Começa a ser ridículo ouvir todos os dias as mesmas notícias. Como se já não bastasse a situação caótica em que vive o país, agora temos esta tentativa de aprovar o orçamento sem antes o discutirem, era o que mais faltava, não?
A responsabilidade política não pode ser levada pela teoria do coitadinho ou como lhe chamam os entendidos ‘teoria da vitimização’. Se há crise é porque aconteceu alguma coisa. Se esta tem a ver com questões da natureza, existem ajudas humanitárias, mas se esta é agravada e causada por políticas irresponsáveis, devem tirar-se conclusões e não deixar com que nos usem como bodes expiatórios para o fracasso de alguns.
Para o PS era muito fácil: existe uma crise, todos votam favoravelmente no orçamento e o que vem a seguir é culpa de todos, porque o aprovaram. Se não votam favoravelmente ‘demito-me’, dizia o Primeiro-ministro, mas será que estamos no tempo de criança em que os miúdos fazem birra se não lhes emprestarem o brinquedo e dizem ‘se não me emprestares vou embora’?
Por que será que o Eng. Sócrates não mostra logo esse dito orçamento, se precisa de uma resposta urgente? Será que prefere a aprovação ou a reprovação daria mais jeito?
Passos Coelho afirmou que se não fossem as eleições presidenciais apresentaria uma moção de censura ao governo, precisamente por este governo querer passar uma imagem contrária ao que está previsto pelos analistas internacionais relativamente ao défice, o que me surpreendeu logo a seguir foi ver um comentário de um socialista no sentido de afirmar que estas declarações não eram boas para o país, porque deixa uma má imagem junto dos bancos internacionais.
Este foi o momento que mais me elucidou relativamente ao comportamento humano que se vem repetindo, ou seja, as pessoas cometem erros e depois não querem ser desmascarados alegando que é mau para a instituição, a freguesia ou cidade e o país. Se querem ser bem vistos, por que não fazem as coisas sem prejudicar os outros e sem querer todos os tachos para eles ou seus familiares e amigos? É que isto começa mesmo a notar-se em todo o lado…
No meio destas trapalhadas todas, concluímos que o país está mesmo em crise monetária e de valores. As pessoas são cada vez mais egoístas e acabam por ser enganadas, basta utilizar umas palavras ‘delicodoces’ e às vezes baterem-lhes com as mãos nas costas ou levá-las a encher o bandulho em comezainas pagas por todos nós ao som do ‘tiroliroliro’. Manuela Ferreira Leite, apesar de eu não ter gostado de várias atitudes enquanto presidente do partido, alertou para o que estava para chegar, mas ninguém lhe deu importância. Neste momento, é caso para voltar a acreditar na velha máxima «quem te avisa, teu amigo é».
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (15-10-2010)
ESCRITA | ARTE | PUBLICAÇÕES | PROJETOS
sábado, 16 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Um país à beira de um ataque de nervos!
Hoje as notícias seguiam dois rumos completamente diferentes: por um lado, as primeiras referências ao tão badalado orçamento; por outro, os mineiros chilenos estão a chegar bem. Não sei muito bem, mas algo me diz que a animação em Portugal não vai ser a melhor quando começarmos a ver que o conbustível está mais caro e tudo o resto também. As prestações vão disparar e os salários diminuir.
Este país está a pagar a factura de muitos anos de má gestão, mas não me parece que sejam estas políticas que determinarão uma nova investida das empresas. Até porque já todos vivem na incerteza!
Alguém terá uma ideia para levantar este país?
Este país está a pagar a factura de muitos anos de má gestão, mas não me parece que sejam estas políticas que determinarão uma nova investida das empresas. Até porque já todos vivem na incerteza!
Alguém terá uma ideia para levantar este país?
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
CERCIFAF com medalhas de ouro e Restauradores à frente no pedestrianismo
Os desportistas da Cercifaf estão de parabéns. Não é que não seja já habitual vê-los vencer, mas apercebemo-nos, cada ano que passa, que são os que conseguem trazer os melhores resultados para Fafe. Certamente que não são apenas os atletas que merecem aplauso, mas também a respectiva equipa técnica que os prepara e acompanha nas diversas etapas.
