A sociedade obriga-nos a situações muito caricatas. Algumas são dolorosas, mas há outras que dão para “partir o coco a rir”. «Se disserem que eu disse isso, eu desminto!» ou «Se me perguntarem se vi alguma coisa sobre isto, digo que não!». Será que há alguém que nunca ouviu estas frases ou pelo menos uma delas?
Há muito pouco tempo, depois de uma cena insólita, daquelas que bem conhecemos do diz que disse, da verdade que só é por umas horas, mas com um telefonema já não é verdade e quem disse a verdade é um bufo, mas descobre-se que há vários bufos… enfim, tretas de um quotidiano em que os agentes não passam de paus mandados ao serviço de outros muito mal formados e informados, contaram-me uma daquelas anedotas do Bocage: «Aquilo que esta senhora fez agora não foi ela, fui eu!».
Esta é a sociedade que temos, não é? Indivíduos capazes de fazer de tudo para alcançar objectivos a todo o custo, mas depois não são capazes de assumir as asneiradas em que se meteram. Chegam mesmo a arrastar para a mentira outros que até estão inicialmente bem-intencionados e, assim, não antevêem que estão a fazer pior, porque a verdade tarda, não falha!
Depois de umas férias, que serviram para descansar as vistas de notícias tão popularuchas, eis que é retomada mais uma árdua tarefa de olhar atentamente para o mundo em geral e Fafe em particular, não fosse este um semanário local. Na blogosfera, as férias foram sentidas, mas já não há uma paragem tão acentuada, porque em qualquer parte do mundo nos deixavam actualizar o ‘resultado’ desportivo, nem que fosse das contratações que não chegaram a acontecer, ou de mais um nome que se estreia no mundo internético e já uma vasta rede lhe dá as boas-vindas.
Neste próximo ano, proponho uma análise detalhada sobre Fafe. Um percurso pelos locais mais recônditos (educação, cultura, turismo, desporto, acção social, infra-estruturas…), há descoberta de zonas (des)protegidas ou animais em vias de extinção, porque a distinção que poderia levar Fafe ao reconhecimento, apenas se encontra em algumas páginas individuais, porque no turismo de Fafe já bem o (des)conhecemos.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (10/09/2010)
ESCRITA | ARTE | PUBLICAÇÕES | PROJETOS
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Álvaro Teixeira - MISSÃO CUMPRIDA
‘UM PRESIDENTE COMO MUITO POUCOS!’ seria a frase escolhida para classificar uma das pessoas que viu na política uma forma de ajudar os outros e nunca de procurar benefícios pessoais, pelo contrário, até colocou a sua missão para o cargo a que fora eleito à frente de tudo e, como bem se sabe, esta não é a política da maioria.
Levantamos este tema para demonstrar que a junta está ao alcance de todos, mas a capacidade de trabalho nem por isso. E, como se demonstrará, não é necessário ter um curso superior, até porque muitos foram conseguidos nas secretarias, é preciso ter ideias e determinação para as colocar em prática.
Ao chegar à Junta de Regadas, Álvaro Teixeira encontrou uma contabilidade desorganizada, não só contas a abater, o que é normal nas transições de poderes, mas contas em recibos feitos pela própria autarquia, papéis de blocos de notas… e, mais grave, dinheiros que nunca foram entregues apesar de estarem no livro de actas como saldo positivo.
Certamente que não foi para ver o que os outros deixaram que foram eleitos e, desse modo, Álvaro e a sua equipa deitaram mãos à obra e foram inúmeras as contas efectuadas para aumentar as valências da comunidade. Começou por indicar como obras prioritárias à Câmara (desde o início): A Construção de um Centro Educativo em Regadas (E vai ser construído); A construção de um polidesportivo; A recuperação da Estrada do Saibro; A construção do acesso Boavista - Estrada Nacional; O arranjo urbanístico para o Souto-da-Roda; A recuperação da Estrada que liga o Souto ao Rio; Juntar a zona industrial de Regadas no lugar do retiro a Regadas (junto à de Felgueiras). Através de projectos financiados: Estrada Loureiro - Regadas (Pinheiro); Estrada Arnozela – Regadas. Outras obras através de gestão da própria junta: Estrada para o Campo de Futebol; Recuperação do Interior e Exterior da Sede da Junta; Ajardinamentos: Sede da Junta; Devesa; Cemitério; Reajustamento do cemitério (piso; grades de protecção; reaproveitamento do espaço); Recuperação de todos os caminhos paroquiais. No associativismo: Colaboração com todas as associações (transporte; apoios pontuais; material informático, fotocópias...) e disponibilização de um terreno para a construção de um LAR de idosos. Nas novas tecnologias conseguiu: Internet grátis na Sede da Junta e Internet a 1 euro por mês na freguesia. Na Educação (apoiava): Escolas e alunos da freguesia; Aulas de canto e música; Aulas de dança; Natação. Na Sede da Junta aumentaram os serviços de apoio à população: Posto público de Internet (grátis); Fotocópias; Autenticação de documentos; Pagamento de luz, água e telefone; Posto do Centro de Emprego – Apresentações Quinzenais (Regadas, Arnozela, Ardegão e Seidões); CTT / Posto de Correios; Apoio no preenchimento do IRS; Registo de fossas e captações de água; Licenças para pequenas obras. Como se não bastasse, ainda terminaram o processo do Brasão da Freguesia e resolveram a questão da Toponímia.
