, estou na política a prestar serviço público, e quando termino o que fui fazer devo sair e dar lugar a outros. É assim que eu penso, e é assim que eu acho que deveria ser com toda a gente». Em primeiro lugar, podemos ver uma pessoa que traçou um projecto para dois mandatos e, em segundo lugar, vê a política como um dever de serviço público. Em tempo de descrédito na classe política, estas palavras, após verificado pelos actos, parecem ser uma lufada de ar fresco. É certo que Moita Flores põe a hipótese de novos e mais altos voos, mas também é evidente que a sua missão finda, nada o impede de sonhar e lutar por aquilo que acredita.
Quantos, autarcas ou simples elementos de associações e mesmo comissões fabriqueiras, é que traçam objectivos e deixam os lugares para outros quando estes estão cumpridos? Muito poucos, responderemos todos sem necessitar de pensar muito. E, as razões também se conhecem, umas são pela necessidade de se mostrarem, outras para tirarem dividendos para eles, famílias ou amigos… ou sempre para os mesmos como acontece nas terrinhas! É claro que há quem diga que não sai porque a associação não resistia ou porque o senhor presidente não deixa, mas esses que vão atirar areia para os olhos dos outros, porque todos sabemos que ‘todos são precisos e ninguém faz falta ao mesmo tempo’.
Não é por morrer uma andorinha que acaba a Primavera e também nunca acabou nenhuma associação porque saiu uma pessoa, porque se isso aparentemente aconteceu é porque não era uma associação, mas uma farsa dominada por uma só pessoa.
Era muito importante que todos fossem obrigados a ter objectivos, não que essa obrigação fosse imposta, mas se todos trabalhassem por objectivos, logo veriam que é muito mais aliciante traçar objectivos e, uma vez concluídos, partir para outras aventuras, que, muito sinceramente, fazem com que a auto-estima seja bem alta e que tudo ou quase tudo é possível com trabalho e dedicação.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (19-11-2010)

sábado, 13 de novembro de 2010

«Sem a loucura que é o homem...»

«Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?»
Fernando Pessoa, ‘D.Sebastião, Rei de Portugal’
No início desta semana, resolvi escrever um pequeno texto no meu blog intitulado ‘Vais continuar a puxar carroças?’, e fui acompanhando a sua evolução. Nesse mesmo dia, os visitantes aumentaram, representando talvez o maior número de visitas num dia só. Daqui, ainda que possa ser forçada, penso que devemos tirar algumas conclusões, principalmente quem tem funções administrativas em Portugal.
O texto dizia o seguinte: «A maior parte das pessoas lamenta a situação em que se encontra o país, outros há que lamentam o rumo que segue o concelho ou mesmo a freguesia. Mas já repararam mesmo o que está a acontecer na sociedade?
É mesmo muito simples: Estamos num país muito pouco letrado. Metade das pessoas letradas não percebem como funcionam as instituições, metade dessas sujeitam-se, a outra metade manda. Ou seja, ou estudas e começas a perceber e a exigir os teus direitos (sabendo que os políticos foram eleitos para te servir e não para mandar em ti) ou vais continuar a puxar carroças!».
Quando nos debruçamos no marasmo em que se encontra o país, que brinca aos orçamentos, dá-nos a sensação que Portugal já não é um país mas uma grande ‘associação recreativa’ que tem de cumprir os estatutos e fazer reuniões para aprovar um orçamento para ficar em acta, depois se se cumprem ou não as actividades são contas de outro rosário.
Só devemos mesmo estar a brincar! Onde está o espírito empreendedor que tanto apregoamos do tempo dos descobrimentos? Onde estão as vozes que se auto-intitulam defensores da democracia? Será que estão todos preocupados com os cortes na função pública de que fazem parte? É bom que estejam, porque isso vai mesmo acontecer, mas já repararam que sempre tiveram melhores regalias do que o comum dos mortais? Agora precisam de todos para a luta, mas por que nunca se juntaram à classe operária e pediram para eles também um bom serviço de saúde, por exemplo?
Na verdade, quando as pessoas se tornam egoístas, pensando apenas nas suas bolsas e utilizam o seu posto para se destacar no ‘seu bairro’, esquecem-se que «o mundo é uma roda, tanto anda como desanda».
Não se pense com isto que considero que se deva cortar em salários da função pública, mas que se saiba que defendo publicamente a melhor qualidade de vida para todos, não só para os ‘boys’ partidários, que não são mais do que sanguessugas dos nossos impostos. Se assim não fosse, as juntas de freguesia e as câmaras lutavam pelos seus habitantes, para que tivessem boas escolas, centros de saúde, estradas transitáveis, actividades culturais, desportivas… promoviam encontros com possíveis investidores que trouxessem emprego.
O que realmente falta a este país, não é mais do que Fernando Pessoa referiu há muito tempo ‘a loucura ou o sonho’. Porque sem o sonho ou loucura, o que é o homem mais do que o animal. Se não há ambições na vida, se apenas temos políticos que foram eleitos para gerir o dinheiro dos nossos impostos, então não estão lá a fazer nada. É preciso usar a criatividade, se não a têm… começa por ser lamentável, mas podem sempre recorrer a empresas criativas que são especializadas na análise destes processos e conseguem perceber se um negócio tem ou não potencial.
Enquanto não o fizerem, temos de admitir que são uns maus funcionários!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (12-11-2010)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Associativismo é para contribuir para a cidadania, nunca para promover políticas sujas!

Quase desde sempre estive ligado ao associativismo. Não sou nenhum ‘expert’ na matéria, mas posso afirmar que deixo sempre de colaborar com uma associação quando os objectivos deixam de ser claros e transparentes.
Depois de muitos anos ao serviço de objectivos concretos, posso dizer que todos aqueles que tentaram contra a minha observação no associativismo, iludindo os seus mais directos apoiantes contra as nossas propostas, ficaram com duas coisas: a falta do meu apoio e a crise instalada. A falta do meu apoio é irrelevante, afinal sou apenas mais um, mas provocaram uma crise que perdura há muito tempo, o que ditou já demissões, o abandono de muitos associados e a descrença nas ‘boas’ intenções dos dirigentes que ainda sobram.
Sabem por que isto acontece? Porque a ambição do homem é muito grande em manias e pequena em valores.