Os Restauradores da Granja também não ficam indiferentes a Fafe este ano. A sua prestação ao concelho é de reconhecida dedicação e, sem dúvida, hoje Fafe pode dizer que tem vários percursos pedestres, mas todos eles graças a este grupo que é simplesmente o primeiro no pódio a nível nacional.
Certamente que há mais grupos e instituições que merecem destaque, algumas vamos conhecendo, graças à comunicação social local ou há blogosfera que cada vez mais nos aproxima, outras ainda não tivemos oportunidade, por falta de uma política informativa, mas aproveitamos estes dois bons exemplos para mostrar que Fafe tem capacidade para se destacar nas mais distintas áreas de intervenção e não precisa de se atropelar se existir uma boa coordenação.
Muitas vezes, em todo o lado, cobertos por mantas da ignorância, o homem considera-se superior em relação aos seus semelhantes, depois, pelos esforços e dedicações às mais variadas situações, só prevalecem os melhores e, claro está, toca a despir o manto da hipocrisia e agarrar-se ao que de melhor surge no momento, porque ou dá mais uns votitos ou permite alguma visibilidade adicional.
É precisamente nesta perspectiva de intervenção que olhamos para o que se passa no concelho e afirmamos que há uma necessidade de estreitar laços de participação cívica. Reconhecemos que houve uma atitude positiva de Pompeu Martins em unir jovens em redor do projecto ‘Juventude 2010: 100 anos, 100 ideias para participar’ (http://www.wix.com/juventudecmf/fafe), mas já tomamos conhecimento pela blogosfera que a participação não atingira os valores desejados. Com isto, se se verifica de facto, tiramos duas rápidas conclusões: em primeiro, deve-se ao alheamento dos jovens nesta temática, em segundo, isto é novo e os nossos políticos em Fafe nunca aceitaram muito bem as ideias que não as deles mesmos... veja-se o que se passou com a acção social e as comissões inter-freguesias, para que serviram na realidade?
No entanto, parece-me uma boa aposta do Vereador Pompeu Martins, mas ele vai ter que mostrar que há utilidade nestas apostas e não é só para fazer com que aceitem as deles... Foram os políticos que estragaram a política, vão ter de ser eles a dar-lhes novamente credibilidade... se não forem estes, talvez os próximos, ou os desgraçados da geração rasca que somos nós, os herdeiros directos das políticas desastrosas que nos dão recibos verdes para passar (quando temos um emprego de sobrevivência) ou impostos ‘aos molhos’ para pagar.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (08-10-2010)
Os Restauradores da Granja também não ficam indiferentes a Fafe este ano. A sua prestação ao concelho é de reconhecida dedicação e, sem dúvida, hoje Fafe pode dizer que tem vários percursos pedestres, mas todos eles graças a este grupo que é simplesmente o primeiro no pódio a nível nacional.
Certamente que há mais grupos e instituições que merecem destaque, algumas vamos conhecendo, graças à comunicação social local ou há blogosfera que cada vez mais nos aproxima, outras ainda não tivemos oportunidade, por falta de uma política informativa, mas aproveitamos estes dois bons exemplos para mostrar que Fafe tem capacidade para se destacar nas mais distintas áreas de intervenção e não precisa de se atropelar se existir uma boa coordenação.
Muitas vezes, em todo o lado, cobertos por mantas da ignorância, o homem considera-se superior em relação aos seus semelhantes, depois, pelos esforços e dedicações às mais variadas situações, só prevalecem os melhores e, claro está, toca a despir o manto da hipocrisia e agarrar-se ao que de melhor surge no momento, porque ou dá mais uns votitos ou permite alguma visibilidade adicional.