Resumindo e concluindo, as obras, que não estão todas aqui, foram imensas e a capacidade de trabalho notória. Tentou, vezes sem conta, fazer propostas à Câmara para que as obras fossem realmente concluídas, mas quase todas essas propostas eram recusadas. Porquê? Se uma obra é apontada para milhares de euros e se há a hipótese de reduzir para menos de metade não se deve aproveitar?
Tomaram muitos patrões terem assim empregados! Mas para a Câmara isto não interessava, é que se fosse por estas ideias tinham mesmo de fazer as obras e quem ficava bem na fotografia era a Junta… mas será que a Câmara não consegue ver que se uma comunidade estiver bem também a câmara continua bem? De facto, em Fafe não é preciso… estão sempre bem!
Mas, se o Álvaro teve tantas obras o que o tirou de lá?
Esta é muito fácil de responder. Ora vejamos, se uma pessoa não faz nada e o colega ao lado faz, significa que ele também tem de trabalhar, senão só quem faz é que vai levar elogios, logo, toca a cortar-lhe as pernas. E foi o que aconteceu. Para além de tentativas com êxito para que as obras não avançassem, juntou-se a vontade de outras tramóias e, mais grave ainda, aqueles que antes andavam a pedinchar à junta um terreno para a construção de um lar (que vai ser feito, mas que já se sabe quem teve o papel fundamental, porque sem terreno não havia projecto) logo que o tiveram em seu poder tentaram tirar o Álvaro e até formaram duas listas.
Contudo, o povo é soberano e, bem ou mal, decidiu. Com chantagem ou sem chantagem, com medo ou com vergonha, o certo é que a maioria votou e, por isso, todos têm de respeitar. Os que estão não se poderão gabar das obras que fazem, porque estas foram programadas e agendadas desde a junta anterior, nem se poderão queixar continuadamente da junta anterior, mas poderão sempre mostrar que têm mais e melhores capacidades com novas e melhores propostas, o que ainda não se notou até ao momento, mas agora têm novamente a câmara da mesma cor.
Quanto ao Álvaro Teixeira, pode-se dizer que uma pessoa que deixa obras de grande relevo e agendada uma Escola, o que se lutava há anos, tem a ‘Missão Cumprida’.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (30-07-2010)
Levantamos este tema para demonstrar que a junta está ao alcance de todos, mas a capacidade de trabalho nem por isso. E, como se demonstrará, não é necessário ter um curso superior, até porque muitos foram conseguidos nas secretarias, é preciso ter ideias e determinação para as colocar em prática.
Ao chegar à Junta de Regadas, Álvaro Teixeira encontrou uma contabilidade desorganizada, não só contas a abater, o que é normal nas transições de poderes, mas contas em recibos feitos pela própria autarquia, papéis de blocos de notas… e, mais grave, dinheiros que nunca foram entregues apesar de estarem no livro de actas como saldo positivo.
Certamente que não foi para ver o que os outros deixaram que foram eleitos e, desse modo, Álvaro e a sua equipa deitaram mãos à obra e foram inúmeras as contas efectuadas para aumentar as valências da comunidade. Começou por indicar como obras prioritárias à Câmara (desde o início): A Construção de um Centro Educativo em Regadas (E vai ser construído); A construção de um polidesportivo; A recuperação da Estrada do Saibro; A construção do acesso Boavista - Estrada Nacional; O arranjo urbanístico para o Souto-da-Roda; A recuperação da Estrada que liga o Souto ao Rio; Juntar a zona industrial de Regadas no lugar do retiro a Regadas (junto à de Felgueiras). Através de projectos financiados: Estrada Loureiro - Regadas (Pinheiro); Estrada Arnozela – Regadas. Outras obras através de gestão da própria junta: Estrada para o Campo de Futebol; Recuperação do Interior e Exterior da Sede da Junta; Ajardinamentos: Sede da Junta; Devesa; Cemitério; Reajustamento do cemitério (piso; grades de protecção; reaproveitamento do espaço); Recuperação de todos os caminhos paroquiais. No associativismo: Colaboração com todas as associações (transporte; apoios pontuais; material informático, fotocópias...) e disponibilização de um terreno para a construção de um LAR de idosos. Nas novas tecnologias conseguiu: Internet grátis na Sede da Junta e Internet a 1 euro por mês na freguesia. Na Educação (apoiava): Escolas e alunos da freguesia; Aulas de canto e música; Aulas de dança; Natação. Na Sede da Junta aumentaram os serviços de apoio à população: Posto público de Internet (grátis); Fotocópias; Autenticação de documentos; Pagamento de luz, água e telefone; Posto do Centro de Emprego – Apresentações Quinzenais (Regadas, Arnozela, Ardegão e Seidões); CTT / Posto de Correios; Apoio no preenchimento do IRS; Registo de fossas e captações de água; Licenças para pequenas obras. Como se não bastasse, ainda terminaram o processo do Brasão da Freguesia e resolveram a questão da Toponímia.