É precisamente nesta perspectiva de intervenção que olhamos para o que se passa no concelho e afirmamos que há uma necessidade de estreitar laços de participação cívica. Reconhecemos que houve uma atitude positiva de Pompeu Martins em unir jovens em redor do projecto ‘Juventude 2010: 100 anos, 100 ideias para participar’ (http://www.wix.com/juventudecmf/fafe), mas já tomamos conhecimento pela blogosfera que a participação não atingira os valores desejados. Com isto, se se verifica de facto, tiramos duas rápidas conclusões: em primeiro, deve-se ao alheamento dos jovens nesta temática, em segundo, isto é novo e os nossos políticos em Fafe nunca aceitaram muito bem as ideias que não as deles mesmos... veja-se o que se passou com a acção social e as comissões inter-freguesias, para que serviram na realidade?
No entanto, parece-me uma boa aposta do Vereador Pompeu Martins, mas ele vai ter que mostrar que há utilidade nestas apostas e não é só para fazer com que aceitem as deles... Foram os políticos que estragaram a política, vão ter de ser eles a dar-lhes novamente credibilidade... se não forem estes, talvez os próximos, ou os desgraçados da geração rasca que somos nós, os herdeiros directos das políticas desastrosas que nos dão recibos verdes para passar (quando temos um emprego de sobrevivência) ou impostos ‘aos molhos’ para pagar.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (08-10-2010)
sábado, 2 de outubro de 2010
República da Praça

Este ano o 5 de Outubro tem um sabor especial, afinal não é todos os dias que se celebram 100 anos e, neste caso, é um século de muitas conturbações políticas e sociais que merecem ser relembradas e conhecidas para compreender o que realmente está na origem de uma sociedade que tem os seus ideais na liberdade.
O início da República não foi o mais desejado pela maioria das pessoas. O que os republicanos haviam tomado como bandeira, ou seja, o sufrágio universal, não passou de um embuste, porque na realidade só pôde votar quem sabia ler e escrever e mulheres estavam excluídas. Depois foi alargado para quem fosse chefe de família e houve uma senhora que ainda votou uma vez, invocando que se encontrava viúva e era a chefe de família, mas logo foi determinado em comunicado que mulheres não votavam em circunstância alguma.
A verdadeira igualdade, perante o voto, só se verifica com o 25 de Abril que traz consigo uma sociedade muito mais esclarecida e tem as suas principais movimentações desde o ano 1969 com as manifestações estudantis.
Neste momento, tendo sido Coimbra uma das cidades que mais contribuiu para a Revolução da Liberdade, não poderia deixar de homenagear de um modo geral as casas que também contribuíram para os debates de ideias que se opunham ao regime, as denominadas Repúblicas. Embora se tenha constituído alguns anos depois, saliento a República da Praça, situada na Praça da República em Coimbra, e que foi uma das minhas casas enquanto a ‘Capa e Batina’ me acompanhavam pelas ruas da cidade dos estudantes.
No momento de comemoração dos 100 anos da República Portuguesa, posso afirmar que já festejei vários centenários da República da Praça, porque viver um ano numa República de Coimbra é como viver 100 anos de vida normal! Assim, por volta da tomada da bastilha (tomada da associação pelos estudantes), todos os anos, agora no estatuto de antigos ou velhinhos, volvemos à casa da praça, cada um de seu canto, para celebrar mais ‘100 anos’, momento singular no festejo, pois muitos só se reencontram neste dia do ano.
A República da Praça é a res (coisa) pública. É um elemento de todos, um local de passagem para muitos estudantes e amigos, que vêm de todos os cantos do país, mas também de outros pontos do mundo, tendo sido intensificado estes últimos anos com a adesão dos estudantes ao abrigo do programa Erasmus. Em conjunto, são discutidas ideias e conceitos, misturados os saberes e conhecimentos individuais e colectivos, de forma a ganhar uma cultura muito mais diversificada.
Na minha óptica, este é o verdadeiro espírito que deve vigorar não só numa República de Coimbra, mas numa sociedade que defenda os ideais da República e os ideais da liberdade. Apesar de olhar para um 25 de Abril que tem mais ‘Abril para uns do que para outros’, considero que a República trouxe mais igualdade, a Revolução dos cravos acrescentou a essa mesma liberdade, mas ainda estamos longe de ter um estado igual em direitos e deveres. Por isso, ousamos dizer que o 25 de Abril de 1974 não foi o dia da liberdade, mas sim o ‘Dia da puberdade’, porque ainda falta muito a este país, que aproveita esse dia para fazer festas de inaugurações, conseguir a maturidade nas leis, no poder e na expressão.
Um Repúblico convicto!
Pedro Miguel Sousa
in jornal Povo de Fafe (01-10-2010)
domingo, 26 de setembro de 2010
A Universidade, uma Escola de Vida
Numa altura em que milhares de estudantes regressam às Universidades ou Politécnicos, importa relembrar a importância que a educação tem na formação da pessoa. Muito mais do que qualquer especialização técnica, o Curso Superior permite criar no indivíduo uma maior capacidade de se adaptar a novas realidades, atendendo ao seu objectivo na formação crítica sobre as coisas, mas deve ser tomado com a humildade que o mesmo o exige.
Entrar no ensino superior não deve ser encarado como uma marca de superioridade sobre os outros, deve apenas ser a nossa marca de mais uma meta alcançada. Ninguém é superior a ninguém, mas também ninguém é inferior. Durante o processo de formação, sobretudo nas aldeias, onde as pessoas se conhecem melhor, muitas são as vozes que se ouvem quando não se concorda com determinados comportamentos, por exemplo, ‘já tem a mania que sabe’, ‘já pensa que é doutor’… o certo é que estas são as vozes da pouca formação e, infelizmente, Portugal ainda está muito atrasado a esse nível.
Certamente que não é a ‘doutorice’ que nos torna superiores, até porque conhecemos todos muitos ‘doutores de província’ que se julgam estatutariamente superiores em sabedoria e depois tomam as atitudes do mais baixo nível, tendo uma capacidade tremenda para usar e abusar dos outros e ainda querem ser tratados como verdadeiros ‘senhores da alta sociedade’. A maior parte das vezes são estes os primeiros a tentar desanimar a nossa investida, porque têm medo de ser ultrapassados. Se fossem bons profissionais ficariam felizes, porque um verdadeiro mestre é ‘aquele que consegue dar formação de tamanha qualidade que o seu educando continua a investigar e o vai ultrapassar’.
A minha geração é uma geração de transição, pois apanhamos com todas as modas possíveis e imaginárias desde a geração rasca, porque não obedecíamos aos pequenos poderes, ao mundo de trabalhos precários. Antigamente só podia estudar quem tivesse muitas capacidades económicas, depois apareceu o 25 de Abril que formou muita gente na secretaria e, muitos destes, tomaram o poder como sendo seu, o que nos atira para um estado cada vez mais preocupante na sua caducidade. Contudo, hoje o mundo obriga-nos a uma aposta constante na formação e, sem qualquer sombra de dúvida, este é o caminho mais correcto para que possamos fazer uma revolução cultural, onde os confrontos não têm armas senão a da inteligência.
Partindo sempre do princípio que todos somos pessoas, libertos de importantismos, e que precisamos de tudo e de todos para a nossa sobrevivência e qualidade de vida, aproveito para desejar muitas felicidades aos novos caloiros, um cumprimento que se estende às respectivas famílias, pois bem sabemos que é um momento único e que marcará a vida para sempre.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (24-09-2010)
Entrar no ensino superior não deve ser encarado como uma marca de superioridade sobre os outros, deve apenas ser a nossa marca de mais uma meta alcançada. Ninguém é superior a ninguém, mas também ninguém é inferior. Durante o processo de formação, sobretudo nas aldeias, onde as pessoas se conhecem melhor, muitas são as vozes que se ouvem quando não se concorda com determinados comportamentos, por exemplo, ‘já tem a mania que sabe’, ‘já pensa que é doutor’… o certo é que estas são as vozes da pouca formação e, infelizmente, Portugal ainda está muito atrasado a esse nível.