Resumindo e concluindo, as obras, que não estão todas aqui, foram imensas e a capacidade de trabalho notória. Tentou, vezes sem conta, fazer propostas à Câmara para que as obras fossem realmente concluídas, mas quase todas essas propostas eram recusadas. Porquê? Se uma obra é apontada para milhares de euros e se há a hipótese de reduzir para menos de metade não se deve aproveitar?
Tomaram muitos patrões terem assim empregados! Mas para a Câmara isto não interessava, é que se fosse por estas ideias tinham mesmo de fazer as obras e quem ficava bem na fotografia era a Junta… mas será que a Câmara não consegue ver que se uma comunidade estiver bem também a câmara continua bem? De facto, em Fafe não é preciso… estão sempre bem!
Mas, se o Álvaro teve tantas obras o que o tirou de lá?
Esta é muito fácil de responder. Ora vejamos, se uma pessoa não faz nada e o colega ao lado faz, significa que ele também tem de trabalhar, senão só quem faz é que vai levar elogios, logo, toca a cortar-lhe as pernas. E foi o que aconteceu. Para além de tentativas com êxito para que as obras não avançassem, juntou-se a vontade de outras tramóias e, mais grave ainda, aqueles que antes andavam a pedinchar à junta um terreno para a construção de um lar (que vai ser feito, mas que já se sabe quem teve o papel fundamental, porque sem terreno não havia projecto) logo que o tiveram em seu poder tentaram tirar o Álvaro e até formaram duas listas.
Contudo, o povo é soberano e, bem ou mal, decidiu. Com chantagem ou sem chantagem, com medo ou com vergonha, o certo é que a maioria votou e, por isso, todos têm de respeitar. Os que estão não se poderão gabar das obras que fazem, porque estas foram programadas e agendadas desde a junta anterior, nem se poderão queixar continuadamente da junta anterior, mas poderão sempre mostrar que têm mais e melhores capacidades com novas e melhores propostas, o que ainda não se notou até ao momento, mas agora têm novamente a câmara da mesma cor.
Quanto ao Álvaro Teixeira, pode-se dizer que uma pessoa que deixa obras de grande relevo e agendada uma Escola, o que se lutava há anos, tem a ‘Missão Cumprida’.
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (30-07-2010)
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Fafe e o (tu)rismo…
A revolução cultural está visto que vai demorar a acontecer. A tão apregoada ‘Sala de Visitas do Minho’ não passa de uma imagem de marca que querem fazer prevalecer pelo uso excessivo, porque na realidade ainda falta muito para que ‘a sala’ tenha o devido conforto!
Após a nomeação dos novos gerentes do turismo, acontecida após a reestruturação dos órgãos autárquicos, pareceu-nos que não haveria muitas mudanças, mas devemos sempre dar tempo ao tempo e avaliar depois se houve ou não uma verdadeira aposta. O certo é que Fafe está condenada pela falta de ideias inovadoras, capazes de revolucionar o modus vivendi da população.
Será que já pensaram em candidatar a zona norte do concelho aos programas de apoio para o turismo rural? O que fazem os senhores que deveriam promover o turismo? Será que só aparecem para os programas televisivos nas feiras? E os projectos que são realmente necessários e capazes de aumentar a riqueza do concelho?
Já alguém me disse um dia: ‘só quando acabarem os apoios da União Europeia é que vamos ver quem são os bons Presidentes da Câmara’. Não tive dúvida alguma em concordar de imediato com tais palavras. E até era do partido do senhor Sócrates, vejam lá como sou mesmo democrático…
Reconheço que surgiram actividades, principalmente no campo desportivo, que trouxeram uma nova dinâmica à cidade e devem continuar, mas não são suficientes. Estas são pontuais, pouco acrescentam à riqueza do concelho. Não conseguem criar emprego e com isso gerar mais receita.
Afinal, o que se passa em Fafe? Por que será que não há uma aposta estratégica e capaz de embarcar, de uma só vez, um mega projecto turístico que tenha actividades culturais e recreativas?
Voltamos a referir: Fafe tem investigadores, programadores, mas não tem promotores culturais, e acrescentaríamos, muito menos turísticos!!!
O grande problema que nos surge necessário referir é que a vereação não parece muito preparada para gerir um concelho. Acreditamos que fossem bons membros da Junta de Freguesia de Fafe, mas não mostram capacidade na promoção do concelho (36 freguesias). Lá vão dizendo que somos ‘a sala de visitas’, mas até se compreende, porque a sala é onde normalmente as pessoas passam menos tempo. Será isso que querem dizer?
É verdade que ser Vereador não obriga a ter formação específica, mas podiam contratar quem realmente perceba do assunto, pelo menos para apresentar um plano estratégico de desenvolvimento do concelho, que fosse capaz de abater um pouco os números de desempregados do Centro de Emprego em Fafe.
Se o povo serve para votar, também devia servir para ter uma vida com qualidade!