Certamente que não é a ‘doutorice’ que nos torna superiores, até porque conhecemos todos muitos ‘doutores de província’ que se julgam estatutariamente superiores em sabedoria e depois tomam as atitudes do mais baixo nível, tendo uma capacidade tremenda para usar e abusar dos outros e ainda querem ser tratados como verdadeiros ‘senhores da alta sociedade’. A maior parte das vezes são estes os primeiros a tentar desanimar a nossa investida, porque têm medo de ser ultrapassados. Se fossem bons profissionais ficariam felizes, porque um verdadeiro mestre é ‘aquele que consegue dar formação de tamanha qualidade que o seu educando continua a investigar e o vai ultrapassar’.
A minha geração é uma geração de transição, pois apanhamos com todas as modas possíveis e imaginárias desde a geração rasca, porque não obedecíamos aos pequenos poderes, ao mundo de trabalhos precários. Antigamente só podia estudar quem tivesse muitas capacidades económicas, depois apareceu o 25 de Abril que formou muita gente na secretaria e, muitos destes, tomaram o poder como sendo seu, o que nos atira para um estado cada vez mais preocupante na sua caducidade. Contudo, hoje o mundo obriga-nos a uma aposta constante na formação e, sem qualquer sombra de dúvida, este é o caminho mais correcto para que possamos fazer uma revolução cultural, onde os confrontos não têm armas senão a da inteligência.
Partindo sempre do princípio que todos somos pessoas, libertos de importantismos, e que precisamos de tudo e de todos para a nossa sobrevivência e qualidade de vida, aproveito para desejar muitas felicidades aos novos caloiros, um cumprimento que se estende às respectivas famílias, pois bem sabemos que é um momento único e que marcará a vida para sempre.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (24-09-2010)
Descontentamento
Numa rua de movimentos
Perturbadores,
A intelectualidade desfila sem ideias
Entre abismos e risos
De ironia desconcertada.
Os moços,
De recados em recados,
Olhar baixo
Na vergonha destronada.
Prometido foi o céu,
Mas não se vêem as estrelas,
A lua, as nuvens…
Muito menos o sol!
Pedro Sousa
in Caderno Cultural do Jornal Povo de Fafe (24-09-2010)
Perturbadores,
A intelectualidade desfila sem ideias
Entre abismos e risos
De ironia desconcertada.
Os moços,
De recados em recados,
Olhar baixo
Na vergonha destronada.
Prometido foi o céu,
Mas não se vêem as estrelas,
A lua, as nuvens…
Muito menos o sol!
Pedro Sousa
in Caderno Cultural do Jornal Povo de Fafe (24-09-2010)
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O sistema de marcação de consultas não poderá mesmo mudar?
Mesmo muitos dos que até concordam com o nosso ponto de vista, deixam-se ficar pelo sistema, o mais do mesmo, o sempre igual, por que será? Poder-se-á dizer que este traz benefícios bem mais agradáveis, ou seja, o não mexer? Por que será que não vemos os políticos das freguesias e dos concelhos a tocar com insistência neste tema?
Já todos sabemos que a maior parte dos cidadãos apenas falam do que está mal nas ruas, nos cafés, até dentro dos centros de saúde, mas também sabemos que os livros de reclamação continuam quase intactos e a saúde ainda faz levantar muita gente de madrugada para conseguir uma consulta no respectivo médico de família.
Um dia, num daqueles momentos em que pensava que podia e devia fazer alguma coisa pela sociedade, resolvi confrontar um responsável da saúde com os problemas existentes na questão da marcação de consultas. Embora tivesse usado de toda a educação que a circunstância o obrigava, a reacção do médico às minhas palavras, que descreviam nada mais, nada menos ‘o terrível sufoco que as pessoas passam para conseguir uma simples consulta e se levantavam pela madrugada’, não foram as melhores. Notei desde logo alguma perturbação no seu discurso e, depois de o confrontar, reparei que me tentava convencer que não era bem como eu dizia. Até me pareceu que me queria obrigar a aceitar as suas tomadas de posição.