Isto sim, é preocupação com o social!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (23-07-2010)
Após a nomeação dos novos gerentes do turismo, acontecida após a reestruturação dos órgãos autárquicos, pareceu-nos que não haveria muitas mudanças, mas devemos sempre dar tempo ao tempo e avaliar depois se houve ou não uma verdadeira aposta. O certo é que Fafe está condenada pela falta de ideias inovadoras, capazes de revolucionar o modus vivendi da população.
Será que já pensaram em candidatar a zona norte do concelho aos programas de apoio para o turismo rural? O que fazem os senhores que deveriam promover o turismo? Será que só aparecem para os programas televisivos nas feiras? E os projectos que são realmente necessários e capazes de aumentar a riqueza do concelho?
Já alguém me disse um dia: ‘só quando acabarem os apoios da União Europeia é que vamos ver quem são os bons Presidentes da Câmara’. Não tive dúvida alguma em concordar de imediato com tais palavras. E até era do partido do senhor Sócrates, vejam lá como sou mesmo democrático…
Reconheço que surgiram actividades, principalmente no campo desportivo, que trouxeram uma nova dinâmica à cidade e devem continuar, mas não são suficientes. Estas são pontuais, pouco acrescentam à riqueza do concelho. Não conseguem criar emprego e com isso gerar mais receita.
Afinal, o que se passa em Fafe? Por que será que não há uma aposta estratégica e capaz de embarcar, de uma só vez, um mega projecto turístico que tenha actividades culturais e recreativas?
Voltamos a referir: Fafe tem investigadores, programadores, mas não tem promotores culturais, e acrescentaríamos, muito menos turísticos!!!
O grande problema que nos surge necessário referir é que a vereação não parece muito preparada para gerir um concelho. Acreditamos que fossem bons membros da Junta de Freguesia de Fafe, mas não mostram capacidade na promoção do concelho (36 freguesias). Lá vão dizendo que somos ‘a sala de visitas’, mas até se compreende, porque a sala é onde normalmente as pessoas passam menos tempo. Será isso que querem dizer?
É verdade que ser Vereador não obriga a ter formação específica, mas podiam contratar quem realmente perceba do assunto, pelo menos para apresentar um plano estratégico de desenvolvimento do concelho, que fosse capaz de abater um pouco os números de desempregados do Centro de Emprego em Fafe.
Se o povo serve para votar, também devia servir para ter uma vida com qualidade!
Isto sim, é preocupação com o social!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (23-07-2010)
sábado, 17 de julho de 2010
Ilusão e desilusão… uma cidade de fantoches!
Numa tentativa de resposta à pergunta que diariamente se formula em relação ao estado do país, nada mais indicado do que a peça construída (A partir de O AVARENTO de MOLIÉRE) ‘O AVARENTO ou A última festa’ de José Maria Vieira Mendes. Esta comédia, escrita em 5 Actos?, oferece uma representação totalmente inovadora sem nunca se desviar da cidade e dos assuntos nela envolventes.
O pano sobe lentamente, mas logo deixa transparecer que a cidade está abandonada ou simplesmente desordenada. Da esquerda à direita, uma secretária, computadores agrupados, telas com imagens em movimento, uma campa, uma casota do cão, uma cama num plano mais elevado decorada de imagens diversas e com frases de ordem «como despachar um encalhado», «corrupção», «lei das ruas», «a casa», «o segredo», «amor»), um carro e um sofá são os elementos que sobressaem à primeira impressão. Tudo está ali, tudo está desordenadamente ordenado.
Em seguida, num movimento apressado, os actores entram e interagem com o cenário, aproximando‐se da boca de cena, um a um e dirigem‐se ao público: ‘Meus filhos... nova geração… sentados, adornados com ramos de suplicantes… eu de nome Édipo…’. Ao gosto clássico, a invocação no Prólogo, ainda que num ambiente diferente, situa a cidade (polis) e o que nela se passa: «Toda a cidade, como tu próprio notaste, se agita em estertor e não é capaz de erguer a cabeça acima deste abismo de desespero ensanguentado…». Desde logo, o espectador é levado para outro mundo, mas um mundo que está logo ali, mesmo à sua frente, onde ele é convidado a participar, porque é para ele que os actores se dirigem, olhos nos olhos, e lhes apresentam a cidade em que habitam. É invocado o auxílio ao ‘melhor dos mortais’, porque ‘é melhor governar com gente do que sem ela’. O caos está lançado.
Embora sejam muitos os momentos que mereceriam a nossa análise, destacamos o pai avarento que quer ver seus filhos casados com alguém de posses, mas, como era de esperar, os seus amores pertencem a outros donos e, noutro ponto, a oficina, uma verdadeira caracterização típica da sociedade portuguesa. Aqui, nesta oficina, não se trabalha de qualquer forma, pois o trabalho tem de ser limpo, as mãos não podem estar sujas com o óleo de motor, senão «como dar o aperto fraternal?». A oficina funciona, assim, como espelho de uma sociedade de aparências, onde «… falamos em português…», não existem manchas no chão e as roupas têm de estar limpas. Como se não bastasse, os funcionários só falam de férias e são confrontados com o patrão: «… férias? É só nisso que pensa…?».
Na verdade, a caracterização não poderia ser melhor, porque se temos um patronato que se preocupa com a aparência, temos também a classe trabalhadora a pensar em férias. Mas Vieira Mendes vai mais longe e coloca este ‘patrão’ a gabar‐se das suas qualidades, «… sou engenheiro, tenho um curso superior», e a rebaixar a classe operária «Esta juventude. Não sabem distinguir um Magritte de um Goya, um Beethoven de um Chostacovitch e ainda pedem férias. Se fosses meu filho…».
No final de todo o discurso, o patrão severo mostra ao público que «isto tudo não passa de máscaras de autoridade…», mais uma vez, a sociedade portuguesa por excelência, a sociedade que vive de aparências e se encosta a atitudes mais ou menos ditatoriais para disfarçar a pouca cultura que possui.
Acho que já vi isto em algum lugar!?!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (16-07-2010)
O pano sobe lentamente, mas logo deixa transparecer que a cidade está abandonada ou simplesmente desordenada. Da esquerda à direita, uma secretária, computadores agrupados, telas com imagens em movimento, uma campa, uma casota do cão, uma cama num plano mais elevado decorada de imagens diversas e com frases de ordem «como despachar um encalhado», «corrupção», «lei das ruas», «a casa», «o segredo», «amor»), um carro e um sofá são os elementos que sobressaem à primeira impressão. Tudo está ali, tudo está desordenadamente ordenado.
Em seguida, num movimento apressado, os actores entram e interagem com o cenário, aproximando‐se da boca de cena, um a um e dirigem‐se ao público: ‘Meus filhos... nova geração… sentados, adornados com ramos de suplicantes… eu de nome Édipo…’. Ao gosto clássico, a invocação no Prólogo, ainda que num ambiente diferente, situa a cidade (polis) e o que nela se passa: «Toda a cidade, como tu próprio notaste, se agita em estertor e não é capaz de erguer a cabeça acima deste abismo de desespero ensanguentado…». Desde logo, o espectador é levado para outro mundo, mas um mundo que está logo ali, mesmo à sua frente, onde ele é convidado a participar, porque é para ele que os actores se dirigem, olhos nos olhos, e lhes apresentam a cidade em que habitam. É invocado o auxílio ao ‘melhor dos mortais’, porque ‘é melhor governar com gente do que sem ela’. O caos está lançado.
Embora sejam muitos os momentos que mereceriam a nossa análise, destacamos o pai avarento que quer ver seus filhos casados com alguém de posses, mas, como era de esperar, os seus amores pertencem a outros donos e, noutro ponto, a oficina, uma verdadeira caracterização típica da sociedade portuguesa. Aqui, nesta oficina, não se trabalha de qualquer forma, pois o trabalho tem de ser limpo, as mãos não podem estar sujas com o óleo de motor, senão «como dar o aperto fraternal?». A oficina funciona, assim, como espelho de uma sociedade de aparências, onde «… falamos em português…», não existem manchas no chão e as roupas têm de estar limpas. Como se não bastasse, os funcionários só falam de férias e são confrontados com o patrão: «… férias? É só nisso que pensa…?».
Na verdade, a caracterização não poderia ser melhor, porque se temos um patronato que se preocupa com a aparência, temos também a classe trabalhadora a pensar em férias. Mas Vieira Mendes vai mais longe e coloca este ‘patrão’ a gabar‐se das suas qualidades, «… sou engenheiro, tenho um curso superior», e a rebaixar a classe operária «Esta juventude. Não sabem distinguir um Magritte de um Goya, um Beethoven de um Chostacovitch e ainda pedem férias. Se fosses meu filho…».
No final de todo o discurso, o patrão severo mostra ao público que «isto tudo não passa de máscaras de autoridade…», mais uma vez, a sociedade portuguesa por excelência, a sociedade que vive de aparências e se encosta a atitudes mais ou menos ditatoriais para disfarçar a pouca cultura que possui.
Acho que já vi isto em algum lugar!?!
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (16-07-2010)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Isto é sério demais para se brincar!
Na semana passada, uma reportagem sobre o interior do país mostrava um conjunto de agricultores e respectivas famílias que ainda vivem sem electricidade. A minha revolta instalou-se de imediato. Não fosse eu um assumido defensor da dita democracia e dos direitos iguais que lhe estão relacionados.
Se há lucros altíssimos, salários muito elevados para os administradores e acrescidos de prémios que davam para sustentar várias famílias de classe média, ainda que em nada me incomode se ganham porque conseguem fazer com que a empresa tenha excelentes resultados, só discordo porque poderiam baixar ao consumo, ainda que não represente uma baixa na realidade, uma vez que poderia levar a gastos menos controlados, mas, independentemente disto, não se poderia levar luz onde ainda hoje, século XXI, não existe?
Admite-se que existam famílias a viver sem luz nas suas casas? Pessoas que pagam impostos? Afinal, onde estão os defensores do social? Será que sabem o que é realmente o socialismo?
Certamente que já todos nos apercebemos que o mundo está entregue à lei da sobrevivência. Todos os políticos se definem como defensores das questões sociais, uns mais numas matérias e outros noutras, mas o certo é que andamos anos a fio a assistir a manobras de diversão que em nada trazem benefícios à população em geral.