Enfim, como é óbvio deixei que cada um acreditasse no que quisesse, embora me tenha custado uma confrontação com um responsável de um órgão de informação que não queria que eu abordasse as elites sociais, mas essa não era e nem é a minha forma de ser e de estar na vida, o que me levou a seguir outro rumo. E, se há razões evidentes, por que entrar nos jogos do faz-de-conta?
Hoje, onde encontro um sistema de saúde de excelência (Centro de Saúde de Celas – Coimbra), tenho consulta todos os dias sem marcação para situações agudas e nem preciso ir mais cedo. Até me sinto um privilegiado social. O mais engraçado é que estou a falar num sistema de saúde enquadrado nos mesmos termos daquele que tem pessoas a fazerem fila desde a madrugada, pois é o apelidado SNS/USF – Unidade de Saúde Familiar.
Começamos a ver em muitos locais estas mesmas regalias, que não são mais do que direitos de quem paga os seus impostos, mas ainda há as chamadas ‘Extensões de Saúde’ que parecem teimar em não aderir a este sistema…
Às vezes, apesar de já acreditar pouco naquelas atitudes humanas que atiram a pedra e escondem a mão, ainda me ponho a pensar: «Será que todas as pessoas não deveriam ter o mesmo tratamento que eu tenho?».
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (17/09/2010)
Já todos sabemos que a maior parte dos cidadãos apenas falam do que está mal nas ruas, nos cafés, até dentro dos centros de saúde, mas também sabemos que os livros de reclamação continuam quase intactos e a saúde ainda faz levantar muita gente de madrugada para conseguir uma consulta no respectivo médico de família.
Um dia, num daqueles momentos em que pensava que podia e devia fazer alguma coisa pela sociedade, resolvi confrontar um responsável da saúde com os problemas existentes na questão da marcação de consultas. Embora tivesse usado de toda a educação que a circunstância o obrigava, a reacção do médico às minhas palavras, que descreviam nada mais, nada menos ‘o terrível sufoco que as pessoas passam para conseguir uma simples consulta e se levantavam pela madrugada’, não foram as melhores. Notei desde logo alguma perturbação no seu discurso e, depois de o confrontar, reparei que me tentava convencer que não era bem como eu dizia. Até me pareceu que me queria obrigar a aceitar as suas tomadas de posição.
Enfim, como é óbvio deixei que cada um acreditasse no que quisesse, embora me tenha custado uma confrontação com um responsável de um órgão de informação que não queria que eu abordasse as elites sociais, mas essa não era e nem é a minha forma de ser e de estar na vida, o que me levou a seguir outro rumo. E, se há razões evidentes, por que entrar nos jogos do faz-de-conta?
Hoje, onde encontro um sistema de saúde de excelência (Centro de Saúde de Celas – Coimbra), tenho consulta todos os dias sem marcação para situações agudas e nem preciso ir mais cedo. Até me sinto um privilegiado social. O mais engraçado é que estou a falar num sistema de saúde enquadrado nos mesmos termos daquele que tem pessoas a fazerem fila desde a madrugada, pois é o apelidado SNS/USF – Unidade de Saúde Familiar.
Começamos a ver em muitos locais estas mesmas regalias, que não são mais do que direitos de quem paga os seus impostos, mas ainda há as chamadas ‘Extensões de Saúde’ que parecem teimar em não aderir a este sistema…
Às vezes, apesar de já acreditar pouco naquelas atitudes humanas que atiram a pedra e escondem a mão, ainda me ponho a pensar: «Será que todas as pessoas não deveriam ter o mesmo tratamento que eu tenho?».
Pedro Miguel Sousa, in Jornal Povo de Fafe (17/09/2010)
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
«Aquilo que esta senhora fez agora não foi ela, fui eu!»