Portugal é dos países mais pobres da União Europeia. O Estado está com cortes nos salários e aumento nas taxas. As autarquias lá vão jogando com os pequenos poderes, em dar mais um telhadito aqui, um poste de electricidade ali, um muro mais ali e, muito astutamente, as obras do compadrio vão segurando os tachinhos. Mas não devemos criticar apenas os políticos, porque se não fazem nada e ganham sempre significa que as pessoas estão contentes. Por exemplo, se uma estrada está danificada há anos ou se não aumentam as valências e as populações continuam a votar neles, significa que estão contentes, não é? Para quê mudar de atitude?
Se Portugal está nesta situação quer dizer que muita gente se deixou cair no marasmo e, por uma ou outra razão, não muda de posição. Sabemos que há chantagem em certos casos para ganharem eleições, como aqueles que, feitos com um grupo de apoio, ameaçavam os idosos que não lhes levavam de comer ou arrumavam a casa se não votassem no partido deles ou os que despedem funcionárias se não fizerem todas as vontades patronais, mesmo as que estão fora do contrato e sejam um atentado à moral, ou ainda os que falsificam assinaturas de cheques, porque a outra pessoa que teria de assinar não concordava com determinada despesa, e também aqueles que deixam saldo positivo e nunca mais se sabe dos dinheiros ou apresentam umas contas feitas por eles e dizem que não estão certas, porque há dívidas a abater e não conseguem fazer obras melhores devido à falta de ideias… enfim, não faltam motivos que darão para uma edição a publicar sobre estratégias para ganhar eleições num local onde ‘o diz que disse’ é válido e afinal quem diz que na política não vale tudo, só o diz porque alguém fez o trabalho sujo por eles.
Mas tudo bem, quem ganhou deve governar e mostrar o que vale, para nós basta não concordar e desviar dos praticantes destas atitudes. Como diz o ditado: «O mundo é uma roda, tanto anda como desanda».
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (09-07-2010)
Se há lucros altíssimos, salários muito elevados para os administradores e acrescidos de prémios que davam para sustentar várias famílias de classe média, ainda que em nada me incomode se ganham porque conseguem fazer com que a empresa tenha excelentes resultados, só discordo porque poderiam baixar ao consumo, ainda que não represente uma baixa na realidade, uma vez que poderia levar a gastos menos controlados, mas, independentemente disto, não se poderia levar luz onde ainda hoje, século XXI, não existe?
Admite-se que existam famílias a viver sem luz nas suas casas? Pessoas que pagam impostos? Afinal, onde estão os defensores do social? Será que sabem o que é realmente o socialismo?
Certamente que já todos nos apercebemos que o mundo está entregue à lei da sobrevivência. Todos os políticos se definem como defensores das questões sociais, uns mais numas matérias e outros noutras, mas o certo é que andamos anos a fio a assistir a manobras de diversão que em nada trazem benefícios à população em geral.
Portugal é dos países mais pobres da União Europeia. O Estado está com cortes nos salários e aumento nas taxas. As autarquias lá vão jogando com os pequenos poderes, em dar mais um telhadito aqui, um poste de electricidade ali, um muro mais ali e, muito astutamente, as obras do compadrio vão segurando os tachinhos. Mas não devemos criticar apenas os políticos, porque se não fazem nada e ganham sempre significa que as pessoas estão contentes. Por exemplo, se uma estrada está danificada há anos ou se não aumentam as valências e as populações continuam a votar neles, significa que estão contentes, não é? Para quê mudar de atitude?
Se Portugal está nesta situação quer dizer que muita gente se deixou cair no marasmo e, por uma ou outra razão, não muda de posição. Sabemos que há chantagem em certos casos para ganharem eleições, como aqueles que, feitos com um grupo de apoio, ameaçavam os idosos que não lhes levavam de comer ou arrumavam a casa se não votassem no partido deles ou os que despedem funcionárias se não fizerem todas as vontades patronais, mesmo as que estão fora do contrato e sejam um atentado à moral, ou ainda os que falsificam assinaturas de cheques, porque a outra pessoa que teria de assinar não concordava com determinada despesa, e também aqueles que deixam saldo positivo e nunca mais se sabe dos dinheiros ou apresentam umas contas feitas por eles e dizem que não estão certas, porque há dívidas a abater e não conseguem fazer obras melhores devido à falta de ideias… enfim, não faltam motivos que darão para uma edição a publicar sobre estratégias para ganhar eleições num local onde ‘o diz que disse’ é válido e afinal quem diz que na política não vale tudo, só o diz porque alguém fez o trabalho sujo por eles.
Mas tudo bem, quem ganhou deve governar e mostrar o que vale, para nós basta não concordar e desviar dos praticantes destas atitudes. Como diz o ditado: «O mundo é uma roda, tanto anda como desanda».
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (09-07-2010)
sexta-feira, 2 de julho de 2010
«O que adianta ter uma casa bonita se não tem conforto?»
No passado fim-de-semana, ouvi uma pessoa falar no termino de aulas de canto, dança e música e dizia esta brilhante frase: «O que adianta ter uma casa bonita se não tem conforto». Na verdade, apesar de sempre me revoltar com a falta de visão de alguns agentes que acabam com a formação porque querem o dinheiro para fazer mais ‘um chafariz’, isso é que dá nas vistas, o certo é que esta frase me fez repensar na forma de actuação dos responsáveis culturais e verificar que se pode reverter a situação com eficácia, haja apenas vontade.
Na parte de investigação seguida de registo e publicação sobre Fafe, parece estar no bom caminho, ainda que esta necessite de embarcar novos investigadores para este barco, o que pode e deve ser feito sob a orientação da experiência e reconhecimento e, nesta parte, Artur Coimbra tem conseguido um bom trabalho. Contudo, reforçando a necessidade de aumentar os investigadores, remeto para um recente post no Blog Montelongo (Pelos lugares da alma) que publicita o «Documentário elaborado para a disciplina Área de Projecto por Sofia Rodrigues, Rita Marinho, Cidália Cunha, Joana Gonçalves e Patrícia Silva do 12º Ano, Turma M, da Escola Secundária de Fafe» e aborda algumas lendas do concelho. Não poderia deixar de comentar a qualidade do trabalho, mas também senti que deveria prestar um serviço à comunidade, ou à sua identidade, e sugerir que o mesmo fosse apresentado aos agentes culturais para que em conjunto se desenvolvesse uma maior investigação, por todo o concelho, e se publicasse um trabalho final com registos que serão úteis para vários sectores que se queiram ver desenvolvidos, sejam na área do turismo, cultura e até PDM, porque significará que determinados sítios não devem ser alterados por causa do seu peso cultural/tradicional.
No entanto há questões culturais que faltam perceber aos agentes da cultura em Fafe, se ganharam já reconhecimento individual pelos seus trabalhos, o mesmo não se poderá dizer no colectivo, ou seja, Fafe tem livros editados, Fafe tem programação no Teatro Cinema, mas não tem programadores no concelho. Fafe existe no centro e as aldeias ficam fora do alcance das intervenções culturais e artísticas, muitas vezes por culpa delas, na débil capacidade dos seus gestores, mas o que nos parece mais eficaz será uma divisão por freguesias sob a gestão de um programador, que por sua vez deve estar em sintonia com a secção de cultura da autarquia. Salvaguarde-se o facto de este ‘Programador’ ter capacidades curriculares para desempenhar as funções, porque se não for um agente com formação na área, então deixemos estar quem está, ou seja ninguém, porque assim não se gastam salários indevidamente.
Ainda que em tempos já tenha feito esta observação, parece-me que volta a fazer sentido relembrar que a cultura pode ganhar se se apostar na educação para ela, isto é, se não se educarem as pessoas para a cultura elas nunca saberão se vale a pena ou não. E, conforme os exemplos que vemos no concelho, enquanto tivermos presidentes de junta que se preocupam mais em fazer obras de fachada (quando as fazem) em vez de lutar para que as pessoas possam ter qualidade e aumentar a sua formação, o que passava por aulas de música, teatro, dança, pintura… assim como no desporto a natação, atletismo, ciclismo… significa que seremos um concelho sempre pobre culturalmente.
«O que adianta ter uma casa bonita se não tem conforto?»
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (02-07-2010)
Na parte de investigação seguida de registo e publicação sobre Fafe, parece estar no bom caminho, ainda que esta necessite de embarcar novos investigadores para este barco, o que pode e deve ser feito sob a orientação da experiência e reconhecimento e, nesta parte, Artur Coimbra tem conseguido um bom trabalho. Contudo, reforçando a necessidade de aumentar os investigadores, remeto para um recente post no Blog Montelongo (Pelos lugares da alma) que publicita o «Documentário elaborado para a disciplina Área de Projecto por Sofia Rodrigues, Rita Marinho, Cidália Cunha, Joana Gonçalves e Patrícia Silva do 12º Ano, Turma M, da Escola Secundária de Fafe» e aborda algumas lendas do concelho. Não poderia deixar de comentar a qualidade do trabalho, mas também senti que deveria prestar um serviço à comunidade, ou à sua identidade, e sugerir que o mesmo fosse apresentado aos agentes culturais para que em conjunto se desenvolvesse uma maior investigação, por todo o concelho, e se publicasse um trabalho final com registos que serão úteis para vários sectores que se queiram ver desenvolvidos, sejam na área do turismo, cultura e até PDM, porque significará que determinados sítios não devem ser alterados por causa do seu peso cultural/tradicional.
No entanto há questões culturais que faltam perceber aos agentes da cultura em Fafe, se ganharam já reconhecimento individual pelos seus trabalhos, o mesmo não se poderá dizer no colectivo, ou seja, Fafe tem livros editados, Fafe tem programação no Teatro Cinema, mas não tem programadores no concelho. Fafe existe no centro e as aldeias ficam fora do alcance das intervenções culturais e artísticas, muitas vezes por culpa delas, na débil capacidade dos seus gestores, mas o que nos parece mais eficaz será uma divisão por freguesias sob a gestão de um programador, que por sua vez deve estar em sintonia com a secção de cultura da autarquia. Salvaguarde-se o facto de este ‘Programador’ ter capacidades curriculares para desempenhar as funções, porque se não for um agente com formação na área, então deixemos estar quem está, ou seja ninguém, porque assim não se gastam salários indevidamente.