A sociedade obriga-nos a situações muito caricatas. Algumas são dolorosas, mas há outras que dão para “partir o coco a rir”. «Se disserem que eu disse isso, eu desminto!» ou «Se me perguntarem se vi alguma coisa sobre isto, digo que não!». Será que há alguém que nunca ouviu estas frases ou pelo menos uma delas?
Há muito pouco tempo, depois de uma cena insólita, daquelas que bem conhecemos do diz que disse, da verdade que só é por umas horas, mas com um telefonema já não é verdade e quem disse a verdade é um bufo, mas descobre-se que há vários bufos… enfim, tretas de um quotidiano em que os agentes não passam de paus mandados ao serviço de outros muito mal formados e informados, contaram-me uma daquelas anedotas do Bocage: «Aquilo que esta senhora fez agora não foi ela, fui eu!».
Esta é a sociedade que temos, não é? Indivíduos capazes de fazer de tudo para alcançar objectivos a todo o custo, mas depois não são capazes de assumir as asneiradas em que se meteram. Chegam mesmo a arrastar para a mentira outros que até estão inicialmente bem-intencionados e, assim, não antevêem que estão a fazer pior, porque a verdade tarda, não falha!
Depois de umas férias, que serviram para descansar as vistas de notícias tão popularuchas, eis que é retomada mais uma árdua tarefa de olhar atentamente para o mundo em geral e Fafe em particular, não fosse este um semanário local. Na blogosfera, as férias foram sentidas, mas já não há uma paragem tão acentuada, porque em qualquer parte do mundo nos deixavam actualizar o ‘resultado’ desportivo, nem que fosse das contratações que não chegaram a acontecer, ou de mais um nome que se estreia no mundo internético e já uma vasta rede lhe dá as boas-vindas.
Neste próximo ano, proponho uma análise detalhada sobre Fafe. Um percurso pelos locais mais recônditos (educação, cultura, turismo, desporto, acção social, infra-estruturas…), há descoberta de zonas (des)protegidas ou animais em vias de extinção, porque a distinção que poderia levar Fafe ao reconhecimento, apenas se encontra em algumas páginas individuais, porque no turismo de Fafe já bem o (des)conhecemos.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (10/09/2010)
Há muito pouco tempo, depois de uma cena insólita, daquelas que bem conhecemos do diz que disse, da verdade que só é por umas horas, mas com um telefonema já não é verdade e quem disse a verdade é um bufo, mas descobre-se que há vários bufos… enfim, tretas de um quotidiano em que os agentes não passam de paus mandados ao serviço de outros muito mal formados e informados, contaram-me uma daquelas anedotas do Bocage: «Aquilo que esta senhora fez agora não foi ela, fui eu!».
Esta é a sociedade que temos, não é? Indivíduos capazes de fazer de tudo para alcançar objectivos a todo o custo, mas depois não são capazes de assumir as asneiradas em que se meteram. Chegam mesmo a arrastar para a mentira outros que até estão inicialmente bem-intencionados e, assim, não antevêem que estão a fazer pior, porque a verdade tarda, não falha!
Depois de umas férias, que serviram para descansar as vistas de notícias tão popularuchas, eis que é retomada mais uma árdua tarefa de olhar atentamente para o mundo em geral e Fafe em particular, não fosse este um semanário local. Na blogosfera, as férias foram sentidas, mas já não há uma paragem tão acentuada, porque em qualquer parte do mundo nos deixavam actualizar o ‘resultado’ desportivo, nem que fosse das contratações que não chegaram a acontecer, ou de mais um nome que se estreia no mundo internético e já uma vasta rede lhe dá as boas-vindas.
Neste próximo ano, proponho uma análise detalhada sobre Fafe. Um percurso pelos locais mais recônditos (educação, cultura, turismo, desporto, acção social, infra-estruturas…), há descoberta de zonas (des)protegidas ou animais em vias de extinção, porque a distinção que poderia levar Fafe ao reconhecimento, apenas se encontra em algumas páginas individuais, porque no turismo de Fafe já bem o (des)conhecemos.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (10/09/2010)
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