Ainda que em tempos já tenha feito esta observação, parece-me que volta a fazer sentido relembrar que a cultura pode ganhar se se apostar na educação para ela, isto é, se não se educarem as pessoas para a cultura elas nunca saberão se vale a pena ou não. E, conforme os exemplos que vemos no concelho, enquanto tivermos presidentes de junta que se preocupam mais em fazer obras de fachada (quando as fazem) em vez de lutar para que as pessoas possam ter qualidade e aumentar a sua formação, o que passava por aulas de música, teatro, dança, pintura… assim como no desporto a natação, atletismo, ciclismo… significa que seremos um concelho sempre pobre culturalmente.
«O que adianta ter uma casa bonita se não tem conforto?»
Pedro Miguel Sousa
in Jornal Povo de Fafe (02-07-2010)
terça-feira, 29 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
Todos os ciclos de Ensino num só lugar?
A saga continua e a Educação parece querer entrar direitinha para uma fábrica de enlatados. Como se não bastasse o encerramento de várias Escolas, agora querem aparecer as fusões de Agrupamentos.
Desde sempre me insurgi contra esta forma de união de agrupamentos, não que me pareça estranha a sua gestão enquanto agrupamento, mas porque insisto em não concordar com a junção do primeiro ciclo com o segundo e terceiro num mesmo espaço. Os Agrupamentos podiam funcionar da mesma forma tendo várias escolas a funcionar, ou se preferissem poderiam ter uma para o primeiro ciclo e outra para o segundo e terceiro, porque as idades são muito distintas e, conforme já revelaram alguns psicólogos, a agitação das crianças é notória diariamente.
Em Fafe tivemos a construção de várias Escolas que já tinham o seu tempo de vida limitado, isto é progresso? Isto é pensar no bem público? O que achamos engraçado é o facto de algumas escolas terem dispensado alunos para outras e agora andam aflitos que as pessoas voltem a matricular lá os seus filhos, porque correm sérios riscos de encerrar.
Já que optaram por agrupar, não seria bem mais producente aplicar os dinheiros num agrupamento bivalente? Um excelente espaço para o pré-escolar e primeiro ciclo e outro para os segundo e terceiro ciclos?
Sabemos perfeitamente que as estratégias políticas obrigam muitas vezes a manobras de diversão, mas agora os dinheiros dos nossos impostos estão por aí enterrados em paredes de betão que pouco ou nada irão servir se não aparecerem projectos de grande dimensão e que tenham a formação e a cultura como patamar principal. Será que isto já está a ser questionado? Será que vão ser contemplados os projectos que olham para a projecção de Fafe numa perspectiva de intervenção social ou apenas de mais um espaço para funcionar aos fins-de-semana como sede de uma qualquer organização que tem apenas taças para colocar numa montra?
Estas e outras questões terão de ser bem ponderadas pelos agentes culturais e estes espaços não podem viver apenas de fins-de-semana, mas podem ser auxiliadores de uma cultura espalhada pelo concelho no campo da cultura pelas artes.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (25-06-2010)
Desde sempre me insurgi contra esta forma de união de agrupamentos, não que me pareça estranha a sua gestão enquanto agrupamento, mas porque insisto em não concordar com a junção do primeiro ciclo com o segundo e terceiro num mesmo espaço. Os Agrupamentos podiam funcionar da mesma forma tendo várias escolas a funcionar, ou se preferissem poderiam ter uma para o primeiro ciclo e outra para o segundo e terceiro, porque as idades são muito distintas e, conforme já revelaram alguns psicólogos, a agitação das crianças é notória diariamente.
Em Fafe tivemos a construção de várias Escolas que já tinham o seu tempo de vida limitado, isto é progresso? Isto é pensar no bem público? O que achamos engraçado é o facto de algumas escolas terem dispensado alunos para outras e agora andam aflitos que as pessoas voltem a matricular lá os seus filhos, porque correm sérios riscos de encerrar.
Já que optaram por agrupar, não seria bem mais producente aplicar os dinheiros num agrupamento bivalente? Um excelente espaço para o pré-escolar e primeiro ciclo e outro para os segundo e terceiro ciclos?
Sabemos perfeitamente que as estratégias políticas obrigam muitas vezes a manobras de diversão, mas agora os dinheiros dos nossos impostos estão por aí enterrados em paredes de betão que pouco ou nada irão servir se não aparecerem projectos de grande dimensão e que tenham a formação e a cultura como patamar principal. Será que isto já está a ser questionado? Será que vão ser contemplados os projectos que olham para a projecção de Fafe numa perspectiva de intervenção social ou apenas de mais um espaço para funcionar aos fins-de-semana como sede de uma qualquer organização que tem apenas taças para colocar numa montra?
Estas e outras questões terão de ser bem ponderadas pelos agentes culturais e estes espaços não podem viver apenas de fins-de-semana, mas podem ser auxiliadores de uma cultura espalhada pelo concelho no campo da cultura pelas artes.
Pedro Miguel Sousa,
in Jornal Povo de Fafe (25-06-2010)
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